quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Eu lia um livro de um autor japonês enquanto estava no ônibus. A cidade para a qual me dirigia não ficava longe, mas eu me sentia desolada e distante do mundo enquanto avançava. Parei de ler um pouco e ao virar o rosto para a direita me deparei com uma plantação de cana-de-açúcar e me senti inspirada. Comparei-me à personagem do livro, sozinho em uma ilha grega, esperando por uma mulher que só conhecia pelos relatos da mulher que amava.
Decidi escrever algo. O livro também falava sobre leitores e escritores, mas aposto que o escritor jamais pensou em por sua personagem rabiscando garranchos ao tentar produzir dentro de um ônibus que passava em uma estrada esburacada. Pergunto-me se ele próprio já escreveu em tais condições.
Um cheiro de merda me sobe às narinas e fico imaginando como haveria ele entrado em um ônibus climatizado.
Ônibus, merda e estrada esburacada acabam com a inspiração de qualquer um. É melhor eu voltar pra Grécia.

Essa viagem me mostrou um Brasil que eu queria esquecer. Um Brasil que me obriga a me sentir privilegiada, mesmo não o sendo.

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