segunda-feira, 7 de novembro de 2005

(In)correspondência

Cara correspondente,
Escrevo-lhe esta carta com o intuito de confessar o meu amor por você. Passo os dias observando as suas janelas e vendo o movimento das suas portas. Meu coração enche-se de felicidade quando tenho a sorte de vê-la saindo de casa ou chegando na mesma.
Meus únicos momentos de desilusão são quando vejo que és visitada por diversos homens. Se me deres a oportunidade, lutarei contra todos que se opuserem à sua pureza.
Atenciosamente,
Seu Admirador.

Caro admirador,
Fiquei surpresa e muitíssimo lisonjeada ao receber a sua carta.
Desde o final do meu último namoro eu vinha me sentindo muito só, e meus amigos foram os que me ajudaram a sair da fossa. Você mesmo, provavelmente não teria me olhado no estado deplorável no qual eu me encontrava antes de receber a força deles.
Então você se pergunta por que eu não pedi ajuda às minhas amigas. Simples: todas elas se encontram comprometidas, e acabamos nos afastando sem percebermos. Portanto, peço-lhe que não veja minhas amizades com eles com maus olhos, pois tratam-se todos de amigos do peito.


Querida Admirada,
É o fato de serem seus amigos do peito que me preocupa. Amigos do peito e de outras partes também.
Se me desses a honra de namorar-te, não precisarias da visitação de outros homens.
Sempre seu.

Sinto decepcioná-lo, mas eu jamais abriria mão das minhas amizades por causa de um namorado. Tenho os meus motivos para não acreditar na eternidade dos relacionamentos e mais ainda para acreditar na eteriedade dos namoros.

Percebo agora o quanto os homens devem tê-la machucado mas peço-lhe que confie em mim, e a farei feliz por toda a eternidade.

Por favor não me escreva mais. A última coisa que preciso é de um psicólogo amador. Espero que não responda essa carta nem escreva outras. Isso é um adeus.

Como posso deixá-la em paz se estou completamente apaixonado?

Simples. Não olhe mais as minhas janelas e esqueça as minhas portas. Não me escreva mais. Esta é a minha última carta endereçada a você.

Suplico-lhe que não me odeie! Eu só quero fazê-la feliz. Por favor me responda. Um beijo.

O que eu fiz para irritá-la? Fui eu descortez e indelicado em algum momento? E quem é aquele homem que tem ido à sua casa todos os dias?

Por que ele só sai da sua casa de madrugada? É mais um dos seus amigos? Sua puta! Eu vou me vingar.

Eu sei que já se passaram muitos anos e que você se mudou dessa casa logo depois que casou. Eu só queria dizer que ainda te amo.

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