sábado, 16 de maio de 2009

Abro os olhos

Impossível fugir a essa dura realidade
Ne
ste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

(O dia da criação, Vinicius de Moraes)



Abro os olhos. A enxaqueca passou. Ainda bem. Esse remédio é mesmo muito bom. Demoro ainda uma meia hora para criar coragem e me levantar da cama. Tenho medo que ela apareça novamente.

Levanto-me e vou até o espelho. Decrépita, como já era esperado. Pego o pote com algodão e o demaquilante para tirar a maquiagem preta dos olhos. Um pouco mais apresentável, apesar dos cabelos indomáveis.

Meu estômago se revira, mas não tenho vontade de comer. Na geladeira tenho umas goiabas do tamanho de um mamão. Pego uma dessas, passo uma água e a mordo. Vou para o computador. Ainda é cedo, ele não deve estar lá. Aliás, já fazem alguns dias que não o vejo. No fim das contas não faz diferença, a gente quase não se fala mesmo.

Saio do computador, estou com vontade de assistir um filme. Meu DVD não pega. Droga, só fazem três meses que o comprei, será que essa porcaria já quebrou? Bom era no tempo da minha avó, que as coisas duravam uma vida inteira. Meu toca-discos era dela. Mas fazer o quê, no tempo da minha avó não tinha DVD...

Assisto a outro filme, um que estava no meu mp4. Pelo menos o USB do DVD ainda funcionava. Esse filme não tinha legenda, mas até que consegui entender boa parte do que diziam. Terminado o filme meu estado de espírito se manteve o mesmo. Voltei para o computador, mas ele ainda não estava lá. Será que viajou?

Fui para a sala ler um pouco, mas a fome bateu violenta. Com preguiça de viver, engatinhei até a cozinha, mas antes de chegar à geladeira deitei-me no chão, frio. Lembrei novamente dele e fiquei excitada. Apesar de estar menstruada, me masturbei pensando nele. Mas lembrei-me dos vizinhos, olhei pela janela da cozinha e constatei que ninguém me observava. Senti-me patética. Deitada no chão da cozinha, quis chorar, mas não consegui.

Que boba. Não aprendeu nada em todos esses anos? Você nem ama esse homem. E mesmo se amasse, até isso passaria um dia. O problema é que você ama a ideia dele. A ideia de amar, sendo correspondida ou não. Pois bem, vou te dizer uma coisa: você não é mais nenhuma adolescente. Por mais que queira ser, o tempo só avança.

O tempo só avança. Sinto-me na obrigação de não ficar mais parada. É sempre assim. E provavelmente vai ser até o final da minha vida. Afinal, é assim mesmo que eu sou. Melhor começar a fazer o meu almoço.

3 comentários:

PeggyDay disse...

é, o bom eh q tudo passa mesmo... menos nossa amizade de duas decadas hehehehe

Samuel Gois disse...

Meu deus em que musica escutei algo semelhante a questão a idéia do gostar de amar por amar..bem ciba meu encheu o saco querendo mostrar a música pq parecia com ela.. O que e normal acho que a cultura pop para bem ou mal nós transformo em retalhos de trechos de varias músicas...viagei. Pense assim a masturbação feminina e bela e romântica. O homem só precisa da quina de um sofá bem macio..no mais vela escrevendo tanto meu desperta até inveja :*

Thaïs disse...

Mutarelli comenta no Cheiro do Ralo que deseja escrever um livro só com as frases de outras pessoas que ele guardou. Ele fala "tornar meu o que adquiri". E é mais ou menos isso, né? A gente parece que tá sempre citando alguém, seja em palavras ou atitudes. Se descobrir qual música é me diz que eu quero ouvir, hehehehe.
A única referência à masturbação feminina que eu me lembro é em Cidade dos Sonhos, de Lynch. Também era algo assim, meio triste.
Invejinha boa, né? Hehehehhh ;D Fico feliz em escrever com certa frequência. Mesmo se for sob a influência de um falso amor, hehehehe ;D