terça-feira, 19 de maio de 2009

Réquiem

Hoje eu sinto a necessidade de prestar uma homenagem aos mortos. Muita coisa aconteceu nesses últimos tempos, algumas secretas, divido apenas com os mais próximos, outras não são segredo nenhum, estão aí, visíveis, para quem quiser saber. O fato é que a morte mostrou-se excessivamente ameaçadora e presente este ano. Dessa maneira ela me obriga a pensar "pra que tudo isso"? Por que me preocupar com tantos problemas pequenos? Mas agora penso que eles são necessários para que os grandes problemas não me engulam.
Camila, Igor... Eu não tinha proximidade com nenhum dos dois. Mas de repente achei tudo tão frágil ao meu redor. E me entristeci com a ausência deles na vida de todos que os queriam bem. Lembrei-me então do meu irmão. O primeiro contato que tive com a morte. Eu o olhava no caixão, intrigada, me perguntando por que os mortos tinham as sobrancelhas raspadas. Só anos mais tarde me dei conta que isso não era uma prática rotineira, mas necessária no caso dele, porque as suas tinham sido queimadas na explosão.
Sem contar das vezes que eu, criança, me debulhei em lágrimas ao perder cachorrinhos, gatinhos, pintinhos e depois, já não tão criança, a minha porquinha-da-índia.
Uma vez me perguntei se as pessoas sentiriam a minha falta quando eu morresse. Uma bobagem, descobri que sentiriam.
Existe também a morte dos idosos, tão triste quanto a dos jovens, porque a cada aniversário eles a sentem cada vez mais próxima. O pai da minha mãe, já no final da sua vida, sempre que me via, chorava. Tão terno. Dizia com frequência que era a última vez que me via, o último aniversário, o último dia dos pais... A gente tende a banalizar esses presságios, mas de fato, chega um momento em que eles se mostram reais.
Esse ano tive conhecimento de uma morte diferente. Morte, ainda assim. Ela transformou muita coisa dentro de mim e mais ainda ao meu redor. Ela tem mesmo esse poder de modificar tudo. De fazer a gente pensar na vida. Já que afinal, me perdoem a falta de originalidade, a única certeza da vida é a morte.

3 comentários:

PeggyDay disse...

=(
eh amiga, soh espero ter vc pra sempre, inclusive no geriatrico em situaçoes nao-agradeveis, nao importa

te amo

Thaïs disse...

Sim, fugindo da fralda e brigando pelo porquinho. Também te amo ;*

Samuel Gois disse...

o igor era muito amigo da redatora la da agencia, ela ta derrupadona ainda com isso tudo...

refleti um pouco sobre essas coisas em meio a isso tudo.

espero poder voltar a usar fraldas pelo menos ;x