segunda-feira, 8 de junho de 2009

Migalhas

Até masoquismo tem limites. Mas aqui é tudo mais cruel, mais explícito. O mundo moderno vive deixando migalhas para as nossas ilusões, masoquistas, persistentes. Me pergunto por que as pessoas são tão diferentes. Não compreendo os que não amam, os que não sofrem, os que não se apaixonam e desapaixonam na velocidade da luz, os que não são masoquistas como eu. Que se isolam atrás de uma casca e quando a luz bate diretamente nela, vislumbram apenas sombras e continuam impossibilitados de viver o presente, tendo em mente apenas pálidas ilusões do passado ou os sonhos do futuro.
Mas eu muitas vezes os invejo, pois mais cruéis são os sonhos que estão sempre tão perto e tão longe. Palpáveis, mas inatingíveis. Que te tocam, te beijam, mas não sonham contigo. Exceto nos teus sonhos, onde cada migalha representa uma esperança. Mas ao amanhecer os pássaros já passaram e perdes o caminho de volta e então, na procura de um abrigo, machucas os pés nas pedras e o rosto nos espinhos das árvores.
No fim dessa jornada retornas ao teu casulo, que não é tão duro quanto a casca dos outros, mas serve para vislumbrares também algumas sombras enquanto as chagas que acumulaste cicatrizam e te preparas para mais uma vez sair em busca de migalhas ao entardecer.

3 comentários:

Samuel Gois disse...

romeu, oh, romeu, onde estas?

Thaïs disse...

Seu escroto, huhuheuheuheuheu ;D

Stephany disse...

:O
Adorei!
menina, texto perfeito. To em choque!
hauahua
sério! =~~~