domingo, 25 de julho de 2010

Carlota

Carlota era o nome dela, em homenagem à rainha. Tinha pernas tortas, diziam que de tanto atrair os corpos dos homens contra o seu. O que eu espalhava aos quatro ventos ser a maior calúnia, pois ela me jurava de pés juntos (na medida do possível) que era virgem. Ela dizia que estava se guardando para mim, o seu grande amor, que não era como essas mulheres que andam por aí entregando seus corpos a qualquer homem que lhe prometesse um jantar elegante.
Sempre acreditei ter tirado a sorte grande, por ter conseguido o amor de uma mulher tão cobiçada como Carlota. Andávamos de mãos dadas pelas ruas da cidade e atraíamos sempre os olhares curiosos, éramos vítimas de comentários dos transeuntes e eu sentia enorme orgulho pela minha vitória. Orgulho ferino, viria eu a descobrir posteriormente. Julgava-me superior por ter mulher mais pura e bela de todo o mundo.
Todas as noites eu voltava para casa com o corpo em chamas, por ter e ao mesmo tempo não ter a mulher dos meus sonhos, febril por imaginar minhas mãos perscrutando suas vestes justas, sonhos misturados com pesadelos, pois a culpa de pensar nela como uma qualquer, lasciva, pesava sobre a minha consciência.
Cheguei à conclusão de que a situação estava insustentável. Não havia motivos reais para eu permanecer nos abstendo da nossa felicidade. Peguei imediatamente o celular e liguei para Carlota, mas ela não me atendeu. Passava das dez da noite, era bem provável que já estivesse dormindo. Eu teria que me conformar em pedir sua mão no dia seguinte.
E às oito já estava de pé, em frente à sua casa. Mal cabia em mim de tanta ansiedade. Não tínhamos famílias rivais, mas eu me sentia como um Romeu, diante de tantas proibições. Inspirado nesse amor etéreo, resolvi subir até o seu quarto, para acordá-la com um beijo de príncipe encantado. Com muito custo consegui chegar à janela, apenas para descobri-la chegando ao êxtase com um enorme e suado ogro pressionado contra si pelas suas pernas tortas.
Talvez Carlota fizesse tanta questão de me convencer da sua virgindade porque eu era virgem. Eu queria me guardar para ela, para o meu amor e ela sentiu a obrigação de fingir ser igual a mim. Mas nós não éramos nem um pouco parecidas.
Entrei pela janela aberta e ambos deram um pulo, tamanho o susto. A primeira reação da minha amada foi mostrar-se pudica, mas eu ignorei as suas explicações e fui diretamente na direção do ogro, que assustado, recuou até sentar-se na cama. Sentei-me no seu colo e foi ali, na frente de Carlota, enrolada em seus lençóis brancos, que aconteceu a minha primeira vez.

3 comentários:

Fabiano disse...

Senti falta da acidez e talento com que vc escreve. Continuo seu fã, continuo rindo com a sexologa taradologa. Abraços!

Thaïs disse...

É bom "revê-lo" ;)
Abraço!

Luiza disse...

muito bom