quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

HEY HO, LET’S GONNA ROCK’N’ROLL

por Rodrigo Rocha

Já faz um século que’u havia prometido ao Edinho e ao Jesuíno André escrever alguma coisa pro Correio Jovem. Eles nunca nem fizeram questão de definir o tema... “Escreve qualquer coisa, Rodrigo, vamu lá!!!” liberou o Edinho, um dia desses, pelo telefone. Teve um domingo aí que o computador já tava ligado, as idéias quase todas na cabeça, aí, “Rooodrigoooo...” Era Júlio Castelliano e Paulo Bala no portão, chamando pra surfar. Fazer o quê??? Também, escrever de graça é f..., né Edinho?
Mas pintou um tema do caramba e aqui estou eu, noite de quarta-feira, o Hardcore inspirador do Minor Threat à toda no sound system e, mais uma vez, com a cabeça cheia de ideias... Ahaaa... e daqui a pouco tem aquele jogão do São Paulo na TV. Portanto, vamu nessa que a cerveja já tá gelando no congelador!!!
Nossa história de hoje começa meses atrás quando a galera, cansada de se espremer no meio dos mauricinhos ali pelos lados do Bahamas, resolveu dar umas voltas por aí. Num minuto, poucos passos percorridos, ali, logo ali, em frente ao Hotel Tambaú, na praça Santo Antônio (acho que é esse o nome), ouviu-se Jimi Hendrix! Fomos seguindo o som e demos no “Bar”. “Que loucura...” alguém falou.
Muitas cervejas depois, Hendrix foi sendo negociado pelo Deep Purple que, na sequência, foi trocado pelo Led, depois pelo Sabbath, depois Grand Funk, depois um ou outro som grunge... depois... Ha, nunca mais tomar cerveja ao som de axé music, nunca mais assistir aquelas brigas que os playboys todo final-de-semana armam... finalmente os roqueiros da cidade tinham endereço: “O Bar” do Ricardo Pordeus.
Ricardo é um roqueirão das antigas, daqueles que crescem, casam, têm filhos... aí separam e montam um negócio bem legal. Hoje todo mundo é amigo do cara, toma altas com ele... ôoops... toma não – nosso amigo não bebe! Mas o bacana mesmo daquele lugar é o som. O cara instalou um CD player (!) do qual todos nós desfrutamos. Se você curte som, sabe: a cerveja desce muito melhor sob os efeitos de uma musiquinha maneira (não que ela seja necessariamente leve, se é que você me entende...).

JUST FOR FUN
As semanas foram passando, até que alguém teve a ideia de fazer um som ao vivo. Foi aí que entrou o The Abyss, uma banda trash/hardcore que, agora, quase todos os sábados toca pra galera. Imagine a cena: Dez, dez e meia da noite, as barracas de artesanato começam a fechar, a roqueirada vai chegando e as primeiras cervas vão sendo abertas. Meia hora depois, já com todas as lojinhas fechadas, o equipamento começa a ser montado. É tudo muito rápido e simples, de uma hora pra outra estão lá Kiko, na guitarra e no vocal, Boy Volênio, na bateria, e Vladimir, no baixo e back vocals.
One, two, three, four... começa o cacete. Nas próximas horas, além das músicas da própria banda, um set alucinante: “This Love” do Pantera, “Subliminaly” do Suicidal Tendencies, “Troops of Doom” do Sepultura, “Whiplash” e “For Whom The Bell Tolls” do Metallica, quer mais? Então toma: “Black Magic” do Slayer, “Some Pain Will Last” do Kreator, “Heartbraker” do Led Zeppelin... aí vem a sessão Seattle: “Would?”, “Them Bones”, “Rain When I Die”, “Man In The Box” e “Angry Chair” do Alice in Chains, a quase “uncoverable” “Searching With My Good Eye Closed” do SoundGarden... e Hendrix, muito Hendrix!!!
Uma vez perguntei a Kiko por que eles faziam essas “maldades” com a galera e ele me respondeu: “Just For Fun, Babe...”. realmente é muito divertido e, se rola um pouco de Rock’n’Roll aí por essas suas veias congestionadas de Coca-Cola, Shopping Center, Radical Chic e todas aquelas porras que “os caras” acham que a gente curte, por favor, não perca o próximo sábado.

A VOLTA DA FEIRINHA
Mas nossa história de hoje não fica por aqui. O negócio é que Ricardo (d’O BAR) se juntou com todo mundo dali da feirinha e bolou um projeto maneiríssimo: eles estão querendo trazer de volta todo aquele agito que rolava ali na feirinha tempos atrás – se você já passou dos 20, sabe do que’u to falando. Eles já conseguiram um palco e agora pleiteiam junto à prefeitura uma melhor infraestrutura (luz, som, segurança etc) para que o projeto comece a ser tocado.
Estão previstos shows (não só de rock, porque nem só de rock vive o homem), peças, oficinas de arte para as crianças, mil histórias. Eles pensam em ocupar a semana inteira com esse tipo de atividade, estão passando um abaixo assinado, já começaram a conversar com as pessoas e tomara que a Prefeitura, a PBtur, o Governo do Estado, os empresários e, principalmente você, meu camaradinha, tome partido. Muita coisa pode ser feita. Vamu nessa??? O melhor, é que a gente já sabe que os sábados são nossos!

João Pessoa, 13/05/1993

Isso é só o começo...
Rodrigo Rocha

6 comentários:

Samuel de Gois disse...

vejamos então os rumos!

Fonsecaman disse...

Era bom fazer uma análise e ver no que deu, se é que deu. Foi bom ler esta matéria trouxe boas lembranças

Thaïs disse...

Pensei nisso também Thiago, ver se consigo comentários de alguém que frequentou o lugar na época, já que eu só virei frequentadora da feirinha uns 10 anos depois...

fúcsia disse...

Thiago,
Era bom postar para os amigos dele, como KIko, Thiago Penna, Serguei, jesuino, etc

Lau Siqueira disse...

Rodrigo tinha um texto muito interessante, um estilo muito dele. Cheguei a ler outros escritos dele no jornal e gostava muido das abordagens, da forma como aquele menino se comunicada com a sua própria geração e com roqueiros "das antigas" como eu e Ricardo, meu bróder,meu companheiro de tanta alegria e tristeza. Enfim, fiquei feliz pela leitura, por constatar a atualidade do texto... mais feliz ainda por estar na intimidade de uma família que eu admiro e estimo tanto. coincidentementemente, emm 93, nesta data, eu lançava meu primeiro livro, o Comício das Veias, com poemas meus e contos de Joana Belarmino.
Besos y hasta siempre!
Lau

L. de Liuba disse...

A feirinha foi nossa o quanto a gente pôde sustentar, foi um tempo bom danado, muita gente chegou, ficou, saiu, voltou... Ricardo mesmo mudou de lugar, outras pessoas ocuparam o lugar pra não deixar a bola cair, a gente lá, pulando de uma pra outra pra dar sustento a todas quantas pudessem se manter por ali. Muito rock rolou, muitos rocks... Bateu uma saudade grande demais, não do tempo que não volta mesmo (e ainda bem, é pra passar, deixe que passe), mas das pessoas, do espaço que , por mais difícil que fosse, por mais bagunça sonora, era nosso espaço. E de Rodrigo. ai, ai. Cadê, Júlio? "Rodrigoooo!". Fica essa lembrança, a passagem boa e marcante, e a família querida que trago aqui pertinho. ;)