quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O silêncio das inocentes


Esta semana produzi uma tira sobre um fato que ocorreu comigo na infância e me marcou profundamente. Como ocorre com a maioria das mulheres no Brasil (quiçá no mundo), fui abordada por estranhos na rua que acharam oportuno me mostrar seu pênis (usei o termo “pau” na tira, mas acharam engraçado, então para ninguém se confundir quanto ao teor do texto, preferi recorrer ao termo científico). Na segunda vez em que isso ocorreu eu tinha cerca de 11 anos, mas na primeira eu sequer lembro que idade tinha.

Por ser um assunto delicado, muitas pessoas preferem não falar a respeito, mas ao ler a tira, várias outras mulheres comentaram que o mesmo havia ocorrido com elas, um estranho no ônibus ou mesmo um colega da escola. Segundo a pesquisa feita no site thinkolga.com, de 7.762 mulheres, 99,6% responderam que já foram assediadas sexualmente. Dentre outras estatísticas, 90% das mulheres responderam que já trocaram de roupa pensando no lugar onde iriam por medo de assédio, 82% foram agarradas na balada e 68% já foram xingadas por dizer não à cantada de alguém.

Se esse é um fato tão comum, por que é tão pouco discutido? Porque é subestimado. Em um grupo de discussão me apresentaram o termo gaslighting, oriundo do filme À Meia Luz (Gaslight, 1944), de George Cuckor, onde o marido de Paula Alquist (Ingrid Bergman) tenta convencer a ela e aos demais que sua mulher está louca. Segundo o Wikipédia, “gaslighting é uma forma de violência psicológica na qual uma falsa informação é apresentada na intenção de fazer a vítima duvidar da própria memória, percepção e sanidade”. Dadas as devidas proporções, a maior parte das mulheres se sente violada quando sofre qualquer forma de assédio sexual, mas acaba se convencendo (ou sendo convencida) de que está exagerando e no fim das contas, felizmente não aconteceu nada mais sério.

Se você duvida, mostre esse texto a um número considerável de pessoas e veja quantas consideram que estou exagerando, quantas acham que eu preciso de um tanque de roupa suja pra lavar e quantas acham que eu sou “malcomida”. Isso só pra mencionar os termos mais comuns quando qualquer tentativa de se fazer mostrar uma situação incômoda para as mulheres ocorre. Mas enquanto acham que eu estou exagerando, esse tipo de situação tem ocorrido com bastante frequência ao longo da vida das suas mães, irmãs e namoradas. E isso as traumatiza. Eu deixei de andar de bicicleta, mas a Joana deixou de andar de ônibus, a Clarice deixou de usar saias e a Denise não consegue mais confiar nos homens.

101 comentários:

Jairo Koda disse...

Tem que falar muito, gritar bem alto, fazer bastante alarde, quem sabe as pessoas conseguem escutar.
Omitir é a pior escolha pois não provoca nenhuma mudança.
Eu não consigo entender porque isso é tão comum mas sei que é, eu não sei de onde vem tanta atitude horrível, mas acredito que só é possível mudar ao longo do tempo, toda criança tem uma mãe, ela se tiver um pouco mais de conhecimento e informação pode ensinar seus filhos a respeitar uma mulher, com o tempo melhora, dos que já estão aí, só com atitudes com a sua.
Parabéns.

Vanny Souza disse...

Infelizmente isso ainda acontece e no meio das pessoas que menos esperariamos..... E quando é em ambiente de trabalho, que ou se fica calada ou se perde o emprego?! Nao se cale mulher!

Lady Sybylla disse...

Aconteceu algo parecido comigo, mas eu estava num ponto de ônibus e o cara botou o pau pra fora, me chamando de gostosa.

As pessoas ao redor se afastaram de mim, ninguém falou nada. Entrei no primeiro ônibus que apareceu, em lágrimas...

Vinícius Rampazzo disse...

Eu uma vez fui assaltado saindo da faculdade. Eu continuei indo pra faculdade. Sinto que às vezes o melhor é superar uma situação traumática em vez de se render a ela.

João Paulo R. Berrêdo disse...

Já vi muitas amigas comentarem fatos parecidos. Inclusive, há pouco tempo, uma delas disse que estava a caminho do trabalho, quando parou um babaca em um carro, parou rente ao meio-fio e resolveu mostrar o pau para ela. Gente, eu fico muito puto da vida... que agressão absurda!

Isabella Volpini disse...

Realmente é muito traumatizante ser assaltado, mas ter 11 anos e ver o pênis de alguém não é algo que seja fácil de ser superado... E não andar de bicicleta não é um render-se a ela.. É simplesmente uma ligação que ela fez entre um fato e outro... Render-se a ela seria não comentar, achar que é normal e não merece ser desabafado, e que nada mais pode mudar... E isso, com certeza, ela não fez.

Lu Fernandes disse...

Isso é muito triste... Agora você imagine quando isso vem de alguém de dentro da sua própria casa, ou pior, seu próprio pai(ou pelo menos ele se denomina assim) e você, tão pequena, que não sabe distinguir as coisas, cresce apenas com aquela imagem de que coisa certa é que não era. Pois é, tenho várias memórias que me atormentam até hoje.

PewPewDooM TAZZ disse...

O que tem de traumático mostrarem o pau pra você se ninguém te tocar, para de frescura trauma é ver filho morrer na sua frente, frescura do caralho

Juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliana disse...

Quase passei por isso quando era muito pequenina, 6, 7 anos. Estava no constório de dentista, meu pai tinha saído e um homem apareceu na porta perguntando se queria ver seu ursinho dentro de sua cueca. Comecei a chorar e ele desapareceu. Uma mãe de um amigo, professora daquelas espevitadas e famosas, estava no elevador da faculdade quando um desses caras abriu o zíper lhe mostrou seu pau, ela mãe de 3 homens respondeu em alto e bom som: "Guarda essa pinto murcho, que de pinto eu já tô por aqui! tenho 4 desses em casa" o cara na mesma hora murchou literalmente. Acho que é por ai mesmo, esses caras fazem isso por vários motivos (dodoi da cabeça, pervertido, tarado, etc) mas o motivo mais sério é que eles SABEM que as mulheres (E ALGUNS HOMENS/MENINOS que também são vítimas)tem medo deles e por constrangimento, vergonha elas e eles se calam, se escondem. Alto e bom som, quando isso acontecer: GUARDA ESSE PINTO PODRE!!

Andreia disse...

E quando houve testemunhas do ato e elas decidiram que "tudo não passou de imaginação minha"?

Eu nunca cheguei a ser violada, mas vendo bem, tocar sem o teu consentimento é praticamente o mesmo. Desde um vizinho que resolveu mostrar a sua 'obra-prima' e que queria encostar porque sim. A um outro vizinho que a minha mãe tinha contratado para fazer uns arranjos na cozinha e ele decidi abusar da confiança e se armas em espertinho? Ou de desconhecidos que pensam que podem tocar nos seus seios como toca nos da mulher? enfim, tenho tantas situações destas que até podia escrever um livro.

CHeguei a contar às minhas melhores amiga, e até mesmo à minha mãe mas como nunca passaram por algo assim, logo disseram que estava louca, que o vizinho ou o filho da vizinha nunca faria isso. Nem homens casados.

Enfim... Isso nos faz perder confiança até na família. :/

Vinícius Rampazzo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinícius Rampazzo disse...

Ela está muito certa em desabafar e comentar, mas acredito que nenhuma pessoa, independente do sexo, deva deixar de viver parte de sua vida por ter sido sujeita à violência, independente da natureza. Às vezes essa tirinha e o post podem ser o primeiro passo para a autora se sentir confiante o suficiente para montar numa bike novamente.

Divina Lemos disse...

Recentemente, parei em um semáforo, abri o vidro do carro e perguntei ao entregador de panfletos um endereço... O homem, de mais ou menos 40 anos, enfiou a mão dentro do carro e alcançou agarrar ma minha perereca com força. Putzzzzzzzz... fiquei sem ação, com tantos carros na frente e atrás de mim, o semáforo abriu e saí dali fora de mim. Quanto abuso. Deprimente!

Thaïs Gualberto disse...

O "PewPewDooM TAZZ" (típico nome de troll) acabou de comprovar a minha teoria.

Muitas pessoas divagam sobre o real motivo de eu ter deixado de andar de bicicleta. Eu deixei porque tinha medo de reencontrar aquele homem novamente ou algum outro homem que fizesse o mesmo ou algo pior comigo.

Já passei por assaltos também, jovem, muitos. Já tive uma pistola apontada pra minha cabeça e uma 12 apontada pro meu namorado. Já tive um amigo assassinado na calçada da minha casa. E apesar de também ter me traumatizado, uma coisa não diminui a outra.

Hoje em dia não ando mais de bicicleta porque tenho medo de ser atropelada e/ou assaltada. Não vou investir em uma bicicleta nova só pra ficar andando na praia aos domingos.

Januaria disse...

Comparação infeliz.
Primeiro, na idade de frequentar faculdade já temos discernimento e alguma capacidade de defesa.
A maioria das mulheres sofrem essa violência ainda crianças e carregam esse trauma por toda a vida.
Segundo e mais importante, um assalto está longe de ser configurar uma agressão sexual.( Evitei usar a palavra violência pq está associada a outro tipo de acontecimento, que pode ou não suceder o que aqui se discute).
Agressão e violência não precisam ser físicas. Creio que somos muito mais indefesos a uma agressão moral, uma violência verbal...
Os homens que cometem esses atos (se é que posso chama-los assim) são criminosos (no mínimo atentado grave ao pudor) e as pessoas que sabem, vêem, calam, concordam ou minimizam tal coisa, se não legalmente, moralmente são cúmplices.
Se não consegue perceber a diferença entre um assalto a um jovem e o assédio a uma criança, e as consequências disso no futuro adulto, peço que converse franca e abertamente com algumas mulheres próximas e tenha um pouco de empatia. Se elas se sentirem à vontade verá como isso está tão próximo e cala tão fundo em suas almas

Åsa disse...

Vinícius Rampazzo, existe uma diferença fundamental entre ser assaltado e passar por esse tipo de agressão. Ninguém culpa você por ter sido assaltado, mas as mulheres e meninas ouvem constantemente que quando uma homem faz isso com elas, a 'culpa' é delas.

Åsa disse...

Para entender mais sobre como as mulheres se sentem a respeito de todos os desrespeitos que passam nas ruas, recomendo que acessem o site "Cantada de rua".

jorgedomar disse...

Pois é,os homens que aqui colocaram suas posições como"fricote de menina" o abuso sofrido, e tentaram justificar,não esclareceram que também foram assediados. Acontece que eles ao serem assediados sentiram "tesão" e passaram a compartilhar com o agressor. Esta a diferença. As meninas não ficaram "molhadinhas",ficaram assustadas. Eles ficaram de pau duro,com vontade de experimentar o que estavam sentindo. A educação do macho dominador,caçador,aquele que reina sobre os demais é que faz este tipo de agressor.As meninas nunca foram preparadas para este "confronto",para esta "sexualidade". Se afastar daquilo que lembra a agressão é o normal( a bicicleta),anormal é achar que mostrar seu desejo( o pau) faz com que a outra pessoa sinta desejo pela sua anormalidade.

Gi Gimenez disse...

Cada pessoa tem uma percepçao e uma maneira de encarar a vida!!Pra mts eh sim ofensivo, ainda mais qd tratam se de crianças!!!Infelizmente se vc pensa dessa maneira, provavelmente faria uma açao.dessa, jah que nao.acha ofensiva!!Soh p sua informaçao, tenho alunas que vivenciaram tal situaçao e foram criadas acreditando ser normal...oq as tornou( pelo menos a maioria) adeptas a promiscuidade e ate a violencia domestica!!!Soh uma pergunta: Se vc tivesse, ou tem, uma filhinha linda de 10 anos, tao perfeita que vc baba olhando p ela qd dorme, e vem um babaca e mostra o pinto p ela...vc vai achar frescura??

virginia elaine disse...

Isso também já ocorreu comigo, tinha uns 10 anos e quando estava andando normalmente na rua um homem que estava encostado em um muro me mostrou seu pênis. Fiquei assustada e saí correndo.

Gi Gimenez disse...

Li um artigo que dizia o seguinte:"a maioria das mulheres que vivem na promiscuidade ou prostituiçao jah sofreram abuso sexual!!Ou seja, as meninas sentem se culpadas e a sociedade tambem julga: "Tambem, olha a roupa que ela estava!" . Por.favor!!Se um homem sair pelado na rua, td mundo vai achar engraçado, jah se uma mulher fizer isso eh uma isca p o estupro???Nao eh a roupa que precisamos mudar, e sim a postura diante disso tudo!Mulher nao curte cara mostrando o pinto! No nos sentimos atraidas e sim enojadas! E eu pergunto novamente aos que nao acham ao traumatizante: SE VC CHEGASSE EM CASA E VISSE O PEDREIRO PEDINDO P SUA FILHA DE 10 ANOS, BRINCAR COM O " URSINHO" DELE, VC ACHARIA NORMAL???ACHARIA FRESCURA ELA NUNCA MAIS KERER FICAR SOZINHA EM CASA POR MEDO DE APARECEREM OUTROS "PEDREIROS"??PENSA BEM, ANTES DE PUBLICAR PORCARIA!!!

Priscila disse...

E quem é voce pra decidir o que traumatiza alguem, ou o como a pessoa vá enfrentar o que quer que seja? Voce tava lá por acaso? Foi com você, com a tua filha, com a tua mulher? Você não tem que achar nada. A sua opinião de macho só faz diminuir ainda mais algo que já faz a pessoa se sentir diminuta. Ainda que venha travestido de ma aura bem intencionada (faz-me rir)"oh, isso é simples de resolver, basta pensar como eu, eu tenho as respostas e soluções"... você nao sabe nada de nada. Cale-se. Respeite. Resigne-se à sua total ignorância.

Carvalho disse...

Não só um homem na rua mostrou o pau quando eu nem tinha 10 anos, como fui molestada por um médico conhecido com apenas 13. Até hj não confio em médico homem, só entro acompanhada, tenho 34 anos. Já sou mãe e nunca deixarei minha filha sozinha com médico nenhum.

Dra. Larissa Feijó disse...

Lu, sinto muitíssimo pelo q vc passou na infância! Um absurdo, que não ppderia acontecer com nenhuma criança indefesa. Fico triste... vc já procurou ajuda profissional para que estas memorias não te atormentem mais? Não foi nada justo o que te aconteceu! Espero que consigas superar isso um dia, pois não mereces viver com tais memórias! Força!

Dra. Larissa Feijó disse...

Vc não tem a menor empatia pelas pessoas! E concordo plenamente com o que diz Gi Gimenez. Vc certamente é um desses tarados que vitimizam crianças e mulheres, as quais ficam traumatizadas por anos!

Victor Costa disse...

O trauma não é por ver um pênis. A vítima simplesmente não tem a menor idéia do que o indivíduo que age assim pode fazer e ela simplesmente não sabe como se defender. Quer entender melhor? Imagine que você seja seqüestrado e tenha uma arma o tempo todo pressionada contra o corpo. É mais ou menos essa a sensação. Você nao sabe se vão te machucar, se vai sair vivo dessa. Duvido que você esqueça uma experiência desse tipo tão cedo. Mas você ainda tem a vantagem de poder contar, denunciar

Victor Costa disse...

Ninguém é obrigado a participar das suas fantasias sexuais. Quer mostrar o pau, encontre quem queira vê-lo. Isso infelizmente é fruto de uma educação ruim e da impunidade que protege gente assim.

vanessa souza disse...

Quando eu tinha apenas 15 aninhos fui molestada dentro do ônibus por um homem que aparentava ter por volta de 40 anos.
Ele ficou se esfregando em mim durante quase toda a viagem que durou por volta de uma hora. Ele esfregava o pênis em mim e passava a mão na minha bunda, fiquei paralisada sem saber o que fazer, como o ônibus estava lotado ninguém percebeu, se perceberam não fizeram nada para me ajudar. O filho de uma puta teve a coragem de segurar a minha mão e levar ate o pênis dele, ficou fazendo movimentos com minha mão segurando o pênis dele ate ele jogar esperma na minha mão. Que nojo que eu tenho ao lembrar disso!!! O esperma jorrou tão forte que ate no meu braço e calça tinha esperma, fui para casa toda melada.

nerd E disse...

Nossa, tem certeza que não fui eu quem escreveu esse texto?
Comigo aconteceu a mesma coisa. Tinha uns 11 anos, estava andando de bicicleta um estranho mostrou o pau pra mim. Eu continuei a andar de bicicleta. Homens passando a mão e disfarçando que foi um esbarrão (eu acotovelo). Já deixei de usar muita saia e short, já fui agarrada na balada e xingada por não querer nada com o cara. Sem contar o medo de voltar sozinha para casa, sabendo que ali, virando a esquina há uma rua escura.

Felipe Gomes de Oliveira disse...

Sabe qual o problema?
Falta de rola. O cara só mostrou o pau.
Faltou comer de jeito essas aí.

Max Emiliano Machado disse...

Onde esta meu comentário?

Vilson disse...

Falta de passar com a bicicleta por cima do pau desse cara.

E que vergonha desses moleques nos comentários dizendo que é tudo "frescura". Queria ver se fosse com a mãe deles.

George Franco disse...

Não diria "frescura" por quê é pejorativo, mas de certo é um pouco exagerado. Não venho aqui deixar um comentário hipócrita, por quê já fui de fato violentado quando criança. Mas, voltando ao tópico, garotos passam por isso muito mais do que meninas. Diga que garoto que fez natação (por exemplo) e que nunca passou por situação similar ao citado?

Thais Gualberto: nada como um bom profissional da saúde mental (psicólogo) para te auxiliar nisso. Problemas muito mais intensos que isso ocorrem diariamente e, já que não há como esquecer o passado, supere-o. A pior coisa que existe para si mesmo é se fazer de vítima e se portar como.

Entenda que não estou fazendo apologia favorável ao que acontece; muito pelo contrário, mas no dia que a humanidade for boa e deixar de cometer suas atrocidades você me avisa que eu mudo meu discurso. Enfim, estou tentando dizer que a vida não é flores para ninguém, existem pessoas que passaram por situações muito mais "severas" e não se deixam traumatizar por conta disso.

Durante a adolescência eu tinha essa visão? DEFINITIVAMENTE não. Eu me revoltava e me cobrava por não ter tido reação no momento, me sentisse impotente e a cobrança que eu fazia de mim mesmo era insuportável. Agora, você acha que isso me atormenta até hoje? Certamente te digo que não.

Aliás, até agradeço que essa atrocidades tenham acontecido comigo, isso me moldou a ser quem sou hoje e quem eu serei para meus filhos e netos.

Thaïs Gualberto disse...

George Franco, sinto muito que esses acontecimentos tenham o moldado dessa maneira. Você, de maneira educada, fez a mesma coisa que grande parte dos homens nos comentários dessa página.

Apenas do fato de eu ter aberto um espaço no meu blog significa que me sinto mais à vontade para falar publicamente do assunto, aos 28 anos de idade. Já fiz terapia com três terapeutas diferentes, sempre achei um saco.

Não vou ficar me expondo aqui mais do que já me expus, mas sei de tudo que aconteceu comigo ao longo da minha vida, sei como me afetaram e sei como escolhi lidar com eles por hora. Você não tem o menor direito de opinar sobre os meus sentimentos, eu apenas expus a realidade visível e ignorada.

É claro que a sociedade nunca vai mudar se a gente nunca pôr em pratos limpos o que está errado. É gente como você que emperra a evolução da raça humana.

Thaïs Gualberto disse...

Ah, e eu não deletei comentário de ninguém, se sumiu algum deve ter sido coisa do blogger.

Hannah disse...

Isso me lembra de uma vez em que fui assaltada e o ladrão colocou a mão no meu peito em busca de algum celular ou coisa parecida. Sabe quando vc fica ex-tre-ma-men-te sem graça, tipo querendo cavar um buraco no chão e enfiar não só a cabeça, mas mergulhar fundo nele? Quando fomos procurar um policial ainda tive que ouvir que "ele só estava procurando um celular". É absurdo o constrangimento pelo qual nós passamos todos os dias...

Thaïs Gualberto disse...

Aconteceu exatamente o mesmo comigo, Hannah. Da última vez que fui assaltada o cara passou a mão nos meus peitos e em outros lugares.

Unknown disse...

fiquei surpreso em saber que esse tipo de coisa acontece tao frequentemente e ao mesmo tempo fiquei curioso para saber se isso acontecia com geracoes mais antigas (1940-1980). Se nao acontecia, por que nao? qual a diferenca?

Lady Sybylla disse...

Sério, como é impressionante a quantidade de homens relativizando os assédios e agressões que a gente sofre.

Se vocês não sabem o que é isso, calem a merda da boca e parem para ouvir antes de dizer que a "gente deve continuar com a vida".

Vocês não sabem como isso é, vocês não sofrem com isso. Vocês, comentadores infelizes, podem até não ser machistas ou fazer o que estes homens fizeram com a gente, mas todos vocês se beneficiam de uma cultura machista.

Na dúvida, calem a boca, ouçam, pensem e concluam "o que o mundo está fazendo com as mulheres" ao invés de vir com o papinho de "superem isso aí, bando de fresca".

Bruno Maia disse...

O fato ocorrido é terrível, grosseiro e abjeto. Mas a autora usa-o para militar em sua causa feminista radical, ao confundir assédio com paquera, abuso e misturar tudo no mesmo pacote...Lentamente o feminismo cria uma sociedade de castrados... Paquerar é assedio, um abraço, estupro... Uma falsa acusação, apenas a verdade. Lembremos, que homens também são assediados. E muito!

Thiago Silva disse...

PewPewDoom TAZZ, tá na cara que além de VC ser um cabação é um tarado que, com quase toda a certeza, deve sair por ai agredindo aleatoriamente mulheres de todas as formas. Pena que existem pessoas como vc no mundo.

Thiago Silva disse...

Você tá louco? Militar? Sociedade de castrados? Vejo que vc foi muito bem treinado pelos machos-alfa da sua familia e por mulheres submissas, por qualquer fato que seja. Aqui não se trata de paquera e sim de respeito. Se a mulher quer ver um pau (o que não se encaixa em paquera e nem sequer pode ser considerado um flerte) ela mesma vai fazer com que isso se concretize. Não venha você com esse discursozinho meia boca falar a respeito de assedio a homens. Tenho clara certeza pelo seu argumento 100% falho que vc no mínimo ia curtir um "assedio" desses, por parte de uma mulher. Nos poupe de comentários infelizes, incapazes e vazio como esses, que ainda por cima vem travestidos de boas intenções. Tenho certeza que vc, mesmo sendo "homem", passando por uma situação como essa não iria ficar calado só com a simples E heróica intenção de evitar o "militantismo".

Bruno Maia disse...

Thiago Silva, quem é o você para falar de "Macho-alfa" de minha família ou "Mulheres submissas"? Você me conhece? Típica histeria de militante radical que pressupõe coisas sobre os outros sem mesmo conhecê-los. Isso chama-se CALUNIA e DIFAMAçÃO. Onde eu falo em querer ver ou não um pau? Ninguém é obrigado a querer ver um pau, nem homem, nem mulher. Ou esqueceu que homens são estuprados no presídio, também? E NÃO! Eu não ia querer CURTIR um assedio. Se você curte, o problema é seu. Você é apenas um radical que quer "reformar o mundo".

Assedio é assedio e não é outra coisa. As(os) feministas só enxergam um tipo de trauma: o delas(les). O dos homens,crianças, idosos... É apenas surreal. Você demonstra ódio a homens, é seu problema. É um trauma de auto-castração espiritual, submissão matriarcal e necessidade impulsiva de emasculinizar a psiqué alheia com pitadas de "machismo" politcamente correto (posando de "macho protetor")

Mais um disse...

Quando eu tinha 6 ou 7 anos, estava na calçada brincando com a filha da vizinha.

Apareceu um velho num fusca e abriu as calças e ficou ali olhando pra nós duas mostrando "o pau". Eu não entendi oq estava acontecendo e continue brincando normalmente.

Não lembro direito oq aconteceu em seguida, acho q minha mãe me chamou pra almoçar ou algo assim, aí eu falei pra ela que "tinha um velho abaixando a calça lá fora"...

Eu não fiquei muita traumatizada pq eu não entendia oq aquilo significava, mas minha mãe inconscientemente passou a culpa pra mim e me puniu "dizendo que eu tinha que ter entrado, que eu tinha que ter gritado por alguém".

Passei o resto da minha infância brincando sozinha em casa, não podia sair, nem receber amigos, nem ir pra casa de amigos.

Desde esse dia, ela nunca mais me deixou brincar na rua.


Ou seja, os homens criminosos continuam impunes, ainda tem os homens retardados que defendem os criminosos e julgam as mulheres que sofreram algum tipo de trauma.

Fui criada solitária na infância, mas na adolescência compreendi oq poderia ter acontecido, e hj sou do tipo que arranco o pau de um que tentar fazer isso pra mim, ou pra qualquer outra mulher ou criança que estiver por perto.

Não adianta perder tempo discutindo com retardados, tem mais é que excluir os comentários deles, pois a agressividade de suas falas podem inibir outras mulheres de contarem suas experiências tbm.

Bruno Maia disse...

Mais um, o que você passou foi horrível e doloroso. Homens que fazem isso devem ser punidos severamente. O que falei, e é de conhecimento público, é que enquanto as mulheres têm abertura para falar sobre abuso sexual, os homens que sofrem abuso, se tornam frustrados, reclusos e reprimidos, porque não encontram espaço para desabafar. Visto que se o fizerem, serão chamados de "fracos", "maricas" etc. O problema com o discurso feminista está aí: Escolher aqueles que são merecedores de justiça e excluir os outros. Todo abuso, independente do sexo da vítima, deve ser punido. Eu não pretendo postar mais aqui. Ninguém está lendo racionalmente, apenas julgando.

Thaïs Gualberto disse...

Bruno, vejo que você está desinformado sobre o real sentido do feminismo. Homens que são chamados de "fracos" e "maricas" são vítimas do machismo, não do feminismo.

O feminismo é uma corrente que visa não apenas a libertação das mulheres, mas também a libertação dos homens de dentro desse pequeno curral de "machos" que não os permite serem quem realmente são e exprimir o que realmente sentem.

Mas daí dizer que é frescura das mulheres porque os homens também sofrem opressão, "perainda", né. Ô maniazinha de querer diminuir uma dor ou trauma ao comparar com outro.

E por favor, você acha que a gente não tem capacidade de discernir a diferença entre paquera e assédio? Me desculpe se você pensa errado, mas agarrar uma mulher na balada contra sua vontade, passar a mão na bunda dela e afins, NÃO É PAQUERA.

Etiene Olivera disse...

Comigo foi igual...lembro desse louco até hoje e xinguei ele também se bem me lembro... não me deixei abalar contei para todos os vizinhos que se encarregaram de começar a olhar o movimento no bairro.

Eglon Shogun disse...

A uns 20 anos atras me falaram que havia um homem mostrando o pinto para crianças na rua e tentou pegar uma e sair correndo com ela cheguei la eu a alguns amigos e o detemos e sentamos o cacete nele, o prendemos eo levamos para a delegacia ele chorava e dizia que não tinha feito nada já estava me arrependendo do que tinha feito quando chegou a sua ficha o filho da mãe já era procurado por mais de 30 estupros em SC e no RS dai ele apanhou mas como apanhou.
Então eu digo quem mostra suas partes tanto para crianças ou adultos estes tarados também estupram e matam então não achem que isto e normal porque não é eles não repeitam a o corpo e nem avida de ninguém.

Caroll Perez disse...

Eu já quase apanhei numa festa pq um cara agarrou uma amiga minha e eu fui defender ela....ele chegou a levantar a mão com o punho fechado ameaçando me dar um soco. Eu disse a ele que se ele encostasse um dedo em mim seria a última coisa q ele faria. Ele desistiu mas saiu me xingando. Quantas vezes já fui xingada em boate pq não quis ficar com um homem, quantas vezes já puxaram meu cabelo....perdi as contas. O pior de tudo é que existem pessoas, até mulheres que acham isso normal, um comportamento aceitável. As mulheres vivem hoje uma falsa sensação de igualdade. A sociedade ainda é muito machista e sempre tende pro lado do homem. Lamentável.

Lu Cn disse...

Quando eu tinha uns 9 anos no máximo, estava andando em uma passarela um pouco cheia com a minha mãe, e um homem passou por mim e me passou a mão.
Eu lembro que a minha mãe ficou pocessa e foi atras dele correndo, na época (acredito que hoje aconteceria o mesmo) as pessoas olharam torto pra ela, e ela ainda falando o que ele tinha feito, NINGUÉM, repito ninguém fez nada. Principalmente os homens, e ainda teve um que achou graça da situação. Ela nao me culpou, acredito que por isso eu nao tenho nenhum tipo de trauma em relação a isso. Hoje me pego imaginando se o cara que achou graça, acharia engraçadinho se fizessem o mesmo com a filha dele.
Ah, e claro que nenhum homem fez nada, uma mulher sozinha, com uma filha... Minha mãe sempre foi uma mulher muito bonita e que chamava bastante atenção, não pelas roupas, mas pela beleza mesmo. E cheguei a presenciar várias situações absurdas, de homens que achavam que por isso eles tinham o direito de passar a mão ou dizer coisas nojentas.
Ela nunca deixou barato, sempre fez questão e deixar claro que a culpa nao era dela, e que ninguém tem direito de nos tocar sem a nossa permissão.
Hoje eu agradeço à ela por ter me ensinado assim, enquanto minhas tias diziam que as filhas que tinham que deixar de ser "safadas" e usarem roupas decentes, a cruzarem as perninhas, a terem "modos" (aos 10 anos, gente!).
Tenho a sensação de que a minha mãe pensava e pensa assim pq éramos apenas eu, ela e a minha avó. Então achavam que pq ela era mãe solteira isso era "passe livre" pra alguém chegar e fazer o que quiser. Acho que ela sempre devia sofrer esse tipo de preconceito, que muitas das vezes vinham de mulheres! Ah e casadas, "se o meu marido cantou ela, a culpa é dela, que nao tem um marido para colocá-la no lugar dela, ela fala alto, ela fala com todo mundo..ela chama a atenção, depois wuer reclamar..".
Nunca deixei barato homem safado me encostar, ou me agarrar a força. Gritava mesmo, xingava mesmo.. Tenho duas filhas, elas ainda não entendem muito bem, mas em alguns anos vou deixar bem claro, assim como a minha mãe deixou pra mim, wue ninguém tem o direito de tocá-las sem o consentimento delas.
Essa foi só uma das coisas que aconteceram. Mães solteiras sofrem mais com esse maxismo do que se pode imaginar, ainda bem que hoje algumas mulheres lutam contra isso, enquanto outras escolhem ser reféns dessa sociedade imunda, afinal é muito mais fácil culpar outra mulher do que culpar o marido safado. E é lamentável ver mulheres fazendo isso, certamente quem nunca sofreu com isso, ou já sofreu e foi condicionada a ter esse pensamento infeliz. Hoje sou casada, e a característica que me fez escolher ele como marido foi por ele sempre me respeitar e respeitar outras mulheres que passaram pela vida dele.
Meu sogro sempre conta uma situação que eles passaram. Quando a minha sogra estava amamentando um dos filhos, um cara parou e ficou olhando, olhando meeeesmo. O marido ao invés de mandar "jogar a fraldinha", virou e perguntou se ele nunca tinha visto um peito. O cara bem sem graça desfarçou, virou e desceu no próximo ponto. E creio que por isso que o marido seja um dos poucos que ainda respeitam as mulheres, pq ao invés do pai dizer que a culpa foi dela, que ela nao tinha nada que amamentar em publico, ele foi e ensinou o homem a ser homem, e não a ser um animal com justificativa de que homem é assim mesmo.
Não sei se vão entender meus relatos muito bem, porque enquanto escrevo faço outras mil coisas ao mesmo tempo. Mas quero deixar bem claro aqui que nao devemos nos calar meeeeeesmo

Thaïs Gualberto disse...

Te entendo, Lu. Também sou mãe e um dos maiores motivos para eu querer que esse tipo de coisa não aconteça mais é justamente por temer pela minha filha.

Essa história de amamentação em público é séria mesmo. Nunca tive grandes constrangimentos, mas já soube de muita coisa.

Bruno Maia disse...

Thaís Gaulberto, o problema de todo movimento social é que tudo que é questionado de vocês é interpretado da pior maneira possível, como se fôssemos porcos chauvinistas da ala radical do Partido Republicano. Veja o que você acabou de dizer:

"Mas daí dizer que é frescura das mulheres porque os homens também sofrem opressão, "perainda", né. Ô maniazinha de querer diminuir uma dor ou trauma ao comparar com outro."

Eu NUNCA, repito NUNCA, disse que é frescura. Copie e cole, por favor onde falo isso. Eu denuncio algumas senhoritas que se auto-vitimizam e mentem nas delegacias de polícia para incriminar seus parceiros, como recentemente aconteceu com um homem preso injustamente por estupro e contaminado com HIV na cadeia e que hoje se encontra a beira da morte! ou a Srta. Concorda com isso?(denunciação caluniosa é crime).

Eu disse que homem que sofre opressão não encontra apoio nenhum! Isso é um fato! Eu sofri opressão e ninguém me apoiou. Sabe o que as feministas, "colegas", me diziam? Que eu era um maricas que devia militar na causa delas, um chorão que sofreu abusos morais do tio alcoólatra! Pois é. Como você deve ter lido acima, quando uma mulher sofre abuso, não faltam homens heroicos que catam o meliante na rua pra dá uma surra no mesmo...E eu digo que se um meliante desses abusar de uma filha ou sobrinha(o) minha(o), eu não me responsabilizo por minhas atitudes.

O problema do texto é a polarização. É um texto sobre abuso infantil, que esquece os meninos, convenientemente,

Thaïs Gualberto disse...

"Mas a autora usa-o para militar em sua causa feminista radical, ao confundir assédio com paquera, abuso e misturar tudo no mesmo pacote...Lentamente o feminismo cria uma sociedade de castrados... Paquerar é assedio, um abraço, estupro... Uma falsa acusação, apenas a verdade. Lembremos, que homens também são assediados. E muito!"

Isso para mim é diminuir, é querer colocar um em detrimento do outro.

Em primeiro lugar, temos que esclarecer que eu falo por mim, não por todas as mulheres do mundo ou pelo movimento feminista, que mesmo tendo esse nome de "movimento", não pode ser considerado de forma alguma homogêneo. Mesmo dentro das denominações comuns (que não podem definir o indivíduo), existem a primeira, a segunda e a terceira onda do feminismo. E de onde você tirou que eu sou "feminista radical"? O que você sabe sobre mim? O que é uma feminista radical pra você?

Então essas senhoras que se vitimizam na delegacia, ao seu ver, são feministas?

Sinto muito que você tenha passado por isso e não tenha encontrado nenhum apoio. Eu, obviamente, sou tão contra o assédio contra meninos quanto o sou contra meninas. Mas não é uma experiência da qual EU possa falar. Eu falei da realidade que conheço, não sou nenhuma pesquisadora das questões de gênero e não foi por "conveniência" que deixei de falar de situações como a sua. Isso deve ser falado por pessoas como você, que conhecem a realidade. Seria mais útil do quer vir aqui me chamar de "feminista radical".

E não é um texto sobre abuso infantil, é apenas um pequeno texto sobre diferentes formas de assédio sexual e opressão que as mulheres sofrem.

Hertha Schwartz disse...

Cara.. uma vez um homem que era meu vizinho sentou na minha cabeça
E olha que eu estava na calçada da casa dele à noite com as filhas e o filho dele, conversando.. aí me sai o cara e senta na minha cabeça.... Sei que pode parecer engraçado.. mas o tanto de coisa que isso significa é assustador... eu tinha uns 13 anos na época...

Bruno Maia disse...

Ok, Thais Gualberto. O que tinha de dizer já foi dito. Fico feliz que você não tolera abuso contra pessoas de qualquer gênero... Como eu NÃO tolero. Eu também não tolero misantropia nem misoginia. Sei que quando abrirmos essa Caixa de Pandora, encontraremos muitos homens, vítimas de abuso na infância, praticado por professores, padres, pastores, comunistas, empresários, policiais, feministas, machistas, tarados e alguns tipos de doentes mentais.

Monique Tavares disse...

Só um homem escreveria o que vc acabou de escrever. Respeite as mulheres, vc não é melhor que nós em nada. Absolutamente NADA.

Monique Tavares disse...

Espero sinceramente que um estuprador atravesse seu rabo até sair na sua boca. Pq a sua opinião com certeza é de alguém que precisa de rola.

Monique Tavares disse...

E porque a vida é assim e os homens são assim, porque outras pessoas passaram por situações piores devemos abaixar a cabeça e nos calar perante isso? Sinto muito homem, cansamos de tanta agressão gratuita!

Monique Tavares disse...

Não entendi... confundir assédio com paquera e misturar com abuso... to perdida nesse seu comentário Bruno. Mostrar pinto é paquera... serio, to perdida! Poderia explicar?

anaritavaldez disse...

Isso realmente é um fato comum entre as mulheres, quando eu tinha 9 anos eu estava sentada com a minha mãe em uma van (na época das vanzinhas)e sentado ao meu lado estava um homem de uns 25 anos, ele tirou o pênis pra fora e começou a esfregar em mim, eu então mostrei a minha mãe e ela começou a bater no cara, e as mulheres do local também ai o cobrador que era homem, mandou parar a van e ajudou ele a fugir. Triste isso! Até quando esse tipo de coisa vai acontecer? Até quando vamos omitir coisas por medo de ser xingada.

Denise disse...

Pra pensar e, principalmente, postar isso, vc deve ser totalnente recalcado e ser esnobado o tempo todo...

Bruno Maia disse...

MODERADORA, OBSÉQUIO REMOVA O COMENTÁRIO 14:15 DA SRTA MONIQUE TAVARES. ELA CLAMA A TERCEIROS QUE PRATIQUEM CRIME BÁRBARO CONTRA MINHA PESSOA! ISSO É ATITUDE CRIMINOSA PREVISTA NO CÓDIGO PENAL. SE PERMANECER NO BLOG, TOMAREI MEDIDAS PENAIS CABÍVEIS.

Monique Tavares, Você é uma pessoa extremamente doente que precisa de assistência médica e psicológica. Você não consegue interpretar um texto ginasial e clama a outros que pratiquem um crime bárbaro contra mim. Peço ao moderador(a) que remova esse comentário criminoso. Trata-se de indução a crime de violência sexual contra minha pessoa! Eu jamais incitei ou sugeri coisa alguma contra ninguém! Espero que Deus lhe abençoe, Monique! Você precisa muito Dele!

Monique Tavares disse...

Concordo contigo Lu. Mães solteiras são super julgadas pela sociedade. Ao contrário dos pais solteiros que são vistos como heróis! "Nossa que lindo, ele cuida do filho sozinho!"

Monique Tavares disse...

Sabe ler não? Foi em resposta ao felipe gomes que disse que a escritora do blog precisava de "rola" respondi o mesmo pra ele. Agora, para de chorar.

Bruno Maia disse...

Ok, Monique Tavares, É que seu post ficou bem abaixo do meu. E os ânimos ficaram exaltados. Esqueça o que foi escrito...Eu não defendo marginal que mostra o pinto! Se um FDP desse me mostrar o pinto ou fizer pra alguém que estiver por perto eu enfio o pé lá no lugar!

Na verdade eu defendo o certo. E o que é certo não é feminista nem machista. "As ideologias existem para que as pessoas que não conseguem pensar possam parecer inteligentes".

Denise disse...

Bruno Maia, vc acusa o Thiago Silva de abuso, de típica histeria de militante radical que pressupõe coisas sobre os outros sem mesmo conhecê-los.
E o q vc está fazendo?
Não percebe que vc está fazendo o msm e ainda pior, pois AFIRMA que a autora é uma militante de causa feminista radical, sem conhecê-la!
Com tudo isso, me dou o direito, de lhe classificar como ignorante, pois ingenuidade é que ñ é !! Vc deveria estudar mais para saber o significado e a diferença entre assédio e paquera, pois se vc paquera assim, só deve levar toco...
Acho que tá explicado sua indiganação...

Bruno Maia disse...

Oi, Denise, o Thiago Silva me xingou antes...Simples assim, veio com suposições sobre minha criação como "macho alfa" e "mulheres submissas"...Isso não existe. Eu sou homem e fui vítima de abuso na infância. Por isso não acredito totalmente nesse lance de "Silêncio das Inocentes", pelo menos integralmente. Não acredito em sociedade de homens opressores e mulheres eternamente vítimas. Isso cria distopias. Creio em sociedades harmoniosas de pessoas iguais. E NUNCA defendi as bizarrices que insinuaram aqui contra mim. Isso é histeria e MENTIRA. Basta ler.

E eu disse que a autora milita em sua causa feminista radical e não que ela é feminista radical...A causa pode ser transitória, permanente ou intermitente ou proveniente de um trauma.

Estude um fenômeno chamado Espiral do Silêncio de Elisabeth Newman Shanon. Ocorre quando você seleciona o que convém e omite o que não interessa. Foi o que absorvi do texto. Inclusive das estatísticas... Passem bem!

Lu Cn disse...

Xi, escrevi maxismo ou invés de machismo. Mas acho que deu para entender, ne rs
Bom saber que a visão de algumas pessoas está mudando, principalmente quando vejo que partiu de um homem.

Lucielma Pereira disse...

e pior que nao e a minoria nao e pior nao maior parte dos casos sao depessoas que as mulheres menos esperam, gente isso sao homens que nao evoluiram nada em termos espirituais e que na maioria das x sao pessimos amantes para suas esposas ou parceiras adultas lastimavel que com um gesto desse comprometa toda uma infancia ,adolescencia e quem sabe ate o resto da vida

Steve Lofego disse...

O pior é que não ocorre só com mulheres. Um cara da faculdade já mostrou o pinto pra mim no banheiro, e fez isso com outro colega meu também. Quando criança, um menino pediu pra eu abaixar na piscina e mostrou o pênis ali. Um primo também constantemente fazia isso. Lendo o texto foi que eu me dei conta disso, o machismo permite que tudo aconteça. Felizmente nenhum chegou as vias de fato comigo como acontece com muitas mulheres e homens também. No entanto, é constrangedor e assustador você passar por isso. Pra mim enquanto homem foi muito, e olha que quando este cara da faculdade mostrou pra mim eu tinha 18 anos já. A gente fica assustado, com medo, sem saber que atitude tomar.

evelin disse...

Parabéns pela iniciativa. Texto e título genial. Despertou minhas lembranças da infância, negativas, claro. O mesmo me aconteceu. A primeira vez, era muito pequena, quando brincava na praça com minhas primas. E depois, andando de bike, também as 11 anos. É assustador ter vivido isso, se recordar disso e saber que a história se repete. Precisamos fazer algo. Evelin

Unknown disse...

Uma vez quando eu estava voltando do colégio, peguei o ônibus que eu sempre costumava pegar e veio um cara, sentou do outro lado do ônibus na mesma fileira que eu, abaixou as calças e começou a se masturbar na minha frente... É horrível cara, eu sai do ônibus e não tenho coragem de pegar o mesmo ônibus até hoje. Não é somente com mulheres que isso acontece, muito pelo contrario...

oi disse...

Vou ser frio, mas é o "silêncio dos inocentes" que dá forças para homens como o da tira,
A incapacidade de superar um trauma de 18 anos é uma demonstração clara de fraqueza. Em quanto não aprender superá-lo você sempre será a vitima, e aqueles que te bajulam e te chamam de coitadinha, apenas querem que você continue a sofrer. Se desejassem o teu bem, colocariam você a força (metaforicamente dizendo) em uma bicicleta até você parar com esse medo irracional.
PRevisão: "Mas você não sabe pelo que eu passei"
Resp: Eu não sei e o mundo também não, e ninguém irá querer saber, ou aprende a se impor ou continue a sofrer.

Mira disse...

Eu passei a andar com faca de cozinha e pilhas grandes na mochila. O motivo das pilhas era pq eu tinha medo de não achar pedras na hora pra tacar na pessoa. Tb treinava gritar com a boca tampada pra tentar emitir um som alto mesmo com a boca abafada.

Ju Peres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ju Peres disse...

Eu me assusto com os comentários (aqueles ali em cima, pelo Facebook) dos homens.
Até quando vão negar que há uma cultura do assédio e do abuso sexual entranhada na sociedade brasileira (aliás, não só a brasileira)?!
Para combater, o primeiro passo é assumir que o problema existe.

Unknown disse...

Aconteceu isso comigo no ônibus, infelizmente isso foi o menor que aconteceu comigo. Antes de entrar pro prezinho aconteceu uma coisa comigo bem triste, foi de um cara q era conhecido da família e eu nem fazia idéia do q tava acontecendo, mas chorava pq sabia q era algo ruim. Fiquei anos com medo de andar sozinha, hj já superei. Falar aqui abusos q sofremos não significa q não superamos, mas serve como espécie de denúncia, pra q todos tenham oportunidade de falar de um assunto que geralmente não é comentado e que marca.

Unknown disse...

Nossa, quantos casos! Vendo os comentários percebi que isso também já aconteceu comigo, por duas vezes. Uma vez quando devia ter uns 7 anos, estava na calçada e um homem parou num carro e começou a se masturbar e foi me acompanhando até a outra esquina, no momento nem me preocupei porque também não entendi o que estava acontecendo, isso foi a mais de 20 anos! Na outra vez, estava passando por uma obra da prefeitura, tinha uns 13 anos e minha prima 12, e apareceu um cara visivelmente perturbado chamando a gente para meter.Nós o despistamos dizendo que depois, que outra hora, até que conseguimos sair correndo. Foram fatos que não marcaram a minha vida, mas que agora eu percebo que é muito mais frequente do que a gente pensa, não só com meninas! Eu acho que mais do que julgarmos uns aos outro, esses post são formas de denúncia, se isso não acontece só com as meninas os homens também deveriam denunciar mais. Nós mulheres estamos falando para nos defender, mas nada impede que os homens façam o mesmo. Sem feminismo ou machismo, e contra qualquer abuso.

Bruna Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Noblesse disse...

Uma vez, eu estava indo para o trabalho, um cara parou o carro na minha frente e mostrou o pau pra mim.
Imediatamente, eu tirei um bisturi da bolsa (do curso de enfermagem da minha irmã) e cortei o pau dele fora.

Daí ele ficou chorando... QUE FRESCURA! FOI SÓ UM CORTE NO PAU, PORQUE ELE ESTAVA CHORANDO TANTO?

Natascha disse...

Tem coisas horríveis que a gente passa e não conta p/ família, seja por medo, ou por não acreditarem na gente, enfim... Tem coisa que eu nunca contei, como por exemplo, teve uma época que um primo distante bem mais velho (homem adulto), foi morar de favor na casa da minha avó paterna e eu ia td dia lá por ser ao lado da minha casa, e esse cara se aproveitava da situação, me tocava nas partes intimas e fazia coisas nojentas, é mt horrível e nojento lembrar, eu tinha 3 ou 4 anos na época

Ana Carolina Oliveira disse...

Já aconteceu algo parecido comigo, com minha mãe e com algumas amigas. Todas têm dificuldades em algum campo da vida como consequência. É um absurdo alguém achar que é bobagem.

Enid Rocha disse...

Ao começar a ler sua história me interessei porque parecia a minha.
Eu tinha 10 anos, estava andando de bicicleta e um homem que dirigia um fusca parou e me perguntou onde ficava uma escola ali perto.
Eu expliquei e quando terminei ele mostrou o pênis pra mim, Dizendo: agora eu vou mostrar uma coisa pra você, mas não conta pra ninguém ....
Foi horrível! Me lembro que contei pra minha mãe e ele ficou horrorizada , mas não pode fazer nada. Nem contamos pro meu pai.
Outra vez, então eu tinha uns 08 anos, fui à mercearia pertinho de casa comprar fermento e o dono da mercearia, muito amigo da família, estava atrás do balcão com o pênis pra fora ...
Não sei, na verdade, quais foram as consequências desses fatos na minha vida. Não consigo avaliar. Mas hoje ao postar essas histórias fiquei com muita vontade de chorar de pena daquela criança, que um dia eu fui, e que vivenciou tais atos indignos. Na época, me lembro que comecei a sentir com medo de andar de bicicleta. Com o tempo isso passou.
Obrigada pela coragem de abrir um assunto tão difícil de ser abordado. Acho que essas coisas só irão de parar de acontecer quando deixarem de ser encobertas.
Um abraço.

Thaïs Gualberto disse...

Tem gente que aparece aqui que parece que resolveu comentar sem sequer ler o texto.

Em que parte eu falei que estou traumatizada?

O TEXTO É UMA DENÚNCIA SOBRE ABUSOS SEXUAIS, NÃO UMA LAMÚRIA.

Eu não ando de bicicleta por outros motivos hoje em dia. Porque não tenho mais uma bicicleta, porque tenho medo de ser atropelada ou assaltada.

Leiam a porcaria do texto e os meus comentários antes de ficarem aqui criando "soluções para o meu trauma".

Eu só falo sobre mim no primeiro parágrafo do texto.

Ninguém me bajulou ou chamou de coitadinha. Se fosse essa a minha intenção eu nem teria escrito o texto, porque saberia que seria muito mais fácil aparecer um bando de babaca mandando eu parar com a frescura.

Ninguém precisa saber pelo que eu passei, precisam saber o que várias mulheres (e homens, como fui informada depois de escrever o texto) passam cotidianamente.

"oi", sua previsão é pífia e seu argumento desnecessário.

Thaïs Gualberto disse...

Oi Enid, obrigada por compartilhar sua história. Desculpa a mensagem raivosa logo após a sua, é que aparecem uns comentários surreais por aqui que me tiram do sério.

Júlia Martins disse...

Meu comentário sumiu então vou postar de novo! Até porque recebi notificações de respostas mas não consigo vê-las.
Isso também já aconteceu comigo...não consigo lembrar quantos anos eu tinha, acho que uns 9 ou 10. Fui levar minha cachorra pra passear um pouquinho mais longe de casa e um homem que estava com o carro estacionado me abordou. E já sofri alguns outros abusos também. Nunca consigo conversar sobre isso com as pessoas, é muito doloroso. A terapia que eu fiz realmente me ajudou bastante mas eu ainda sinto que falta alguma coisa, tenho vontade de fazer um vídeo onde eu desabafe sobre tudo isso. Pra todo mundo ver mesmo! Mas tenho receio. Tenho medo mesmo do julgamento de gente escrota...o que por um lado é ridículo e ao mesmo tempo não é! Já que eu eu tenho plena consciência de que o mais certo a fazer é falar sim e não ligar pra esse tipo de gente que com certeza vai me julgar também, mas ainda sim tenho medo.
Eu fico pensando, e se algum outro doente ver o vídeo e quiser vir atrás de mim? Impossível não é, né.
Obrigada por dividir isso com a gente, viu Thais Gualberto? Estamos contigo.

Jucely Regis disse...

Isso também aconteceu comigo quando eu tinha 10 anos. Eu estava brincando com umas amigas na rua de casa e, quando fui buscar a bola, lá estava um homem se masturbando e olhando pra mim. Nem entendi direito. Então chamei as minhas amigas e começamos a gritar com ele, mesmo morrendo de medo. Ele foi embora, mas eu fiquei, por um bom tempo, sem querer passar pelo lugar.
Fiquei horrorizada com o número de comentários que confirmam a repetição da história. São muitos traumas a que somos submetidas... E pensar que esse e outros tipos de violência se repetem todos os dias. Há casos de professores que assediam alunas adolescentes, de vizinhos que assediam meninos novinhos, de estupro praticado pelo "pai", sem contar a violência cotidiana a que somos expostas todos os dias. Já perdi as contas de quantas vezes fui constrangida no meio da rua, independente da roupa que eu usava, do local ou do horário. Ainda existe uma ideia porca de que mulher é patrimônio público, principalmente se estiver sozinha. Precisamos educar nossas meninas e nossos meninos para tentar amenizar essa situação. E a mudança começa quando repensamos o discurso a respeito da sexualidade e do gênero.

Blog da JúH disse...

Achei interessante, pois, ainda tem idiota que diz que o problema não existe. Por isso vou tentar contribuir. Obvio que não é o ideal mas aqui em São Paulo a mulherada resolveu reagir, usando da inteligencia. Usando a psicologia algumas reverteram parte da situação, passando a constranger o agressor. Em duas vezes no ônibus lotado, vi duas mulheres que estavam sendo encoxadas, fazer o cara sumir em 30 segundos no ar. Com toda a força de vontade e ar nos pulmões e fizeram o popular barraco: seu FDP (Filho da Puta) vai encochar a sua mãe, tarado safado, em poucos segundo os caras evaporaram pra não serem espancados no ônibus. E pros caras que gostam de mostrar os bagos, basta a mulher caiar na gargalhada, diga em alto e bom tom que pequeno, é um chaveirinho bonitinho, nunca vi tão pequeno, não há coisa pior pra esse tipo de homem, que acha que o piu-piu é a coisa mais importante, do mundo do que ser ridicularizado pelo tamanho do seu brinquedinho. Tenho certeza que não é a solução pro problema mas pode ser um plano B pra contorná-la.

Elke Diana disse...
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Thaïs Gualberto disse...

Obrigada, Júlia. Pela experiência que obtive com esse texto, acho que é complicado expor em um vídeo situações com as quais você ainda não consegue lidar tão bem. É importante falarmos sobre as coisas que estão erradas na sociedade, mas é possível que apareça alguém dizendo coisas horrorosas pra te machucar, como apareceu aqui. Acho que certas coisas a gente só deve expor quando se sentir preparada para discuti-las em público. Se você acha que dá pra aguentar o tranco, vai em frente =)

Gente, não faço ideia por que tem tanto comentário sumindo. Deve ser tilt do blogger.

Juh Ventura disse...

É Thais, temos mais é q abrir a boca mesmo. Quando tinha 12 anos, um "tio" (irmão da minha mãe) foi pintar nossa casa, nisso um dia ele sentiu q podia levantar minha blusa e pegar nos meus seios, quer dizer, no q seriam meus seios. Acho q n aconteceu + nda pq saí correndo...
Demorei 3 anos pra contar pra minha mãe o porquê n frequentava mais os encontros de família sendo q minha avó tinha descoberto um câncer e logo iria nos deixar...
Ela chorou, disse q ele deve ter feito isso pq n tem filhas mulheres, mas só. Ela o perdoou, eu n. Minha avó se foi e o tempo n volta...
Fiz um tempo de terapia pra entender pq a pessoa q deveria me proteger (minha mãe) n fez nda! Absolutamente nda! E convive com ele normalmente.
Terminei a terapia sem entender...
Hoje ainda me pego pensando q deveria ter feito um escândalo na família pra alguém ouvir de verdade!
Q sou fraca por guardar isso pra mim até hoje...
O pior é q ele "paga" de bom tio! Nas raras vezes q nos encontramos ele paga sapo pq nunca mais fui lá, diz q sou a sobrinha preferida... Aff... Me dói o estômago esse teatrinho, sabe...

Juh Ventura disse...

Mas falar disso me ajuda um pouco, parece q fica menos pesado... Obrigada pela oportunidade, é a primeira vez q falo isso em um "ambiente público".

Thaïs Gualberto disse...

Te entendo perfeitamente, Juh, melhor do que você imagina. Fico feliz em ajudar de qualquer maneira =)

Carlos Alqueres disse...

Fiquei bastante sensibilizado com os textos, e gostaria de colaborar:

Na minha opinião, existem diferenças entre "mostrar o pau" para uma criança ou para uma pessoa adulta.

Em um extremo a reação adulta para uma situação como essa é controlada e de racionalização: pensamos, analisamos, reposicionamos nossos pensamentos e expectativas para entender "Que porra é essa?". Daí reagimos.

Numa criança a situação causa um curto circuíto, ou no mínimo um stress muito grande no seu cérebro ainda em formação: a cena, a surpresa, a ameaça, o perigo e a necessária reação, tudo em um lapso de tempo! Há sem dúvida o trauma, de dimensões e alcances que não podem ser imaginados por outra pessoa.

Assim, penso que a gravidade deste ato é estupidamente maior quando praticado contra crianças e seus frágeis mecanismos de defesa, mas por outro lado, a decisão do criminoso em cometê-lo e suas obscuras intenções e objetivos são tão absurdos que é improvável que ele seja capaz de diferenciar o grau de maturidade de sua vítima, em outras palavras, se faz contra uma pessoa adulta, também faz contra crianças.

Assim, não importa a idade de suas vítimas, o autor é um criminoso sim porque, no mínimo, pode causar grandes traumas em algumas delas. Diria que em ambos os casos é um criminoso sádico, também covarde quando age contra crianças e babaca contra pessoas amadurecidas. Um escroto que precisa ser denunciado e preso.

Abçs

Alice Hagane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alice Hagane disse...

O que tem te traumático, querida imbecil, é o significado de tal ato. O que significa mostrar o "pau" para alguém? Certamente, algo de teor sexual. Agora, imagine uma criança de 11 anos sendo forçada a lidar com uma insinuação de teor sexual. O ato de mostrar o pênis envolve todo esse sentido de desejo sexual e assusta por isso. Porque você não sabe o que um louco que mostra o pênis pode fazer. Se ele já é nojento o bastante para isso, quem disse que não faria algo pior?
Ninguém é obrigado a lidar com os desejos sexuais de outra pessoa, muito menos um completo desconhecido que sequer tem uma relação íntima contigo!
Querido imbecil, existem diversos tipos de trauma. Diversos. Não vamos minimizar um apenas por achar que um outro pode ser pior.

Alice Hagane disse...

Vou contar uma história para esses imbecis que dizem que ver um pênis não é traumatizante.
Eu tenho quinze anos. Ainda é difícil falar sobre, mas depois de oito anos, percebi que eu não tenho que ter vergonha alguma dessa história.
Quando eu tinha sete anos, um amigo da família mostrou o pênis para mim. Ele também disse que não era para contar para ninguém. Poderia ter terminado por aí. Já seria uma experiência que ficaria na memória, bastante desagradável. Um pênis não é uma coisa bonita, não mesmo. Mas, mesmo assim, eu não disse uma palavra sequer sobre. Afinal, ele havia pedido segredo, não?
Na vez seguinte, ele me forçou a tocá-lo. Na próxima, a usar a boca. Nas outras, foi pior ainda. E ele sempre dizia que, se eu reclamasse com papai e mamãe, eles iriam brigar comigo por estar falando mal de um amigo da família, de um homem de bem. E teriam nojo de mim e me expulsariam de casa.
Eu amo demais meus pais. Sempre amei. Sempre tive medo de que aquilo fosse verdade.
Atualmente sei que, se tivesse contado, era provável que aquele homem não estivesse solto atualmente. Ou, ouso dizer, sequer estivesse vivo. Meus pais são pessoas muito boas e não falo da boca para fora. Conheço-os o bastante para saber que, só em um caso desses, eles aceitariam perder a cabeça e usar da força.
Mas, enfim, moral da história: começou com ele mostrando o pênis. Terminou com uma menina de sete anos tentando se matar, uma família sentindo-se culpada por confiar em alguém podre e por algo que não fez. Atualmente, mal consigo me aproximar de um homem. Apenas quatro homens nesse mundo me abraçam, sendo eles meu pai, meu irmão e dois de meus treinadores. Sofro de depressão e tenho um considerável histórico de tentativas de suicídio, além de outras doenças psicológicas. Não tenho pena de mim, porque, pqp,eu estou viva e isso é meu maior feito. E pretendo continuar vivendo, mesmo que seja difícil dormir e mesmo que às vezes a dor seja grande demais.
Agora parece frescura?

Thaïs Gualberto disse...

Sinto muito pelo que aconteceu com você, Alice, obrigada por compartilhar a sua história.

Essas pessoas simplesmente não compreendem como um assédio sexual é uma situação paralisante, principalmente para uma criança.

Camila Martins disse...

http://perdiachave.blogspot.com.br/2014/03/se-o-problema-so-fosse-bunda-e-20.html

Muito bom o texto, tem coisas que nem o tempo apaga.

timina disse...

Uma vez eu tava na praia e parei minha corrida pra comprar água de um ambulante que tava de papo com um amigo. Eu tava com muita sede, já sentindo mal estar por causa do esforço e do calor, precisando mesmo de água pra não cair dura mesmo, mas o dinheiro que eu tinha no bolso não chegava ao preço (absurdo) da água. Faltavam 50 centavos. Mesmo assim perguntei se ele me vendia a água. Ele, me olhando de cima a baixo, perguntou pro amigo, achando que tava fazendo gracinha ou sei lá: "será que vendo pra ela? Será que ela vale perdoar os 50 centavos?" sempre me olhando de cima a baixo, como seu eu "valesse' a pena perdoar 50 centavos.

Virei as costas e fui comprar a água noutro lugar, que perdoou os 50 centavos e que eu fiz questão de pagar noutro dia.