domingo, 4 de julho de 2010

Ah, o amor! (ou "Can buy me love")

 hauehauehaueae
 MULHER
 qro um amor ;~
 xo ler personare

 EU TAMBÉM
 não
 eu quero um emprego
 !!!!!!!!!!
 porra de amor
 o amor que se foda
 com dinheiro eu compro o amor
 HUAHUAHUAHUHUAHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHA

 ahuehauehauehauehaue
 AHUEHAUEHAUEHAUHEAUEHAUEHAUEHAUEHA
 AHEUAHEUAHEUAHEUAEHAUEHAUEHAUEAH
 ri mto agora

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dedos gelados

Estou com as pontas dos dedos geladas. Dizem que é exagero sentir frio aqui no nordeste, que aqui não existe inverno de verdade. Talvez, comparado aos invernos siberianos, o daqui seja realmente apenas uma brisa fresca. Mas eu, eterna moradora de regiões tropicais, não tenho o direito de sentir frio na minha terra natal? Devo esconder meus dedos gelados e fingir estar acostumada a uma temperatura de 20°? Tudo bem, me critiquem, mas umas luvinhas viriam a calhar.
Mas mais do que as mãos, gostaria de aquecer meus pés. Faz tempo que não tenho senão meu edredon para fazê-lo. Isso me incomoda demasiado, mas o que posso fazer? Boto a bota, as mãos nos bolsos e saio pro mundo, à procura nos becos e bares mais improváveis. Lá encontro para me aquecer o álcool, o fumo, a música, a dança e os ambientes fechados. Aí o calor vem pra lascar. Então, com meus pés suando e com os pelos dos meus braços comportados, esqueço a tempestade gélida que tenta se apoderar do interior do meu corpo e não me choco mais com a minha temperatura.
Passo a procurar olhares cálidos, mas não há acordo entre os frios e os quentes. Talvez por culpa minha, mas talvez não. Por fim desisto e olho para o alto. Para a música, para a luz, para o céu. E passa por mim um corpo frio, outrora quente, outrora frio, outrora quente. Finjo que sou também um corpo frio. E ele, como um cubo de gelo, passa escorregadio ao meu lado, deixando apenas um rastro úmido.
E a noite se estende, meu corpo quente finge ser frio e seu corpo frio, em algum momento, finge ser quente. Nossas temperaturas não mais se encontram na tentativa de trocarmos calores à procura de uma sensação tépida, desejo que sim, mas espero que não.

sábado, 19 de junho de 2010

Eu não preciso de você

Com as mãos trêmulas segurava o telefone, desejando que ele tocasse, para que não fosse necessário que ela própria fizesse a ligação. Mas é claro, o telefone não tocou, ele nunca toca. Procurou na agenda, com o corpo estremecendo de tanto nervosismo, o nome dele. Parou por segundos intermináveis a fitar esse nome, momentos finais antes da decisão de ligar efetivamente. O telefone começou a tocar e seu coração palpitava como se quisesse fugir pela boca. Os pelos do braço se eriçavam como os de um cão de guarda atento à chegada de um estranho. Ela divagava nos seus pensamentos, criando todo um diálogo perfeito, onde ela dizia tudo que estava emperrado na epiglote.
- Alô?
Ele atendeu ao telefone. Ela mal conseguia falar, tamanho o nervosismo.
- Oi, é a Isadora.
- Oi, tudo bom? – ele, cordial como quase sempre.
- Levando, e você?
- Estou bem.
- Que bom.
Deu-se então um silêncio ensurdecedor.
- Então, por que você ligou? – disse ele finalmente.
- Eu precisava falar com você.
Nova pausa. Dessa vez ela recomeçou.
- Preciso saber o que você pensa de mim.
Uma pausa dele. Precisava escolher bem as palavras.
- Por que?
- Porque eu gosto de você.
Mais uma pausa no diálogo. A voz dela estava trêmula, como se seu coração estivesse descompassado por uma caixa de som gigante direcionada diretamente para o seu peito.
- Olha, Isadora... Eu nem sei como te dizer isso, mas... Eu não to a fim de namorar, saca?
- Sei... Eu já imaginava. Na verdade eu só queria saber o que você pensa de mim. De verdade. É importante. Não gosto de ser mal interpretada.
- Mal interpretada como?
- Tenho a impressão de ter seguido uma sucessão de erros desde a primeira vez em que estivemos juntos. Agi dessa maneira porque qualquer migalha de atenção que você me desse era suficiente para me satisfazer. Mas depois desse tempo todo, tenho a impressão de que o tiro saiu pela culatra.
- Como assim?
- Acho que causei uma impressão errada a você.
Silêncio.
- Por isso preciso saber o que você pensa de mim.
- Pô, eu... eu acho você massa, inteligente, divertida...
- Fácil?
- Oi?
- Você me acha fácil? Periguete?
- É essa a sua preocupação?
- Sinceramente, é.
- Você não devia se preocupar com esse tipo de coisa.
- É, eu também pensava assim. Mas aí eu vi que você me tratava como uma periguete.
- Eu?
- Sim.
- Pô, eu nem sei o que te dizer.
- Me diz se você acha que eu sou uma periguete.
- Eu não faço esse juízo das mulheres. Se eu achasse que você era uma periguete, em primeiro lugar, jamais teria ficado contigo.
- Mas você não me respeita.
- De onde você tirou essa ideia?
- Você não age como se me respeitasse, simples.
- Eu acho que você está equivocada.
- Você faz ideia de como eu me senti da última vez que a gente se viu? Você lá cheio de agarrados com outra, tão pouco tempo depois. E nem pra falar direito comigo.
- Eu já te falei, eu não estou a fim de namorar.
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra. É uma questão de respeito.
- Olha, só, me desculpa, mas a gente vai ter que continuar essa conversa outra hora. Tenho que sair agora pra resolver uns negócios...
- Sei.
- Depois a gente se fala, tá?
- Tá.
- Tchau.
- Tchau.
Ela não se arrependeu de ter feito a ligação. Sentiu muita raiva, claro, mas era provavelmente o que ela precisava para se convencer de que precisava esquecê-lo. Todas as suas amigas já tinham cansado de repetir que ele não valia nada, não valia a pena, que ela merecia algo melhor. Ela também sabia disso. Mas gostava dele a ponto de não querer esquecê-lo.
Agora não. Agora ela tinha uma raiva incontida dentro dela. Precisava se vingar. Iria apaixonar-se por outro.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Roubadas

- Amiiiga, esqueceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee ele e seja feliz! Happy, happy! Quem falou que a gente precisa de homem pra ser feliz? Hum? Hum?
- Eu? Hiuehiauhuiehuiheuiahe. Mas então, eu sei que ele não é o homem que vai me fazer feliz, mas é mais forte do que eu. Enquanto não aparecer outro que me tire ele da cabeça vou ficar nessa.
- Hahahahahahaha! E o amigo da sua mãe?
- O gay de 45 anos? Tá falando sério? Aehuihieuhuaiheiuahieuh, não sei qual roubada é maior.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

São João


- Quer dançar comigo?
- Não posso... Meu pé tá doendo.
- Mas vamos, eu vou devagar.
- Sério, não dá mesmo. Ó, meu sapato é desconfortável, ele tá me matando. Eu estava até procurando uma cadeira para me sentar.
- Não me diga que eu vou levar um fora, depois de vir de tão longe?
- Eu também vim de longe.
- De onde?
- João Pessoa.
- João Pessoa não é longe.
- É sim.
- Você tem namorado?
- Tenho.
- Ele tá aqui?
- Não, ficou lá em João Pessoa.
- É, você tem muita sorte em ter alguém como ele.
- Eu também acho.
- Eu no lugar dele não deixaria você vir sozinha.
- É por isso que eu não namoro pessoas como você.
Kelly: HAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA!
- Sua amiga tá rindo de mim.
- Tá nada.



Texto de 2004, postado em um blog antigo que não está mais no ar.

domingo, 30 de maio de 2010

Miscommunication

- Thaïs?
- Oi?
- Tem uma cobra na sua pia.
- Hã?
- Uma centopéia. - disse Lu ao entender que Thaïs não estava ouvindo o que a mãe dizia.
- Não é uma centopéia, Lu. É uma cobra.
- O quê?
- Tem uma cobra na sua pia.
- Uma cobra na minha tia?
- Pia! Tem uma cobra na sua pia.
- Ela tem pernas!
- E aí?
- Não é uma cobra, mãe.
- Então o que é?
- Uma centopéia.

Texto de 2004, postado em um blog antigo que não está mais no ar.

sábado, 29 de maio de 2010

Política brasileira

- É o Lobo! É o Lobo! É o Lobo!
- Oh, vejo que já me conhece. Nada mais justo que me diga o seu nome também.
- Pedro.
- Pedro de quê?
- Pedro Bó.
- Muito prazer, seu Bó. Lobo Mau, à sua disposição.

Texto de 2004, postado em um blog antigo que não está mais no ar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Parafraseando Lenine

- Olá.
- Oi.
- Desculpe-me por chegar te interrogando do nada, mas eu não te conheço de algum lugar?
- Provavelmente.
- Qual o seu nome?
- Umbigo.
- É, não me soa estranho. Eu me chamo Pedro.
- O prazer é todo seu.
- Ora essa, como você adivinhou?
- ...
- Vejo que não gosta de falar muito, né?
- Não com outras pessoas.
- Você fala sozinho?
- Só quando é necessário. Eu geralmente só fico olhando pra mim mesmo.
- Meio egocêntrico, não?
- Pedro bó, meu nome é Umbigo.
- Como você descobriu o meu sobrenome?
- Tchau.
- Espera, seu Umbigo! Você é algum tipo de vidente? Eu queria saber algumas coisas sobre o meu futuro! Droga... ... Oi, eu te conheço de algum lugar?

Texto de 2004, postado em um blog antigo que não está mais no ar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Acorda, amor

Acorda, amor
Não vê que eu estou aqui te esperando
Chamando, chamando, chamando
Esperando você entrar

Acorda, amor
Meu sorriso não é só simpatia
É que é plena minha alegria
Ao te ver passar

Acorda, amor
Enquanto ainda é tempo
Vem me amar
Antes do tempo passar

Pois uma vez ausente
Mesmo o amor que mais se sente
Um dia se dissipa
Como a espuma do mar

sábado, 15 de maio de 2010

Bêba fatality


Igor diz:
 =)
 vc tem as moral de dar uma de femme fatale?

Ideiafix diz:
 acho que não
 tenho as moral de dar uma de bêba fatality

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Por que eu tinha que me apaixonar?

- Por que eu tinha que me apaixonar? - perguntei eu ao meu melhor amigo.
- Porque você pediu. Era "eu preciso me apaixonar" pra cá, "eu quero me apaixonar" pra lá. Pronto, se apaixonou.
- Tá, mas eu não queria me apaixonar com um cara comprometido.
- Você especificou?
- Não.
- Então pronto.
- Mas precisa? Não é tipo, o óbvio ululante? Quem quer se apaixonar por um cara comprometido?
- Até pouco tempo atrás você não reclamava. Dizia que era ótimo ter uma relação rápida e intensa sem compromisso, com a garantia de que o cara não viria atrás de você porque já tinha namorada.
- Tá, mas agora eu não quero mais.
- E tá pensando que a rapadura é mole? Nem tudo é do jeito que você quer não, minha querida. Saiu na chuva é pra se molhar. Eu acho mesmo que isso é karma.
- Karma por quê?
- Como por quê? Ficou com tanto homem casado e com namorada nessa vida que agora é só o que te aparece.
- Mas eu sou uma boa pessoa...
- É, uma ótima pessoa, se não fosse eu não seria seu amigo.
- Então, eu não mereço esse castigo.
- Não mesmo?

A conversa com o Guto não foi das melhores, voltei pra casa arrasada. Será que era tudo karma mesmo? Que a culpa era minha? Que eu estava pagando pelos meus pecados? Que eu nunca mais ia conseguir um homem pra chamar de meu?
Ao chegar em casa entrei logo no orkut, essa versão tão aprimorada dos classificados amorosos. Comecei a fuçar meu amigos, amigos dos amigos e amigos dos amigos dos amigos. Sempre que aparecia alguém interessante eu ia lá e "pei", fuçava. Namorando. Namorando. Namorando. Casado.
Aí eu desisti de procurar um novo e fiquei com o meu velho comprometido de sempre, pelo menos já era terreno conhecido.