O que era necessário para se viver algumas décadas atrás? Um teto, um agasalho, um alimento e um trocado para beber? Hoje precisamos pagar a conta do celular, da internet, da TV a cabo e as parcelas intermináveis dos cartões Visa, Master, C&A, Riachuelo, Renner, Marisa e Magazine Luiza. Sem falar na conta de luz, que ficou muito mais cara agora que você tem que deixar o computador ligado o dia inteiro (para checar com frequência as atualizações do Face), carregar o iPad, iPpod e iPhone, tomar banho com chuveiro elétrico e deixar carregando as pilhas da sua câmera digital.
Não que eu preferisse ter vivido na década de 50 (exceto pela remota possibilidade de assistir a um show de Billie Holiday), mas ter está se tornando cada vez mais indispensável, à medida que para quem nada tem e muito deseja, a frustração cresce como um enorme monstro devorador de planetas.
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sábado, 18 de agosto de 2012
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Olhos cansados
Enquanto elas brincam na água eu me olho no espelho, tentando remover as imperfeições e lamentando as marcas que surgiram com o tempo. Por um tempo invejo a juventude delas, com toda a vida para ser escrita.
À medida que se vai envelhecendo, as partes do seu corpo vão sendo amarradas uma a uma ao chão. Por isso que o corpo idoso é tão pesado, de tão difícil locomoção.
Sei que as vantagens existem, só me falta descobri-las. Mas enquanto isso, eu evito franzir a testa.
À medida que se vai envelhecendo, as partes do seu corpo vão sendo amarradas uma a uma ao chão. Por isso que o corpo idoso é tão pesado, de tão difícil locomoção.
Sei que as vantagens existem, só me falta descobri-las. Mas enquanto isso, eu evito franzir a testa.
terça-feira, 20 de julho de 2010
A tua presença
Eu estava sentada à procura da inspiração quando me deparei com o seu trabalho. Pensei “poxa, era esse tipo de coisa que eu gostaria de fazer”, mas era só mera utopia pra mim. Não que eu pretenda desistir, provavelmente passarei o resto da vida escrevendo uma meia dúzia de textos que me agradem, mas me frustrando com a enorme maioria do que sai da minha pouco inspirada mente.
Talvez seja exatamente esse o problema, a falta de inspiração. Começo a escrever sem saber o que quero e passo apenas a me lastimar pela ausência da musa ao meu lado, por não ter um emprego ou por não ter um amor. Nesse fim-de-semana eu comi ostra crua e isso pode ser um problema quando não se tem um emprego nem um amor.
Nesse fim de semana, como em todos os outros, eu saí com amigos. Foi muito agradável e divertido, mas me senti incrivelmente só. E escrever sobre isso já ficou chato e repetitivo. Mas eu estava lá, esperando que alguém me trouxesse boas notícias, inebriada com os aromas da noite, e decepcionada com a única ausência que me importava. Talvez fosse melhor se tivesse continuado assim, essa presença só me deixou mais só. É negra, negra negra...
Talvez seja exatamente esse o problema, a falta de inspiração. Começo a escrever sem saber o que quero e passo apenas a me lastimar pela ausência da musa ao meu lado, por não ter um emprego ou por não ter um amor. Nesse fim-de-semana eu comi ostra crua e isso pode ser um problema quando não se tem um emprego nem um amor.
Nesse fim de semana, como em todos os outros, eu saí com amigos. Foi muito agradável e divertido, mas me senti incrivelmente só. E escrever sobre isso já ficou chato e repetitivo. Mas eu estava lá, esperando que alguém me trouxesse boas notícias, inebriada com os aromas da noite, e decepcionada com a única ausência que me importava. Talvez fosse melhor se tivesse continuado assim, essa presença só me deixou mais só. É negra, negra negra...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Cartas de amor
“Todas as cartas de amor são ridículas” e é por nos darmos conta disso que as guardamos em nossas gavetas. Na minha infância eu escrevi minhas primeiras cartas de amor, perfumadas, com presentinhos dentro e declarações sinceras do meu coração infantil. Foi também na minha infância que pela primeira vez fui ignorada por um garoto. Não sei o que devo pensar disso, mas descobri que ele as guarda até hoje. Talvez por serem mesmo ridículas.
Resolvi então, passada a minha infância, não escrever mais cartas de amor, pois a primeira carta escrita para o meu primeiro namorado resultou em uma humilhação pública em sala de aula. Eu o perdoei, como viria fazer mais tarde tantas outras vezes com outros homens. Meus relacionamentos sempre terminam por ausência de amor, e não haveria o primeiro de terminar por causa de uma reação ridícula a uma carta de amor.
Continuei escrevendo-as, mas estas então não eram mais enviadas. Fantasiadas de contos, crônicas, sonhos e diálogos, continuei as produzindo em segredo, porque eu precisava me expurgar daqueles sentimentos, sem necessariamente me expor ao ridículo.
Mas descobri recentemente a tristeza que é não completar o ciclo de uma carta de amor. Sentimentos que nos fazem sentir ridículos podem ser recíprocos. Ou não. Aí a queda é grande. Mas quando ambos são fatalmente vítimas desse sentimento ridículo, ridículo é mantê-lo em segredo. Preso dentro de uma garrafa nunca jogada ao mar, asfixiado até o dia da sua morte.
Aí ele deixa de existir. Deixamos de nos sentir ridículos, abrimos a garrafa e jogamos fora os restos mortais daquela declaração antes tão pulsante. Constatamos então que somos a própria garrafa e estamos tão vazios quanto ela. E morremos pouco-a-pouco, sem aproveitar a oportunidade de nos sentirmos ridiculamente felizes ao receber uma carta de amor.
Resolvi então, passada a minha infância, não escrever mais cartas de amor, pois a primeira carta escrita para o meu primeiro namorado resultou em uma humilhação pública em sala de aula. Eu o perdoei, como viria fazer mais tarde tantas outras vezes com outros homens. Meus relacionamentos sempre terminam por ausência de amor, e não haveria o primeiro de terminar por causa de uma reação ridícula a uma carta de amor.
Continuei escrevendo-as, mas estas então não eram mais enviadas. Fantasiadas de contos, crônicas, sonhos e diálogos, continuei as produzindo em segredo, porque eu precisava me expurgar daqueles sentimentos, sem necessariamente me expor ao ridículo.
Mas descobri recentemente a tristeza que é não completar o ciclo de uma carta de amor. Sentimentos que nos fazem sentir ridículos podem ser recíprocos. Ou não. Aí a queda é grande. Mas quando ambos são fatalmente vítimas desse sentimento ridículo, ridículo é mantê-lo em segredo. Preso dentro de uma garrafa nunca jogada ao mar, asfixiado até o dia da sua morte.
Aí ele deixa de existir. Deixamos de nos sentir ridículos, abrimos a garrafa e jogamos fora os restos mortais daquela declaração antes tão pulsante. Constatamos então que somos a própria garrafa e estamos tão vazios quanto ela. E morremos pouco-a-pouco, sem aproveitar a oportunidade de nos sentirmos ridiculamente felizes ao receber uma carta de amor.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Até o amanhecer
A madrugada é para mim o melhor momento para o homem se encontrar consigo mesmo. É quando todas as obrigações estão adormecidas e as esperanças se renovam. É o momento da espera, o momento do encontro e também das decepções. São as ditas horas mortas em que a vida tem a oportunidade de se manifestar de maneira mais real. Seja na solidão da reclusão do lar ou numa festa interminável que ignora o canto dos pássaros que acordam junto à alvorada.
É nesse período em que se encontram e se separam os amantes, em que a sonolência do mundo permite que a imaginação dos noctívagos crie asas para realizar grandes feitos. É quando se realizam e se desmascaram as infidelidades, quando se firmam as grandes parcerias e quando ocorrem a maioria das fecundações. É a madrugada meu momento favorito do dia. Dormi-la parece-me um desperdício. Perder o nascer do sol um sacrilégio. Viver sob o sol escaldante uma tortura.
Mas ela é minha. E nela vivi grandes aventuras. Conheci novos amores, me decepcionei com os antigos, fui fecundada e senti os primeiros sinais do início da maternidade, que me manteve acordada madrugadas a fio. Conheci novos amores. Me decepcionei com os antigos. Remoí os antigos. Revivi os antigos. Desejei revivê-los. Desejei reviver amores que nem chegaram a se tornar amores. E mesmo quando dormia, sonhava na madrugada a realização do impossível.
Escrevi. Apaguei. Adorei, detestei. Mas amei, amei, amei e por isso amo a madrugada.
É nesse período em que se encontram e se separam os amantes, em que a sonolência do mundo permite que a imaginação dos noctívagos crie asas para realizar grandes feitos. É quando se realizam e se desmascaram as infidelidades, quando se firmam as grandes parcerias e quando ocorrem a maioria das fecundações. É a madrugada meu momento favorito do dia. Dormi-la parece-me um desperdício. Perder o nascer do sol um sacrilégio. Viver sob o sol escaldante uma tortura.
Mas ela é minha. E nela vivi grandes aventuras. Conheci novos amores, me decepcionei com os antigos, fui fecundada e senti os primeiros sinais do início da maternidade, que me manteve acordada madrugadas a fio. Conheci novos amores. Me decepcionei com os antigos. Remoí os antigos. Revivi os antigos. Desejei revivê-los. Desejei reviver amores que nem chegaram a se tornar amores. E mesmo quando dormia, sonhava na madrugada a realização do impossível.
Escrevi. Apaguei. Adorei, detestei. Mas amei, amei, amei e por isso amo a madrugada.
domingo, 22 de novembro de 2009
O Super Presidente
Os anos 2000 são dos presidentes super-heróis. Onde não basta ganhar as eleições e governar bem, os eleitores, e até os que não são eleitores do local em questão, esperam que seja feita uma revolução imediata. Mas os resultados das revoluções, apesar de imediatos, nem sempre se mostram duradouros, efetivos, ou bons a longo prazo.
Nem sei por que estou falando dessas coisas aqui, eu nem me meto em política. Aliás, sei. Acabei de assistir a dois documentários: "Entreatos" e "Lula, para além da esperança", ambos sobre o presidente do Brasil, e principalmente no segundo nota-se uma esperança de que ele seja o salvador da pátria, aquele que vai acabar com todas as mazelas do país em quatro anos. Alguma semelhança com eleições mais recentes?
A esperança deve sim ser mantida, mas não é Lula e não é Obama que vai salvar o mundo de todos os seus problemas. O super-homem não existe, é necessário que nós, homens comuns, nos conscientizemos das nossas responsabilidades perante o futuro do planeta ao invés de passarmos a batata quente, infinitamente, de um governante para outro, seja ele um revolucionário ou um político.
Nem sei por que estou falando dessas coisas aqui, eu nem me meto em política. Aliás, sei. Acabei de assistir a dois documentários: "Entreatos" e "Lula, para além da esperança", ambos sobre o presidente do Brasil, e principalmente no segundo nota-se uma esperança de que ele seja o salvador da pátria, aquele que vai acabar com todas as mazelas do país em quatro anos. Alguma semelhança com eleições mais recentes?
A esperança deve sim ser mantida, mas não é Lula e não é Obama que vai salvar o mundo de todos os seus problemas. O super-homem não existe, é necessário que nós, homens comuns, nos conscientizemos das nossas responsabilidades perante o futuro do planeta ao invés de passarmos a batata quente, infinitamente, de um governante para outro, seja ele um revolucionário ou um político.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Declaração (de desamor) a um canalha
Monstro de duas cabeças, múltiplas personalidades. Tal qual a hidra, corta-se uma e encontra logo outra para substituí-la. Narciso deturpado, que esconde seu egocentrismo por trás da máscara da baixa auto-estima. Vil manipulador que por intermédio da arte aproveita-se dos seus dotes – talvez os únicos que possua – para alcançar seus propósitos impróprios. Besta fera enganadora que conquista a tal ponto que mesmo te odiando é impossível não te querer bem. Presença contaminadora da qual é impossível desfazer-se sem muito esforço, mas que se desfaz. E quando vai embora o amor e vai embora o ódio, resta apenas o nada.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Voltei
Às vezes tenho vontade de permanecer incógnita. Até encontrei um lugar para isso, mas não é como aqui. Aqui me sinto à vontade, em casa. Em uma casa só minha, onde ninguém me julga. O que não chega a ser verdade, já que há muitos juízes na minha casa. Muitos nem mesmo compreendem o que digo. Aliás, a maioria não compreende. Sejam juízes ou platéia. Mas é um risco que se corre. Nenhuma paixão está imune, nem mesmo à literatura. Infelizmente, não posso ignorar os meus juízes, mas resolvi não mais me curvar diante deles. Mais uma vez dou a minha cara a tapa. Não tenho porque me esconder. Não fiz nada errado. A hipocrisia não vai me vencer. Minha literatura não é criminosa. Por isso me liberto. Só assim posso me compreender melhor. Só escrevendo sobre mim que consigo me reconhecer. E escrever sobre mim não é fazer um diário, é externar todos os personagens que existem no meu peito, na minha mente, nos meus olhos. O oposto da vida é a morte e não cabe a mim assassiná-los. Todos fazem parte de mim e ao pari-los volto a me sentir viva.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Migalhas
Até masoquismo tem limites. Mas aqui é tudo mais cruel, mais explícito. O mundo moderno vive deixando migalhas para as nossas ilusões, masoquistas, persistentes. Me pergunto por que as pessoas são tão diferentes. Não compreendo os que não amam, os que não sofrem, os que não se apaixonam e desapaixonam na velocidade da luz, os que não são masoquistas como eu. Que se isolam atrás de uma casca e quando a luz bate diretamente nela, vislumbram apenas sombras e continuam impossibilitados de viver o presente, tendo em mente apenas pálidas ilusões do passado ou os sonhos do futuro.
Mas eu muitas vezes os invejo, pois mais cruéis são os sonhos que estão sempre tão perto e tão longe. Palpáveis, mas inatingíveis. Que te tocam, te beijam, mas não sonham contigo. Exceto nos teus sonhos, onde cada migalha representa uma esperança. Mas ao amanhecer os pássaros já passaram e perdes o caminho de volta e então, na procura de um abrigo, machucas os pés nas pedras e o rosto nos espinhos das árvores.
No fim dessa jornada retornas ao teu casulo, que não é tão duro quanto a casca dos outros, mas serve para vislumbrares também algumas sombras enquanto as chagas que acumulaste cicatrizam e te preparas para mais uma vez sair em busca de migalhas ao entardecer.
Mas eu muitas vezes os invejo, pois mais cruéis são os sonhos que estão sempre tão perto e tão longe. Palpáveis, mas inatingíveis. Que te tocam, te beijam, mas não sonham contigo. Exceto nos teus sonhos, onde cada migalha representa uma esperança. Mas ao amanhecer os pássaros já passaram e perdes o caminho de volta e então, na procura de um abrigo, machucas os pés nas pedras e o rosto nos espinhos das árvores.
No fim dessa jornada retornas ao teu casulo, que não é tão duro quanto a casca dos outros, mas serve para vislumbrares também algumas sombras enquanto as chagas que acumulaste cicatrizam e te preparas para mais uma vez sair em busca de migalhas ao entardecer.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Untitled
It is still quite clear in my mind the times when I had near me the ones that were enough. I didn’t realize that after that year, my life would never be the same. Okay, trough our lifetime we have a lot of changes, but this was the biggest I had so far. School years were over and in a moment I saw myself living the same mediocre life of always, while there were no more childhood friends or even the ones to cherish my world.
Sad was the first literature class I had this year. The same teacher I had last year and in my eleven’s, entered the room and I felt completely nostalgic. He was the same, and it was enough to remind me that I had failed. Saturday night, here comes my remainder childhood friend. Let me guess: I’m the first one? Of course you were, you always are… Where’s the vodka? Take the ice and the glasses. Sure, let me put some music. She’s no longer here.
Oh holy night that brought them back for such a short time and reminded me that I can’t live so far away from them; oh profane world that made such an evil separation. Where will I find those happy days? Then the three late ones arrived. Hugs, kisses and strident little screams for the meeting time. So we came inside to listen to the same old soundtrack and have the same behaviour. And it hasn’t changed, after all – thank God.
I can’t remember if I considered myself a happy person in those days… We rarely do. But I was glad to know that I had with me irreplaceable friends. Unfortunately, it has become a problem – now that I really need to substitute them for people who live near me. She took her brother’s digital camera and it was such a party! We forgot everything and had fun, took pictures, danced – as usual – took pictures, talked, took pictures, drank, took pictures and meanwhile, I was looking for something nice to wear.
Fortunately I don’t do this anymore, but we have this bad habit of complaining about this city. If it isn’t because it’s small, it’s because of the weather or just because we have few places to go (and one more time I thank God for that). We make our parties, and one of my best was my eighteen year old party: we did everything we were used to, but with more food, more drinks and a little more people in the house, but they didn’t matter. At that time, two of them weren’t talking to each other, and for my happiness, they were the first ones to come. The bell rang and the two other ones came with their Happiness Kit. It surely wasn’t the most expensive present I’ve ever won, but it was one of those I most liked. In fact, I’m using a part of it right now.
Our last hope is technology. We still can talk to each other every week, see each other trough pictures, but that’s all. Another party, just in three months. I know it isn’t that long, but as long as I don’t find something to trick me here, every week will be too long. I don’t know what I’m going to do; all I know is that I have to study. To live there or here, I need to go to college and need to find my path again so that I can meet them again, no matter where or when.
The radio was on while I had been waiting for my drink and a pop music was playing. It reminded me of one of those days where we used to take pictures and drink and dance and talk and laugh while I was learning how to do a nice make-up.
Sad was the first literature class I had this year. The same teacher I had last year and in my eleven’s, entered the room and I felt completely nostalgic. He was the same, and it was enough to remind me that I had failed. Saturday night, here comes my remainder childhood friend. Let me guess: I’m the first one? Of course you were, you always are… Where’s the vodka? Take the ice and the glasses. Sure, let me put some music. She’s no longer here.
Oh holy night that brought them back for such a short time and reminded me that I can’t live so far away from them; oh profane world that made such an evil separation. Where will I find those happy days? Then the three late ones arrived. Hugs, kisses and strident little screams for the meeting time. So we came inside to listen to the same old soundtrack and have the same behaviour. And it hasn’t changed, after all – thank God.
I can’t remember if I considered myself a happy person in those days… We rarely do. But I was glad to know that I had with me irreplaceable friends. Unfortunately, it has become a problem – now that I really need to substitute them for people who live near me. She took her brother’s digital camera and it was such a party! We forgot everything and had fun, took pictures, danced – as usual – took pictures, talked, took pictures, drank, took pictures and meanwhile, I was looking for something nice to wear.
Fortunately I don’t do this anymore, but we have this bad habit of complaining about this city. If it isn’t because it’s small, it’s because of the weather or just because we have few places to go (and one more time I thank God for that). We make our parties, and one of my best was my eighteen year old party: we did everything we were used to, but with more food, more drinks and a little more people in the house, but they didn’t matter. At that time, two of them weren’t talking to each other, and for my happiness, they were the first ones to come. The bell rang and the two other ones came with their Happiness Kit. It surely wasn’t the most expensive present I’ve ever won, but it was one of those I most liked. In fact, I’m using a part of it right now.
Our last hope is technology. We still can talk to each other every week, see each other trough pictures, but that’s all. Another party, just in three months. I know it isn’t that long, but as long as I don’t find something to trick me here, every week will be too long. I don’t know what I’m going to do; all I know is that I have to study. To live there or here, I need to go to college and need to find my path again so that I can meet them again, no matter where or when.
The radio was on while I had been waiting for my drink and a pop music was playing. It reminded me of one of those days where we used to take pictures and drink and dance and talk and laugh while I was learning how to do a nice make-up.
Metalinguagem
O barulho das chaves me irritou por todo o caminho. Apressei o passo até o portão e as retirei da bolsa. A continuação é óbvia, abri o portão, ultrapassei o jardim, o quintal e abri a porta dos fundos. Entrei na casa escura, sem sentir a necessidade de acender as luzes; tateei um pouco até o caminho do sofá e nele joguei meu corpo. Fechei os olhos e ela veio até mim, meio confusa, cambaleante e insegura. Chamei-a pelos nomes errados e obtive resultados pouco confortantes. Resmunguei palavras de irritação e ela foi embora ainda mais discretamente que chegou.
À noite deitei-me em minha cama e no espaço de tempo entre a tentativa e o sonho pude sentir uma nova aproximação. Percebi sua preferência pela amiga escura, e tímida como ela. Suas ações já não eram tão discretas, e ainda que por um curto tempo e com resultados do mesmo tamanho, apelidei-os de satisfatórios (a verdade é que eu havia adorado).
Agora clamo pela presença dela, mas mostra-se tímida mais uma vez. Mais uma vez reclamo dos resultados insatisfatórios e esqueço que mesmo escondida ela ainda toca meus cabelos. Ouço lamentações sussurradas se afastando e sabendo que serei incapaz de continuar, deito o lápis. Aguardo ansiosa pela chegada da noite, para saber se mais uma vez ela virá ditar suas canções de ninar aos meus ouvidos.
À noite deitei-me em minha cama e no espaço de tempo entre a tentativa e o sonho pude sentir uma nova aproximação. Percebi sua preferência pela amiga escura, e tímida como ela. Suas ações já não eram tão discretas, e ainda que por um curto tempo e com resultados do mesmo tamanho, apelidei-os de satisfatórios (a verdade é que eu havia adorado).
Agora clamo pela presença dela, mas mostra-se tímida mais uma vez. Mais uma vez reclamo dos resultados insatisfatórios e esqueço que mesmo escondida ela ainda toca meus cabelos. Ouço lamentações sussurradas se afastando e sabendo que serei incapaz de continuar, deito o lápis. Aguardo ansiosa pela chegada da noite, para saber se mais uma vez ela virá ditar suas canções de ninar aos meus ouvidos.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Figuras notáveis dos bares noite afora
- A solteirona amazona: sai para caçar (geralmente em bando).
- O boêmio fiel (ou bat-boêmio): comparece (quase) todos os dias, na mesma bat-hora, no mesmo bat-local.
- O viajante cósmico: o tempo, o mundo, as pessoas, tudo é motivo para uma conversa existencialista.
- O poeta punheteiro: tem sempre um versinho na ponta da língua para xavecar uma mulher moderninha.
- O maconheiro solidário: sempre te chama pra fumar um.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Minha namorada
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.
Vinicius de Moraes e Carlos Lyra
Eita que esses românticos dão um trabalho danado...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
"You are stardust"
Eu sempre penso no conceito de alma gêmea. Aliás, a alma em si me intriga. Um dos motivos pelos quais a "bilogia" "Antes do amanhecer" e "Antes do pôr-do-sol" me fascina é que eles têm basicamente as mesmas impressões do assunto que eu. Mas não vou fazê-lo assistir aos filmes para descobrir quais são (apesar de achar que deveria).
Em primeiro lugar, se a alma é imortal, então as almas de todas as pessoas que já morreram, vivem ou ainda vão nascer já existem em algum lugar do universo, certo? Digamos que não, que na verdade o que existe é a reencarnação. Eu morrerei e outra pessoa "herdará" a minha alma. Mas se hoje em dia existem muito mais pessoas no planeta do que existiam há 2000 anos, de onde vieram todas essas almas? Estariam estocadas? Ou será que as almas atuais são fragmentos das almas dos nossos antepassados? Isso poderia ser uma explicação para o fato de não existirem outros Da Vincis perambulando por aí...
Se for assim então a minha alma gêmea está fragmentada em diversos pedacinhos, assim como a minha própria. Menos cruel. Mas se ela for única, morar no Afeganistão e tiver 68 anos? Eu devo então me conformar em viver eternamente como uma cuia, sem tampa? Cruel, não é mesmo? Falo de almas gêmeas porque sou uma eterna romântica, mas acreditar mesmo, eu acredito no amor de Vinícius. "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".
Em primeiro lugar, se a alma é imortal, então as almas de todas as pessoas que já morreram, vivem ou ainda vão nascer já existem em algum lugar do universo, certo? Digamos que não, que na verdade o que existe é a reencarnação. Eu morrerei e outra pessoa "herdará" a minha alma. Mas se hoje em dia existem muito mais pessoas no planeta do que existiam há 2000 anos, de onde vieram todas essas almas? Estariam estocadas? Ou será que as almas atuais são fragmentos das almas dos nossos antepassados? Isso poderia ser uma explicação para o fato de não existirem outros Da Vincis perambulando por aí...
Se for assim então a minha alma gêmea está fragmentada em diversos pedacinhos, assim como a minha própria. Menos cruel. Mas se ela for única, morar no Afeganistão e tiver 68 anos? Eu devo então me conformar em viver eternamente como uma cuia, sem tampa? Cruel, não é mesmo? Falo de almas gêmeas porque sou uma eterna romântica, mas acreditar mesmo, eu acredito no amor de Vinícius. "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".
terça-feira, 14 de abril de 2009
sábado, 28 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Explosão
Fui à geladeira e servi-me um copo d’água. Poucos líquidos são tão bons quanto ela. Voltei pro computador e esperei, esperei infinitamente que algo acontecesse. Nada aconteceu. Pessoas iam e vinham, como sempre, mas eu estava ansiosa. Meus olhos tremiam e tudo que eu pensava era “será que eu estou prestes a ter um AVC”? Sempre fui muito agourenta. E melodramática. Eu passeava pelas páginas da internet à procura de algo que ocupasse a minha mente dos pensamentos inúteis, mas tudo que é inútil nos cerca como cães famintos.
Já sei, vou escrever, é sempre bom para exorcizar os fantasmas, pensei eu. Basta. Eles já fazem parte de mim e gritam frequentemente “desiste, estamos aqui para ficar”! Sempre tive medo de fantasma, melhor não mexer muito com eles. Que tal cantar? Afinal, “quem canta seus males espanta”, não é mesmo? Depende da música... Lembra daquela que dizia “meu bem, meu zen, meu mal”? Então...
Então ler! Uma leitura é sempre boa para acalmar os ânimos, esquecer do mundo exterior e lembrar-se apenas do universo que existe naquelas linhas. Mas quem consegue se concentrar com a mente cheia de fantasmas, cães, AVCs, males, bens e zens? Eu deveria mesmo é desistir e ir dormir, amanhã é um longo dia, cheio de revelações, emoções e por que não, perdições? Talvez porque as responsabilidades não me permitem. Mas que se explodam! Ou explodo eu.
Já sei, vou escrever, é sempre bom para exorcizar os fantasmas, pensei eu. Basta. Eles já fazem parte de mim e gritam frequentemente “desiste, estamos aqui para ficar”! Sempre tive medo de fantasma, melhor não mexer muito com eles. Que tal cantar? Afinal, “quem canta seus males espanta”, não é mesmo? Depende da música... Lembra daquela que dizia “meu bem, meu zen, meu mal”? Então...
Então ler! Uma leitura é sempre boa para acalmar os ânimos, esquecer do mundo exterior e lembrar-se apenas do universo que existe naquelas linhas. Mas quem consegue se concentrar com a mente cheia de fantasmas, cães, AVCs, males, bens e zens? Eu deveria mesmo é desistir e ir dormir, amanhã é um longo dia, cheio de revelações, emoções e por que não, perdições? Talvez porque as responsabilidades não me permitem. Mas que se explodam! Ou explodo eu.
Quem saiu foi tu!
Eu não estou ficando mais novo. Muitos dizem isso. Eu também não estou ficando mais nova. Pode parecer bobagem dizer isso, mas não é. Chega um momento em nossas vidas em que sentimos uma necessidade urgente de "recuperar o tempo perdido". Há quem chame isso de "crise de meia idade". Não deve ser o caso. Ainda há pouco eu vivia a "flor da idade". Tampouco deve ser depressão. Apenas a constatação do óbvio ululante. Mas ninguém tem nada a ver com isso o azar é todo meu. A-do-le-ta... Quem bebeu mor-reu, quem trepou, fo-deu! Puxa o rabo do tatu...
terça-feira, 24 de março de 2009
Música
Ela sempre me diz alguma coisa, mesmo quando não fala. Algumas me confortam, outras me desolam. Existem aquelas que me abraçam, mas às vezes o abraço é de despedida. Mas as mais impressionantes são aquelas que percebem o que acontece dentro de mim, antes de mesmo que eu o saiba; e me mostram, impiedosamente. Há também as que me mostram minhas origens, de onde vim e por que sou o que sou. E há ainda aquelas que falam “bunda, xereca, chifre”, mas essas não me dizem nada.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Blog
Gostaria de me reencontrar contigo. Lembra da época em que você ficava sabendo de tudo que acontecia na minha vida? Eu te contava os meus diálogos, tinha ideias engraçadinhas, estava sempre em busca da minha criatividade. Aí e fui sumindo, me ausentando, assumindo novas responsabilidades e de repente você estava em último lugar da minha lista de prioridades. Passei a te contar apenas frivolidades, coisas desinteressantes, usar-te para mostrar meus vídeos, porque eu sabia que você estaria sempre disponível para mim, sempre que eu precisasse de ti.
Aí a vida deu uma reviravolta. Eu me cansei de tudo e ao olhar para você, para o que você tinha se tornado eu fiquei triste. Você estava abandonado. Como tudo na minha vida, parecia que também era algo passageiro. Mas eu não quero que seja assim. Fico feliz que você esteja presente para me mostrar como eu era, como eu poderia voltar a ser, pelo menos em partes. Você sempre me incitou a estimular a minha criatividade e eu agora preciso retribuir. Vou atrás de coisas novas para que você e eu sejamos felizes novamente. Independente de quem esteja conosco. Esta é a minha declaração para ti, Kisuki.
Aí a vida deu uma reviravolta. Eu me cansei de tudo e ao olhar para você, para o que você tinha se tornado eu fiquei triste. Você estava abandonado. Como tudo na minha vida, parecia que também era algo passageiro. Mas eu não quero que seja assim. Fico feliz que você esteja presente para me mostrar como eu era, como eu poderia voltar a ser, pelo menos em partes. Você sempre me incitou a estimular a minha criatividade e eu agora preciso retribuir. Vou atrás de coisas novas para que você e eu sejamos felizes novamente. Independente de quem esteja conosco. Esta é a minha declaração para ti, Kisuki.
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