a passos lentos
e percalços,
mas distraídos
nem percebemos
e ela voa como num salto
que de assalto
nos assusta.
Minha nossa!
Nem percebi
que minha bunda estava murcha.
Um dia,
serei mulher.
Mas tu já não é?
Alguém me diria.
Sou,
não dá pra negar.
Creio que não há
no que me escorar.
Mas fora a razão
longe bem longe
algo se esconde
dentro do meu ser.
Abro os olhos,
abro as pernas,
abro os braços,
engulo o alvorecer.
Na penumbra,
cresce muda,
cresce lodo,
cresce mato e
me desembaraço.
Faço planos,
tenho náuseas,
será que é a menopausa?
Acabei de virar mulher!
Que jornada,
me sinto desenganada,
recolho minha bagagem,
espanto longe a miragem,
reparo ao meu redor,
às vezes me acho só,
mas fora as desilusões,
percebo não são milhões,
nem mesmo poderia,
são poucos mas importantes,
mais amigos que amantes,
transportam felicidade.
O importante é que nessa idade
sorrisos não são escassos
que sejam esses meus passos
até a eternidade.
Ai que saudade do cheiro,
de foder todo dia,
sentir os corpos colados
naquela perfeita conchinha...
Saudade de dar um abraço
o corpo encher de alegria
daquele beijo gostoso
que eu toda me tremia.
Por que é tão forte?
Ocupa tudo aqui dentro,
permeia todas as veias,
neurônios,
até a última célula.
Como então separar,
a fusão de DNAs
torna o físico incapaz
de pensar
como seria não estar
deitada em seu peito agora.
Na noite não tão escura,
passos ao meu redor.
Silenciosos.
Palpitante,
me aproximo
e sinto que
vou desmaiar.
Mas firme
mantenho
e fico
sentindo
que
estou
nesse momento
completamente
extasiada.