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sábado, 20 de agosto de 2011


Aqui estou eu enfrentando mais um dia de trabalho. Na frente do computador, tomando um amargo chá verde na tentativa de diminuir essa barriga que insiste em aumentar desde que eu pari. Meu braço dói de usar o mouse, mas chego a ter vergonha de reclamar e talvez, por revolta alguém me mande pegar numa enxada. Estou sozinha na sala, com preguiça de me levantar para ir até o banheiro esvaziar a bexiga. Cornetas militares tocam em alguma comemoração que ignoro.
Voltei do banheiro. Agora está tocando o hino nacional. Já está perto da hora de ir embora. Passei a tarde assistindo a um documentário sobre Bukowski. Ainda não terminei, mas já foi o suficiente para que eu sentisse uma puta inveja daquele filho da puta. Alguém que escreve todos os dias ou tem muito ou não tem nada a dizer. O fato é que ele conseguiu, aparentemente com uma tremenda facilidade, algo que eu tentei durante toda a minha vida: escrever um livro. Claro que eu ainda tenho vinte e cinco anos, mas se eu não consegui fazer nada relevante até hoje, acho extremamente improvável que eu o consiga algum dia. Ao contrário do que se pensa, os vinte não são o meio da juventude, mas o começo da velhice.
Aos vinte eu fui mãe, casei, me separei, terminei a faculdade, vi meus seios caírem e minha barriga inchar, saí da casa da minha mãe, voltei a morar com ela, precisei arranjar um emprego e de repente eu me dei conta da pior realidade da vida: me tornei adulta. Agora preciso aprender a lidar com essa nova realidade de mãe, empregada, mas ainda dependente da própria mãe, de seios, outrora belos, agora caídos e barriga inflada. Mas meu lado adolescente clama para não morrer e por isso preciso sucumbir a uma necessidade latente: farei a minha terceira tatuagem.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Safadeza oculta

Encontrei uma moeda na rua, dez centavos, mas estava tão dura que não hesitei em pegar. Se tivesse algum poço por perto jogaria pedindo que ela se multiplicasse. Ou talvez não, desde que o meu irmão morreu, quando eu tinha dez anos, que não sou muito fã de poços. Guardei no bolso, seria muito útil na hora de pagar a passagem do ônibus. Maldito preço quebrado. Queria era enfiar essa moeda no cu de algum dono de empresa de coletivos, capitalistas malditos. Mas quem sou eu pra falar de capitalistas?
Com vinte e cinco anos, já sou mãe e separada, moro na casa da minha mãe e estou no meu primeiro emprego de vergonha. E por falar em vergonha, ainda nem sei quanto vou receber, tive vergonha de perguntar. O fato é que me vejo cada vez mais perto dos trinta, idade limite, para mim, para a “auto sustentação”. Cinco anos antes disso, não avisto a independência financeira.
Não que me cobrem, ao menos não muito, mas à medida que seus pais envelhecem, começam a cansar de trabalhar, ter câncer, água na cabeça, dor nos ossos, falta de memória e você passa a se sentir um peso morto imprestável. Afinal, você tem vinte e cinco anos, ensino superior completo e uma boa educação, o que te falta?
Nunca dou esmolas. Sempre acho que vou me arrepender futuramente, quando estiverem faltando moedas para completar a passagem, a cerveja ou o chiclete pra tirar o gosto do almoço.
Mas não posso me queixar, o ano começou muito bem, esse pessimismo é apenas reflexo do pau que levei na prova do Detran por causa de um cinto de segurança e uma seta errada. A baliza e a meia embreagem foram perfeitas. Puta mundo injusto.

sábado, 14 de agosto de 2010

thaispetacular! diz:
 http://izismile.com/2009/10/27/creepiest_iprofessionally_retouched_photos_of_children_80_pics.html

A. diz:
 caralho
 ridículo
 tudo com cara de prostituta

thaispetacular! diz:
 tenso, ne?

A. diz:
 mas vamos dar um desconto que é na rússia

thaispetacular! diz:
 huehueeuhuehueh
 e aí?
 o povo na russia é bizarro?

A. diz:
 sim, cara

thaispetacular! diz:
 ahuehuaheh

A. diz:
 é a marca da rússia
 agora no verao eles tao tendo 35, 40 graus de sol
 o povo fica nu na rua tomando banho de fonte

thaispetacular! diz:
 huhuahuehuhauheuhauhe

A. diz:
 e o pvo tá morrendo adoidado

thaispetacular! diz:
 pq?

A. diz:
 porque bebe e vai tomar banho no rio e morre

thaispetacular! diz:
 eita

A. diz:
 e as crianças morrem

thaispetacular! diz:
 aheuhuaheuhuhauehuahe

A. diz:
 porque os pais bebem

thaispetacular! diz:
 povo punk da porra

A. diz:
 e deixam soltas
 e morrem afogadas
 nao é brincadeira, passa no jornal
 é TENSO lá
 povo mais bizarro que exis

thaispetacular! diz:
 no frio morrem pq bebem e dormem do lado de fora

A. diz:
 te

thaispetacular! diz:
 aehuiahuiehiuaheuihauieh

A. diz:
 heheheh
 sim

thaispetacular! diz:
 foda de vodka russa parece água
 aí é facim facim de beber

A. diz:
 pois é
 e vodka é aguinha, né
 daí voce tir ao níveldo povo

thaispetacular! diz:
 heheheheh

A. diz:
 http://www.youtube.com/watch?v=g7JAYteVV8k&feature=iv&annotation_id=annotation_482101
 e eles fazem coisas bizarras
 como as banyas, que sao saunas públicas
 onde fica todo mundo semi nu
 tomando banho de piscina quente
 e batendo ramos de plantas nas costas dos outros
 depois vao direto pra neve rolar no chao
 ai voltam pra sauna

thaispetacular! diz:
 hauehuhauehuahuehuaeuh
 será que eu ia me chocar muito lá?
 ou ia achar divertido?

A. diz:
 cara, eu acho massa
 mas a realidade é triste
 é um povo altamente alcoolatra e descrente
 sem muita perspectiva
 sao culturamente grossos e bizarros
 e as mulheres tendem a se prostituir
 ja que as "noivas russas" sao famosas
 hehe
 mundialmente
 voce importa qualquer russa gatinha por dinheiro

thaispetacular! diz:
 é culpa do socialismo
 e tu ainda vai votar em plinio
 sjiojoijaojoeiajoeijaejoiajije

A. diz:
 te lasca
 UAIHEAUEAJUEHAUEAHI

thaispetacular! diz:
 ahuheuhauehuahuehaueuhauhuehauhe

A. diz:
 socialismo é massa
 obriga todo mundo a ser ateu
 \o/

thaispetacular! diz:
 huaheuhauheuahuehuahuehaueh
(h5)

domingo, 4 de julho de 2010

Ah, o amor! (ou "Can buy me love")

 hauehauehaueae
 MULHER
 qro um amor ;~
 xo ler personare

 EU TAMBÉM
 não
 eu quero um emprego
 !!!!!!!!!!
 porra de amor
 o amor que se foda
 com dinheiro eu compro o amor
 HUAHUAHUAHUHUAHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHA

 ahuehauehauehauehaue
 AHUEHAUEHAUEHAUHEAUEHAUEHAUEHAUEHA
 AHEUAHEUAHEUAHEUAEHAUEHAUEHAUEAH
 ri mto agora

segunda-feira, 31 de maio de 2010

São João


- Quer dançar comigo?
- Não posso... Meu pé tá doendo.
- Mas vamos, eu vou devagar.
- Sério, não dá mesmo. Ó, meu sapato é desconfortável, ele tá me matando. Eu estava até procurando uma cadeira para me sentar.
- Não me diga que eu vou levar um fora, depois de vir de tão longe?
- Eu também vim de longe.
- De onde?
- João Pessoa.
- João Pessoa não é longe.
- É sim.
- Você tem namorado?
- Tenho.
- Ele tá aqui?
- Não, ficou lá em João Pessoa.
- É, você tem muita sorte em ter alguém como ele.
- Eu também acho.
- Eu no lugar dele não deixaria você vir sozinha.
- É por isso que eu não namoro pessoas como você.
Kelly: HAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA!
- Sua amiga tá rindo de mim.
- Tá nada.



Texto de 2004, postado em um blog antigo que não está mais no ar.

domingo, 30 de maio de 2010

Miscommunication

- Thaïs?
- Oi?
- Tem uma cobra na sua pia.
- Hã?
- Uma centopéia. - disse Lu ao entender que Thaïs não estava ouvindo o que a mãe dizia.
- Não é uma centopéia, Lu. É uma cobra.
- O quê?
- Tem uma cobra na sua pia.
- Uma cobra na minha tia?
- Pia! Tem uma cobra na sua pia.
- Ela tem pernas!
- E aí?
- Não é uma cobra, mãe.
- Então o que é?
- Uma centopéia.

Texto de 2004, postado em um blog antigo que não está mais no ar.

sábado, 15 de maio de 2010

Bêba fatality


Igor diz:
 =)
 vc tem as moral de dar uma de femme fatale?

Ideiafix diz:
 acho que não
 tenho as moral de dar uma de bêba fatality

domingo, 25 de abril de 2010

Lesbianismo é a solução?

MÃE: Você tá muito "rueira", viu? Homem não gosta de mulher que sai demais não.

EU: Bah, eu tô cansada dos homens.

MÃE: Então vá atrás de uma mulher.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sunny

- Olha a minha câmera!
- É uma Diana?
- Não, é minha.
- É uma Diana?
- Indiana? Não, é Made in China.
- É uma Diana?
- Ahh, Diana? Não, é uma Sunny.

domingo, 14 de março de 2010

Frank Zappa

 aheuaheuaheuaehauehae
 eu vi um cara
 meodeos
 n lembro onde
 q era supr seu tipo

 em campina??
 ou gente

 n lembro nem onde foi
 se foi foto
 se foi aqui

 tem que guardar essas informações
 e me avisar ;~~~

 minha memoria me boicota

 e a mim tambem, ne?

 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQaPVtNeC_17PW8MSbG7gRveOxfxaKZ2MLDYPRzrlt6f_WuWzYbz4M-aumQJ0j-Yne0-vt7inO62MxYK2kl5NazOsdTn29rQ293m8BU8AjwAKr5w1pAhP3VAd9Zi0ChJb6JVf8/s320/Frank_Zappa.jpg ahuehauhe

 PQP
 ERA FRANK ZAPPA
 OMG
 ERA ERA
 eu tava super ouvindo essa semana
 aih fui ver as fotos
 aehuaheuaehuaehaehaeuaheuahe
 foi isso mermo
 aheuaheuaheuaheuaheuaehuae
 shoks

 afeeeee
 credito nao
 o cara que era meu tipo era FRANK ZAPPA??????? ¬_¬

sexta-feira, 5 de março de 2010

Aparelhos de som

Saí do Detran e no ônibus tinha um cara tocando violão. O motorista dirigia feito um louco e eu escapei de cair pelo menos uma três vezes. Cheguei a me visualizar com a coxa roxa por causa de uma provável porrada na porra do braço do violão. Afinal, isso lá é lugar de se tocar violão, velho? Acho que já vi em algum ônibus a mensagem "proibido aparelhos de som" ou algo do tipo. Mas é claro que sempre tem algum filho da puta de péssimo gosto pra desobedecer a lei. O que de certa forma me entristece, porque com tanta música boa no mundo, a maioria prefere ouvir um lixo enlatado qualquer. Mas enfim, o que eu queria dizer era que um violão não deixa de ser um aparelho de som, né?
Falando nisso, essa minha experiência na auto escola me fez lembrar por que eu tinha tanto abuso dos meus colegas na escola. Existem tipos que se repetem. Em primeiro lugar estão os enturmados, que adoram mostrar o quanto são interessantes e engraçados, ocupando sempre uma boa parte das aulas com comentários dispensáveis. Há também os espertões, que precisam mostrar como são inteligentes e bem informados. E finalmente, há os chatos, categoria na qual me enquadro, que criticam a tudo e a todos, ou melhor, fazem pilhéria. Uma diferença da auto escola é que nela, aparentemente, perde-se todo o pudor de deixar ou esquecer o celular ligado, então quando menos se espera, começa a sinfonia dos aparelhos vindos diretamente de alguma sucursal do inferno.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Adeus Bukowski!

Eu hoje fugi de casa. Não como a criança que foge com raiva dos pais, mas como a mulher que foge com raiva do mundo. Ao deixar minha filha na escola percebi que precisava de um pouco de brisa na barriga. Então pensei no mar e logo depois lembrei do livro de Bukowski que tinha comprado na banca, após sair da auto escola, onde eu fora à procura de um tutorial sobre InDesign. Pareceu-me então o programa perfeito para esta terça-feira à tarde: ler deitada numa esteira, embaixo de uma árvore até a hora de buscar Marina na escola. Cheguei no Cabo branco. Vocês devem pensar "nossa, que folga, vida boa!"
Estou voltando pra casa. Antes de chegar no meu destino recebo a ligação que eu tanto temia: meu pai, me chamando para encaixotar a mudança do meu irmão. Desci do ônibus para pegar outro de volta. Adeus praia, adeus brisa na barriga, adeus Bukowski! Ao invés disso, estou sentido o cheiro enjoado do desinfetante no azulejo do escritório.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma caixinha de música toca em meio às vozes deconhecidas. Bebo a minha cerveja, ah que saudades dela! Sei que pareço uma alcoólatra falando assim, mas ela é a minha única companheira, eterna, presente nos bons e nos maus momentos. Estou aqui, escrevendo novamente naquelas situações nas quais me encontro com frequência: sozinha em meio a uma pequena multidão, que conversa sem parar, porque não são como eu e sempre saem acompanhadas de diversos amigos. Meu discurso é chato, constante, mas a situação insiste em se repetir. Talvez eu tenha sido feita sob encomenda para a solidão. Pff, nem eu acredito nas baboseiras que escrevo. Mas a culpa é minha mesmo, por ter me identificado com grupos nos quais não me enquadro.
As luzes são fracas e me atraem como uma mariposa. Eu devo agora admitir que não escrevo movida pela inspiração, mas pela necessidade. Por isso o que digo talvez não faça sentido para mais ninguém. Mas me ensinaram no curso de inglês como nomear isto: stream of consciousness. Então digo-lhes que sou praticamente uma Virginia Woolf, mas é claro que vocês sabem que eu estou mentindo. Acho que é melhor parar de enrolar e voltar ao meu esforço extremo e frequente de me enquadrar em grupos aos quais não pertenço. Boa noite.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Geração de 85

Silas diz:
 hmn
 pqp cara
 as trias de thays são muito bizzaras as vezes

Samuel diz:
 depois reclama de mim

Silas diz:
 vcs dois
 eu não sei não
 tem algo de errado nessa gração de 85

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

BASEADO EM FATOS REAIS: Cartão

- Investe nos teus dotes de maquiagem e arranja uns bicos pra juntar a grana pra nossa viagem a Paris!
- Mas dá pra a gente juntar, pô. Dois anos é muito. Ainda mais dois anos e meio, por aí... todo mundo quando chegar perto fica sensibilizado e faz doações.
- Mas tem que ver que passagem é caro pô. E outra, se a gente juntar uma grana legal dá pra de repente ficar uns dois meses. Ou comprar muitas roupas lindas.
- Mas a passagem é no cartão, pô.
- E cartão num gasta dinheiro não, é? É dinheiro mágico?
- Gasta.
- Então.
- Mas no cartão ALHEIO.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

SMS

MENSAGEM 1:
Tô de frente a um cara IGUAL a tu aqui na UFCG!

MENSAGEM 2:
É imitação barata de campinense. E todo gordo de barba e óculos é igual a mim. Hunft.

MENSAGEM 3:
Sério, pô, até o cabelo é igual!

MENSAGEM 4:
Eu o meu eu bizarro, que nem em Laboratório Submarino. Cuidado para não achar a Thaïs bizarra por aí.
Silas falou que viu na UFPB igual a você. A você bizarra tá em João Pessoa!

MENSAGEM 5:
Meu deus, nos clonaram!

MENSAGEM 6:
<o>

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Auspicioso

Me pergunto se existe algum estudo antropológico realizado nas filas dos sanitários. Lá acontece uma interação social que você não encontra em nenhum outro lugar. Até eu fico simpática em fila de banheiro.
Que as novelas exercem grande influência na vida dos brasileiros não é nenhuma novidade, eu mesma já cansei de ouvir pessoas ao meu redor falando "tic" ou "rarebaba" e afins. Mas quando alguém te diz na fila do banheiro onde há um submarino entalado na privada que ninguém está entrando lá porque ele não está muito "auspicioso", sinto que esse fato merece ser mencionado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Gripe suína

PeggyDay diz:
aaaahm
ehehehhe
e eu ia te dizer algo e esqueci
merda
aaah
to com medo da gripe suina
o pior eh q parece q vai fechar td
e eu tenho q levar o ban no veterinario

"Violets are blue" diz:
afe ;P

PeggyDay diz:
na sua opiniao o veterinario vai ta aberto?

"Violets are blue" diz:
nao faço a menor ideia
se vai fechar tudo é de se supor que o veterinario tb
no maximo ficarao abertos so os hospitais
ninguem pensa nos animaizinhos ;~~

PeggyDay diz:
=((((
pois eh
por isso q o porco ficou gripado
humpf

"Violets are blue" diz:
huhuhuehuehuhuehue
cara
isso vai pro meu twitter, ehueuhuh
aliás
nao
tem que ir pro blog

PeggyDay diz:
heiehiehiehie
total!

"Violets are blue" diz:
heuuehuehuehuheuhuhuhe

sábado, 20 de junho de 2009

Mais uma dos contos de fadas desvirtuados

Sexta-feira pela manhã caminho em direção à universidade, carregada com duas bolsas, três bandejas e duas garrafas cheias de químicos em uma mão e um misto quente na outra. De repente vejo no horizonte o príncipe encantado a galopar em minha direção. "Não há de ser nada, apenas um transeunte matinal". Mas ele me aborda e pergunta se eu tenho um real. Respondo que não - e era verdade, talvez 0,50, no máximo! - e ele me pede para entregar-lhe a minha bolsa, não por cavalheirismo, mas por marginalismo, mesmo.
A minha bolsa com minha câmera? Ou a minha bolsa com minha carteira, pinças para utilizar na aula, agenda, mp4, óculos, enfim, minha vida? Ele acrescenta que não devo correr e penso "hum, boa idéia, ops, ideia, que agora não tem mais acento - ah essa reforma ortográfica...". Grito "dou não!" e corro então de volta para casa, mas o cavalo era mais rápido que a pata choca carregada aqui. Dou meia-volta e ponho-me a correr na direção oposta. Alguns metros depois constato que ele não está mais no meu encalço e paro de correr. Engolindo o coração de volta, chego à triste conclusão de que não se fazem mais contos de fadas como antigamente.