sexta-feira, 14 de julho de 2006
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Flashback
Sexta-feira, Maio 13, 2005
Lavagem
- Essa batata não tá muito boa hoje...
- É que hoje é o dia de pagar os policiais.
- Que emocionante, estou comendo em um restaurante da máfia grega.
- Qual você acha que é a área deles?
- Tráfico de drogas?
- Não...
- Tráfico de crianças para a prostituição?
- Deve ser isso... Olha só aquele garçom de gravatinha... Ele tem cara de quem a qualquer instante vai sacar uma arma e atirar em todos no restaurante... Acho que vou lá falar com ele e pedir pra que não faça isso enquanto eu estiver almoçando aqui... Vai, termina logo de comer que eu quero fumar o meu digestivo.
Só pra constatar que se inspiraram em mim ao fazer Belíssima.
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Casamento
Essa noite eu sonhei que me casava. Com direito a festão, vestido branco e tudo mais. Eu. Isso é assustador.
O pior é que eu acordei e fiquei sem saber quem era o meu noivo.
Instinto materno ainda vá lá, mas querer casar a essa altura do campeonato? Isso não!
O engraçado é que terminado o casório eu voltei pra casa. Nada de noivo nem de lua-de-mel. Só eu, mesmo...
O pior é que eu acordei e fiquei sem saber quem era o meu noivo.
Instinto materno ainda vá lá, mas querer casar a essa altura do campeonato? Isso não!
O engraçado é que terminado o casório eu voltei pra casa. Nada de noivo nem de lua-de-mel. Só eu, mesmo...
quarta-feira, 28 de junho de 2006
O moreno
Uma e meia da tarde saí do ginecologista e fui para a parada de ônibus.
Sentei ao lado de um rapaz moreno, de cabelos curtos e alguns primeiros fios brancos.
Não gosto muito de paquerar, mas ele percebeu o meu interesse e começamos a conversar.
Atrás de nós estavam sentados dois mórmons barulhentos. Acho que queriam que todos no ônibus soubessem que eles eram gringos. Até hoje não entendi qual é a dos mórmons.
Quando me dei conta estava beijando o moreno. Descobri da pior maneira que não é algo muito confortável beijar alguém dentro de um ônibus em movimento.
Ao olhar novamente para o rosto dele me arrependi imediatamente do que tinha acontecido. Ele sorria para mim e perguntou-me se eu queria ser sua namorada.
Arregalei os olhos e aleguei que nem o conhecia. Ele ficou furioso. Só não me chamou de santa.
O ônibus chegou na minha rua e puxei a cordinha para descer. O moreno segurou o meu braço e começou a me ameaçar.
Consegui me desvencilhar dele, desci correndo até a minha casa.
Quando estava abrindo o portão, o ônibus dobrou a esquina.
Acordei.
Levantei-me, puxei a cordinha e vim andando até a minha casa.
Sentei ao lado de um rapaz moreno, de cabelos curtos e alguns primeiros fios brancos.
Não gosto muito de paquerar, mas ele percebeu o meu interesse e começamos a conversar.
Atrás de nós estavam sentados dois mórmons barulhentos. Acho que queriam que todos no ônibus soubessem que eles eram gringos. Até hoje não entendi qual é a dos mórmons.
Quando me dei conta estava beijando o moreno. Descobri da pior maneira que não é algo muito confortável beijar alguém dentro de um ônibus em movimento.
Ao olhar novamente para o rosto dele me arrependi imediatamente do que tinha acontecido. Ele sorria para mim e perguntou-me se eu queria ser sua namorada.
Arregalei os olhos e aleguei que nem o conhecia. Ele ficou furioso. Só não me chamou de santa.
O ônibus chegou na minha rua e puxei a cordinha para descer. O moreno segurou o meu braço e começou a me ameaçar.
Consegui me desvencilhar dele, desci correndo até a minha casa.
Quando estava abrindo o portão, o ônibus dobrou a esquina.
Acordei.
Levantei-me, puxei a cordinha e vim andando até a minha casa.
sábado, 24 de junho de 2006
Sentada no chão da minha casa ela admitiu que só estava comigo por interesse. Eu fingi que já sabia e disse que não me importava com isso. Eu gostava de estar com ela e acreditava que agüentaria me sujeitar à humilhação que fosse para ficar ao seu lado. Hesitou um pouco quando propus que continuássemos como estávamos, mas cedeu. Dessa maneira ela poderia continuar com seu plano inicial.
O que eu não sabia era que machucava mais estar ao lado dela enquanto pensava em outro, do que estar longe, me alimentando de um amor platônico. Aos poucos uma angústia tomou conta de mim, como se eu tivesse cólicas eternas. Toda vez que eu me deitava com ela podia ouvir seus pensamentos chamando o nome de outro homem. Chamei-a pelo nome da mãe dela, só para irritar.
Hoje estamos casados e com dois filhos.
O que eu não sabia era que machucava mais estar ao lado dela enquanto pensava em outro, do que estar longe, me alimentando de um amor platônico. Aos poucos uma angústia tomou conta de mim, como se eu tivesse cólicas eternas. Toda vez que eu me deitava com ela podia ouvir seus pensamentos chamando o nome de outro homem. Chamei-a pelo nome da mãe dela, só para irritar.
Hoje estamos casados e com dois filhos.
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Hippie
Era dezembro e eu juntei o que sobrava do meu décimo terceiro para viajar com uma amiga. Escolhemos uma praia ao norte do estado, linda, cheia de turistas. Meu sonho era encontrar um homem nórdico que quisesse me levar para passar o resto das férias na Suíça. Acho que essa minha cara de indiana não atrai muito os gringos, porque flertei a torto e a direito sem ganhar um beijinho sequer a noite toda.
No dia seguinte resolvi não esquentar com os homens e bebi litros e mais litros de cerveja. Quando me dei conta, estava achando que era o Gene Kelly, pulando nas poças d’água no meio da rua. Na hora não esquentei muito, achei que os suíços podiam gostar de um pouco de excentricidade brasileira.
No nosso terceiro dia na praia fui acometida de uma dor de cabeça lacerante e resolvi maneirar um pouco na bebida. Sóbria, aproveitei para visitar a feirinha de artesanato, de repente comprar um brinco, um colar... Enquanto eu passeava desinteressada fui abordada por um hippie, que segurou a minha mão e começou a me fazer um anel no formato de coração. Eu não me incomodei com as investidas dele, pelo contrário, algo naquele homem alto, moreno, descalço, cheio de dreads e tatuagens me agradou. O quê que é o mistério. Quando me dei conta estava atracada com ele no meio da rua.
Ao invés de um nórdico, eu fui dormir aquela noite com um hippie piolhento.
No dia seguinte resolvi não esquentar com os homens e bebi litros e mais litros de cerveja. Quando me dei conta, estava achando que era o Gene Kelly, pulando nas poças d’água no meio da rua. Na hora não esquentei muito, achei que os suíços podiam gostar de um pouco de excentricidade brasileira.
No nosso terceiro dia na praia fui acometida de uma dor de cabeça lacerante e resolvi maneirar um pouco na bebida. Sóbria, aproveitei para visitar a feirinha de artesanato, de repente comprar um brinco, um colar... Enquanto eu passeava desinteressada fui abordada por um hippie, que segurou a minha mão e começou a me fazer um anel no formato de coração. Eu não me incomodei com as investidas dele, pelo contrário, algo naquele homem alto, moreno, descalço, cheio de dreads e tatuagens me agradou. O quê que é o mistério. Quando me dei conta estava atracada com ele no meio da rua.
Ao invés de um nórdico, eu fui dormir aquela noite com um hippie piolhento.
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Solidão
Certo, uma prece: por motivos sentimentais. Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietszche? Ah, que livro! Deus Todo-Poderoso, vou jogar limpo nesta questão. Vou Lhe fazer uma proposta. Faça de mim um grande escritor e eu voltarei à Igreja.
Pergunte ao pó, John Fante
Puxei a cordinha do ônibus e desci na Prata. Olhei ao meu redor, mas não encontrei ninguém me esperando lá. Fui até a arvorezinha da esquina e me encostei nela para esperá-lo. Estava sem relógio e não tinha noção do tempo, mas imagino que tenha ficado esperando uma meia hora. Nesse meio tempo passou um carro cheio de homens fazendo gracinha para mim. Fechei a cara e olhei para o lado oposto.
Por mais que eu fizesse força para ter raiva dele, escancarei o sorriso quando o vi chegar. Deu-me um beijo no rosto e levou-me pela mão até sua casa. Senti um frio na espinha ao entrar lá. Tinha cheiro de homem. Fazia tempo que eu não sentia esse cheiro. Senti uma nostalgia maravilhosa. Passamos direto pela sala e fomos ao quarto dele. Afastou as cuecas e as meias jogadas em cima da cama para que eu me sentasse. Então começamos a nos beijar.
Ao fim da tarde ele vestiu as calças e acendeu um cigarro. Olhei para o lado e vi suas costas nuas. Sentei e comecei a me vestir. Quando eu já estava pronta, vestiu uma camisa branca, calçou as havaianas e abriu caminho até a parada do ônibus. Ao chegarmos ao ponto, beijou-me a testa e falou:
- Até amanhã.
sexta-feira, 21 de abril de 2006
A república dos belos
O presidente da república declarou em rede nacional que a partir de agora todos os feios do país estão proibidos de gerar descendentes. A revolta foi geral. Os primeiros a se manifestarem na mídia foram os cirurgiões plásticos: "eles querem me deixar desempregado" declara o cirurgião que pede para não ser identificado. Os belos também reclamam: "o que será de nós sem os feios?" diz modelo. Até então nenhum feio se pronunciou. Há boatos de que o presidente vem sendo apelidado de Hitler com essa tentativa de ter futuras gerações no país formadas só de pessoas bonitas fisicamente.
sábado, 18 de março de 2006
Ideologia
Ouvi dizer que o Cabral seria a nossa salvação. Obviamente entrei em pânico, pois não confio nesse sujeito. Minha mãe falou que eu devia me redimir enquanto é tempo. Eu nunca ouvi minha mãe, por que o faria agora?
Por que logo o Cabral? Odeio gente burra. Acho que essa é a hora de me mudar... Ou seria a hora de mudar? Se o Cabral fosse eleito e eu estivesse ao lado dele, estaria feito na vida! Quem sabe eu não me lançaria na carreira política também?
Minha mãe vai ficar tão orgulhosa de mim! Tenho que ligar para dar-lhe as boas novas!
- Mãe!
- Pedro?
- Eu vou ser deputado, mãe!
- Você? Mas você sempre odiou política.
- Eu vou fazer as pazes com o Cabral e pedir a ajuda dele para lançar a minha carreira política!
- Você não ficou sabendo?
- Sabendo do quê?
- O Cabral morreu ontem, Pedro!
Por que logo o Cabral? Odeio gente burra. Acho que essa é a hora de me mudar... Ou seria a hora de mudar? Se o Cabral fosse eleito e eu estivesse ao lado dele, estaria feito na vida! Quem sabe eu não me lançaria na carreira política também?
Minha mãe vai ficar tão orgulhosa de mim! Tenho que ligar para dar-lhe as boas novas!
- Mãe!
- Pedro?
- Eu vou ser deputado, mãe!
- Você? Mas você sempre odiou política.
- Eu vou fazer as pazes com o Cabral e pedir a ajuda dele para lançar a minha carreira política!
- Você não ficou sabendo?
- Sabendo do quê?
- O Cabral morreu ontem, Pedro!
sábado, 7 de janeiro de 2006
MSN: Ara, caju!
Taï diz:
vai ter xou de zeca baleiro de graça em aracaju
eu quero ir pra lá ;~~
Ega da Moela diz:
ehiehieheihei
eu nao
tenho medo de aracaju
Taï diz:
heuehuehue
medo por que?
Ega da Moela diz:
sei la
nunca gostei do nome
=P
Taï diz:
af
eu gosto de caju
Ega da Moela diz:
é, mas o q é um ara antes do caju?
soh pde ser bixinho da indigestao
=P
Taï diz:
é um matuto falando
jeuehuehuehuehuehe
ara, caju!
Ega da Moela diz:
hahahahahahhahahhahahaahahah
boa
=P
Taï diz:
heuhueuhehuehueuhehueueuheh
Ega da Moela diz:
entao, tenho medo de matuto com foice
=P
Taï diz:
afff
mas esse matuto só toma cana
Ega da Moela diz:
entao
pra matar e cortar em pedacinhos é dois minutos
vai ter xou de zeca baleiro de graça em aracaju
eu quero ir pra lá ;~~
Ega da Moela diz:
ehiehieheihei
eu nao
tenho medo de aracaju
Taï diz:
heuehuehue
medo por que?
Ega da Moela diz:
sei la
nunca gostei do nome
=P
Taï diz:
af
eu gosto de caju
Ega da Moela diz:
é, mas o q é um ara antes do caju?
soh pde ser bixinho da indigestao
=P
Taï diz:
é um matuto falando
jeuehuehuehuehuehe
ara, caju!
Ega da Moela diz:
hahahahahahhahahhahahaahahah
boa
=P
Taï diz:
heuhueuhehuehueuhehueueuheh
Ega da Moela diz:
entao, tenho medo de matuto com foice
=P
Taï diz:
afff
mas esse matuto só toma cana
Ega da Moela diz:
entao
pra matar e cortar em pedacinhos é dois minutos
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
BASEADO EM FATOS REAIS: Pênis
- Pai, eu quero fazer tênis.
- Quer fazer o quê, menina?
- Tênis.
- Aaaah, tênis!
- Quer fazer o quê, menina?
- Tênis.
- Aaaah, tênis!
domingo, 11 de dezembro de 2005
13/06/05
Os dias seguiam-se normalmente.
Eu estava na casa de uma amiga, coisa cada vez mais rara nos últimos tempos, divertindo-me, quando recebi a ligação: minha mãe me dizia que ela estava morrendo. Ou quase isso. Na verdade só falou para eu comprar remédio quando voltasse para casa. Eu não me dei conta do quanto o organismo dela era frágil e nem me preocupei muito. Pensei: "quando eu estiver voltando compro". Fiquei um pouco preocupada, mas continuei lá.
Pouco depois minha mãe ligava novamente dizendo "deixa pra lá, agora não adianta mais". Foi aí que eu engoli um coco com um elefante pesando na minha cabeça. Eu andava triste com o fim do meu namoro, mas a morte dela foi o que me permitiu liberar toda a solidão e impotência que me consumiam. Eu me sentia cada vez mais incapaz de cuidar do que eu gostava.
Quando cheguei em casa ela estava deitada no chão do meu quarto, dura e morta, como um animal empalhado. tranquei-me no quarto e pela primeira vez depois de muito tempo, eu chorei de verdade. Sem medo de quem poderia me ouvir, sem apreensão do que poderiam pensar de mim. Chorei pela morte dela, pela partida dele, pela solidão que eu sentia. Chorei por todos os choros que prendi nos últimos tempos, por todas as mágoas que não liberei por não afogá-las o suficiente.
O pior foi que nessa situação eu sabia que só encontraria conforto nos braços que abandonei. Ela também era filha dele, só ele poderia me entender naquele momento.
Depois a irmã dela fugiu de casa.
Apesar de tê-las amado, decidi que não teria mais porquinhas-da-índia.
Eu estava na casa de uma amiga, coisa cada vez mais rara nos últimos tempos, divertindo-me, quando recebi a ligação: minha mãe me dizia que ela estava morrendo. Ou quase isso. Na verdade só falou para eu comprar remédio quando voltasse para casa. Eu não me dei conta do quanto o organismo dela era frágil e nem me preocupei muito. Pensei: "quando eu estiver voltando compro". Fiquei um pouco preocupada, mas continuei lá.
Pouco depois minha mãe ligava novamente dizendo "deixa pra lá, agora não adianta mais". Foi aí que eu engoli um coco com um elefante pesando na minha cabeça. Eu andava triste com o fim do meu namoro, mas a morte dela foi o que me permitiu liberar toda a solidão e impotência que me consumiam. Eu me sentia cada vez mais incapaz de cuidar do que eu gostava.
Quando cheguei em casa ela estava deitada no chão do meu quarto, dura e morta, como um animal empalhado. tranquei-me no quarto e pela primeira vez depois de muito tempo, eu chorei de verdade. Sem medo de quem poderia me ouvir, sem apreensão do que poderiam pensar de mim. Chorei pela morte dela, pela partida dele, pela solidão que eu sentia. Chorei por todos os choros que prendi nos últimos tempos, por todas as mágoas que não liberei por não afogá-las o suficiente.
O pior foi que nessa situação eu sabia que só encontraria conforto nos braços que abandonei. Ela também era filha dele, só ele poderia me entender naquele momento.
Depois a irmã dela fugiu de casa.
Apesar de tê-las amado, decidi que não teria mais porquinhas-da-índia.
sábado, 3 de dezembro de 2005
sábado, 26 de novembro de 2005
Polishop
- Mamãe?
- Sim, querida?
- Eu já sei o que vou querer no dia das crianças.
- Ahn, é mesmo? Que bom... E... O que você vai querer, meu anjo?
- Eu quero um Invisible Bra.
- Um sutiã? Mas pra quê?
- E você ainda pergunta?
- Mas meu amor, seus peitos ainda nem cresceram!
- Ai mãe, o que são detalhes?
- Esqueça, Maria Luiza, eu não vou te dar esse sutiã.
- Tá bom! Então eu vou querer uma Flat Hose.
- Sim, querida?
- Eu já sei o que vou querer no dia das crianças.
- Ahn, é mesmo? Que bom... E... O que você vai querer, meu anjo?
- Eu quero um Invisible Bra.
- Um sutiã? Mas pra quê?
- E você ainda pergunta?
- Mas meu amor, seus peitos ainda nem cresceram!
- Ai mãe, o que são detalhes?
- Esqueça, Maria Luiza, eu não vou te dar esse sutiã.
- Tá bom! Então eu vou querer uma Flat Hose.
segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Eu gostaria de lhes apresentar a minha melhor amiga
1999
- Se você torcer pro vasco eu te arranjo uma foto dos Hanson pelados - disse um garoto que morava no prédio da minha amiga.
- Combinado! - eu falei empolgada.
- Ela já torce pro Vasco - interrompeu a minha melhor amiga.
- Se você torcer pro vasco eu te arranjo uma foto dos Hanson pelados - disse um garoto que morava no prédio da minha amiga.
- Combinado! - eu falei empolgada.
- Ela já torce pro Vasco - interrompeu a minha melhor amiga.
sábado, 19 de novembro de 2005
Golfinhos
- Está assistindo O Guia do Mochileiro das Galáxias?
- Sim.
- E aí, tá gostando?
- Mais ou menos.
- Por quê?
- Os golfinhos cantam...
- Sim.
- E aí, tá gostando?
- Mais ou menos.
- Por quê?
- Os golfinhos cantam...
sábado, 12 de novembro de 2005
A pata da caverna
Eu estava sentada na mesa da cantina quando percebi a inquietação de um cara da mesma mesa. Cheguei perto dele e perguntei qual era o problema e ele me falou que era seu irmão. Provavelmente guardava seus anseios há muito tempo, pois nem chegou a hesitar em me falar todos os seus problemas em relação ao irmão dele.
Aí começou uma loucura sem fim. O cara não podia ir atrás do irmão e implorou que eu fosse no lugar dele. O que eu podia dizer? Ele estava desesperado. Achei que estivesse louco também, mas aí ele me levou até um lugar do colégio que tinha um buraco no chão que dava pra uma espécie de caverna subterrânea. Eu me senti o próprio Harry Potter. Mas ele pelo menos tinha poderes mágicos e uma amiga CDF. O cara nem pra me acompanhar, disse que eu tinha que fazer tudo sozinha. A única coisa que eu sabia do irmão da criatura era o nome dele. Ia sair pela caverna subterrânea da escola (que loucura, eu ainda não consigo acreditar no que digo!) perguntando o nome de tudo que encontrasse por lá. O que respondesse devia ser o irmão do carinha.
A primeira coisa que encontrei foi logo um velho. Eu estava com uma sacolinha cheia de comprimidos que não sabia ao certo pra que serviam, mas serviriam para o irmão do carinha e quando perguntei ao velho se ele podia me ajudar, me disse que já tinha feito muito por mim. Todos daquela escola eram loucos, ou então eu estava numa pegadinha.
O velho me disse que tinha feito a Julia Roberts pra mim. Eu fiquei olhando pra ele. Nem parecia ser um louco. Mas só podia. Como assim pra mim? Eu não era lésbica e tampouco fã da Julia Roberts. A existência ou não dela não fazia a menor diferença para mim. Eu nem morria de amores pelos filmes que ela tinha feito. Além dela, ele também me disse que tinha feito mais dois homens que eu não conhecia. Um se não me engano era um cientista que tinha criado uma espécie de carro aquático para o exército, ou qualquer coisa do tipo. O outro também era um cientista. Os dois homens criados para mim nasceram pelo menos uns quarenta anos antes de mim. Aquele velho só podia ser maluco. Segui em frente atrás do irmão perdido.
Fui informada de que o irmão do carinha, o Daniel tinha uns probleminhas. Mas acho que quem tinha problemas mesmo era o carinha e não existia Daniel nenhum. Quer nome mais óbvio? É tipo quando um cara vem perguntar o seu nome e você não quer responder e diz “Camila”. É universal. Mas mesmo assim, fui atrás do Daniel. Mesmo me sentindo uma pata. Eu sempre fui uma pata. E de qualquer forma, aquela caverna subterrânea era mesmo muito esquisita.
Aí começou uma loucura sem fim. O cara não podia ir atrás do irmão e implorou que eu fosse no lugar dele. O que eu podia dizer? Ele estava desesperado. Achei que estivesse louco também, mas aí ele me levou até um lugar do colégio que tinha um buraco no chão que dava pra uma espécie de caverna subterrânea. Eu me senti o próprio Harry Potter. Mas ele pelo menos tinha poderes mágicos e uma amiga CDF. O cara nem pra me acompanhar, disse que eu tinha que fazer tudo sozinha. A única coisa que eu sabia do irmão da criatura era o nome dele. Ia sair pela caverna subterrânea da escola (que loucura, eu ainda não consigo acreditar no que digo!) perguntando o nome de tudo que encontrasse por lá. O que respondesse devia ser o irmão do carinha.
A primeira coisa que encontrei foi logo um velho. Eu estava com uma sacolinha cheia de comprimidos que não sabia ao certo pra que serviam, mas serviriam para o irmão do carinha e quando perguntei ao velho se ele podia me ajudar, me disse que já tinha feito muito por mim. Todos daquela escola eram loucos, ou então eu estava numa pegadinha.
O velho me disse que tinha feito a Julia Roberts pra mim. Eu fiquei olhando pra ele. Nem parecia ser um louco. Mas só podia. Como assim pra mim? Eu não era lésbica e tampouco fã da Julia Roberts. A existência ou não dela não fazia a menor diferença para mim. Eu nem morria de amores pelos filmes que ela tinha feito. Além dela, ele também me disse que tinha feito mais dois homens que eu não conhecia. Um se não me engano era um cientista que tinha criado uma espécie de carro aquático para o exército, ou qualquer coisa do tipo. O outro também era um cientista. Os dois homens criados para mim nasceram pelo menos uns quarenta anos antes de mim. Aquele velho só podia ser maluco. Segui em frente atrás do irmão perdido.
Fui informada de que o irmão do carinha, o Daniel tinha uns probleminhas. Mas acho que quem tinha problemas mesmo era o carinha e não existia Daniel nenhum. Quer nome mais óbvio? É tipo quando um cara vem perguntar o seu nome e você não quer responder e diz “Camila”. É universal. Mas mesmo assim, fui atrás do Daniel. Mesmo me sentindo uma pata. Eu sempre fui uma pata. E de qualquer forma, aquela caverna subterrânea era mesmo muito esquisita.
TBC(?)
segunda-feira, 7 de novembro de 2005
(In)correspondência
Cara correspondente,
Escrevo-lhe esta carta com o intuito de confessar o meu amor por você. Passo os dias observando as suas janelas e vendo o movimento das suas portas. Meu coração enche-se de felicidade quando tenho a sorte de vê-la saindo de casa ou chegando na mesma.
Meus únicos momentos de desilusão são quando vejo que és visitada por diversos homens. Se me deres a oportunidade, lutarei contra todos que se opuserem à sua pureza.
Atenciosamente,
Seu Admirador.
Caro admirador,
Fiquei surpresa e muitíssimo lisonjeada ao receber a sua carta.
Desde o final do meu último namoro eu vinha me sentindo muito só, e meus amigos foram os que me ajudaram a sair da fossa. Você mesmo, provavelmente não teria me olhado no estado deplorável no qual eu me encontrava antes de receber a força deles.
Então você se pergunta por que eu não pedi ajuda às minhas amigas. Simples: todas elas se encontram comprometidas, e acabamos nos afastando sem percebermos. Portanto, peço-lhe que não veja minhas amizades com eles com maus olhos, pois tratam-se todos de amigos do peito.
Querida Admirada,
É o fato de serem seus amigos do peito que me preocupa. Amigos do peito e de outras partes também.
Se me desses a honra de namorar-te, não precisarias da visitação de outros homens.
Sempre seu.
Sinto decepcioná-lo, mas eu jamais abriria mão das minhas amizades por causa de um namorado. Tenho os meus motivos para não acreditar na eternidade dos relacionamentos e mais ainda para acreditar na eteriedade dos namoros.
Percebo agora o quanto os homens devem tê-la machucado mas peço-lhe que confie em mim, e a farei feliz por toda a eternidade.
Por favor não me escreva mais. A última coisa que preciso é de um psicólogo amador. Espero que não responda essa carta nem escreva outras. Isso é um adeus.
Como posso deixá-la em paz se estou completamente apaixonado?
Simples. Não olhe mais as minhas janelas e esqueça as minhas portas. Não me escreva mais. Esta é a minha última carta endereçada a você.
Suplico-lhe que não me odeie! Eu só quero fazê-la feliz. Por favor me responda. Um beijo.
O que eu fiz para irritá-la? Fui eu descortez e indelicado em algum momento? E quem é aquele homem que tem ido à sua casa todos os dias?
Por que ele só sai da sua casa de madrugada? É mais um dos seus amigos? Sua puta! Eu vou me vingar.
Eu sei que já se passaram muitos anos e que você se mudou dessa casa logo depois que casou. Eu só queria dizer que ainda te amo.
Escrevo-lhe esta carta com o intuito de confessar o meu amor por você. Passo os dias observando as suas janelas e vendo o movimento das suas portas. Meu coração enche-se de felicidade quando tenho a sorte de vê-la saindo de casa ou chegando na mesma.
Meus únicos momentos de desilusão são quando vejo que és visitada por diversos homens. Se me deres a oportunidade, lutarei contra todos que se opuserem à sua pureza.
Atenciosamente,
Seu Admirador.
Caro admirador,
Fiquei surpresa e muitíssimo lisonjeada ao receber a sua carta.
Desde o final do meu último namoro eu vinha me sentindo muito só, e meus amigos foram os que me ajudaram a sair da fossa. Você mesmo, provavelmente não teria me olhado no estado deplorável no qual eu me encontrava antes de receber a força deles.
Então você se pergunta por que eu não pedi ajuda às minhas amigas. Simples: todas elas se encontram comprometidas, e acabamos nos afastando sem percebermos. Portanto, peço-lhe que não veja minhas amizades com eles com maus olhos, pois tratam-se todos de amigos do peito.
Querida Admirada,
É o fato de serem seus amigos do peito que me preocupa. Amigos do peito e de outras partes também.
Se me desses a honra de namorar-te, não precisarias da visitação de outros homens.
Sempre seu.
Sinto decepcioná-lo, mas eu jamais abriria mão das minhas amizades por causa de um namorado. Tenho os meus motivos para não acreditar na eternidade dos relacionamentos e mais ainda para acreditar na eteriedade dos namoros.
Percebo agora o quanto os homens devem tê-la machucado mas peço-lhe que confie em mim, e a farei feliz por toda a eternidade.
Por favor não me escreva mais. A última coisa que preciso é de um psicólogo amador. Espero que não responda essa carta nem escreva outras. Isso é um adeus.
Como posso deixá-la em paz se estou completamente apaixonado?
Simples. Não olhe mais as minhas janelas e esqueça as minhas portas. Não me escreva mais. Esta é a minha última carta endereçada a você.
Suplico-lhe que não me odeie! Eu só quero fazê-la feliz. Por favor me responda. Um beijo.
O que eu fiz para irritá-la? Fui eu descortez e indelicado em algum momento? E quem é aquele homem que tem ido à sua casa todos os dias?
Por que ele só sai da sua casa de madrugada? É mais um dos seus amigos? Sua puta! Eu vou me vingar.
Eu sei que já se passaram muitos anos e que você se mudou dessa casa logo depois que casou. Eu só queria dizer que ainda te amo.
sábado, 5 de novembro de 2005
Fique tício: bebe negão
- É assim que as coisas funcionam. No mundo, ou você rejeita ou é rejeitado.
- Ora, as coisas não são tão simples assim.
- Simples?
- É. Se for apenas esse o problema você só precisa rejeitar quando estiver pressentindo que vai ser rejeitada.
- Não adianta. Você pode até dizer que acabou, mas a rejeitada vai continuar sendo você.
- Eu acho é que você está sendo muito pessimista.
- De jeito nenhum. Estou sendo o mais otimista que posso. Ou pelo menos realista. Eu sei que sou eu a rejeitada dessa vez. Mas estou conformada com isso. Não foi a primeira vez e definitivamente não será a última. Mas por mais que os relacionamentos nos quais eu rejeitei tenham sido mais superficiais, acho que prefiro ser a “rejeitante”.
- Claro, você não é o peso.
- Exato, eu seria quem perderia o peso.
- Por falar em perder peso, estou precisando me exercitar.
- Vá pra academia. Fazer só sexo não adianta. Principalmente se você não faz mais, hehehe.
- Como você sabe?
- Eu estava brincando... Isso significa que você também é a rejeitada?
- Acho que quanto mais velhas ficamos maiores são as chances de sermos as rejeitadas, não é mesmo? Isso não acontecia quando éramos mais novas. Éramos nós que ficávamos fartas dos nossos namorados e acabávamos o namoro. Por que será isso?
- Não sei. Só sei que é um saco.
- Talvez homens gostem mesmo de ninfetas inexperientes.
- E você tinha alguma dúvida quanto a isso?
- Só você pra me fazer rir da minha própria desgraça desse jeito, hehehe.
- Ora, amiga é pra essas coisas. E de qualquer forma, ainda tem muito homem no mundo.
- Heterossexual?
- Bom...
- Eu já te falei do Rodolfo?
- Quem?
- Um rapaz dois anos mais novo por quem eu me interessei há uns três anos.
- Claro que eu não lembro.
- Bom, de qualquer forma, descobri essa semana que ele é gay.
- E daí?
- E daí? Daí que mesmo quando eu não sei que eles são, acabo me interessando por gays!
- É um karma.
- Karma o caralho. Aposto que é macumba.
- Ah, essa aposta é minha! Já marquei até hora em mãe-de-santo.
- Mãe-de-santo? Isso existe?
- Espero que exista. Com o preço que ela cobra dava pra comprar uma grade de cerveja.
- Aposto que o efeito seria o mesmo.
- Cerveja para curar mal-olhado?
- Vodca para trazer de volta a pessoa amada!
- Cachaça para tirar maldição!
- Vamos beber.
- “Eu vou beber pra esquecer meus pobremaaaaaaa!”
- Te amo.
- Também te amo, querida.
- Pena que você não tem um pinto.
- Ora, as coisas não são tão simples assim.
- Simples?
- É. Se for apenas esse o problema você só precisa rejeitar quando estiver pressentindo que vai ser rejeitada.
- Não adianta. Você pode até dizer que acabou, mas a rejeitada vai continuar sendo você.
- Eu acho é que você está sendo muito pessimista.
- De jeito nenhum. Estou sendo o mais otimista que posso. Ou pelo menos realista. Eu sei que sou eu a rejeitada dessa vez. Mas estou conformada com isso. Não foi a primeira vez e definitivamente não será a última. Mas por mais que os relacionamentos nos quais eu rejeitei tenham sido mais superficiais, acho que prefiro ser a “rejeitante”.
- Claro, você não é o peso.
- Exato, eu seria quem perderia o peso.
- Por falar em perder peso, estou precisando me exercitar.
- Vá pra academia. Fazer só sexo não adianta. Principalmente se você não faz mais, hehehe.
- Como você sabe?
- Eu estava brincando... Isso significa que você também é a rejeitada?
- Acho que quanto mais velhas ficamos maiores são as chances de sermos as rejeitadas, não é mesmo? Isso não acontecia quando éramos mais novas. Éramos nós que ficávamos fartas dos nossos namorados e acabávamos o namoro. Por que será isso?
- Não sei. Só sei que é um saco.
- Talvez homens gostem mesmo de ninfetas inexperientes.
- E você tinha alguma dúvida quanto a isso?
- Só você pra me fazer rir da minha própria desgraça desse jeito, hehehe.
- Ora, amiga é pra essas coisas. E de qualquer forma, ainda tem muito homem no mundo.
- Heterossexual?
- Bom...
- Eu já te falei do Rodolfo?
- Quem?
- Um rapaz dois anos mais novo por quem eu me interessei há uns três anos.
- Claro que eu não lembro.
- Bom, de qualquer forma, descobri essa semana que ele é gay.
- E daí?
- E daí? Daí que mesmo quando eu não sei que eles são, acabo me interessando por gays!
- É um karma.
- Karma o caralho. Aposto que é macumba.
- Ah, essa aposta é minha! Já marquei até hora em mãe-de-santo.
- Mãe-de-santo? Isso existe?
- Espero que exista. Com o preço que ela cobra dava pra comprar uma grade de cerveja.
- Aposto que o efeito seria o mesmo.
- Cerveja para curar mal-olhado?
- Vodca para trazer de volta a pessoa amada!
- Cachaça para tirar maldição!
- Vamos beber.
- “Eu vou beber pra esquecer meus pobremaaaaaaa!”
- Te amo.
- Também te amo, querida.
- Pena que você não tem um pinto.
terça-feira, 1 de novembro de 2005
Triângulo
Eu estava em casa, fazendo a minha sobrancelha, quando a campainha tocou. Deixei a pinça de lado e três mulheres com cara de mafiosas estavam na porta. Sem dizer uma palavra sequer, fiquei pensando que elas pareciam saídas de um filme sobre a máfia feminina. Nem sei se isso existe, mas era isso que elas pareciam. A mafiosa do meio se movimentou até o meu sofá e se sentou com a maior naturalidade do mundo. Olhei novamente para as outras duas, mas elas permaneciam paradas na porta. Menos mal, pensei. Duas bundas sujas a menos no meu sofá de veludo azul. Tentando se fazer ainda mais folgada, a mafiosa chefe ligou o meu aparelho de som e Bobby Vinton começou a cantar Blue Velvet.
A mafiosa-chefe era dessas mulheres que querem ao mesmo tempo serem fortes e femininas. Ela tinha uma pele morena reforçada por um bronzeamento natural intensivo e um cabelo duro estirado e pintado de loiro. Vestia uma calça jean com lycra, cintura baixa e um salto alto grosso, daqueles que sua vó usaria no seu casamento. Pra completar o quadro, vestia uma daquelas blusas assimétricas, deixando o braço direito descoberto. As companheiras dela eram assumidamente masculinas e usavam ambas os cabelos presos, calças jeans sem lycra e camisetas de algodão de um número menor que os delas.
Confortável com a bunda no meu sofá, a mafiosa-chefe começou a falar:
- Então, Thaïs, surpresa em me ver?
- Quem é você? - perguntei com a maior naturalidade do mundo. Pude ver a surpresa dela. Minha resposta tinha sido inesperada. Hohoho, otária. Ciente do seu deslize ela tentou recuperar seu ar de superioridade.
- Não precisa se fazer de desentendida, mona.
Mona?
- Eu sei que você se lembra de mim. Jamais esqueceria aquela que te ameaçou de morte.
- Morte? Você não está me confundindo com outra pessoa?
- Não se faça de idiota, eu não tenho tempo para as suas gracinhas. - ela me alertou já irritada.
- O que você veio fazer aqui? Me matar?
- Ainda não. Eu vim só te dar um aviso. Se afaste do meu homem, ou da próxima vez eu não serei tão educada.
- Educada? - seus olhos se encheram de fúria e emendei amedrontada - E será que você poderia me dizer ao menos quem é o seu homem?
- Você me irrita, garota!
- Me diga só o nome dele.
- Será que você é tão puta que nem sabe os nomes dos homens com quem dorme?
- Eu sei os nomes de todos, só não faço idéia qual deles seria o "seu". Até onde eu sei, nunca dormi com um homem que estivesse comprometido com outra.
A mafiosa se calou. Olhei para a porta e as duas outras se entreolharam. Por um momento eu pensei que fosse morrer.
- Nós ainda não estávamos comprometidos. Mas ia rolar. Teria rolado se você não tivesse aparecido.
- Olha, eu nem sei de quem você está falando ainda, mas foi uma casualidade. Não era pra ter acontecido entre vocês, é só você partir para outra.
- Ele não partiu para outra! Você partiu o coração dele e eu tentei consolá-lo inúmeras vezes, mas ele não queria saber de mim.
- Olha, eu sinto muito...
- É claro que sente! Todos sentem! Sentem tanto quanto eu!
Ela estava descontrolada.
- Bom, de qualquer forma, pelo que você está dizendo nós nem estamos mais juntos, então o que veio fazer aqui?
- Eu vim te avisar para ficar longe dele. Finalmente estou conseguindo me reaproximar dele e não quero que você estrague tudo novamente, "capitchi"?
- Sim, capisco.
- Você já sabe de quem eu estou falando?
- Acho que sei...
- Ótimo. Então espero que esse seja o nosso adeus.
A mafiosa se levantou do meu sofá e desligou o som, interrompendo Billie Holiday no meio de The man I love, e se juntou novamente às suas guarda-costas na porta. Virou-se mais uma vez para mim e apontou em minha direção, fazendo o sinal de uma arma. Fingiu atirar e piscou o olho. Depois deu-me as costas e foi embora, seguida pelas guarda-costas brutamontes.
Após a saída dela fui até a porta e a tranquei o máximo possível. Fui despindo as minhas roupas até chegar no meu quarto e ser puxada para a cama.
- Ela já foi?
- Já. E me ameaçou de novo.
- Me desculpa. Eu só era simpático com ela porque tinha medo das duas brutamontes. Afinal, eu não bato em mulher.
- Sim, claro.
- Escuta, você quer casar comigo?
- Não.
- Por que não? Não precisa ter medo dela, ela só faz falar, não é do tipo que se arrisca a ter a ficha suja.
- Não é isso.
- Então o que é?
- É que... - hesitei.
- Pode falar, não precisa ter medo.
- Eu não te amo.
A mafiosa-chefe era dessas mulheres que querem ao mesmo tempo serem fortes e femininas. Ela tinha uma pele morena reforçada por um bronzeamento natural intensivo e um cabelo duro estirado e pintado de loiro. Vestia uma calça jean com lycra, cintura baixa e um salto alto grosso, daqueles que sua vó usaria no seu casamento. Pra completar o quadro, vestia uma daquelas blusas assimétricas, deixando o braço direito descoberto. As companheiras dela eram assumidamente masculinas e usavam ambas os cabelos presos, calças jeans sem lycra e camisetas de algodão de um número menor que os delas.
Confortável com a bunda no meu sofá, a mafiosa-chefe começou a falar:
- Então, Thaïs, surpresa em me ver?
- Quem é você? - perguntei com a maior naturalidade do mundo. Pude ver a surpresa dela. Minha resposta tinha sido inesperada. Hohoho, otária. Ciente do seu deslize ela tentou recuperar seu ar de superioridade.
- Não precisa se fazer de desentendida, mona.
Mona?
- Eu sei que você se lembra de mim. Jamais esqueceria aquela que te ameaçou de morte.
- Morte? Você não está me confundindo com outra pessoa?
- Não se faça de idiota, eu não tenho tempo para as suas gracinhas. - ela me alertou já irritada.
- O que você veio fazer aqui? Me matar?
- Ainda não. Eu vim só te dar um aviso. Se afaste do meu homem, ou da próxima vez eu não serei tão educada.
- Educada? - seus olhos se encheram de fúria e emendei amedrontada - E será que você poderia me dizer ao menos quem é o seu homem?
- Você me irrita, garota!
- Me diga só o nome dele.
- Será que você é tão puta que nem sabe os nomes dos homens com quem dorme?
- Eu sei os nomes de todos, só não faço idéia qual deles seria o "seu". Até onde eu sei, nunca dormi com um homem que estivesse comprometido com outra.
A mafiosa se calou. Olhei para a porta e as duas outras se entreolharam. Por um momento eu pensei que fosse morrer.
- Nós ainda não estávamos comprometidos. Mas ia rolar. Teria rolado se você não tivesse aparecido.
- Olha, eu nem sei de quem você está falando ainda, mas foi uma casualidade. Não era pra ter acontecido entre vocês, é só você partir para outra.
- Ele não partiu para outra! Você partiu o coração dele e eu tentei consolá-lo inúmeras vezes, mas ele não queria saber de mim.
- Olha, eu sinto muito...
- É claro que sente! Todos sentem! Sentem tanto quanto eu!
Ela estava descontrolada.
- Bom, de qualquer forma, pelo que você está dizendo nós nem estamos mais juntos, então o que veio fazer aqui?
- Eu vim te avisar para ficar longe dele. Finalmente estou conseguindo me reaproximar dele e não quero que você estrague tudo novamente, "capitchi"?
- Sim, capisco.
- Você já sabe de quem eu estou falando?
- Acho que sei...
- Ótimo. Então espero que esse seja o nosso adeus.
A mafiosa se levantou do meu sofá e desligou o som, interrompendo Billie Holiday no meio de The man I love, e se juntou novamente às suas guarda-costas na porta. Virou-se mais uma vez para mim e apontou em minha direção, fazendo o sinal de uma arma. Fingiu atirar e piscou o olho. Depois deu-me as costas e foi embora, seguida pelas guarda-costas brutamontes.
Após a saída dela fui até a porta e a tranquei o máximo possível. Fui despindo as minhas roupas até chegar no meu quarto e ser puxada para a cama.
- Ela já foi?
- Já. E me ameaçou de novo.
- Me desculpa. Eu só era simpático com ela porque tinha medo das duas brutamontes. Afinal, eu não bato em mulher.
- Sim, claro.
- Escuta, você quer casar comigo?
- Não.
- Por que não? Não precisa ter medo dela, ela só faz falar, não é do tipo que se arrisca a ter a ficha suja.
- Não é isso.
- Então o que é?
- É que... - hesitei.
- Pode falar, não precisa ter medo.
- Eu não te amo.
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