segunda-feira, 27 de abril de 2009

Samba e amor + Samba do grande amor

Eu faço samba e amor até mais tarde.
Mentira.



Fodido
My hair is completely fodido
My shampoo will be despedido
'Cause I'm completely blowzy!

Paródia infame de Perdido.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Dizem que quem vive de passado é museu.
Ainda bem que meus pais me ensinaram a apreciar uma boa obra de arte.

Real e inusitado

Estava sentada na rede lendo Kafka à beira-mar do Murakami quando minha mãe vai até o terraço me alertar:
– Não fique aqui até tarde, porque o Miramar já não é mais o mesmo!
Respondo com uma afirmativa e continuo a ler. Pouco tempo depois a campainha toca. Quem seria tão sem noção a ponto de bater na casa dos outros a essa hora sem avisar? Fico logo apreensiva. Madona corre para latir ao muro. Avisto uma mulher baixa e magra e me aproximo.
– Cala a boca, Madona! – dirijo-me então para a mulher – Diga?
Ela começa a explicar a sua odisséia. Eu me controlo para prestar mais atenção no que ela diz do que na fedentina que exalavam as suas axilas. Disse-me que tinha acabado de sair do Juliano Moreira e estava precisando de dinheiro para completar o da medicação e para isso estava vendendo um par de sapatos de salto (ou seriam sandálias? Ou tamancos? Eram fechados na frente e abertos atrás), numa cor verde-musgo, que tinham sido doados pela igreja.
Hesitei por um instante, com medo de serem frutos de furto, mas entrei em casa e pedi à minha mãe os quatro reais que ela cobrou. Minha mãe não tinha trocado e o sapato (sandália ou tamanco) acabou ficando por cinco. A mulher me agradece imensamente e vai embora. Levo a nova aquisição para a sua dona de direito, mas não sem antes trancar-me cuidadosamente dentro de casa.
E o sapato? Foi para um brechó por cinco reais.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Empatia

Eu tenho o costume de sentir o que se passa dentro das outras pessoas. Alguns diriam que trata-se de empatia, mas creio ser algo maior, mais profundo. Isso ocorre com mais frequência quando os sentimentos envolvidos são alegria, tristeza ou frustração. Poderia a frustração ser considerada um sentimento? Ou apenas um estado de espírito? O fato é que ela me penetra. Quando estava voltando para casa hoje passei por uma garotinha que conversava com seu pai mototaxista na porta de casa. Ela estava alegre, mas quando passei por eles só escutei "tá vendo, eu disse que ia derrubar, agora nem adianta pegar que não dá mais pra comer!" Me virei e vi um pote no chão e várias rosquinhas de chocolate desperdiçadas. A menina olhava para ele com um sorriso amargo no rosto dizendo "tudo bem, não tem problema" e isso esmagou o meu coração. Ela teve que admitir a derrota. E eu lembrei de todas as frustrações parecidas com essa que tive na minha infância.
Certa vez conheci um rouxinol que havia se desviado muito do seu curso por causa de um avião que julgava ser a Ursa Maior. Seu canto, tão lindo, na minha janela me comoveu. Tive a certeza de saber o que se passava em seu coraçãozinho. Convidei-o a entrar na minha casa e conversamos por horas a fio. Éramos muito parecidos, apesar dele ser uma ave e eu um mamífero. Quando o dia se aproximou precisamos nos despedir. Eu não resisti e pedi um beijo. Vi que bico e boca podem sim se beijar. A despedida foi terna e sem promessas, mas passei, todas as noites a partir daquela, a abrir a janela na esperança de ouvi-lo cantar mais uma vez. Mas ele não voltou. Não sei se encontrou o caminho de casa ou passou a frequentar outras janelas, o fato é que, debruçada no parapeito, eu desejava profundamente que outro avião trouxesse de volta o meu rouxinol desorientado.
Talvez eu tenha me enganado quanto à menina, talvez ela realmente não ligasse para o fato das rosquinhas terem caído no chão, talvez o meu rouxinol também não estivesse tão triste quanto eu julgava, talvez a minha aparente empatia seja apenas uma projeção dos meus sentimentos nas outras pessoas; ou aves.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mocinhos e vilões

Eu estava sentada em um banquinho ao lado de um restaurante, escrevendo na minha agenda, quando chegou perto de mim uma senhora baixinha, gordinha, de olhinhos puxados, com uma expressão de imensa tristeza. Sorri, mas ela, tremendo-se toda tirou um revólver da bolsa e apontou para mim. Eu fiquei tensa e implorei para que ela não levasse a minha bolsa, porque tinha os meus documentos, coisas que eram importantes para mim, se quisesse eu daria apenas o dinheiro. Ela olhou para mim e perguntou se a minha caneta ainda tinha tinta e eu mostrei que ainda estava na metade. A senhora pegou a caneta e seguiu em frente.
Logo em seguida um carro estaciona bem na minha frente e vários orientais saem de dentro dele. Uma família, suspeitei eu. Agarrei-me às minhas coisas e todos seguiram em direção ao restaurante. Guardei a minha agenda na bolsa e me levantei, entrei no restaurante lentamente, agarrada a ela, quando alguém me vê e grita:
– Ela ta tentando fugir sem nos dar nada!
Eu então começo a tentar me explicar e chorar feito um bebê no meio da fala.
– Não, eu já dei uma caneta para uma senhora, eu pedi para que ela não levasse a minha bolsa e ela aceitou ficar só com a caneta, não quero enrolar ninguém, é a verdade, podem perguntar a ela.
Um dos rapazes se compadece e me abraça. Eu então continuo a falar, só para ele.
– Eu sei que vocês não são más pessoas, que estão fazendo isso só por necessidade...
Eu senti carinho nos braços daquele estranho. Mas alguém o cutuca, avisando que já estavam voltando para o carro e me olha, perguntando na lata:
– E você? É vítima ou cúmplice?
Balanço a cabeça negando e o rapaz dos braços carinhosos vai embora. As pessoas no restaurante me fulminam com um olhar acusador e eu me direciono para a porta dos fundos. Quando eu estava saindo um garçom, pequeno e simpático, me aborda. Os assaltantes tinham deixado sacolas com algumas coisas e ele achando que eu os conhecia, veio me entregar. Perguntei-lhe se achava que todos estavam pensando que eu era cúmplice e ele disse que sim.
– Preciso ir para casa, não posso ficar aqui. Mas vou deixar meu telefone com você para que ninguém pense que estou foragida.
Entreguei-lhe meu número de casa e do celular e fui para a casa de um amigo.
Chegando lá vasculhei as sacolas, cheias de bugigangas aparentemente sem muita importância: carimbos, bonecos, DVDs... Peguei o DVD e coloquei no aparelho do meu amigo. Era uma série de TV. Com os assaltantes. Senti uma enxurrada cair em cima de mim. Toda a família trabalhava no mesmo seriado, que deve ter sido cancelado, deixando-os na penúria. De repente recebo uma ligação.
– Alô, é a Thaïs?
– É sim...
– Oi, é que eu tava assistindo televisão agora e saiu uma matéria falando sobre um assalto em um restaurante e você apareceu como um dos suspeitos...
– O quê? Eu? Mas eu deixei meu telefone lá, por que eles não me ligaram?
– Isso eu não sei, só to te passando o que vi na televisão.
– Obrigada por ter me informado, ta? Só quero que fique sabendo que isso é mentira, eu não tive nada a ver com esse assalto!
– Tudo bem. Boa sorte!
– Obrigada.
Desliguei o telefone, despedi-me do meu amigo e fui para a delegacia. Chegando lá na frente vi que já havia vários repórteres no local. Entrei na sala do delegado e pedi-lhe que apenas uma emissora de TV entrasse na sala para registrar o meu depoimento.
– Tudo bem. - disse-me ele - Mas você tem certeza? Seu depoimento vai ser visto por milhares de pessoas.
– Eu não tenho nada a esconder.
– Ok. Quer ligar pro seu advogado?
– Agora não. Só quero esclarecer logo esse mal-entendido.
O delegado chamou dois representantes da emissora que escolhi para entrar na sala e então comecei o meu depoimento, contando minuciosamente os fatos que eu lembrava.
– E foi isso que aconteceu. Eu só queria que eles soubessem que eu sei que eles não fizeram isso por mal, eu via que eles não estavam felizes em assaltar aquele restaurante, que foi tudo um fruto da necessidade extrema. Se eu pudesse, teria me tornado cúmplice deles, pois sei que eles não merecem ficar presos. Mas eu não posso. Não posso fazer isso com a minha vida. Tenho uma filha que depende de mim e isso não seria justo com ela. Por isso eu trouxe essa sacola que eles deixaram no local. – coloquei a sacola em cima da mesa do delegado e me virei para a câmera – Detesto ter que fazer isso, porque sei que teria gostado muito de conhecê-los em outra ocasião.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Autobiografia de uma desconhecida V

5. Pintinhos coloridos

Suponho que toda criança que viveu sua infância nos anos 90 teve pelo menos um pintinho colorido na vida. Ou talvez isso fosse só mania de paraibano insensível. Porque todos os meus amigos que contavam sobre esses pintinhos terminavam a história com o assassinato das pobres criaturinhas indefesas, e a máquina de lavar roupas era a arma número um. Eu também tive um, mas ao contrário da maioria, eu tinha muito cuidado com ele, não joguei no tanque, não atirei da varanda nem coloquei no forno.

Certo dia chega meu pai (ou terá sido minha mãe?) com dois pintinhos coloridos: um cor-de-rosa para mim e um amarelo para o meu irmão. Nomeei a criança de “Patricinha” e o do meu irmão chamava de “Joãozinho”; só não lembro se foi ele ou fui eu quem o batizou assim. O fato é que ambos cresceram saudáveis e sem grandes sequelas. Pelo menos até que meus pais resolveram cozinhar um deles. Mais cruel do que isso só quem come porquinhos-da-índia. Por mais que eu argumentasse, eles foram irredutíveis. Recusei-me a cometer tão horrendo ato de canibalismo (não que eu seja uma galinha, mas eles eram como filha e sobrinho para mim), tranquei-me no quarto e não quis comer nesse dia. Cientes do choque que haviam me causado, resolveram poupar Patricinha da insensível, cruel e desumana panela.

Mas qual não foi minha surpresa, tempos mais tarde, caída a tinta, que Patricinha estava mais para trava do que pra galinha! Meu pai então resolveu rebatizá-la e Patricinha se tornou Galalau. Galo brabo, corria atrás de todos da casa, então teve que ficar preso. Ele até que durou bastante tempo, porque nesse meio termo um mini-milharal nasceu no meu quintal. Mas os dias de Galalau estavam contados.

Surge então um novo morador na casa: Scooby-Loo, ou simplesmente Bilu. Acho que eu teria ganhado uma bolada colocando Galalau numa briga de galos, porque eita bichinho brabo danado! Arrumou briga com Bilu também, mas o mundo é dos mais fortes, e o galinho atrevido levou a pior. Um desperdício, talvez teria sido melhor se tivesse ido pra panela junto com seu irmão.

sábado, 28 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Autobiografia de uma desconhecida IV

4. Colônias de férias

Um capítulo à parte na minha vida são as colônias de férias. Parando agora pra pensar, vejo que já fui a muitas delas, sempre por sugestão dos meus pais, provavelmente para que pudessem curtir as férias sem a pentelha aqui para cortar o barato deles. A que mais me marcou, talvez por ter sido a única que eu frequentei por vários anos, ou talvez por ter sido a última e, consequentemente, na qual eu estava mais velha, foi a do curso de teatro para crianças do grupo de palhaços Agitada Gang. Eu sonhava em ser atriz, então esse curso caiu como uma luva para mim e para os meus pais, que não queriam uma menina desocupada comendo biscoito o dia inteiro na frente da televisão. Muito provavelmente, foi lá que eu cheguei à conclusão de que não tinha o dom para a coisa.

No primeiro ano as aulas foram no Teatro Lima Penante. Sempre fui uma menina tímida e aquela atmosfera esmagava o que restava da minha autoconfiança. Mas mesmo assim, eu adorava aquele lugar. Subir num palco, mesmo sem platéia, era de uma magia indescritível e todas as pessoas ao meu redor pareciam fascinantes. Muito mais fascinantes do que eu, diga-se de passagem. Outra lembrança vívida dos tempos do curso é a dos casarões que ficavam nos arredores do teatro, todos belos e velhos, mas um em especial sempre mexeu com a minha imaginação pueril. Ele era enorme e tinha uma vasta área verde, com árvores altas e uma casinha nos fundos, provavelmente o banheiro.

Nos anos seguintes o teatro estava em reformas e as aulas aconteceram no Departamento de Comunicação da UFPB (que por sinal também precisava ser reformado) e na Casa Rosa (não a da Argentina, a de João Pessoa). Só no último ano que voltamos ao Lima Penante. Durante todo esse tempo eu levei minhas amigas para participarem do curso comigo, fiz papel de integrante de circo, paciente do SUS, contadora de histórias, criança mimada, nada de muito destaque, para a minha frustração. Mas existem momentos que passei lá que continuam vívidos na minha mente. Foi nessa época em que eu voltei a ter os dentes incisivos superiores (passei anos da minha infância complexada sem sorrir nas fotos), que eu tive a minha primeira guerra de tortas, que eu me apresentei no Theatro Santa Roza (ou Teatro Santa Rosa), caí de costas no palco ao tentar fazer uma “estrelinha”, usei um camarim e tive uma festa de encerramento das apresentações.

Não há dúvidas que nenhuma outra colônia de férias tenha me marcado como as do curso de teatro, mas há detalhes de outras que não foram esquecidos. Uma delas, talvez a mais remota, marcou-me pelo fato de termos feito biscoitos caseiros. Lembro-me dos formatos divertidos que todos faziam, como sofás, cadeiras, etc., enquanto eu, artista frustrada, não conseguia fazer mais que bolinhas ordinárias. Outra colônia da qual eu me lembro foi em uma fazenda. Pegamos um ônibus para chegar lá e eu nem sei quanto tempo ficamos, mas me recordo bem de uma apresentação que teve da história da Dona Baratinha (que anos mais tarde viria a se tornar um dos meus alteregos).

Não sei se a minha filha vai curtir as colônias de férias como eu, mas depois de todos esses anos eu reconheço que é um ótimo lugar para se saber um pouco mais sobre si mesmo, além de, obviamente, dar uma folguinha para os pobres pais, exaustos de cuidarem de crianças pentelhas como eu fui.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A ditadura da direita

Sandra era destra, mas gostava de escrever com a mão esquerda. Só para se mostrar reacionária diante da professora semi-ditadora que obrigava todos os alunos a escrever com a mão direita. Alegava que bons cristãos não deveriam usar a mão esquerda, caso contrário, o diabo guiaria suas palavras. A garota achava aquilo tudo uma bobagem e por mais que para ela fosse muito mais difícil, continuava fingindo sua “canhotice”.
Por causa disso, todos os dias entrava em conflito com a professora: gritos, agressões verbais, expulsões de classe e algumas vezes chegava ao cúmulo de ser suspensa. Os pais de Sandra não se conformavam com a situação e tentavam convencer a filha a escrever com a mão certa. Se ela ainda fosse canhota, pensavam eles, poderia até fazer sentido, mas a menina era destra desde o nascimento, aquilo tudo era inconcebível!
Da mesma forma que fazia com a professora, Sandra tentava convencer os pais da sua nobre causa: ela não era canhota, mas os demais alunos que eram obrigados a mudar a sua natureza? Sua mãe sempre dizia que os outros não eram filhos dela e que nem ela nem a filha tinham a obrigação de se importar com eles. Pobres garotos, respondia ela, que não tinham nem o direito de ter um porta-voz contra os desmandos insanos da professora beata.
Um dia ela resolveu radicalizar. Chamou todos para o pátio da escola, subiu em um banco e começou a discursar:
– Temos aqui em nossa instituição de ensino uma professora com mentalidade e práticas medievais!
A maioria dos alunos observava curiosa, apenas os canhotos da sua sala a aplaudiam fervorosamente.
– Esta carola, meus colegas – aponta para a professora ditadora – obriga-nos a escrever com a mão direita e estamos sujeitos a severas punições se não a obedecermos!
A esta altura a acusada olhava para os lados, desconfiada de tudo e de todos, rezando para que tudo aquilo fosse um sonho.
– Pois bem, eu estou aqui para desafiá-la. Se ela não parar com essa perseguição eu serei obrigada a cortar fora a minha mão direita!
Todos os presentes a encararam incrédulos.
– Se duvidam é só me trazerem um machado!
Aos poucos foram se afastando um por um.
– Vamos, o que estão esperando? Vão deixar que o preconceito vença a justiça?
Até que só sobrassem no pátio Sandra e a acusada.
– É, parece que só sobramos nós duas...
– Deixa logo de brincadeira, Sandra, e vai pra sala. Você hoje não sai daqui sem uma suspensão.
– Me deixa em paz, senão eu cumpro o que prometi!
– Tá certo, agora entra na sala que eu vou pensar o que faço com você.
– Você acha que eles acreditaram?
– É claro que não. Ora essa, cortar a mão. Você bem acha que eu não sei que é destra?
– Você sabe? Desde quando?
– Desde que eu vi os seus garranchos pela primeira vez. Por que você acha que eu insisti tanto para que escrevesse com a mão certa?
– Porque você é uma beata ditadora!
– Você tem muita imaginação, minha querida, deveria ser escritora.

Explosão

Fui à geladeira e servi-me um copo d’água. Poucos líquidos são tão bons quanto ela. Voltei pro computador e esperei, esperei infinitamente que algo acontecesse. Nada aconteceu. Pessoas iam e vinham, como sempre, mas eu estava ansiosa. Meus olhos tremiam e tudo que eu pensava era “será que eu estou prestes a ter um AVC”? Sempre fui muito agourenta. E melodramática. Eu passeava pelas páginas da internet à procura de algo que ocupasse a minha mente dos pensamentos inúteis, mas tudo que é inútil nos cerca como cães famintos.
Já sei, vou escrever, é sempre bom para exorcizar os fantasmas, pensei eu. Basta. Eles já fazem parte de mim e gritam frequentemente “desiste, estamos aqui para ficar”! Sempre tive medo de fantasma, melhor não mexer muito com eles. Que tal cantar? Afinal, “quem canta seus males espanta”, não é mesmo? Depende da música... Lembra daquela que dizia “meu bem, meu zen, meu mal”? Então...
Então ler! Uma leitura é sempre boa para acalmar os ânimos, esquecer do mundo exterior e lembrar-se apenas do universo que existe naquelas linhas. Mas quem consegue se concentrar com a mente cheia de fantasmas, cães, AVCs, males, bens e zens? Eu deveria mesmo é desistir e ir dormir, amanhã é um longo dia, cheio de revelações, emoções e por que não, perdições? Talvez porque as responsabilidades não me permitem. Mas que se explodam! Ou explodo eu.

Quem saiu foi tu!

Eu não estou ficando mais novo. Muitos dizem isso. Eu também não estou ficando mais nova. Pode parecer bobagem dizer isso, mas não é. Chega um momento em nossas vidas em que sentimos uma necessidade urgente de "recuperar o tempo perdido". Há quem chame isso de "crise de meia idade". Não deve ser o caso. Ainda há pouco eu vivia a "flor da idade". Tampouco deve ser depressão. Apenas a constatação do óbvio ululante. Mas ninguém tem nada a ver com isso o azar é todo meu. A-do-le-ta... Quem bebeu mor-reu, quem trepou, fo-deu! Puxa o rabo do tatu...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Eu e meus erros

Inspirado ao som de "Lígia"

Eu nunca
soube na verdade
o que fazer
Se devia parar
Ou passar a correr
O amor
sempre foi o motor
mas agora eu não sei
se ele deve valer
todos os sacrifícios
Minha mente inquieta
Saliva dúvidas
por todos os meus poros
A saber
sou egoísta
e romântica
Mas se há uma antítese
o que devo fazer?
Esquecer e amar?
Aceitar e sofrer?

11/01/09

terça-feira, 24 de março de 2009

Música

Ela sempre me diz alguma coisa, mesmo quando não fala. Algumas me confortam, outras me desolam. Existem aquelas que me abraçam, mas às vezes o abraço é de despedida. Mas as mais impressionantes são aquelas que percebem o que acontece dentro de mim, antes de mesmo que eu o saiba; e me mostram, impiedosamente. Há também as que me mostram minhas origens, de onde vim e por que sou o que sou. E há ainda aquelas que falam “bunda, xereca, chifre”, mas essas não me dizem nada.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Blog

Gostaria de me reencontrar contigo. Lembra da época em que você ficava sabendo de tudo que acontecia na minha vida? Eu te contava os meus diálogos, tinha ideias engraçadinhas, estava sempre em busca da minha criatividade. Aí e fui sumindo, me ausentando, assumindo novas responsabilidades e de repente você estava em último lugar da minha lista de prioridades. Passei a te contar apenas frivolidades, coisas desinteressantes, usar-te para mostrar meus vídeos, porque eu sabia que você estaria sempre disponível para mim, sempre que eu precisasse de ti.
Aí a vida deu uma reviravolta. Eu me cansei de tudo e ao olhar para você, para o que você tinha se tornado eu fiquei triste. Você estava abandonado. Como tudo na minha vida, parecia que também era algo passageiro. Mas eu não quero que seja assim. Fico feliz que você esteja presente para me mostrar como eu era, como eu poderia voltar a ser, pelo menos em partes. Você sempre me incitou a estimular a minha criatividade e eu agora preciso retribuir. Vou atrás de coisas novas para que você e eu sejamos felizes novamente. Independente de quem esteja conosco. Esta é a minha declaração para ti, Kisuki.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

God Save the Queen!


Sempre fui admiradora da beleza oriental, mas de uns tempos pra cá percebi que o Reino Unido também merece a minha atenção. Para mostrar de maneira mais sistemática apresento-lhes uma lista das beldades do arquipélago. O primeiro da lista é Jude Law, nascido em Lewisham, Londres, Inglaterra. Segundo minha mãe, ele abusa do direito de ser bonito. Eu não só concordo, como acrescento: bonito e charmoso, porque só beleza não é suficiente.


Depois de Jude Law eu conheci Mark Darcy, ou melhor, Colin Firth, nascido em Grayshott, Hampshire, Inglaterra, que além de tudo é um fofo.


Continuando a minha análise profundamente intelectual, passamos a Jim Sturgess, também nascido na Inglaterra (vemos um padrão, os ingleses predominam nesta lista). Assim que ele começou a cantar I've just seen a face em Across the Universe eu tive vontade de arrancá-lo da TV pra deitá-lo no meu colo e fazer um cafuné...


Então eu assisti P.S. Eu te amo e vi que o privilégio não era apenas dos ingleses. Representando a Escócia (ele é de Glasgow) está Gerard Butler, que pode se transformar no ex-roqueiro amoroso completamente apaixonado pela esposa ou se você preferir pode ser também um rei guerreiro espartano.


E para ter certeza que todos os gostos foram contemplados, termino a lista com o último que conheci, Joseph Gilgun, nascido em Chorley, Lancashire, Inglaterra (à direita na foto acima) do filme This is England.

A minha conclusão, as ilhas da Grã Bretanha são ótimas para uma boa e diversificada pescaria. Se eu fosse solteira com certeza adoraria visitá-las!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Brios

Estou aqui para um desabafo. Sei que a minha proposta não é fazer daqui um diário, mas às vezes a pessoa precisa falar. E no fim das contas, essa merda é minha, lê quem quer!
Então... Cá estava eu saindo de casa para trabalhar e resolvo passar no posto para comprar uns docinhos (adoro comer docinhos depois do almoço... as pessoas costumam chamar isso de sobremesa... mas continuando!) As coisas já começaram mal lá mesmo. Hormônios flutuando ao meu redor, peguei um pacote de jujubas e quando fui ao balcão para pegar uma trufa de coco a fêmea tenta atingir o macho que se esquiva e tropeça em mim. Não me recordo de ter escutando um pedido de desculpas de nenhuma das partes. Então peguei a trufa e coloquei em cima do balcão, tirei o meu dinheiro e tentei perguntar para alguma das duas atendentes presentes quanto ficava o meu pedido. Mesmo depois da saída do macho nenhuma das duas tinha a intenção de prestar atenção em mim. Eu já devia ter mandado todo mundo tomar no cu dali mesmo, mas sou muito idiota e fiquei tentando chamar a atenção delas educadamente. Minha vingança se limitou a não dizer obrigada...
Mas isso foi o de menos. Saindo da loja de conveniências com minha trufa na mão começo a escutar "ei! ei! ei!" me seguindo insistentemente. Conhecendo as brincadeiras sem graça dessa juventude transviada prefiro fingir que não é comigo, acreditando inocentemente que o "chamador" desistiria. Mas ele não só desiste como acrescenta "ei, me dá um pedaço!". O que leva uma pessoa desconhecida a crer que eu daria um pedaço da minha trufa a ela? Enfim, eu tento ignorá-lo, mas é impossível. Eu digo que não dou, mas ele diz "só um pedaço, vai negar?" Eu digo que vou, mas tenho o costume irritante de ser delicada com pessoas que eu não conheço. Aí ele se enfeza: "num vai me dar um pedaço não, é? rapariga!" Rapariga? Rapariga? O que esses bostinhas pensam que os faz ter direito de me chamar de rapariga? Aí eu, sentindo-me muito corajosa, digo "é tua mãe." Ele me xinga mais uma vez e depois repito a mesma coisa. Pela primeira vez consigo ter um ato de tamanha bravura. Tá certo que ele devia bater no meu ombro, mas poderia ter jogado café morno em mim!
Atravesso a rua para que não haja nenhuma reação tardia contra a minha pessoa, e como de costume, começo a imaginar como eu deveria ter agido. Deveria ter sido mais enfática. Deveria ter dado umas boas bolachas naquele aprendiz de marginal. Quem ele pensa que é pra me chamar de rapariga? Rapariga é a senhora que o colocou no mundo e o deixa por aí pedindo um pedaço da trufa de gente que ele nem conhece. Por que eu daria um pedaço a aquele bostinha? Pra pegar herpes, sapinho, boqueira, cárie, afta, cabelo na língua? Tá, você deve estar pensando "nossa, como ela é preconceituosa, não é só porque ele é um aprendiz de marginal que tem algum problema bucal. de repente ele até tem todos os dentes!" Mas depois de passar 3 anos em Bodocongó, sendo xingada de mizera, rapariga, vendo meu marido apanhar com minha filha de 1 mês no colo, eu sinceramente não me martirizo mais nem um pouco pelo meu preconceito. Só pela minha falta de coragem de dizer a esses filhos da puta (porque raparigas são as mães deles, não eu!) tudo que eles mereciam ouvir.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Amor verdadeiro

Tenho desde muito cedo o costume de pegar os discos da minha mãe para ouvir. Certa vez peguei uma coletânea de jazz cantado só por mulheres. Confesso que foi mais pelo meu espírito feminista, mas acabei gostando verdadeiramente do CD. Eram dois discos: o primeiro com as novas divas do jazz. Adorei de cara. Escutei sem parar por vários dias, até que resolvi escutar o segundo disco, com a “velha guarda”. Tenho (ou pelo menos tinha) um pequeno preconceito com os discos dois dos CDs duplos e a primeira impressão que tive deste foi de “o primeiro é melhor”. Mas felizmente continuei ouvindo o disco dois, não sei se por preguiça de mudar, por persistência ou curiosidade. Passada a primeira impressão comecei a prestar mais atenção nas músicas e acabei sendo cativada por uma voz suave que cantava Stormy weather e Come rain or come shine. Passado algum tempo aquela pequena dose não era mais suficiente: eu estava viciada. Ou melhor, apaixonada. Eu me apaixonei pela voz de Billie Holiday. Constatada a paixão, fui atrás dela e encontrei nos CDs da minha mãe dois dela. Imediatamente os capturei e mantive comigo em meu quarto até eu sair de casa. Mas antes disso tivemos muito tempo juntos. Aquela voz me acompanhou nas noites mais tristes e mais felizes da minha vida.
Mas ter um vício nunca é coisa boa, e houve um tempo que ela começou a me fazer mal. Foi quando eu encontrei um outro amor e ela sabia exatamente o que se passava dentro de mim. Eu sentia então mais do que nunca que estávamos conectadas e por isso eu não queria deixar de sentir o que ela também me dizia que sentia. Até que percebi que isso devia acabar e nos separamos. Tirei seu CD do som e guardei na caixa até me recuperar.
Mas como eu disse, não foi só nas noites tristes que ela me acompanhou. Passada a minha tristeza, senti-me pronta para finalmente voltar ao seu lado. Meu amor então se consolidou sem ninguém para nos atrapalhar. Cheguei a conhecer outras durante todos esses anos, mas nenhuma conseguiu jamais abalar o meu amor.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Aroma

Agora eu sei como o cara d’O Cheiro do Ralo se sente. Digo “o cara” porque não me recordo dele ter um nome. Mas digo isso não pelo fato dele não ter nome, porque eu tenho e conheço muito bem o meu (só tenho sobrenomes meio obscuros), e sim por causa do cheiro. Ou dos cheiros. O cheiro do ralo também me persegue. Pinçadas aromáticas cutucam meu cérebro calejado de enxaquecas a ponto de me deixar atordoada. Nem sempre provenientes de um ralo, mas também de uma privada, ou até mesmo de uma colega de universidade com um perfume que mais parece A Fantástica Fábrica de Chocolates. Independente de suas procedências, eles pululam e chafurdam em minhas narinas como porcos na lama.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A referência da referência

E há quem diga que o Orkut é uma ferramenta inútil! Não que seja a minha opinião, mas enfim! Por meio deste é que fiquei sabendo que um texto aqui do blog foi citado em uma crônica do João de Freitas: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=25542&cat=Cartas
Ora essa, kisuki também é cultura! Hehehe ;D