quinta-feira, 26 de março de 2009
A ditadura da direita
Por causa disso, todos os dias entrava em conflito com a professora: gritos, agressões verbais, expulsões de classe e algumas vezes chegava ao cúmulo de ser suspensa. Os pais de Sandra não se conformavam com a situação e tentavam convencer a filha a escrever com a mão certa. Se ela ainda fosse canhota, pensavam eles, poderia até fazer sentido, mas a menina era destra desde o nascimento, aquilo tudo era inconcebível!
Da mesma forma que fazia com a professora, Sandra tentava convencer os pais da sua nobre causa: ela não era canhota, mas os demais alunos que eram obrigados a mudar a sua natureza? Sua mãe sempre dizia que os outros não eram filhos dela e que nem ela nem a filha tinham a obrigação de se importar com eles. Pobres garotos, respondia ela, que não tinham nem o direito de ter um porta-voz contra os desmandos insanos da professora beata.
Um dia ela resolveu radicalizar. Chamou todos para o pátio da escola, subiu em um banco e começou a discursar:
– Temos aqui em nossa instituição de ensino uma professora com mentalidade e práticas medievais!
A maioria dos alunos observava curiosa, apenas os canhotos da sua sala a aplaudiam fervorosamente.
– Esta carola, meus colegas – aponta para a professora ditadora – obriga-nos a escrever com a mão direita e estamos sujeitos a severas punições se não a obedecermos!
A esta altura a acusada olhava para os lados, desconfiada de tudo e de todos, rezando para que tudo aquilo fosse um sonho.
– Pois bem, eu estou aqui para desafiá-la. Se ela não parar com essa perseguição eu serei obrigada a cortar fora a minha mão direita!
Todos os presentes a encararam incrédulos.
– Se duvidam é só me trazerem um machado!
Aos poucos foram se afastando um por um.
– Vamos, o que estão esperando? Vão deixar que o preconceito vença a justiça?
Até que só sobrassem no pátio Sandra e a acusada.
– É, parece que só sobramos nós duas...
– Deixa logo de brincadeira, Sandra, e vai pra sala. Você hoje não sai daqui sem uma suspensão.
– Me deixa em paz, senão eu cumpro o que prometi!
– Tá certo, agora entra na sala que eu vou pensar o que faço com você.
– Você acha que eles acreditaram?
– É claro que não. Ora essa, cortar a mão. Você bem acha que eu não sei que é destra?
– Você sabe? Desde quando?
– Desde que eu vi os seus garranchos pela primeira vez. Por que você acha que eu insisti tanto para que escrevesse com a mão certa?
– Porque você é uma beata ditadora!
– Você tem muita imaginação, minha querida, deveria ser escritora.
Explosão
Já sei, vou escrever, é sempre bom para exorcizar os fantasmas, pensei eu. Basta. Eles já fazem parte de mim e gritam frequentemente “desiste, estamos aqui para ficar”! Sempre tive medo de fantasma, melhor não mexer muito com eles. Que tal cantar? Afinal, “quem canta seus males espanta”, não é mesmo? Depende da música... Lembra daquela que dizia “meu bem, meu zen, meu mal”? Então...
Então ler! Uma leitura é sempre boa para acalmar os ânimos, esquecer do mundo exterior e lembrar-se apenas do universo que existe naquelas linhas. Mas quem consegue se concentrar com a mente cheia de fantasmas, cães, AVCs, males, bens e zens? Eu deveria mesmo é desistir e ir dormir, amanhã é um longo dia, cheio de revelações, emoções e por que não, perdições? Talvez porque as responsabilidades não me permitem. Mas que se explodam! Ou explodo eu.
Quem saiu foi tu!
quarta-feira, 25 de março de 2009
Eu e meus erros
Eu nunca
soube na verdade
o que fazer
Se devia parar
Ou passar a correr
O amor
sempre foi o motor
mas agora eu não sei
se ele deve valer
todos os sacrifícios
Minha mente inquieta
Saliva dúvidas
por todos os meus poros
A saber
sou egoísta
e romântica
Mas se há uma antítese
o que devo fazer?
Esquecer e amar?
Aceitar e sofrer?
11/01/09
terça-feira, 24 de março de 2009
Música
segunda-feira, 23 de março de 2009
Blog
Aí a vida deu uma reviravolta. Eu me cansei de tudo e ao olhar para você, para o que você tinha se tornado eu fiquei triste. Você estava abandonado. Como tudo na minha vida, parecia que também era algo passageiro. Mas eu não quero que seja assim. Fico feliz que você esteja presente para me mostrar como eu era, como eu poderia voltar a ser, pelo menos em partes. Você sempre me incitou a estimular a minha criatividade e eu agora preciso retribuir. Vou atrás de coisas novas para que você e eu sejamos felizes novamente. Independente de quem esteja conosco. Esta é a minha declaração para ti, Kisuki.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
God Save the Queen!

Sempre fui admiradora da beleza oriental, mas de uns tempos pra cá percebi que o Reino Unido também merece a minha atenção. Para mostrar de maneira mais sistemática apresento-lhes uma lista das beldades do arquipélago. O primeiro da lista é Jude Law, nascido em Lewisham, Londres, Inglaterra. Segundo minha mãe, ele abusa do direito de ser bonito. Eu não só concordo, como acrescento: bonito e charmoso, porque só beleza não é suficiente.

Depois de Jude Law eu conheci Mark Darcy, ou melhor, Colin Firth, nascido em Grayshott, Hampshire, Inglaterra, que além de tudo é um fofo.

Continuando a minha análise profundamente intelectual, passamos a Jim Sturgess, também nascido na Inglaterra (vemos um padrão, os ingleses predominam nesta lista). Assim que ele começou a cantar I've just seen a face em Across the Universe eu tive vontade de arrancá-lo da TV pra deitá-lo no meu colo e fazer um cafuné...

Então eu assisti P.S. Eu te amo e vi que o privilégio não era apenas dos ingleses. Representando a Escócia (ele é de Glasgow) está Gerard Butler, que pode se transformar no ex-roqueiro amoroso completamente apaixonado pela esposa ou se você preferir pode ser também um rei guerreiro espartano.

E para ter certeza que todos os gostos foram contemplados, termino a lista com o último que conheci, Joseph Gilgun, nascido em Chorley, Lancashire, Inglaterra (à direita na foto acima) do filme This is England.
A minha conclusão, as ilhas da Grã Bretanha são ótimas para uma boa e diversificada pescaria. Se eu fosse solteira com certeza adoraria visitá-las!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Brios
Então... Cá estava eu saindo de casa para trabalhar e resolvo passar no posto para comprar uns docinhos (adoro comer docinhos depois do almoço... as pessoas costumam chamar isso de sobremesa... mas continuando!) As coisas já começaram mal lá mesmo. Hormônios flutuando ao meu redor, peguei um pacote de jujubas e quando fui ao balcão para pegar uma trufa de coco a fêmea tenta atingir o macho que se esquiva e tropeça em mim. Não me recordo de ter escutando um pedido de desculpas de nenhuma das partes. Então peguei a trufa e coloquei em cima do balcão, tirei o meu dinheiro e tentei perguntar para alguma das duas atendentes presentes quanto ficava o meu pedido. Mesmo depois da saída do macho nenhuma das duas tinha a intenção de prestar atenção em mim. Eu já devia ter mandado todo mundo tomar no cu dali mesmo, mas sou muito idiota e fiquei tentando chamar a atenção delas educadamente. Minha vingança se limitou a não dizer obrigada...
Mas isso foi o de menos. Saindo da loja de conveniências com minha trufa na mão começo a escutar "ei! ei! ei!" me seguindo insistentemente. Conhecendo as brincadeiras sem graça dessa juventude transviada prefiro fingir que não é comigo, acreditando inocentemente que o "chamador" desistiria. Mas ele não só desiste como acrescenta "ei, me dá um pedaço!". O que leva uma pessoa desconhecida a crer que eu daria um pedaço da minha trufa a ela? Enfim, eu tento ignorá-lo, mas é impossível. Eu digo que não dou, mas ele diz "só um pedaço, vai negar?" Eu digo que vou, mas tenho o costume irritante de ser delicada com pessoas que eu não conheço. Aí ele se enfeza: "num vai me dar um pedaço não, é? rapariga!" Rapariga? Rapariga? O que esses bostinhas pensam que os faz ter direito de me chamar de rapariga? Aí eu, sentindo-me muito corajosa, digo "é tua mãe." Ele me xinga mais uma vez e depois repito a mesma coisa. Pela primeira vez consigo ter um ato de tamanha bravura. Tá certo que ele devia bater no meu ombro, mas poderia ter jogado café morno em mim!
Atravesso a rua para que não haja nenhuma reação tardia contra a minha pessoa, e como de costume, começo a imaginar como eu deveria ter agido. Deveria ter sido mais enfática. Deveria ter dado umas boas bolachas naquele aprendiz de marginal. Quem ele pensa que é pra me chamar de rapariga? Rapariga é a senhora que o colocou no mundo e o deixa por aí pedindo um pedaço da trufa de gente que ele nem conhece. Por que eu daria um pedaço a aquele bostinha? Pra pegar herpes, sapinho, boqueira, cárie, afta, cabelo na língua? Tá, você deve estar pensando "nossa, como ela é preconceituosa, não é só porque ele é um aprendiz de marginal que tem algum problema bucal. de repente ele até tem todos os dentes!" Mas depois de passar 3 anos em Bodocongó, sendo xingada de mizera, rapariga, vendo meu marido apanhar com minha filha de 1 mês no colo, eu sinceramente não me martirizo mais nem um pouco pelo meu preconceito. Só pela minha falta de coragem de dizer a esses filhos da puta (porque raparigas são as mães deles, não eu!) tudo que eles mereciam ouvir.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Amor verdadeiro
Mas ter um vício nunca é coisa boa, e houve um tempo que ela começou a me fazer mal. Foi quando eu encontrei um outro amor e ela sabia exatamente o que se passava dentro de mim. Eu sentia então mais do que nunca que estávamos conectadas e por isso eu não queria deixar de sentir o que ela também me dizia que sentia. Até que percebi que isso devia acabar e nos separamos. Tirei seu CD do som e guardei na caixa até me recuperar.
Mas como eu disse, não foi só nas noites tristes que ela me acompanhou. Passada a minha tristeza, senti-me pronta para finalmente voltar ao seu lado. Meu amor então se consolidou sem ninguém para nos atrapalhar. Cheguei a conhecer outras durante todos esses anos, mas nenhuma conseguiu jamais abalar o meu amor.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Aroma
sexta-feira, 6 de junho de 2008
A referência da referência
Ora essa, kisuki também é cultura! Hehehe ;D
terça-feira, 15 de abril de 2008
Autobiografia de uma desconhecida III
Eu sempre costumo dizer que a minha vida daria um livro. Talvez dê mesmo, isso depende de quem vai escrevê-lo. O que estou fazendo aqui? Apenas um relato despretensioso.
Voltei do Rio, onde eu estudava em uma escolinha da farda branca e vermelha chamada Ioiô (ou seria Yoyô?) da qual eu me lembro apenas da festinha de aniversário que tive lá, para estudar em uma escolinha chamada Risque Rabisque. Era uma escolinha a três quarteirões da minha casa cujo nome eu adorava brincar. Isque Uísque. Fiquei empolgadíssima com a escolinha nova.
Cheguei lá em plena festinha de carnaval, todos dançando super fantasiados e eu vestindo apenas uma camisetinha do bloco de carnaval “Muriçocas do Miramar”. Parecia que eu era a única no lugar que não estudava lá desde o maternal. Menina tímida, deslocada, tive a minha salvação em uma menina magra vestida de pirata que logo veio à minha direção para me conhecer. Mais tarde descobri que era de praxe ela ser a primeira a fazer amizade com os novatos.
E foi assim que eu conheci a minha melhor amiga. Ao longo desses dezoito anos já brigamos muito, fizemos as pazes, viajamos, bebemos juntas, mas tudo começou com uma muriçoca e uma pirata no meio das fadas e princesas
terça-feira, 8 de abril de 2008
Autobiografia de uma desconhecida II
1989. eu tinha quatro anos e dormia numa gaveta. Minha raiva do mundo se resumia a isso. Meu irmão dormia na cama e eu na gaveta debaixo da cama. Obviamente, pensando no assunto hoje em dia chego à conclusão lógica de que não era uma gaveta, mas uma bicama. Mas não importa o que eu descobri agora, mas no que eu acreditava então.
Era o ano das eleições para presidente e eu estava no Rio de Janeiro com os meus pais e meu irmão Thiago. Morávamos num apartamento no Humaitá próximo ao corpo de bombeiros. O Gol vermelho do meu pai foi roubado na calçada do prédio.
Eu torcia para Lula-lá, mas por causa dele passei por uma das maiores frustrações da minha vida (que meu pai faz questão de não me deixar esquecer jamais!) Depois de um comício pedi para meus pais me comprarem um daqueles balões metálicos em forma de coração cheio de hélio, hidrogênio ou sei lá o quê. Quando chegamos no carro pedi ao meu pai que segurasse o meu balão para que eu entrasse no carro. Confiando nele, soltei o balão, que voou para a liberdade sem nem ao menos me dar um tchau. Aí eu desatei a chorar. E para me vingar, disse claramente que não votaria ais em Lula-lá. O foda é que doze anos depois eu quebrei a minha promessa.
Enfim, aquele foi o meu primeiro e último balão metálico de hélio, hidrogênio ou sei lá o quê.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Autobiografia de uma desconhecida I
A única coisa da minha vida que eu posso falar anterior aos meus quatro anos foi do dia em que eu nasci. Não que eu me lembre, obviamente, mas os detalhes me foram contados inúmeras vezes, de maneira que eu possa descrevê-los como se estivessem vívidos em minha memória.
Depois de ler Léboyer, minha mãe entrou na viagem do parto humanizado (assim como eu, mas não vamos adiantar os fatos) e resolveu que eu nasceria em casa. E o meu pai embarcou na dela, pro desespero do obstetra. Apesar de muito querer, não conseguiu convencer o médico a fazer o parto na água (o que também era a minha vontade, mas o plano de saúde não cobria) e eu acabei nascendo na sala de casa. Pensando bem, acho que é melhor nascer em uma sala do que em um banheiro...
Nascida eu, começaram os desejos de me carregar nos braços (afinal, qual é o tesão que todos têm de carregar os filhos dos outros nos braços?), mas Léboyer alertava em “Nascer sorrindo” para ter cuidado com os olhos dos recém-nascidos, então todos que me seguravam tinham que andar de costas para que a luz do sol não ferisse as minhas sensíveis retinas. Ainda bem que ninguém tropeçou.
Eu também queria ter a minha filha em casa, mas hoje em dia eu meio que agradeço por não ter sido o caso, não sei o que teria sido de mim sem a epidural.
Enfim, eu nasci no dia vinte e cinco de outubro de mil novecentos e oitenta e cinco. Tenho certeza de que muita coisa importante aconteceu nesse ano, mas obviamente não lembro o quê.
segunda-feira, 24 de março de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Porco e vaca
- Porco não dá leite!
E o porco, em seu lugar, apenas retrucou:
- E vaca não voa!
Indignada, a vaca chamou suas amigas pombas que zás! Miraram na cabeça do porco, que voltou cabisbaixo para a sua pocilga.
Ao chegar em casa, a porca sentiu o cheiro de leite e guinchou:
- Impeachment! - saindo logo dpeois para tirar satisfações com a vaca. Mas ao saber o que havia de fato se sucedido, perguntou à quadrúpede voadora:
- Posso voar com você?
E a vaca, ríspida, apenas disse:
- É claro que não.
Exercício realizado dia 13/02/2007 na aula de Projeto I
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
domingo, 23 de dezembro de 2007
domingo, 28 de outubro de 2007
Como eu entrei no cheque especial
Quando você vai ao banco eles sempre dizem que você tem direito a X no cheque especial, limite Y no cartão de crédito, como se tudo isso fosse uma grande vantagem. Mas quando você chega no mês seguinte, crente que está com um crédito de duzentos reais e vai pagar suas contas, não entende porque o caixa eletrônico não quer liberar o seu dinheiro e vai lá no atendimento, perguntar o que está acontecendo.
É aí que você descobre que entrou no cheque especial! E você se pergunta "mas como? quando?", inocente, pois sempre consultava seu saldo antes de retirar qualquer quantia. Então você se desespera, porque está no fim do mês, os juros fazem com que sua dívida aumente a cada dia e pra completar, aquela conta de telefone que você achava que já estava paga não estava. Com isso você tem que tirar trezentos reais do nada para pagar todas as suas dívidas, faltando ainda dez dias para que você receba o seu próximo pagamento.
Se você tiver sorte, seu marido tem dinheiro na conta e pode emprestar-lhe algum no meio do sufoco. Então depois de meio litro de lágrimas de desespero derramadas, você paga todas as suas dívidas e volta ao atendimento para cancelar seu cheque especial, para nunca mais passar outro aperto similar. Mas descobre que se cancelar é pior, porque a taxa de manutenção aumenta de três para oito reais. Então, conformada, procura alguma tática para não cair novamente na máfia bancária do cheque especial.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
7 de janeiro
- Hum?
- Seu João apareceu aí no muro e Madona ficou desesperada latindo pra ele.
- Que Seu João? O Cantor?
- Seu João, o doido que mora aí do lado!
- Seu Zé!
- Ah, Seu Zé! É quem é Seu João cantor?
- O sambista!
- Qual?
- Aquele que canta com Ana Carolina.
- Seu Jorge!
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Discurso intelectualóide arrogante
A diferença é que na época em que eu freqüentava os concertos da cidade o cinema não ficava tão cheio. Nossa, o público pessoense está gostando de música erudita. Que maravilha! Pensei. Talvez até goste, mas gostam mais de pipoca.
Quando vi no programa que teria Bachianas soltei pulinhos dentro de mim mesma. Mas Bachianas não é Bachianas com alguém mastigando pipoca ao seu lado ou achando que as cadeiras contíguas do cinema são de balanço. Todo esforço, provavelmente, é válido quando se trata de apreciar a boa cultura erudita. Mas talvez eu precise de um esforço maior. Acho que não tenho senso de humor para aturar ninguém roncando do meu lado no meio do filme, brigando com um pacote de balas ou fazendo música concreta com um pacote de pipocas atrás de mim.
Engraçado, enquanto eu pensava em escrever essa postagem lá no meio do concerto soou-me tão engraçadinha... Acho que meu senso de humor está que nem os funcionários das universidades federais: em greve.
sábado, 14 de abril de 2007
Literalmente (repostagem)
Para não correr o risco de perder uma frase essencial para o discorrer da sua vida, carregava sempre um caderninho consigo. Infelizmente, procurando sempre manter a linha, acabou perdendo o fio da meada.
Dia 1º de janeiro escrevi esse texto. Com exceção da última frase. Essa eu só consegui escrever hoje.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Boas noite.
Boas tarde.
Entãso digasm pasras aseuas pasias pasrasrem de asbrir asqwueleas videozxinhoas qwue oas asmigoas deleas masndasm por e-masil, porqwue asqwuelas porcasrias asãso cheias de víruas qwue fodem o aseu computasdor, entendeu?
Putas qwue pasriu.
Nãso, eu nãso asou emo. O meu teclasdo eastás faszxendo iasaso asozxinho. Eu juro qwue eastou teclasndo das masneiras corretas. Péasasimo de ler, nãso? Imasgine o meu deaseaspero em eascrever deastas masneiras!@
ASerás qwue reiniciasr o PC vasi funcionasr? Me deasejem asorte. ASe eu nãso voltasr, vocêas jás asbem o qwue asconteceu.
ASdeuas.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Literalmente
Para não correr o risco de perder uma frase essencial para o discorrer da sua vida, carregava sempre um caderninho consigo. Infelizmente, procurando sempre manter a linha, acabou perdendo o fio da meada.
domingo, 31 de dezembro de 2006
Fama
Acompanhou o surgimento e a ascensão dos blogs. Obviamente, não podia deixar de ter o seu, mas dava muito trabalho atualizá-lo de maneira que as outras pessoas o achassem interessante. Deu graças a deus quando surgiram os fotologs, era uma maneira mais fácil e mais eficaz de se mostrar para o mundo. O problema é que quando conseguiu a sua câmera digital, os fotologs famosos já estavam consolidados.
Começou então a usar a sua câmera para tirar fotos nua. Fotos artísticas, pensava ela, estava se transformando em uma grande artista. Ficaria para os anais. Mas a arte foi ficando para trás à medida que o nível dos comentários ia diminuindo.
Sua fama por fim se restringiu aos punheteiros de plantão.
Baseado na foto do dia 31/12/2006 do fotolog bloodberry.
sábado, 30 de dezembro de 2006
O Gafanhoto Falante
- Pra qualquer lugar.
- Está sem rumo?
- Vou para onde você for.
- Por que, gafanhoto?
- Quero ficar com você.
- Mas por quê?
- Fui com a sua cara.
- Olha, a minha cachorra não gosta de outros bichos lá em casa.
- Quem manda na sua casa é você ou a sua cachorra?
- Na verdade a minha mãe.
- E cadê a ela?
- Está no outro carro.
- E esse é o seu pai?
- Não, é o namorado da minha mãe.
- Eles brigaram?
- Não, ué.
- Enfim, isso não é da minha conta.
- Que mal lhe pergunte, por que você quer ir pra minha casa?
- Eu vou para onde você for.
- Olha gafanhoto, você tá muito folgado, me diz logo o que você quer senão eu te rebolo no mato.
- Eu só queria chamar a sua atenção.
- Pra quê?
- Pra ser mais famoso que os demais gafanhotos. Odeio o Grilo Falante, sei que posso ser muito melhor que ele. Nós gafanhotos somos muito mais cinematográficos.
Olha, o máximo que eu posso fazer é tirar uma foto sua.
- Tá bom, já é alguma coisa. Você tem fotolog?
- Tenho.
- Então posta a foto lá?
- Hum...
- Olha que se não postar eu puxo o teu pé de noite!
- Te enxerga, gafanhoto!
Baseado na foto do dia 30/12/2006 do fotolog bloodberry
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Espera
O tempo passava e nada. Ela acendia um cigarro, dois, pedia um chopp, um espetinho de calabresa. Ficou empanzinada e ainda nada. Resolveu passear pelo shopping, pra passar o tempo. Parou na frente da vitrine de lingeries por um bom tempo. Mas foi inútil.
Da próxima vez sairia com um decote maior.
domingo, 10 de dezembro de 2006
Amendoins
Eu falei que não escrevia há muito tempo, o que é a mais pura verdade, provavelmente desde que entrei na universidade. Hoje em dia, só para não deixar o blog abandonado fico colocando fotos de calcinhas... Mas fotos conceituais!
Minhas férias começaram, acabaram e eu não escrevi uma linha sequer. Pelo menos não uma linha literária (ou pretensa). Hoje em dia eu como jaboticabas na frente do computador olhando o orkut. Quem sabe dentro de uma delas eu não encontro os amendoins do Super Pateta?
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Trecho de um romance que estou tentando escrever...
- Na verdade não, mas que diferença isso faz? – respondeu Sofia para o seu então cafetão.
- Boa garota. Continue assim e será a nossa Hilda Furacão!
- Tudo que eu sempre sonhei...
- Ih, já começou a resmungar, tão cedo?
- Relaxe, eu não vou te causar problemas.
- Assim espero. Mas escuta, o que você acha de ter uma chinfra?
- Tipo o quê?
- Um sotaque estrangeiro, sei lá! Inventa algo.
- Sempre quis ter um tique nervoso.
- Algo sexy, por favor.
- Hum... Você é homem, ajuda aí!
- Que tal um sotaque francês?
- Não, isso já ta muito batido! E se eu fosse frígida? Gélida?
- Frígida? Meu doce, se os clientes quiserem uma mulher frígida irão atrás das suas esposas, sai mais barato. Uma puta de luxo tem que ser ardente, enlouquecedora.
- Uau.
- Palhaça.
- Olha o respeito. Puta.
- Você tem uma bela boca.
- E daí? Sabe que não adianta me cantar.
- Deixa de ser burra! Escuta, teu charme pode ser a boca.
- Biquinhos etc?
- E um batom vermelho.
- Que coisa mais... esquece. Continue.
- Você retocaria o seu batom vermelho a cada cliente. O gastaria todo nos corpos deles. Seus lábios seriam lembrados nos sonhos de todos os clientes satisfeitos. Faria com que eles não precisassem desejar outro buraco do teu corpo além dela, a boca. Eles implorariam para morrer triturados pelos teus dentes, para terem todo o sangue bebido por você.
Enquanto tecia suas pretensões, os olhos do cafetão brilhavam alucinados, sonhando com um futuro de glória. Após alguns segundos de silêncio, o vendo sorrindo olhando para o nada, Sofia diz:
- Certo, e você pode me dizer como eu vou me transformar nesse aspirador erótico?
- Praticando, docinho. Agora corra e faça jus aos lábios que o Pai te deu!
Sofia mostrou um sorriso meio preso e saiu da casa para botar a boca no mundo.
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Outros 500
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
Iuri e Yuri
Sentou-se intencionalmente ao lado de Yuri. Mulheres japonesas não o atraíam, mas ela havia causado uma estranha fascinação nele. Com os olhos fixos nas pachinko dama, demorou a perceber que havia se transformado no objeto de desejo do homem ao seu lado. No momento em que ia pegar mais bolas Iuri a abordou.
Olhou para o bar e viu sua mulher entornar a terceira bloody mary. Entretanto, Iuri não falava japonês. Yuri olhava-o como se esperasse que aquele estrangeiro lhe dirigisse frases em sua língua mãe.
Ela sorriu. Cumprimentou-o em francês, inglês, italiano e russo. Ele sentiu-se aliviado. Convidou-a a sair dali. Sua mulher já estava no quinto drink. Yuri olhou para o bar e aceitou o convite.
Depois da nona bloody mary, a mulher de Iuri levantou-se apoiada pelo sócio e voltaram para o hotel. Arrumaram as malas e retornaram à Rússia no dia seguinte. No vôo de volta tomaram whisky cowboy.
domingo, 27 de agosto de 2006
sexta-feira, 14 de julho de 2006
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Flashback
Sexta-feira, Maio 13, 2005
Lavagem
- Essa batata não tá muito boa hoje...
- É que hoje é o dia de pagar os policiais.
- Que emocionante, estou comendo em um restaurante da máfia grega.
- Qual você acha que é a área deles?
- Tráfico de drogas?
- Não...
- Tráfico de crianças para a prostituição?
- Deve ser isso... Olha só aquele garçom de gravatinha... Ele tem cara de quem a qualquer instante vai sacar uma arma e atirar em todos no restaurante... Acho que vou lá falar com ele e pedir pra que não faça isso enquanto eu estiver almoçando aqui... Vai, termina logo de comer que eu quero fumar o meu digestivo.
Só pra constatar que se inspiraram em mim ao fazer Belíssima.
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Casamento
O pior é que eu acordei e fiquei sem saber quem era o meu noivo.
Instinto materno ainda vá lá, mas querer casar a essa altura do campeonato? Isso não!
O engraçado é que terminado o casório eu voltei pra casa. Nada de noivo nem de lua-de-mel. Só eu, mesmo...
quarta-feira, 28 de junho de 2006
O moreno
Sentei ao lado de um rapaz moreno, de cabelos curtos e alguns primeiros fios brancos.
Não gosto muito de paquerar, mas ele percebeu o meu interesse e começamos a conversar.
Atrás de nós estavam sentados dois mórmons barulhentos. Acho que queriam que todos no ônibus soubessem que eles eram gringos. Até hoje não entendi qual é a dos mórmons.
Quando me dei conta estava beijando o moreno. Descobri da pior maneira que não é algo muito confortável beijar alguém dentro de um ônibus em movimento.
Ao olhar novamente para o rosto dele me arrependi imediatamente do que tinha acontecido. Ele sorria para mim e perguntou-me se eu queria ser sua namorada.
Arregalei os olhos e aleguei que nem o conhecia. Ele ficou furioso. Só não me chamou de santa.
O ônibus chegou na minha rua e puxei a cordinha para descer. O moreno segurou o meu braço e começou a me ameaçar.
Consegui me desvencilhar dele, desci correndo até a minha casa.
Quando estava abrindo o portão, o ônibus dobrou a esquina.
Acordei.
Levantei-me, puxei a cordinha e vim andando até a minha casa.
sábado, 24 de junho de 2006
O que eu não sabia era que machucava mais estar ao lado dela enquanto pensava em outro, do que estar longe, me alimentando de um amor platônico. Aos poucos uma angústia tomou conta de mim, como se eu tivesse cólicas eternas. Toda vez que eu me deitava com ela podia ouvir seus pensamentos chamando o nome de outro homem. Chamei-a pelo nome da mãe dela, só para irritar.
Hoje estamos casados e com dois filhos.
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Hippie
No dia seguinte resolvi não esquentar com os homens e bebi litros e mais litros de cerveja. Quando me dei conta, estava achando que era o Gene Kelly, pulando nas poças d’água no meio da rua. Na hora não esquentei muito, achei que os suíços podiam gostar de um pouco de excentricidade brasileira.
No nosso terceiro dia na praia fui acometida de uma dor de cabeça lacerante e resolvi maneirar um pouco na bebida. Sóbria, aproveitei para visitar a feirinha de artesanato, de repente comprar um brinco, um colar... Enquanto eu passeava desinteressada fui abordada por um hippie, que segurou a minha mão e começou a me fazer um anel no formato de coração. Eu não me incomodei com as investidas dele, pelo contrário, algo naquele homem alto, moreno, descalço, cheio de dreads e tatuagens me agradou. O quê que é o mistério. Quando me dei conta estava atracada com ele no meio da rua.
Ao invés de um nórdico, eu fui dormir aquela noite com um hippie piolhento.
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Solidão
Certo, uma prece: por motivos sentimentais. Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietszche? Ah, que livro! Deus Todo-Poderoso, vou jogar limpo nesta questão. Vou Lhe fazer uma proposta. Faça de mim um grande escritor e eu voltarei à Igreja.
Puxei a cordinha do ônibus e desci na Prata. Olhei ao meu redor, mas não encontrei ninguém me esperando lá. Fui até a arvorezinha da esquina e me encostei nela para esperá-lo. Estava sem relógio e não tinha noção do tempo, mas imagino que tenha ficado esperando uma meia hora. Nesse meio tempo passou um carro cheio de homens fazendo gracinha para mim. Fechei a cara e olhei para o lado oposto.
Por mais que eu fizesse força para ter raiva dele, escancarei o sorriso quando o vi chegar. Deu-me um beijo no rosto e levou-me pela mão até sua casa. Senti um frio na espinha ao entrar lá. Tinha cheiro de homem. Fazia tempo que eu não sentia esse cheiro. Senti uma nostalgia maravilhosa. Passamos direto pela sala e fomos ao quarto dele. Afastou as cuecas e as meias jogadas em cima da cama para que eu me sentasse. Então começamos a nos beijar.
Ao fim da tarde ele vestiu as calças e acendeu um cigarro. Olhei para o lado e vi suas costas nuas. Sentei e comecei a me vestir. Quando eu já estava pronta, vestiu uma camisa branca, calçou as havaianas e abriu caminho até a parada do ônibus. Ao chegarmos ao ponto, beijou-me a testa e falou:
- Até amanhã.
sexta-feira, 21 de abril de 2006
A república dos belos
sábado, 18 de março de 2006
Ideologia
Por que logo o Cabral? Odeio gente burra. Acho que essa é a hora de me mudar... Ou seria a hora de mudar? Se o Cabral fosse eleito e eu estivesse ao lado dele, estaria feito na vida! Quem sabe eu não me lançaria na carreira política também?
Minha mãe vai ficar tão orgulhosa de mim! Tenho que ligar para dar-lhe as boas novas!
- Mãe!
- Pedro?
- Eu vou ser deputado, mãe!
- Você? Mas você sempre odiou política.
- Eu vou fazer as pazes com o Cabral e pedir a ajuda dele para lançar a minha carreira política!
- Você não ficou sabendo?
- Sabendo do quê?
- O Cabral morreu ontem, Pedro!
sábado, 7 de janeiro de 2006
MSN: Ara, caju!
vai ter xou de zeca baleiro de graça em aracaju
eu quero ir pra lá ;~~
Ega da Moela diz:
ehiehieheihei
eu nao
tenho medo de aracaju
Taï diz:
heuehuehue
medo por que?
Ega da Moela diz:
sei la
nunca gostei do nome
=P
Taï diz:
af
eu gosto de caju
Ega da Moela diz:
é, mas o q é um ara antes do caju?
soh pde ser bixinho da indigestao
=P
Taï diz:
é um matuto falando
jeuehuehuehuehuehe
ara, caju!
Ega da Moela diz:
hahahahahahhahahhahahaahahah
boa
=P
Taï diz:
heuhueuhehuehueuhehueueuheh
Ega da Moela diz:
entao, tenho medo de matuto com foice
=P
Taï diz:
afff
mas esse matuto só toma cana
Ega da Moela diz:
entao
pra matar e cortar em pedacinhos é dois minutos
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
BASEADO EM FATOS REAIS: Pênis
- Quer fazer o quê, menina?
- Tênis.
- Aaaah, tênis!
domingo, 11 de dezembro de 2005
13/06/05
Eu estava na casa de uma amiga, coisa cada vez mais rara nos últimos tempos, divertindo-me, quando recebi a ligação: minha mãe me dizia que ela estava morrendo. Ou quase isso. Na verdade só falou para eu comprar remédio quando voltasse para casa. Eu não me dei conta do quanto o organismo dela era frágil e nem me preocupei muito. Pensei: "quando eu estiver voltando compro". Fiquei um pouco preocupada, mas continuei lá.
Pouco depois minha mãe ligava novamente dizendo "deixa pra lá, agora não adianta mais". Foi aí que eu engoli um coco com um elefante pesando na minha cabeça. Eu andava triste com o fim do meu namoro, mas a morte dela foi o que me permitiu liberar toda a solidão e impotência que me consumiam. Eu me sentia cada vez mais incapaz de cuidar do que eu gostava.
Quando cheguei em casa ela estava deitada no chão do meu quarto, dura e morta, como um animal empalhado. tranquei-me no quarto e pela primeira vez depois de muito tempo, eu chorei de verdade. Sem medo de quem poderia me ouvir, sem apreensão do que poderiam pensar de mim. Chorei pela morte dela, pela partida dele, pela solidão que eu sentia. Chorei por todos os choros que prendi nos últimos tempos, por todas as mágoas que não liberei por não afogá-las o suficiente.
O pior foi que nessa situação eu sabia que só encontraria conforto nos braços que abandonei. Ela também era filha dele, só ele poderia me entender naquele momento.
Depois a irmã dela fugiu de casa.
Apesar de tê-las amado, decidi que não teria mais porquinhas-da-índia.
sábado, 3 de dezembro de 2005
sábado, 26 de novembro de 2005
Polishop
- Sim, querida?
- Eu já sei o que vou querer no dia das crianças.
- Ahn, é mesmo? Que bom... E... O que você vai querer, meu anjo?
- Eu quero um Invisible Bra.
- Um sutiã? Mas pra quê?
- E você ainda pergunta?
- Mas meu amor, seus peitos ainda nem cresceram!
- Ai mãe, o que são detalhes?
- Esqueça, Maria Luiza, eu não vou te dar esse sutiã.
- Tá bom! Então eu vou querer uma Flat Hose.
segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Eu gostaria de lhes apresentar a minha melhor amiga
- Se você torcer pro vasco eu te arranjo uma foto dos Hanson pelados - disse um garoto que morava no prédio da minha amiga.
- Combinado! - eu falei empolgada.
- Ela já torce pro Vasco - interrompeu a minha melhor amiga.
sábado, 19 de novembro de 2005
Golfinhos
- Sim.
- E aí, tá gostando?
- Mais ou menos.
- Por quê?
- Os golfinhos cantam...
sábado, 12 de novembro de 2005
A pata da caverna
Aí começou uma loucura sem fim. O cara não podia ir atrás do irmão e implorou que eu fosse no lugar dele. O que eu podia dizer? Ele estava desesperado. Achei que estivesse louco também, mas aí ele me levou até um lugar do colégio que tinha um buraco no chão que dava pra uma espécie de caverna subterrânea. Eu me senti o próprio Harry Potter. Mas ele pelo menos tinha poderes mágicos e uma amiga CDF. O cara nem pra me acompanhar, disse que eu tinha que fazer tudo sozinha. A única coisa que eu sabia do irmão da criatura era o nome dele. Ia sair pela caverna subterrânea da escola (que loucura, eu ainda não consigo acreditar no que digo!) perguntando o nome de tudo que encontrasse por lá. O que respondesse devia ser o irmão do carinha.
A primeira coisa que encontrei foi logo um velho. Eu estava com uma sacolinha cheia de comprimidos que não sabia ao certo pra que serviam, mas serviriam para o irmão do carinha e quando perguntei ao velho se ele podia me ajudar, me disse que já tinha feito muito por mim. Todos daquela escola eram loucos, ou então eu estava numa pegadinha.
O velho me disse que tinha feito a Julia Roberts pra mim. Eu fiquei olhando pra ele. Nem parecia ser um louco. Mas só podia. Como assim pra mim? Eu não era lésbica e tampouco fã da Julia Roberts. A existência ou não dela não fazia a menor diferença para mim. Eu nem morria de amores pelos filmes que ela tinha feito. Além dela, ele também me disse que tinha feito mais dois homens que eu não conhecia. Um se não me engano era um cientista que tinha criado uma espécie de carro aquático para o exército, ou qualquer coisa do tipo. O outro também era um cientista. Os dois homens criados para mim nasceram pelo menos uns quarenta anos antes de mim. Aquele velho só podia ser maluco. Segui em frente atrás do irmão perdido.
Fui informada de que o irmão do carinha, o Daniel tinha uns probleminhas. Mas acho que quem tinha problemas mesmo era o carinha e não existia Daniel nenhum. Quer nome mais óbvio? É tipo quando um cara vem perguntar o seu nome e você não quer responder e diz “Camila”. É universal. Mas mesmo assim, fui atrás do Daniel. Mesmo me sentindo uma pata. Eu sempre fui uma pata. E de qualquer forma, aquela caverna subterrânea era mesmo muito esquisita.
segunda-feira, 7 de novembro de 2005
(In)correspondência
Escrevo-lhe esta carta com o intuito de confessar o meu amor por você. Passo os dias observando as suas janelas e vendo o movimento das suas portas. Meu coração enche-se de felicidade quando tenho a sorte de vê-la saindo de casa ou chegando na mesma.
Meus únicos momentos de desilusão são quando vejo que és visitada por diversos homens. Se me deres a oportunidade, lutarei contra todos que se opuserem à sua pureza.
Atenciosamente,
Seu Admirador.
Caro admirador,
Fiquei surpresa e muitíssimo lisonjeada ao receber a sua carta.
Desde o final do meu último namoro eu vinha me sentindo muito só, e meus amigos foram os que me ajudaram a sair da fossa. Você mesmo, provavelmente não teria me olhado no estado deplorável no qual eu me encontrava antes de receber a força deles.
Então você se pergunta por que eu não pedi ajuda às minhas amigas. Simples: todas elas se encontram comprometidas, e acabamos nos afastando sem percebermos. Portanto, peço-lhe que não veja minhas amizades com eles com maus olhos, pois tratam-se todos de amigos do peito.
Querida Admirada,
É o fato de serem seus amigos do peito que me preocupa. Amigos do peito e de outras partes também.
Se me desses a honra de namorar-te, não precisarias da visitação de outros homens.
Sempre seu.
Sinto decepcioná-lo, mas eu jamais abriria mão das minhas amizades por causa de um namorado. Tenho os meus motivos para não acreditar na eternidade dos relacionamentos e mais ainda para acreditar na eteriedade dos namoros.
Percebo agora o quanto os homens devem tê-la machucado mas peço-lhe que confie em mim, e a farei feliz por toda a eternidade.
Por favor não me escreva mais. A última coisa que preciso é de um psicólogo amador. Espero que não responda essa carta nem escreva outras. Isso é um adeus.
Como posso deixá-la em paz se estou completamente apaixonado?
Simples. Não olhe mais as minhas janelas e esqueça as minhas portas. Não me escreva mais. Esta é a minha última carta endereçada a você.
Suplico-lhe que não me odeie! Eu só quero fazê-la feliz. Por favor me responda. Um beijo.
O que eu fiz para irritá-la? Fui eu descortez e indelicado em algum momento? E quem é aquele homem que tem ido à sua casa todos os dias?
Por que ele só sai da sua casa de madrugada? É mais um dos seus amigos? Sua puta! Eu vou me vingar.
Eu sei que já se passaram muitos anos e que você se mudou dessa casa logo depois que casou. Eu só queria dizer que ainda te amo.
sábado, 5 de novembro de 2005
Fique tício: bebe negão
- Ora, as coisas não são tão simples assim.
- Simples?
- É. Se for apenas esse o problema você só precisa rejeitar quando estiver pressentindo que vai ser rejeitada.
- Não adianta. Você pode até dizer que acabou, mas a rejeitada vai continuar sendo você.
- Eu acho é que você está sendo muito pessimista.
- De jeito nenhum. Estou sendo o mais otimista que posso. Ou pelo menos realista. Eu sei que sou eu a rejeitada dessa vez. Mas estou conformada com isso. Não foi a primeira vez e definitivamente não será a última. Mas por mais que os relacionamentos nos quais eu rejeitei tenham sido mais superficiais, acho que prefiro ser a “rejeitante”.
- Claro, você não é o peso.
- Exato, eu seria quem perderia o peso.
- Por falar em perder peso, estou precisando me exercitar.
- Vá pra academia. Fazer só sexo não adianta. Principalmente se você não faz mais, hehehe.
- Como você sabe?
- Eu estava brincando... Isso significa que você também é a rejeitada?
- Acho que quanto mais velhas ficamos maiores são as chances de sermos as rejeitadas, não é mesmo? Isso não acontecia quando éramos mais novas. Éramos nós que ficávamos fartas dos nossos namorados e acabávamos o namoro. Por que será isso?
- Não sei. Só sei que é um saco.
- Talvez homens gostem mesmo de ninfetas inexperientes.
- E você tinha alguma dúvida quanto a isso?
- Só você pra me fazer rir da minha própria desgraça desse jeito, hehehe.
- Ora, amiga é pra essas coisas. E de qualquer forma, ainda tem muito homem no mundo.
- Heterossexual?
- Bom...
- Eu já te falei do Rodolfo?
- Quem?
- Um rapaz dois anos mais novo por quem eu me interessei há uns três anos.
- Claro que eu não lembro.
- Bom, de qualquer forma, descobri essa semana que ele é gay.
- E daí?
- E daí? Daí que mesmo quando eu não sei que eles são, acabo me interessando por gays!
- É um karma.
- Karma o caralho. Aposto que é macumba.
- Ah, essa aposta é minha! Já marquei até hora em mãe-de-santo.
- Mãe-de-santo? Isso existe?
- Espero que exista. Com o preço que ela cobra dava pra comprar uma grade de cerveja.
- Aposto que o efeito seria o mesmo.
- Cerveja para curar mal-olhado?
- Vodca para trazer de volta a pessoa amada!
- Cachaça para tirar maldição!
- Vamos beber.
- “Eu vou beber pra esquecer meus pobremaaaaaaa!”
- Te amo.
- Também te amo, querida.
- Pena que você não tem um pinto.
terça-feira, 1 de novembro de 2005
Triângulo
A mafiosa-chefe era dessas mulheres que querem ao mesmo tempo serem fortes e femininas. Ela tinha uma pele morena reforçada por um bronzeamento natural intensivo e um cabelo duro estirado e pintado de loiro. Vestia uma calça jean com lycra, cintura baixa e um salto alto grosso, daqueles que sua vó usaria no seu casamento. Pra completar o quadro, vestia uma daquelas blusas assimétricas, deixando o braço direito descoberto. As companheiras dela eram assumidamente masculinas e usavam ambas os cabelos presos, calças jeans sem lycra e camisetas de algodão de um número menor que os delas.
Confortável com a bunda no meu sofá, a mafiosa-chefe começou a falar:
- Então, Thaïs, surpresa em me ver?
- Quem é você? - perguntei com a maior naturalidade do mundo. Pude ver a surpresa dela. Minha resposta tinha sido inesperada. Hohoho, otária. Ciente do seu deslize ela tentou recuperar seu ar de superioridade.
- Não precisa se fazer de desentendida, mona.
Mona?
- Eu sei que você se lembra de mim. Jamais esqueceria aquela que te ameaçou de morte.
- Morte? Você não está me confundindo com outra pessoa?
- Não se faça de idiota, eu não tenho tempo para as suas gracinhas. - ela me alertou já irritada.
- O que você veio fazer aqui? Me matar?
- Ainda não. Eu vim só te dar um aviso. Se afaste do meu homem, ou da próxima vez eu não serei tão educada.
- Educada? - seus olhos se encheram de fúria e emendei amedrontada - E será que você poderia me dizer ao menos quem é o seu homem?
- Você me irrita, garota!
- Me diga só o nome dele.
- Será que você é tão puta que nem sabe os nomes dos homens com quem dorme?
- Eu sei os nomes de todos, só não faço idéia qual deles seria o "seu". Até onde eu sei, nunca dormi com um homem que estivesse comprometido com outra.
A mafiosa se calou. Olhei para a porta e as duas outras se entreolharam. Por um momento eu pensei que fosse morrer.
- Nós ainda não estávamos comprometidos. Mas ia rolar. Teria rolado se você não tivesse aparecido.
- Olha, eu nem sei de quem você está falando ainda, mas foi uma casualidade. Não era pra ter acontecido entre vocês, é só você partir para outra.
- Ele não partiu para outra! Você partiu o coração dele e eu tentei consolá-lo inúmeras vezes, mas ele não queria saber de mim.
- Olha, eu sinto muito...
- É claro que sente! Todos sentem! Sentem tanto quanto eu!
Ela estava descontrolada.
- Bom, de qualquer forma, pelo que você está dizendo nós nem estamos mais juntos, então o que veio fazer aqui?
- Eu vim te avisar para ficar longe dele. Finalmente estou conseguindo me reaproximar dele e não quero que você estrague tudo novamente, "capitchi"?
- Sim, capisco.
- Você já sabe de quem eu estou falando?
- Acho que sei...
- Ótimo. Então espero que esse seja o nosso adeus.
A mafiosa se levantou do meu sofá e desligou o som, interrompendo Billie Holiday no meio de The man I love, e se juntou novamente às suas guarda-costas na porta. Virou-se mais uma vez para mim e apontou em minha direção, fazendo o sinal de uma arma. Fingiu atirar e piscou o olho. Depois deu-me as costas e foi embora, seguida pelas guarda-costas brutamontes.
Após a saída dela fui até a porta e a tranquei o máximo possível. Fui despindo as minhas roupas até chegar no meu quarto e ser puxada para a cama.
- Ela já foi?
- Já. E me ameaçou de novo.
- Me desculpa. Eu só era simpático com ela porque tinha medo das duas brutamontes. Afinal, eu não bato em mulher.
- Sim, claro.
- Escuta, você quer casar comigo?
- Não.
- Por que não? Não precisa ter medo dela, ela só faz falar, não é do tipo que se arrisca a ter a ficha suja.
- Não é isso.
- Então o que é?
- É que... - hesitei.
- Pode falar, não precisa ter medo.
- Eu não te amo.
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Gatos em pedaços
quinta-feira, 13 de outubro de 2005
O submarino voador
Um dia eu conheci um homem. Maravilhoso, encantador, etc e tal. O homem dos meus sonhos. Eu o desejava e ele a mim. Ele veio até a minha casa e descobriu o submarino. Ficou fascinado. Lembrou-me até o Dean Moriarity. Foi até o quarto do meu irmão para pedir a autorização dele para andarmos no submarino. Foi expulso pelos gritos da talzinha. Saímos no submarino sem a autorização, mesmo.
Era um sonho. Ele parecia saber de tudo. Conhecemos tantos lugares e pessoas fantásticas...
O submarino do meu irmão também voava. Era isso que fazíamos a maior parte do tempo. Não lembro direito o motivo, mas precisávamos deixá-lo mais rápido, então voltamos pra casa. Eu, Dean, o submarino e um maluco que ele dizia ser o seu mestre, que também era terrivelmente charmoso.
Mostrei um treco de hidrogênio que meu irmão sempre quis montar no submarino mas não pôde depois que começou a namorar o monstro. Ao ouvir a nossa algazarra (Dean e seu mestre eram muito afobados) meu irmão veio correndo para o quintal. As atitudes dele pareciam as da monstrinha dele (ela na verdade era linda, mas tinha uma personalidade terrível), brigando e gritando conosco por causa do submarino. Eu disse a ele que tínhamos feito o submarino voar, e que tínhamos voltado para pôr o treco de hidrogênio que ele tinha arranjado. Depois de tanto tempo, os olhos dele começaram a brilhar novamente, e meu irmão se juntou a mim e a Dean no aperfeiçoamento do nosso submarino. A monstrinha tinha sido abandonada e só fazia resmungar pela casa, e o mestre só saía pra beber e curtir, chamando sempre todos os rapazes pra sair. Eu fui deixada de lado assim que o submarino pousou no meu quintal.
Um belo dia, cansados do trabalho, meu irmão, Dean e o mestre saíram para relaxar. Como o mestre passava o dia relaxando, voltou mais cedo.
- E aí, menina?
- Oi, mestre. De volta tão cedo? Logo você?
- É que eu não me dei tão bem quanto os rapazes.
- Como assim?
- Você sabe...
Eu entrei em pânico. Obriguei o mestre a me levar onde eles estavam, mas ele se recusava. O monstrinho também tinha ouvido, mas ela andava cada vez mais quieta, só se recolheu chorosa para o quarto do meu irmão.
O mestre também sentia uma atração por mim. Foi aí que viu a sua chance, resolveu me levar. Ele me mandava olhar pra cima o tempo todo. Até que os vi. Nem reparei na companhia do meu irmão, mas o meu Dean estava com uma negra de pernas enormes e cabelos curtos. Fiquei em estado de choque por longos minutos, até que o mestre me arrastou de volta pra casa.
Antes que eu começasse a chorar olhei pro rosto dele e me deparei com aqueles olhos dos quais eu fugia diariamente para não ceder ao desejo. Agora eu não tinha mais essa obrigação. Não precisava mais me manter fiel ao Dean. Abri a porta do submarino e o chamei para dentro. Assim que ele a fechou eu o ataquei. Pulei na sua boca como se quisesse toda sua saliva para mim, enquanto ele apertava o meu corpo como se quisesse arrancar pedaços e guardá-los para si ou comê-los.
A partir daquele dia fazíamos sexo sempre que meu irmão e Dean saíam sós. Dean via as marcas no meu corpo, mas nunca falávamos sobre elas. Claro que o mestre tinha outras mulheres quando saía só, mas isso não me dizia respeito.
- Viu só, cara? Teu mestre só sai sozinho agora.
- Vai ver ele se cansou de ouvir vocês falarem sobre esse submarino.
- Ih, minha irmãzinha tá parecendo alguém que eu conheço...
- Não me compare à sua monstrinha. Fui eu quem uniu vocês dois e fez esse maldito submarino voar, pra início de conversa.
- E aposto que agora se arrepende!
- Não me arrependo, só gostaria que vocês saíssem menos e terminassem logo essa arrumação.
Dean ficou calado o tempo todo. Nós quase não nos falávamos mais. A única coisa que estava cada vez melhor era o sexo. Talvez ele tivesse aprendido com as vadias que catava na rua. Talvez eu tivesse aprendido com o mestre. Talvez ambos. A única coisa que sei é que o sexo estava melhor do que nunca.
Um dia entrei no submarino com o mestre e ele estava gelado, cheio de pedaços de gelo. Estávamos prontos para partir. Isso que meu irmão e Dean tinham saído para comemorar. Provavelmente seria a minha última transa com o mestre, já que passaríamos a maior parte do tempo voando juntos no submarino que, devo acrescentar, não tinha cômodos.
No dia seguinte entramos eu, o mestre, a monstrinha (afinal, ela ainda era a noiva do meu irmão), meu irmão e Dean. Achei que assim que voltássemos todos ao submarino eu voltaria a ser a garota dele, mas ele continuava tão frio quanto aquela nave.
Foi uma loucura. Voávamos a uma velocidade incrível. Meu irmão e Dean tinham feito um trabalho maravilhoso. Imagino como tenha sido a comemoração deles. Nós quase passamos ilesos por uma ventania. Se a nave tivesse menos gente teríamos passado numa boa, mas cinco pessas era demais para aquela banheira. A monstrinha começou a chorar e reclamar. Tava na cara que meu irmão já não agüentava mais. Largou a menina no meio do nada, chorando. Eu quase senti simpatia por ela. Meu irmão tinha sido muito cruel. Será que Dean seria cruel assim comigo? Será que meu irmão deixaria?
O mestre passou a me tratar como uma desconhecida depois que a nave decolou. Eu estava cada vez mais triste. O único que não me ignorava naquele lugar era o meu irmão. Graças a ele eu ainda não tinha me jogado lá de cima. O mestre estava tentando se aproximar novamente de Dean, mas ele também só conversava com o meu irmão.
Depois de um tempo comecei a sentir uma fúria nos olhos do mestre. Acho que tanto tempo dentro de um lugar fechado não estava fazendo bem a ele. Sugeri ao meu irmão que descêssemos um pouco. Ele adorou a idéia, afinal, estávamos acima de um belo campo aberto. Um pouco de contato com a natureza ia fazer bem, pensei.
Então Dean pousou a nave e descemos todos. Tentei me aproximar do mestre, mas ele me repeliu como se faz a uma muriçoca. Decidi me deitar um pouco na grama. Tirei um bom cochilo. Como era bom finalmente esticar as pernas. Acho que eu também estava ficando louca depois de tanto tempo trancada naquele lugar pequeno. Acordei com Dean deitado ao meu lado, me abraçando. Fiquei tão feliz. Queria beijá-lo e abraçá-lo de volta, mas ele fingiu estar dormindo. Olhei ao meu redor e vi o meu irmão. Só estávamos nós três lá. O mestre tinha sumido. Levantei-me para te rum ângulo de visão melhor e Dean me olhou com aqueles olhos carinhosos de antes. O mestre tinha sumido mesmo.
Peguei a mão de Dean e o conduzi até o submarino (que de submarino só teve o nome), fechei a porta e o beijei. Céus, que saudades eu tinha daquele beijo! O sexo tinha melhorado depois do mestre, mas Dean tinha parado de me beijar. Mas agora não, agora ele me beijava com a mesma paixão dos nossos primeiros beijos, me abraçava como se tivesse medo que eu fosse embora assim que ele me soltasse. Eu me sentia desejada novamente, depois de tanto tempo apenas desejando. Eu não queria saber de preliminares, eu só queria o Dean em mim, estava alucinada. Meu irmão passou a noite do lado de fora, porque Dean e eu precisávamos de muito tempo para matar as saudades. Foi tudo muito diferente. Pela primeira vez eu voei sem precisar do submarino.
segunda-feira, 3 de outubro de 2005
Paradise Kiss, de Ai Yazawa

- Entendo. Então o Arashi Gritou com ela... e ela foi embora. Eu deveria saber que você iria ferrar com tudo, Arashi. Nunca confie a um garoto o trabalho de um homem.
- ... Johji! Nem vem, tenho ensaio da banda! NÃO ENFIA ISSO NA MINHA BUNDA, SEU MALDITO!
- ENTÃO NÃO DIGA MEU NOME EM KANJI!
- BESTEIRA! É O MESMO SOM, SEU FRUFRU!
- "ESTILO IMPORTA ATÉ MESMO QUANDO SE VAI MATAR" ISSO FOI O QUE BRYAN SLADE DISSE!
- Quem é esse idiota?
- George está sob influência de outro filme.
- Miwako também gostou! "Velvet Goldmine". Miwako viu três vezes.
Disponível em http://www.tsumi.cjb.net
segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Entre castelos e princesas
Ao contrário dos clássicos da Disney (Cinderela, Branca de Neve, A Pequena Sereia, A Bela Adormecida...) e de outros clássicos da literatura infantil que fazem parte da infância das nossas crianças (Chapeuzinho Vermelho, etc), as estórias mostradas nos filmes de Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro, Castelo Voador) podem ser um bom exemplo para as crianças (principalmente as meninas).As personagens dos filmes de Miyazaki estão longe do padrão dos irmãos Grimm de jovens de beleza invejável que são castigadas por serem belas e no fim são salvas pelo belo príncipe. Nausicäa do Vale dos Ventos (Kaze no tani no Naushika) foi o filme que estabeleceu as bases para a fundação do Studio Ghibli. Baseado em uma obra do próprio Miyazaki, conta a estória de uma garota que luta para salvar a terra em que vive. Um detalhe interessante do filme é a lenda presente na estória, onde é dito que apareceria um salvador para a terra. Como é de se imaginar depois do meu discurso, o que apareceu foi uma salvadora. A Princesa Mononoke (Mononoke Hime) é um dos filmes mais consagrados de Miyazaki. Protagonizado por Ashitaka, um jovem que é responsável pela harmonia da humanidade com a natureza, estando presente para ajudar San, uma jovem que vive na floresta e é tida como filha por uma loba gigante, e por estar sempre tentando conscientizar a sociedade que depende da senhora Eboshi. Nesta estória, o rapaz está constantemente suscetível às sociedades matriarcais, já que Eboshi e San estão longe do padrão "princesa" citado nas estórias do início desse texto, mesmo tendo o filme o título que tem.
Mas não precisamos voltar tanto no tempo (Nausicäa foi produzido em 1984 e Mononoke em 1997), lembremos de A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi), de 2001. Menos independente do que Nausicäa, San e Eboshi, Chihiro tem a ajuda de várias pessoas durante a estória para conseguir salvar seus pais, que foram transformados em porcos. Ela chora em vários momentos do filme, como toda criança chora. Sim, esqueci de mencionar que ela é uma criança. Já vi em uma sinopse a descreverem como "uma criança mimada", mas ela mostra durante o decorrer do filme a perseverança para salvar os pais, que a maioria de nós deve se perguntar se teria a força dela para levar a situação. Este é o único filme de Miyazaki (e do Studio Ghibli) licenciado e disponível em DVD no Brasil.
Este ano foi lançado o último filme dirigido por Hayao Miyazaki: Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro), baseado no livro Howl's Moving Castle, de Diana Wynne Jones. Ainda disponível em alguns cinemas do país, a estória de Sophie me comoveu a ponto de escrever esse texto. Logo no início do filme ela é transformada em uma velha de noventa anos e por isso foge da cidade para não ter que enfrentar os seus conhecidos; assim ela acaba chegando no castelo de Howl, um jovem e belo mago. Uma beleza até digna de um príncipe, mas ele nem ao menos consegue desfazer o feitiço que a Bruxa da Terra Abandonada solta em Sophie, além de fugir constantemente dela e da madame Suliman, sua antiga tutora. Mesmo no meio de todos esses feiticeiros (e principalmente feiticeiras), é Sophie que, transformada em uma idosa, tem a força para levar adiante os ânimos dos personagens do filme.
Na hora que seus filhos lhe pedirem para que leia um livro antes de dormir, procure algo além de A Bela Adormecida. Quando forem na locadora e ele não souber o que levar, não leve sempre Branca de Neve e os Sete Anões. E tenha em mente que um desenho animado pode muitas vezes ser mais rico e interessante do que os cinqüenta filmes de super-heróis que são lançados. Nesse texto enfoquei as estórias infantis, mas há outros desenhos com temas mais adultos que são muitíssimo interessantes, mas seria difícil encontrá-los em português fora da internet.
sexta-feira, 23 de setembro de 2005
Psicologia de outro vencido
terça-feira, 20 de setembro de 2005
25 de outubro
- livro "Dance Dance" de Haruki Murakami, editora Estação Liberdade (se não achar esse pode me dar qualquer outro livro desse autor, as editoras que o publicaram foram Estação Liberdade e Objetiva).
- livro "Chega de Saudade" de Ruy Castro, editora Companhia das Letras.
- livro "As Irmãs Makioka" de Jun'ichiro Tanizaki, editora Estação Liberdade.
- CD da Bebel Gilberto, tá por "apenas" R$ 50,00 nas Lojas Americanas. Mas é duplo!
- CDs ou vinis de bossa nova e/ou jazz. Se preferir também aceito um aparelho que toque vinil. Que esteja funcionando, de preferência.
- passagem de avião de ida e volta pro Rio de Janeiro (eu enjôo viajando de ônibus). Em janeiro. São vinte anos, meu povo!
- camisetas do site Gambler$ (exceto as pretas com logo vermelho, por favor ;P): Miyavi, Kagrra, Dir en grey e em último caso Malice Mizer ou Pierrot.
- tinturas Jeans Color do site Gambler$ azul ou verde. Se alguém quiser pode me dar também uma lente de contato, mas duvido que alguém vá querer...
Em último caso, compre a primeira coisa japonesa que vir pela frente. Mas só em último caso. E o meu Philipps Massager minha mãe já disse que me dava ;D
Por enquanto é só, pessoal!
sábado, 17 de setembro de 2005
Chuva de cinzas
sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Consciência sem correção e com rabiscos
quinta-feira, 15 de setembro de 2005
quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Homem casado mente rápido
- Quando eu tiver dinheiro.
- Vamos fazer um acordo? Eu pago e você faz a tatuagem.
- Só isso?
- Só. Mas peraí, onde você vai fazer a tatuagem?
- Eu tava pensando em fazer nas costas...
- Ah não, nas costas não tem graça.
- E você quer o que? Que eu faça uma na bunda, também?
- Pode s... Peraí, por que também?
- Você me disse que tinha uma tatuagem na bunda.
- Não, eu tinha feito uma tatuagem de henna...
- Ah tá. Sei...
domingo, 11 de setembro de 2005
Ave Maria
- Não. Estou com a minha amiga Affy Maria.
- Quem?
- Affy Maria.
- Ah... E a Maria foi dar uma volta?
- Não, ela está bem aqui, sentada ao meu lado.
- Ah, Entendi. Tá fazendo jogo duro, né? Adoro garotas brabas!
- Bom pra você. Affy Maria é o cão. Vou até deixá-los a sós.
Ela se levanta e sai andando.
- Garota maluca... Afe.
sábado, 10 de setembro de 2005
BASEADO EM FATOS REAIS: Vira vira
- Pai, o que é suruba?
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
Decidi escrever algo. O livro também falava sobre leitores e escritores, mas aposto que o escritor jamais pensou em por sua personagem rabiscando garranchos ao tentar produzir dentro de um ônibus que passava em uma estrada esburacada. Pergunto-me se ele próprio já escreveu em tais condições.
Um cheiro de merda me sobe às narinas e fico imaginando como haveria ele entrado em um ônibus climatizado.
Ônibus, merda e estrada esburacada acabam com a inspiração de qualquer um. É melhor eu voltar pra Grécia.
Essa viagem me mostrou um Brasil que eu queria esquecer. Um Brasil que me obriga a me sentir privilegiada, mesmo não o sendo.
quinta-feira, 1 de setembro de 2005
Over the arco-íris
Ela caiu e pude ver o arco-íris que se formava no céu. Olhei para ele e me lembrei da minha infância e de todas as mágicas nas quais acreditava. Pensei que não havia momento melhor para pôr uma delas à prova.
Nunca pensei que fosse tão difícil chegar ao fim dor arco-íris. Escapei de ser atropelado umas vinte vezes e ouvi inúmeros xingamentos direcionados à minha pessoa, mas, inacreditavelmente, cheguei lá.
Procurei o pote cheio de moedas de ouro, mas ao invés disso encontrei a discografia completa do Chico Buarque.
domingo, 28 de agosto de 2005
Panqueca americana
- O correto seria "vá à merda".
- Foda-se. Tome no cu. Quebre a perna, perca a mão, fique cego, tenha um câncer e uma infecção generalizada. Mor-ra.
quarta-feira, 24 de agosto de 2005
O Novo Testamento segundo Thaïs
Ateus.net
terça-feira, 23 de agosto de 2005
sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Em Brasília...
Nesse momento um grito ecoa do fim da sala:
- Bicha!
terça-feira, 9 de agosto de 2005
Pé, mão, e cabeça na estrada
Juntei a grana que tinha ganhado da minha vó no natal e peguei um ônibus até a BR para Recife. Lá comecei a pedir caronas. Imaginei que seria mais fácil para mim, pelo fato de eu ser mulher. Não cheguei a pegar chuva nem nada. Consegui uma carona até Goiana e lá passei a noite para descansar um pouco. Eu estava meio preguiçosa, provavelmente não tinha pego ainda o espírito da estrada.
No dia seguinte voltei para a beira do asfalto e comecei a balançar minha mão. Eu estava com menos sorte nesse segundo dia e tive a brilhante idéia de pôr uma saia pra chamar mais atenção. Foi pei, buf. Em quinze minutos eu estava dentro de um carro com mais dois homens a caminho de Maceió. Boa carona, pensei eu.
Passamos de Recife e já perto da fronteira com Alagoas o rapaz que estava dirigindo entrou em uma estrada de terra. Era óbvio que aquele não era o caminho para Maceió. Mas já era cerca de cinco horas da tarde, achei que eles pudessem estar procurando um restaurante para jantar.
Cada vez ficávamos mais longe da civilização e passei a ficar mais aflita. Perguntei ao colega dele por que estávamos indo naquela direção e o outro freou o carro bruscamente. Parecia que eles estavam só esperando essa pergunta minha. Malditos carros de duas portas. Cada um trancou a sua respectiva e passou para o banco de trás, ficando cada um de um lado meu. Suei frio, senti uma dor de barriga estranha, uma vontade de vomitar, fiquei desesperada. Me agarrei à minha mochila e eles me agarraram. Gritei e o motorista me mandou calar a boca. Esperneei e ele mirou o cano de uma arma na minha testa. Falou que se eu resistisse morria ali, on the road. Esbravejei que preferia morrer a me deixar se estuprada e ainda cuspi no olho dele. Haha. Que satisfação. Pei, no meio da testa e buf no banco do carro.
Eu estava com menos sorte no segundo dia.
sábado, 6 de agosto de 2005
Dez é um real
Vi aquele homem entrando no ônibus com um macacão azul e uma fala mecânica. Demorei para entender o que ele dizia.
- Dez para sair, obrigado e boa viagem.
Mas quando ele se aproximou vi que carregava algum doce na mão.
- Dez é um real e dá direito a um chocolate.
A mulher sentada mais próxima de mim perguntou se ele vendia pastilha e o homem dos caramelos respondeu:
- Dez é um real, tem de doce-de-leite e chocolate.
Só então entendi o que diabos o homem do macacão azul repetia como um robô.
sexta-feira, 5 de agosto de 2005
Caçando calangos: primeiro capítulo III
Malditos sulistas e malditos nordestinos. Eu estava cagando e andando pra toda essa história de levar o calango pro sul. Eu queria ficar junto da minha família, do meu namorado, da minha cadela, queria continuar o meu curso (que agora eu provavelmente seria muitíssimo prejudicada sendo reprovada por faltas), queria arranjar um trabalho pra comprar aquele depilador eletrônico, queria comprar uma roupinha pra minha cadela não passar frio e queria continuar minha coleção de mangá.
Mas não, vá ajudar os fracos e oprimidos nordestinos que estão sendo tão injustiçados. E não sou eu uma fraca e oprimida nordestina? Quer injustiça maior que obrigar uma jovem de dezenove anos a obedecer um maníaco que acredita ter o plano perfeito para acabar com os preconceitos contra os paraíbas?
No Rio de Janeiro fui hospedada em um quarto com apenas uma cama de solteiro (o maldito nem pra me arranjar uma cama de casal), um computador ligado à internet e um guarda-roupa. Como não tive tempo nem de pegar um livro antes de sair de casa, só me restou o computador para entretenimento. Depois de colocar minhas roupas todas no guarda-roupa, liguei o computador e tive mais notícias do calango chefe.
quarta-feira, 3 de agosto de 2005
Era uma vez
Eram duas vezes duas irmãs. Eram sim, porque mais tarde cada uma debandou para seu lado na vida.
terça-feira, 2 de agosto de 2005
Haikai
Spik(sic)tupinik
(Glauco Mattoso)
Rebel without a cause, vômito do mito
da nova nova nova nova geração,
cuspo no prato e janto junto com palmito
o baioque (o forrock, o rockixe), o rockão.
Receito a seita de quem samba e roquenrola:
Babo, Bob, pop, pipoca, cornflake;
take a cocktail de coco com cocacola,
de whisky e estricnina make a milkshake.
Tem híbridos morfemas a língua que falo,
meio nega-bacana, chiquita-maluca;
no rolo embananado me embolo, me embalo,
soluço - hic - e desligo - clic - a cuca.
Sou luxo, chulo e chic, caçula e cacique.
I am a tupinik, eu falo em tupinik.
bunda no trono
assim que amanhece
dor de barriga
quinta-feira, 28 de julho de 2005
Caçando calangos: primeiro capítulo II
Esperei que fosse tudo um mal-entendido. Esperei que o subalterno dele fosse mais idiota que eu e tivesse abordado a garota errada, mas eu sabia que isso era muito improvável. Alguém que soubesse tanto da minha vida não cometeria um erro tão banal. A única coisa inaceitável era abaixar a cabeça para tudo e seguir copiosamente o plano desse tal C.
Escrevi novamente para o e-mail dele, mas a única resposta de recebi foi uma “mail delivery failed”. E agora? Seria eu obrigada mesmo a largar tudo e ir pro Rio de Janeiro como queria o maldito?
No dia seguinte acordei com dois homens batendo na minha porta. Às cinco da manhã, acordei com o barulho da campainha. Campainha maldita, olha a hora que voltou a funcionar. Devia ter continuado quebrada. Enrolei-me no roupão e meti a cara na janela, louca para xingar um. Ainda com a vista meio embaçada, vi do outro lado do muro dois homens de estatura média, com uma pele morena desbotada e um cabelo castanho cortado de qualquer jeito que não chame a atenção. Vestidos de marrom da cabeça aos pés, gritaram ao me ver na janela:
- Arrume-se, viemos te buscar!
Entrei em pânico. Abaixei-me bruscamente e fiz o maior esforço para pensar em algo a uma hora daquelas. Mas eu não era uma pessoa produtiva pela manhã...
quinta-feira, 21 de julho de 2005
Para Quaintance,o leitor crítico sabe que o seu atual repertório de informações é confiável porque é submetido a constantes avaliações. Ele também sabe o valor relativo de cada elemento da sua hierarquia de valores. Ele está consciente dos conceitos que são estrelas e constelações a guiar sua vida, dos conceitos que são satélites dependentes, dos conceitos que são apenas meteoros de breve intensidade.
Para Quaintance, o leitor crítico é um computador.
* SILVA, Ezequiel Theodoro da. Criticidade e leitura: ensaios. Campinas; SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1998 (Coleção Leituras no Brasil).
terça-feira, 19 de julho de 2005
sexta-feira, 1 de julho de 2005
Caçando calangos: primeiro capítulo I
O sertanejo tinha esquecido de me dizer para qual e-mail mandaria as informações. Imaginei que fosse o e-mail do meu MSN, já que ele estava disponível no meu fotolog e orkut. Não era. Comecei a pensar que ele estivesse blefando. Onde ele encontraria os endereços dos meus outros e-mails? Vasculhei o meu gmail, mas fui encontrar o e-mail do calango chefe no endereço que eu só divulgava aos meus amigos. O homem tinha mesmo pesquisado sobre minha vida.
Boa noite.
Sei que você deve estar confusa a essa altura, mas espero que entenda melhor o meu propósito depois de ler esta mensagem.
Meu subalterno deve ter lhe informado do supérfluo, e para isto estou escrevendo-lhe este e-mail. Infelizmente não posso encontrá-la pessoalmente, estou atualmente morando em São Paulo. Aliás, foi aqui que conheci o autor do cordel que pedi para que te entregassem. Só depois que passei a trabalhar com construção civil pude perceber como os nordestinos que fugiram da seca vêm sofrendo física e psicologicamente. Sei que você é uma garota inteligente e vai me ajudar a combater esse problema.
Por enquanto, envio-te apenas essa MP3 anexa. A música é de um grupo chamado Cordel do Fogo Encantado e tem muito a ver com o tema que estamos discutindo.
Amanhã enviarei outra mensagem dizendo tudo que quero que você faça. Sei que depois de ouvir essa música não terá mais dúvidas quanto à sua missão.
Até a próxima,
C.
O e-mail não serviu para tirar minhas dúvidas. Aliás, só me deixou mais irritada. Eu conhecia o grupo que ele mencionou, o nome da música que ele mandou anexa era Morte e vida Stanley. Fiz o download e comecei a escutá-la enquanto pensava na merda na qual tinham me jogado. Resolvi responder o e-mail do calango chefe:
Obrigada pela música, é mesmo muito boa. No mais, não tenho o que agradecer. Eu gostaria que você parasse de brincar com a minha vida e dissesse de uma vez o que está tramando.
É engraçado você dizer que eu sou uma garota inteligente, porque o seu “subalterno” discorda piamente da sua opinião.
Atenciosamente,
Garota Calango
E esperei ansiosamente pela resposta no dia seguinte. Aliás, esse maldito mobilizou o resto da minha vida. Não me interessava por qualquer coisa na internet que não fossem meus e-mails. Não tinha mais vontade de ver meu namorado e minha cadela estava carente. O calango já estava roubando três dias da minha vida, eu tinha que dar um basta nessa situação.
Exatamente ao meio dia a resposta chegou.
Minha querida,
Não se preocupe com o que diz o meu subalterno, ele é um idiota.
Agora eu já sabia porque o homem calango tinha tanto gosto em me chamar assim.
Voltando ao que nos interessa, não imaginei que a minha intromissão fosse deixá-la possessa. Peço desculpas quanto a isso. Espero que entenda o quanto é necessária para mim. É óbvio que não a escolhi aleatoriamente. Peço desculpas novamente, por ter me intrometido tão profundamente na sua vida, imagino o desconforto que isso deve estar lhe causando.
Como prometido, irei dizer-lhe agora o que quero que faça por mim. Infelizmente, preciso dizer que isso não é um pedido. Você não está em condições de se recusar a fazer o que eu quero. Só espero que reaja melhor que o meu subalterno que conheceu. Ele foi muitíssimo mal-educado.
Em primeiro lugar, espero que tenha entendido que apenas usei o calango como metáfora. Da mesma maneira poderia ter escolhido o peba ou o urubu, mas tenho certeza de que sabe tão bem quanto eu o quanto os nascidos na parte sul do país gostam de associar a nossa imagem á de caçadores de calango vestidos de cangaceiros.
Eu preciso que você se torne uma estrela nacional. Se possível internacional. Sei o quanto adora cantar e escrever, e preciso de uma jovem paraibana para mostrar ao país e talvez até ao mundo que precisam abrir a cabeça e os olhos. Não se preocupe com a mídia, eu cuido dela. Quero apenas que vá para o Rio de Janeiro e lá receberá o resto das instruções. Creio que essa será a última vez que nos falaremos, então gostaria de agradecer de antemão o favor que fará a todos os seus conterrâneos.
E não se preocupe com meus outros subalternos, serão todos mais simpáticos que o primeiro.
Um abraço sincero do seu amigo,
C.
PS.: Adorei o codinome que adotou.
No final das contas, o e-mail dele não esclareceu muita coisa. Pareceu-me um riquinho querendo entrar na indústria da música. Mas se fosse só isso não faria sentido ter escolhido a mim. Com certeza existiriam milhares de garotas pelo mundo que cantariam melhor que eu e seriam mais bonitas também. Não que eu seja feia...


