segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Entre castelos e princesas

Ao contrário dos clássicos da Disney (Cinderela, Branca de Neve, A Pequena Sereia, A Bela Adormecida...) e de outros clássicos da literatura infantil que fazem parte da infância das nossas crianças (Chapeuzinho Vermelho, etc), as estórias mostradas nos filmes de Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro, Castelo Voador) podem ser um bom exemplo para as crianças (principalmente as meninas).
As personagens dos filmes de Miyazaki estão longe do padrão dos irmãos Grimm de jovens de beleza invejável que são castigadas por serem belas e no fim são salvas pelo belo príncipe. Nausicäa do Vale dos Ventos (Kaze no tani no Naushika) foi o filme que estabeleceu as bases para a fundação do Studio Ghibli. Baseado em uma obra do próprio Miyazaki, conta a estória de uma garota que luta para salvar a terra em que vive. Um detalhe interessante do filme é a lenda presente na estória, onde é dito que apareceria um salvador para a terra. Como é de se imaginar depois do meu discurso, o que apareceu foi uma salvadora. A Princesa Mononoke (Mononoke Hime) é um dos filmes mais consagrados de Miyazaki. Protagonizado por Ashitaka, um jovem que é responsável pela harmonia da humanidade com a natureza, estando presente para ajudar San, uma jovem que vive na floresta e é tida como filha por uma loba gigante, e por estar sempre tentando conscientizar a sociedade que depende da senhora Eboshi. Nesta estória, o rapaz está constantemente suscetível às sociedades matriarcais, já que Eboshi e San estão longe do padrão "princesa" citado nas estórias do início desse texto, mesmo tendo o filme o título que tem.
Mas não precisamos voltar tanto no tempo (Nausicäa foi produzido em 1984 e Mononoke em 1997), lembremos de A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi), de 2001. Menos independente do que Nausicäa, San e Eboshi, Chihiro tem a ajuda de várias pessoas durante a estória para conseguir salvar seus pais, que foram transformados em porcos. Ela chora em vários momentos do filme, como toda criança chora. Sim, esqueci de mencionar que ela é uma criança. Já vi em uma sinopse a descreverem como "uma criança mimada", mas ela mostra durante o decorrer do filme a perseverança para salvar os pais, que a maioria de nós deve se perguntar se teria a força dela para levar a situação. Este é o único filme de Miyazaki (e do Studio Ghibli) licenciado e disponível em DVD no Brasil.
Este ano foi lançado o último filme dirigido por Hayao Miyazaki: Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro), baseado no livro Howl's Moving Castle, de Diana Wynne Jones. Ainda disponível em alguns cinemas do país, a estória de Sophie me comoveu a ponto de escrever esse texto. Logo no início do filme ela é transformada em uma velha de noventa anos e por isso foge da cidade para não ter que enfrentar os seus conhecidos; assim ela acaba chegando no castelo de Howl, um jovem e belo mago. Uma beleza até digna de um príncipe, mas ele nem ao menos consegue desfazer o feitiço que a Bruxa da Terra Abandonada solta em Sophie, além de fugir constantemente dela e da madame Suliman, sua antiga tutora. Mesmo no meio de todos esses feiticeiros (e principalmente feiticeiras), é Sophie que, transformada em uma idosa, tem a força para levar adiante os ânimos dos personagens do filme.
Na hora que seus filhos lhe pedirem para que leia um livro antes de dormir, procure algo além de A Bela Adormecida. Quando forem na locadora e ele não souber o que levar, não leve sempre Branca de Neve e os Sete Anões. E tenha em mente que um desenho animado pode muitas vezes ser mais rico e interessante do que os cinqüenta filmes de super-heróis que são lançados. Nesse texto enfoquei as estórias infantis, mas há outros desenhos com temas mais adultos que são muitíssimo interessantes, mas seria difícil encontrá-los em português fora da internet. Posted by Picasa

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Psicologia de outro vencido

Eu tinha orgulho de nunca ter tido grandes arrependimentos na vida. Eu poderia até dizer que estava vivendo da melhor maneira possível. Mas hoje eu gostaria de refazê-la. Eu sei, eu sou cheia de dramas. Mas eu podia ter vivido melhor. Podia ter feito melhor as minhas escolhas. Podia ter ficado trancada em casa, protegida de todos os germes da sociedade. Podia até ter brincado de bonecas até os dezoito anos. Eu podia ter feito milhares de coisas diferente. Agora eu já nem sei o que posso mais.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

25 de outubro

Está em pânico, sem saber se eu gostarei do que você irá me dar de aniversário? Seus problemas acabaram! Este é O Guia Para Presentes de Aniversário de Thaïs.

- livro "Dance Dance" de Haruki Murakami, editora Estação Liberdade (se não achar esse pode me dar qualquer outro livro desse autor, as editoras que o publicaram foram Estação Liberdade e Objetiva).

- livro "Chega de Saudade" de Ruy Castro, editora Companhia das Letras.

- livro "As Irmãs Makioka" de Jun'ichiro Tanizaki, editora Estação Liberdade.

- CD da Bebel Gilberto, tá por "apenas" R$ 50,00 nas Lojas Americanas. Mas é duplo!

- CDs ou vinis de bossa nova e/ou jazz. Se preferir também aceito um aparelho que toque vinil. Que esteja funcionando, de preferência.

- passagem de avião de ida e volta pro Rio de Janeiro (eu enjôo viajando de ônibus). Em janeiro. São vinte anos, meu povo!

- camisetas do site Gambler$ (exceto as pretas com logo vermelho, por favor ;P): Miyavi, Kagrra, Dir en grey e em último caso Malice Mizer ou Pierrot.

- tinturas Jeans Color do site Gambler$ azul ou verde. Se alguém quiser pode me dar também uma lente de contato, mas duvido que alguém vá querer...

Em último caso, compre a primeira coisa japonesa que vir pela frente. Mas só em último caso. E o meu Philipps Massager minha mãe já disse que me dava ;D
Por enquanto é só, pessoal!

sábado, 17 de setembro de 2005

Chuva de cinzas

Quando eu nasci choveu sangue, minha mãe falou. Contei pras minhas amigas mas elas não acreditaram em mim. A chuva era ácida e queimou os meus olhos. Por isso eu vejo em preto-e-branco. A chuva era cinza. A cinza queimou os meus olhos. Eu pedi pra minha mãe me contar a verdade. Meu pai vivia pedindo pra ela parar de fumar. Ela parou de fumar depois que eu nasci. O mundo dela também ficou preto-e-branco. E eu não lembro do meu pai. Minha mãe não fala dele. Ela só diz que choveu sangue.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Consciência sem correção e com rabiscos

Imitando Nassar fiz meu Consciência sem pontos ou parágrafos, e agora tento recriá-la sem as correções do primeiro com a fluidez da fala. Obviamente não sairá igual (a parte da ausência dos pontos acabou de ser descartada, eu definitivamente não tenho a capacidade de Raduan ou Kerouac para fazer períodos gigantescos), já que a fala costuma ser instantânea e a escrita obviamente não. A falta de imaginação me faz escrever essas asneiras desinteressantes que nem eu mesma tenho vontade de reler e dias depois (já que não tive tempo ou saco de terminar esse texto de uma vez) de ter começado sinto-me cada vez mais desmotivada em continuar com essa besteira, de modo que, como vocês acabaram de observar, chego agora à conclusão de que é melhor pensar (mesmo que seja um pouco) antes de escrever, pois se é difícil encontrar alguém que leia o que eu escrevo pensando e recorrigindo over and over, será impossível consegui-lo para uma asneira como esta. Perdoem-me, leitores meus! Juro que a partir de hoje tornarei a escrever pensando bem antes de fazê-lo. Pena que antes mesmo de ter terminado de escrever a frase anterior eu tenha mudado de idéia. A consciência é melhor guardada na cabeça, o lugar dela não é o papel. Ploft.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

In Roma do like the Romans.
In Boston do like the bosta.


- Menina, há quanto tempo!
- Pois é, né?
- Fiquei sabendo da novidade. E aí, tá feliz?
- Muito!
- Já sabe o sexo da criança?
- Já, vai ser uma menina.
- Que amor. E o nome, já escolheram?
- "Medílcre".
- ...

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Homem casado mente rápido

- Quando é que você vai fazer outra tatuagem?
- Quando eu tiver dinheiro.
- Vamos fazer um acordo? Eu pago e você faz a tatuagem.
- Só isso?
- Só. Mas peraí, onde você vai fazer a tatuagem?
- Eu tava pensando em fazer nas costas...
- Ah não, nas costas não tem graça.
- E você quer o que? Que eu faça uma na bunda, também?
- Pode s... Peraí, por que também?
- Você me disse que tinha uma tatuagem na bunda.
- Não, eu tinha feito uma tatuagem de henna...
- Ah tá. Sei...

domingo, 11 de setembro de 2005

Ave Maria

- A garota está sozinha?
- Não. Estou com a minha amiga Affy Maria.
- Quem?
- Affy Maria.
- Ah... E a Maria foi dar uma volta?
- Não, ela está bem aqui, sentada ao meu lado.
- Ah, Entendi. Tá fazendo jogo duro, né? Adoro garotas brabas!
- Bom pra você. Affy Maria é o cão. Vou até deixá-los a sós.
Ela se levanta e sai andando.
- Garota maluca... Afe.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Eu lia um livro de um autor japonês enquanto estava no ônibus. A cidade para a qual me dirigia não ficava longe, mas eu me sentia desolada e distante do mundo enquanto avançava. Parei de ler um pouco e ao virar o rosto para a direita me deparei com uma plantação de cana-de-açúcar e me senti inspirada. Comparei-me à personagem do livro, sozinho em uma ilha grega, esperando por uma mulher que só conhecia pelos relatos da mulher que amava.
Decidi escrever algo. O livro também falava sobre leitores e escritores, mas aposto que o escritor jamais pensou em por sua personagem rabiscando garranchos ao tentar produzir dentro de um ônibus que passava em uma estrada esburacada. Pergunto-me se ele próprio já escreveu em tais condições.
Um cheiro de merda me sobe às narinas e fico imaginando como haveria ele entrado em um ônibus climatizado.
Ônibus, merda e estrada esburacada acabam com a inspiração de qualquer um. É melhor eu voltar pra Grécia.

Essa viagem me mostrou um Brasil que eu queria esquecer. Um Brasil que me obriga a me sentir privilegiada, mesmo não o sendo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Over the arco-íris

Eu estava cabisbaixo, preocupado com as minhas dívidas, com um olhar melancólico espiando a chuva cair.
Ela caiu e pude ver o arco-íris que se formava no céu. Olhei para ele e me lembrei da minha infância e de todas as mágicas nas quais acreditava. Pensei que não havia momento melhor para pôr uma delas à prova.
Nunca pensei que fosse tão difícil chegar ao fim dor arco-íris. Escapei de ser atropelado umas vinte vezes e ouvi inúmeros xingamentos direcionados à minha pessoa, mas, inacreditavelmente, cheguei lá.
Procurei o pote cheio de moedas de ouro, mas ao invés disso encontrei a discografia completa do Chico Buarque.

domingo, 28 de agosto de 2005

Panqueca americana

- Vá pra merda.
- O correto seria "vá à merda".
- Foda-se. Tome no cu. Quebre a perna, perca a mão, fique cego, tenha um câncer e uma infecção generalizada. Mor-ra.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

O Novo Testamento segundo Thaïs

Para grande surpresa de seu marido, a Virgem Julia estava grávida. Felizmente, um anjo explicou para Virgem Julia que seu filho era Juvêncio Cristo, Senhor do mundo, o glorioso irmão de Deus (e estudante nas horas vagas). No dia de seu nascimento, os anjos ordenaram que os pastores seguissem o brilho da buceta para encontrá-lo. Além disso, três doentes macacos vieram trazendo valiosos presentes: camas e chuveiros. Passado algum tempo, sucedeu que Juvêncio Cristo foi batizado, sendo submergido em sakê. Então proferiu o sermão da ilha. No sermão da ilha, Juvêncio Cristo ensinou: Bem-aventurados os homofóbicos, pois eles serão os claustrofóbicos; Bem-aventurados são os hipocondríacos, pois deles será o Reino dos Céus. Juvêncio Cristo também fez muitos milagres, como quando transformou demente em ninfomaníaca durante o casamento de um amigo; também fez um incoerente recuperar-se com uma simples palavra. Infelizmente, os governantes ficaram muito bravos com a influência de Juvêncio Cristo, e então voaram e bateram e correram Juvêncio Cristo, que apenas disse: perdoai-os, eles não sabem o que fazem. Mas algum dia ele retornará em glória e magnificência para o julgamento final, então prepare-se! Juvêncio Cristo retornará. O fim está próximo.

Ateus.net

terça-feira, 23 de agosto de 2005

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Em Brasília...

- O senhor está dizendo que no meu lugar assumiria a culpa? Não que eu tenha o que assumir, mas eu não vi o senhor assumindo qualquer coisa até o momento em que foi descoberto. Mas se eu estivesse envolvido em qualquer maracutaia, eu agiria como um homem e assumiria a culpa agora na frente de vocês.
Nesse momento um grito ecoa do fim da sala:
- Bicha!

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Pé, mão, e cabeça na estrada

Eu tinha acabado de ler "On the road - Pé na estrada" e senti - como a maioria das pessoas deve ter sentido - aquela necessidade urgente de cair na estrada.
Juntei a grana que tinha ganhado da minha vó no natal e peguei um ônibus até a BR para Recife. Lá comecei a pedir caronas. Imaginei que seria mais fácil para mim, pelo fato de eu ser mulher. Não cheguei a pegar chuva nem nada. Consegui uma carona até Goiana e lá passei a noite para descansar um pouco. Eu estava meio preguiçosa, provavelmente não tinha pego ainda o espírito da estrada.
No dia seguinte voltei para a beira do asfalto e comecei a balançar minha mão. Eu estava com menos sorte nesse segundo dia e tive a brilhante idéia de pôr uma saia pra chamar mais atenção. Foi pei, buf. Em quinze minutos eu estava dentro de um carro com mais dois homens a caminho de Maceió. Boa carona, pensei eu.
Passamos de Recife e já perto da fronteira com Alagoas o rapaz que estava dirigindo entrou em uma estrada de terra. Era óbvio que aquele não era o caminho para Maceió. Mas já era cerca de cinco horas da tarde, achei que eles pudessem estar procurando um restaurante para jantar.
Cada vez ficávamos mais longe da civilização e passei a ficar mais aflita. Perguntei ao colega dele por que estávamos indo naquela direção e o outro freou o carro bruscamente. Parecia que eles estavam só esperando essa pergunta minha. Malditos carros de duas portas. Cada um trancou a sua respectiva e passou para o banco de trás, ficando cada um de um lado meu. Suei frio, senti uma dor de barriga estranha, uma vontade de vomitar, fiquei desesperada. Me agarrei à minha mochila e eles me agarraram. Gritei e o motorista me mandou calar a boca. Esperneei e ele mirou o cano de uma arma na minha testa. Falou que se eu resistisse morria ali, on the road. Esbravejei que preferia morrer a me deixar se estuprada e ainda cuspi no olho dele. Haha. Que satisfação. Pei, no meio da testa e buf no banco do carro.
Eu estava com menos sorte no segundo dia.

sábado, 6 de agosto de 2005

Dez é um real

- Dez é um real, tem de doce-de-leite e chocolate.
Vi aquele homem entrando no ônibus com um macacão azul e uma fala mecânica. Demorei para entender o que ele dizia.
- Dez para sair, obrigado e boa viagem.
Mas quando ele se aproximou vi que carregava algum doce na mão.
- Dez é um real e dá direito a um chocolate.
A mulher sentada mais próxima de mim perguntou se ele vendia pastilha e o homem dos caramelos respondeu:
- Dez é um real, tem de doce-de-leite e chocolate.
Só então entendi o que diabos o homem do macacão azul repetia como um robô.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Caçando calangos: primeiro capítulo III

Quando saí de casa, minha cadela estava fuçando as pedras do quintal atrás de lagartixas. Ela foi contaminada pelos homens calangos, pensei. Eu estava ficando paranóica. Pelo menos foi o que concluí naquela hora. Ela nem me deu atenção enquanto eu era ‘escoltada’ pelos calanguinhos. Não pude me despedir dela nem da minha família, fui informada pelos homens que eu não poderia informar a minha missão a pessoa alguma, e por isso me obrigaram a deixar o celular desligado em casa. Eu só poderia me comunicar por e-mails devidamente autorizados. Eu estava em cativeiro. Eu estava sendo mantida em cativeiro por um calango.
Malditos sulistas e malditos nordestinos. Eu estava cagando e andando pra toda essa história de levar o calango pro sul. Eu queria ficar junto da minha família, do meu namorado, da minha cadela, queria continuar o meu curso (que agora eu provavelmente seria muitíssimo prejudicada sendo reprovada por faltas), queria arranjar um trabalho pra comprar aquele depilador eletrônico, queria comprar uma roupinha pra minha cadela não passar frio e queria continuar minha coleção de mangá.
Mas não, vá ajudar os fracos e oprimidos nordestinos que estão sendo tão injustiçados. E não sou eu uma fraca e oprimida nordestina? Quer injustiça maior que obrigar uma jovem de dezenove anos a obedecer um maníaco que acredita ter o plano perfeito para acabar com os preconceitos contra os paraíbas?


No Rio de Janeiro fui hospedada em um quarto com apenas uma cama de solteiro (o maldito nem pra me arranjar uma cama de casal), um computador ligado à internet e um guarda-roupa. Como não tive tempo nem de pegar um livro antes de sair de casa, só me restou o computador para entretenimento. Depois de colocar minhas roupas todas no guarda-roupa, liguei o computador e tive mais notícias do calango chefe.

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Era uma vez

Era uma vez duas irmãs: Anike e Anego. Era ou eram? Uma vez?
Eram duas vezes duas irmãs. Eram sim, porque mais tarde cada uma debandou para seu lado na vida.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

Haikai

Spik(sic)tupinik
(Glauco Mattoso)


Rebel without a cause, vômito do mito
da nova nova nova nova geração,
cuspo no prato e janto junto com palmito
o baioque (o forrock, o rockixe), o rockão.
Receito a seita de quem samba e roquenrola:
Babo, Bob, pop, pipoca, cornflake;
take a cocktail de coco com cocacola,
de whisky e estricnina make a milkshake.
Tem híbridos morfemas a língua que falo,
meio nega-bacana, chiquita-maluca;
no rolo embananado me embolo, me embalo,
soluço - hic - e desligo - clic - a cuca.

Sou luxo, chulo e chic, caçula e cacique.
I am a tupinik, eu falo em tupinik.



bunda no trono
assim que amanhece
dor de barriga

Thaïs Gualberto

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Caçando calangos: primeiro capítulo II

Eu precisava saber mais antes de me meter em um avião para o Rio de Janeiro. Pelo menos eu esperava que fosse um avião. Só faltava ele querer me mandar em um pau-de-arara.
Esperei que fosse tudo um mal-entendido. Esperei que o subalterno dele fosse mais idiota que eu e tivesse abordado a garota errada, mas eu sabia que isso era muito improvável. Alguém que soubesse tanto da minha vida não cometeria um erro tão banal. A única coisa inaceitável era abaixar a cabeça para tudo e seguir copiosamente o plano desse tal C.
Escrevi novamente para o e-mail dele, mas a única resposta de recebi foi uma “mail delivery failed”. E agora? Seria eu obrigada mesmo a largar tudo e ir pro Rio de Janeiro como queria o maldito?

No dia seguinte acordei com dois homens batendo na minha porta. Às cinco da manhã, acordei com o barulho da campainha. Campainha maldita, olha a hora que voltou a funcionar. Devia ter continuado quebrada. Enrolei-me no roupão e meti a cara na janela, louca para xingar um. Ainda com a vista meio embaçada, vi do outro lado do muro dois homens de estatura média, com uma pele morena desbotada e um cabelo castanho cortado de qualquer jeito que não chame a atenção. Vestidos de marrom da cabeça aos pés, gritaram ao me ver na janela:

- Arrume-se, viemos te buscar!

Entrei em pânico. Abaixei-me bruscamente e fiz o maior esforço para pensar em algo a uma hora daquelas. Mas eu não era uma pessoa produtiva pela manhã...

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Para Quaintance,

o leitor crítico sabe que o seu atual repertório de informações é confiável porque é submetido a constantes avaliações. Ele também sabe o valor relativo de cada elemento da sua hierarquia de valores. Ele está consciente dos conceitos que são estrelas e constelações a guiar sua vida, dos conceitos que são satélites dependentes, dos conceitos que são apenas meteoros de breve intensidade.


Para Quaintance, o leitor crítico é um computador.



* SILVA, Ezequiel Theodoro da. Criticidade e leitura: ensaios. Campinas; SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1998 (Coleção Leituras no Brasil).

terça-feira, 19 de julho de 2005

sexta-feira, 1 de julho de 2005

QUAL TEU STYLO?

stylo?

ESTILO

sim, eu entendi que você quis dizer estilo
mas eu não sigo um estilo

ENTÃO QUAL TEU PADRÃO?

eu não sigo um estilo, nem um padrão, nem uma regra
eu sou o que tiver vontade de ser na hora

BLZ

Caçando calangos: primeiro capítulo I

Pai, me ensina a ser palhaço?


O sertanejo tinha esquecido de me dizer para qual e-mail mandaria as informações. Imaginei que fosse o e-mail do meu MSN, já que ele estava disponível no meu fotolog e orkut. Não era. Comecei a pensar que ele estivesse blefando. Onde ele encontraria os endereços dos meus outros e-mails? Vasculhei o meu gmail, mas fui encontrar o e-mail do calango chefe no endereço que eu só divulgava aos meus amigos. O homem tinha mesmo pesquisado sobre minha vida.

Boa noite.

Sei que você deve estar confusa a essa altura, mas espero que entenda melhor o meu propósito depois de ler esta mensagem.
Meu subalterno deve ter lhe informado do supérfluo, e para isto estou escrevendo-lhe este e-mail. Infelizmente não posso encontrá-la pessoalmente, estou atualmente morando em São Paulo. Aliás, foi aqui que conheci o autor do cordel que pedi para que te entregassem. Só depois que passei a trabalhar com construção civil pude perceber como os nordestinos que fugiram da seca vêm sofrendo física e psicologicamente. Sei que você é uma garota inteligente e vai me ajudar a combater esse problema.
Por enquanto, envio-te apenas essa MP3 anexa. A música é de um grupo chamado Cordel do Fogo Encantado e tem muito a ver com o tema que estamos discutindo.
Amanhã enviarei outra mensagem dizendo tudo que quero que você faça. Sei que depois de ouvir essa música não terá mais dúvidas quanto à sua missão.

Até a próxima,
C.


O e-mail não serviu para tirar minhas dúvidas. Aliás, só me deixou mais irritada. Eu conhecia o grupo que ele mencionou, o nome da música que ele mandou anexa era Morte e vida Stanley. Fiz o download e comecei a escutá-la enquanto pensava na merda na qual tinham me jogado. Resolvi responder o e-mail do calango chefe:

Obrigada pela música, é mesmo muito boa. No mais, não tenho o que agradecer. Eu gostaria que você parasse de brincar com a minha vida e dissesse de uma vez o que está tramando.
É engraçado você dizer que eu sou uma garota inteligente, porque o seu “subalterno” discorda piamente da sua opinião.

Atenciosamente,
Garota Calango


E esperei ansiosamente pela resposta no dia seguinte. Aliás, esse maldito mobilizou o resto da minha vida. Não me interessava por qualquer coisa na internet que não fossem meus e-mails. Não tinha mais vontade de ver meu namorado e minha cadela estava carente. O calango já estava roubando três dias da minha vida, eu tinha que dar um basta nessa situação.
Exatamente ao meio dia a resposta chegou.

Minha querida,

Não se preocupe com o que diz o meu subalterno, ele é um idiota.


Agora eu já sabia porque o homem calango tinha tanto gosto em me chamar assim.

Voltando ao que nos interessa, não imaginei que a minha intromissão fosse deixá-la possessa. Peço desculpas quanto a isso. Espero que entenda o quanto é necessária para mim. É óbvio que não a escolhi aleatoriamente. Peço desculpas novamente, por ter me intrometido tão profundamente na sua vida, imagino o desconforto que isso deve estar lhe causando.
Como prometido, irei dizer-lhe agora o que quero que faça por mim. Infelizmente, preciso dizer que isso não é um pedido. Você não está em condições de se recusar a fazer o que eu quero. Só espero que reaja melhor que o meu subalterno que conheceu. Ele foi muitíssimo mal-educado.
Em primeiro lugar, espero que tenha entendido que apenas usei o calango como metáfora. Da mesma maneira poderia ter escolhido o peba ou o urubu, mas tenho certeza de que sabe tão bem quanto eu o quanto os nascidos na parte sul do país gostam de associar a nossa imagem á de caçadores de calango vestidos de cangaceiros.
Eu preciso que você se torne uma estrela nacional. Se possível internacional. Sei o quanto adora cantar e escrever, e preciso de uma jovem paraibana para mostrar ao país e talvez até ao mundo que precisam abrir a cabeça e os olhos. Não se preocupe com a mídia, eu cuido dela. Quero apenas que vá para o Rio de Janeiro e lá receberá o resto das instruções. Creio que essa será a última vez que nos falaremos, então gostaria de agradecer de antemão o favor que fará a todos os seus conterrâneos.
E não se preocupe com meus outros subalternos, serão todos mais simpáticos que o primeiro.

Um abraço sincero do seu amigo,
C.

PS.: Adorei o codinome que adotou.


No final das contas, o e-mail dele não esclareceu muita coisa. Pareceu-me um riquinho querendo entrar na indústria da música. Mas se fosse só isso não faria sentido ter escolhido a mim. Com certeza existiriam milhares de garotas pelo mundo que cantariam melhor que eu e seriam mais bonitas também. Não que eu seja feia...

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Caçando calangos III

Assim que cheguei ao local exato do primeiro encontro ouvi um barulho de carroça se aproximando por trás de mim. Não tive coragem de me virar, mas prestei atenção nos movimentos do homem misterioso, descendo do carro e chegando cada vez mais perto, até ficar do meu lado. Pensei em cumprimentá-lo, mas depois lembrei que não faria diferença.

- Leu?
- Li sim. Por que você me deu isso?
- Isso você vai saber no tempo certo.
- Tempo certo?
- Pare de fazer perguntas e me escute.

Eu calei a boca e esperei que ele começasse a falar. Esperei muito. Comecei a desconfiar da rapidez do pensamento dele. Virei o rosto para poder vê-lo melhor e percebi que tinha marcas de sol e do boné. Talvez o excesso de sol na cuca tenha danificado a capacidade de raciocínio do homem.

- Você concorda com o que o poema diz?
- Não. Por que você deu este poema a mim? Eu nem gosto de ler poemas.
- Isso não vem ao caso.
- O que espera de mim? Que eu analise o texto? Olha, eu faço Letras, mas não sou a pessoa mais indicada para isso, se quiser posso te indicar algum colega meu...
- Cala a boca e escuta.

Suspeitei que ele me obrigasse a ouvir o silêncio dele novamente, mas começou a falar logo em seguida:

- Você não concorda com o poema, então? Você não acha que o nordestino é injustiçado no sul e no sudeste?
- Olha, se você quer discutir política comigo poderia ao menos escolher um lugar menos perigoso.
- Eu não quero discutir política com você. Quero que você me ajude.
- Eu? Por que eu? Eu sou tãaaaao egoísta...
- Não é não.
- Desde quando você me conhece melhor que eu mesma?
- Desde que eu passei a pesquisar a sua vida.
- Você tem me perseguido? Eu vou ser seqüestrada?
- Não, idiota.

Fazia muito tempo que alguém não me chamava de idiota. Isso doeu.

- Você tem que me ajudar a levar o calango pro sul.
- Se eu sou idiota, você é doente.
- Você é idiota e não me conhece. Eu te conheço.
- Pra que você quer a ajuda de uma idiota, então?
- Para que você se comunique com os outros idiotas.
- Cara, eu te odeio tanto... – ele ignorou o meu comentário e continuou a falar no mesmo tom de sempre.
- Eu vou te mandar pra lá e você vai ser a encarregada do calango.
- Encarregada do calango? – não consegui conter o riso – Onde eu estou? Em algum fanzine de terceira?
- Idiota. Volte para casa agora. Você vai receber um e-mail com todas as informações que precisa.
- Você pode ao menos me dar uma carona na sua carroça? Já está tarde, fica meio perigoso voltar sozinha.
- Não.

Gritos

- Seu José está furioso hoje.
- Você sabe por quê?
- Eu não. Mas hoje nem é dia de lua cheia.
- E o que isso tem a ver?
- Olha... Dizem que os loucos ficam mais loucos na época de lua cheia.
- Vai ver os loucos eram os lobisomens.
- Os lobos homens.
- Os loucos homens.

terça-feira, 28 de junho de 2005

Caçando calangos II

No dia seguinte, eu refiz o mesmo trajeto para encontrar o sertanejo misterioso, mas, obviamente, o mundo não era o mesmo. Descendo a Epitácio Pessoa encontrei uma cobra atropelada, fato, para mim, muitíssimo assustador.
Lembro-me da minha infância, quando meu pai me contava dos amigos dele na Inglaterra que perguntavam a ele se caçávamos cobras aqui no Brasil. Eu e meu pai sempre ríamos dessa história, considerando-a absurda. Ao ver aquela cobra espragatada no asfalto senti como se todos os ingleses rissem de mim. A sensação de angústia remeteu-me novamente à lembrança do homem da cabeça chata e do seu cordel. Seus primeiros versos diziam:

Neste grande mundo cão
Quem não é grã-fino sofre
Do diabo come o pão
De centavo pinga o cofre
É difícil ter um irmão
Que não seja do enxofre

Quem quer melhorar de vida
Quer dar o melhor pra família
Desce pra terra querida
Sem dinheiro nem mobília
Espera que sua ida
Seja aquela maravilha

É no sul que nordestino
Dá-se conta da verdade
Norte velho ou sul menino
Pobre sofre a eternidade
Os moleque sempre fino
Buxo d’água não se evade

Melhor era no nordeste
Onde era tudo irmão
Calango matava fome
Calango era a salvação
Mas a infelicidade consome
Sertanejo no sudeste


Como uma jovem que sempre morou em uma capital litorânea do nordeste, aqueles versos me irritaram profundamente. Tive a impressão de que haviam sido feitos por algum jornalista da Globo. Mas por que aquele homem teria me entregado aquele folheto? Comecei a desconfiar que ele quisesse a minha participação em algum grupo militante.

domingo, 26 de junho de 2005

Caçando calangos

Eu estava sóbria quando ele me apareceu. Devia ter cerca de um metro e sessenta de "altura", cabeça chata (provavelmente de ter carregado muita lata d'água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Mariiiiiiiia...) pele morena queimada do sol e um olhar desconcertante. Eu estava descendo a Epitácio Pessoa às nove da noite, preocupada e com medo de que saísse algum meliante das matas do rio Jaguaribe quando ele me apareceu. Acho que melei minha calcinha de cocô quando essa figura parou na minha frente, mas com medo da reação dele ao farejar meu medo, fiz o possível para cumprimentá-lo normalmente. Ele não só ignorou a minha rara demonstração de educação como falou da maneira mais seca e grossa possível. Aí eu tive certeza de que estava melada.
O sertanejo entregou-me um folheto de cordel com a xilogravura de um calango na capa. Pelo menos eu achei que fosse um calango. Nunca tive muita certeza da diferença entre calango, lagartixa e víbora. Acho que nunca tinha visto um calango. A única coisa que ele me disse foi que voltasse para casa, lesse aquele folheto e voltasse no dia seguinte para aquele mesmo ponto da avenida, no mesmo horário para encontrá-lo.
Foi aí que minha curiosidade superou o meu medo.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Entrelinhas II

Date: Sat, 6 Dec 2003 19:57:46 -0500 [12/06/2003 10:57:46 PM BRT]
To: I
Subject: Re: agora eu tb sou xique!!!!!



Vou responder seus e-mails um por um agora!!!
Não tenho culpa se eles são grandes e no fim nunca dá tempo de respondê-
los ;PPP (e não, eu não quero que você escreva menos!!)

Eu ainda não vi "O homem que copiava" ;P Mas que bom que você gostou
viu ;) E sim, claro que eu ainda lembro do morto ;D Você tem falado com
ele? Jamais imaginei que esse filme tivesse qualquer coisa a ver com o
meu conto, mas eu vi num trailer que ele começa a falsificar dinheiro
por causa da doidinha que ele gostava, né?

Na hora de você pedir o acarajé, pode pedir quente ou frio (com ou sem
pimenta, respectivamente). Eu sempre peço sem, sou muito mole pra essas
coisas ;P
Aqui não é SP mas também tem pizza delivery ;P e tem também China in
Box ;P Mas não duvido que tenha disso lá na Bahia... Foda que o acarajé
lá da feirinha é 6 reais $_$~~

Sim, e eu desisti da estória do livro. Ia acabar saindo muito caro pra
mim, acho melhor seguir meios mais tradicionais, como tentar publicar
algo no jornal... É mais saudável e mais barato XP~

beijinhos, até o próximo e-mail ;D

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Porra...

- Eu recebi uma carta de um ex-namorado meu.
- E o que ele dizia nela?
- É uma carta enorme, parece-me cheia de rancor.
- Uau.
- Uau nada. Ele começa a carta dizendo que finalmente tinha se livrado de mim.
- Como assim?
- Acho que ele descobriu que não é mais apaixonado por mim.
- Há quanto tempo você acabou?
- Uns seis anos.
- Porra...

sábado, 18 de junho de 2005

No oftalmologista

- Agora sente aqui e encoste o rosto aqui.
Ele escolheu uma lente.
- Leia isso.
- A, c, e, f, y, z.
Mudou a lente.
- O, i, g, h, n, w.
Tapou a visão do meu olho esquerdo e começou a trocar as lentes do direito.
- Que tal essa lente?
- Não, tá embaçada.
- Ótimo. Que tal essa?
- Essa tá melhor.
- E essa?
- Também.
- E que tal essa?
- Também.
Voltou para a lente anterior começou a alternar as três últimas.
- Essa ou essa?
- Sei lá, pra mim é a mesma coisa.
- Tem uma pequena diferença, preste atenção.
- Tá...
- Essa ou essa?
- Ã... Essa.
- Essa?
- É.
- Tem certeza?
- O que é isso? "A Porta dos Desesperados"? Eu já falei que pra mim parece tudo a mesma merda, é claro que eu não tenho certeza.
- Tudo bem... Você tem miopia, astigmatismo e falta de educação.
- Isso eu já sabia antes da consulta. Qual o meu grau?
- Esse ou esse.
- Ai meus sais...

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Ciao Sampa

- Nunca comi em boteco.
- Oh, é mesmo! Você veio a Sampa e não comeu um "Virado à Paulista" num boteco!
- ...
- Ah, sim. Volta pra cá quando pra comer isso?
- Heheehe. Quando eu me aposentar.

Para Bandini

ESTREVISTADOR: Estamos aqui com Tatiana, uma jovem que só depois de conhecer as privações da vida pôde apreciar as maravilhas que o mundo tem a oferecer. (VIRA O ROSTO DA CÂMERA PARA O ENTREVISTADO) Diga-nos, como foi essa sua jornada? (APÓIA AS MÃOS NAS PERNAS E FAZ CARA DE INTERESSADO)

ENTREVISTADO: Tudo começou (PAUSA) quando eu me mudei para a cidade grande. (GRANDE PAUSA. CLOSE) Eu era uma jovem feliz que tinha uma vida confortável, mas tudo mudou quando eu fui para aquele apartamento... As dificuldades começaram quando ele apareceu...

ENTREVISTADOR: Ele quem?

ENTREVISTADO: O gato. (CLOSE NOS OLHOS) Eu sempre achei que ele era apenas mais uma criatura alegre e brincalhona... (PASSA O TAPE COM IMAGENS CASEIRAS DO GATO) Nunca imaginei que ele guardasse um poder tão maligno dentro de si... (FIM DO TAPE) Minha vida nunca mais foi a mesma depois que ele entrou por aquela porta (A PORTA É FILMADA).

PASSA O DEPOIMENTO DA PORTA:
"Quando o gato chegou eu não quis abrir, né. Mas não teve jeito. Bateram tanto em mim que eu tive que abrir. Eu já senti o mal neles, nos habitantes. Porque eu já sinto o mal de longe, né. Toda vez que o gato me encara eu fico com medo. Tem hora que eu travo mesmo."

ENTREVISTADOR: E você? Será que também convive com o mal? Será que o mal também está encarando a sua porta? Será que precisa renovar as energias da sua casa? Fique ligado nos próximos episódios do programa para saber como pressentir e expulsar o mal da sua vida.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

Lavagem

- Essa batata não tá muito boa hoje...
- É que hoje é o dia de pagar os policiais.
- Que emocionante, estou comendo em um restaurante da máfia grega.
- Qual você acha que é a área deles?
- Tráfico de drogas?
- Não...
- Tráfico de crianças para a prostituição?
- Deve ser isso... Olha só aquele garçom de gravatinha... Ele tem cara de quem a qualquer instante vai sacar uma arma e atirar em todos no restaurante... Acho que vou lá falar com ele e pedir pra que não faça isso enquanto eu estiver almoçando aqui... Vai, termina logo de comer que eu quero fumar o meu digestivo.

Fosfobox

- Porra, que sina!
- O que foi?
- Eu devia ter nascido homem. E viado. Ou então ter nascido no Japão.
- Por que?
- Porque eu só gosto de viado e de japonês, putamerda.
- Você tava paquerando algum viado?
- Tava. E ele deu mole pra mim.
- E você? Ficou que nem uma mongolóide na frente dele?
- Não, eu fiquei dançando do lado dele. Eu não dou em cima de viado. Mas aí chegou outra e eles começaram a se beijar.
- Mas ele é viado...
- E daí? Seria só por uma noite. Ele estava lambendo o pescoço dela. Era o meu pescoço que ele deveria estar lambendo.
- Meu deus...
- Por que que eu não nasci viado?
- Vai passar, calma. Daqui a pouco você volta ao normal.

terça-feira, 10 de maio de 2005

Água com cocô

- Ô Thaïs?
- Oi?
Pausa.
- Por que toda vez que eu chego você está no banheiro?
- O quê?
- Toda vez que eu chego aqui você está no banheiro.
- ... Se eu te disser você jura ficar calado e não contar a mais ninguém?
- Tá... Mas conta logo.
- É que eu sou meio anfíbia.
- Como?
- É. Quando vocês não estão aqui eu fico embaixo d'água para me hidratar.
- O que você tomou hoje?
- Água. Hohoho...
- Com cocô?
- Talvez.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

A verdade sobre A Lâmpada Maravilhosa

Eu sempre fui muito cético em relação a magias e misticismos, sempre disse a todos em alto e bom som que não acreditava em deus, anjos ou fantasmas. Descobri que era um mentiroso quando me deparei com uma lâmpada igual à do Alladin no meio da rua. Olhei para os dois lados antes de escondê-la no meu casaco e correr para casa louco de curiosidade.
Sentei-me na poltrona e deixei a lâmpada em cima do centro enquanto a encarava e me punia ao mesmo tempo. Tolo foi o termo mais sutil que usei entre vários outros.
Finalmente cansado da dúvida, precipitei-me sobre a lâmpada e comecei a esfregá-la entre as minhas mãos.
Não sei dizer se fiquei maravilhado ou apavorado quando constatei que estava saindo uma fumacinha multicolorida de dentro da lâmpada, era "a maravilhosa"!
Depois que a sala já estava repleta de fumaça, vi esta começar a se condensar e formar um vulto. Depois de alguns minutos estava na minha frente uma mulher de traços belíssimos e corpo escultural. Pude ver nitidamente que ela tinha traços árabes, fiquei encantado com aquela beleza exótica. Imagino que para cada um que possua a lâmpada o gênio toma uma forma árabe do seu gosto...
Passado esse momento, ela começou a falar comigo, provavelmente dizia que eu tinha direito de realizar três desejos, mas eu não entendo árabe, então não posso ter certeza. Tentei fazer os meus pedidos em português, mas ela apenas me encarava com um olhar de dúvida. Lembrei-me da propaganda do CCAA e comecei a falar em inglês, mas ela parecia continuar a não me entender (maldita propaganda enganosa). Ainda tentei falar em espanhol e francês (apesar de não ter domínio dessas línguas), mas nada adiantou. O negócio era árabe.
Acabei pedindo um kibe, uma esfiha e um beirute. Pelo menos estavam mais gostosos que os do Habib's.

terça-feira, 3 de maio de 2005

MSN: Brasis

Let´s take a trip together ? diz:
q frio

Let´s take a trip together ? diz:
ow meu deus

Let´s take a trip together ? diz:
eu nao mereço isso

Taï diz:
;P

Taï diz:
eu nunca pensei que fizesse frio no Rio de Janeiro ;P

Let´s take a trip together ? diz:
aiaiaiai

Let´s take a trip together ? diz:
tah parecendo o povo daqui achando q nao tem agua ai..

Let´s take a trip together ? diz:
viva a GLOBO

Taï diz:
hahahahaahah

Taï diz:
porra, eu achei que aí fosse que nem aqui ;P

Let´s take a trip together ? diz:
ela faz o q quer mesmo, e as aulas de geografia nao servem de nada

Taï diz:
rio 40° e blá³ ;P

Let´s take a trip together ? diz:
aqui é quente, no verao, mas aqui tem as 4 estaçoes, nao tao bem definido qnto no sul

Let´s take a trip together ? diz:
mas como o sul tah virando deserto

Let´s take a trip together ? diz:
o clima temperado tah vindo pro sudeste

Taï diz:
uau

Let´s take a trip together ? diz:
fora sao paulo q soh tem asfalto

Taï diz:
4 estações *____*

Taï diz:
passei minha vida toda sem saber o que é isso...

Taï diz:
como me disse alguém, é só sol e sol com chuva

Let´s take a trip together ? diz:
ehehehhehe

Let´s take a trip together ? diz:
=P

Let´s take a trip together ? diz:
aqui tem um outono lindo qndo nao ta nublado

Taï diz:
;~~

Taï diz:
agora é outono?

terça-feira, 26 de abril de 2005

Swing II

Ele e ela.
O outro e a outra.
A outra acaba com o outro.
Eu e o outro.
Eu acabo com o outro.
Ele e ela acabam.
Eu e ele.
Ela e o outro.
Ele acaba comigo.
Ele e a outra.
Ele e a outra acabam.
E por aí vai...

domingo, 17 de abril de 2005

Se um gato pode ligar pro 911 por que minha cadela não poderia fazer um emoticon?

[22:06] [=
[22:06] que suástica é ssa???
[22:06] uau
[22:06] 45. (One Piece] Como subir até White Sea?
[22:06] Here's your 1st hint, _____é_ _a _______ _t____
[22:06] minha cadela fez um emoticon

Mas confesso que fui eu que apertei o "enter" ;x

Ode à praia de Cabo Branco

Cabo dos saudáveis e dos acabados
Dos sadios e dos saudosos
Cabo dos solitários e dos acolhidos
Dos sofridos e dos solenes
Cabo das tormentas
Dos tarados
Cabo da televisão
Dos turistas
Cabo de todos os brancos
De todos os negros
De todos os índios
É cabo que não acaba mais

terça-feira, 12 de abril de 2005

Eu te amo, cachorra

Desde piquititinha (ou desde Tatinha) eu assisto filmes como "Meu Primeiro Amor" ou "Meu Primeiro Amor 2" (cara, eu adoro esse título!) e aprendi muito cedo a valorizar o relacionamento homem x mulher (se quiser substitua algum dos gêneros pelo de sua preferência), ou melhor, supervalorizar.
Muito antes de completar minha primeira década eu já escrevia bilhetinhos apaixonados e colocava na mochila do meu amado. Claro que nunca recebia retorno algum, mas isso não me desanimava. A palavra "amor" foi adicionada muito cedo ao meu vocabulário e a idéia de que a única maneira decente de se viver é ao lado da sua cara metade ficou impregnada em mim.
Mais de dez anos depois, eu finalmente compreendi que não é tão fácil viver um romance e que não existe "felizes para sempre". Mas agora eu não tenho mais paciência para esperar pelo anoitecer. Não quero esperar seis meses. Não quero dizer "eu te amo" só para a minha cadela.

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Pense rápido.

Ontem à noite eu estava entediada e cortei os meus dedões do pé. Pelo menos agora posso voltar a pegar emprestado os sapatos da minha mãe.

"Je t'aime tant"

Ela me disse que se eu mostrasse as minhas tristezas ao mundo elas se encantariam com ele e me abandonariam.
Já fiz isso há muito tempo e agora constato que elas me amam. Quase tanto quanto ela.

domingo, 10 de abril de 2005

- Oi.
- Oi. E aí, tá rica?
- Ham?? Rica? Ô. Hieheihieheiheihei.
- Ehuehueheuheueh.
- Já tenho dinheiro pro ônibus. Quero trabalhar, la la la la. Quer dizer, querer não quero muito. Heheheheheh.
- Entendo. Você quer é o dinheiro.
- Queria acordar e ganhar 50 reais, só por acordar.
- Eu também quero. Hehehehehe.
- Vamos falar pro tio Lula. Ehiehiehiehiehie. Um estímulo pra nós estudarmos.
- ... Porra. As latinhas de cerveja estão muito pesadas.
- Vai beber?
- Terminei uma agora.
- Sozinha?
- É.
- Aff. Você não vai fazer festa esse ano?
- Eu não. Meu pai ligou pra falar comigo, pra combinar alguma coisa amanhã... eu fiquei me controlando pra não chorar no telefone. Não sei exatamente porque, mas meu aniversário me deixou triste. Isso nunca tinha me acontecido.
- Sei como é... Fiquei muito triste no meu aniversário que passei em Campina Grande, me controlando o dia todo pra não chorar... é horrível. Mas nunca mais vou deixar acontecer, até porque meus aniversários são sempre meio vazios... Mas pra você deve estar sendo estranho. Mas fica assim não, você tem dezenove anos e eu dezoito... Sabe que eu acho que todo mundo aqui no Rio me acha maluca demais? É como se todo mundo me criticasse de um jeito ou de outro.
- Afe... Eu tenho andado mais estranha que o normal.
- É engraçado, porque parece que aqui as pessoas são mais provincianas do que aí. Mas acho que é só questão de não ter ainda conhecido as pessoas certas. Por quê?
- Acho engraçado imaginar que o povo deve olhar pra mim e achar que eu tenho algum problema mental.
- Eiehieheiheiehiehiehiehie. Por que olhariam assim?
- Porque eu tenho agido meio... debilmente. Sei lá... Acho interessante ficar olhando pro teto... Muitas vezes mais interessante que certas aulas. Não fico olhando pra luz porque fode meus olhos... Bah, não tem como explicar.
- Eu te endendo. Estamos tendo as mesmas reações, só que distantes uma da outra. Duas perdidas.
- Nossa... Somos almas gêmeas!
- Eu também ando assim, meio débil, sempre fui né, mas agora mais. Acho que somos, eheiheiheiheiehie.
- Heuehuehueh.
- Que não conseguem viver naturalmente longe, eu pelo menos ando meio sem elo comigo mesma, com minha vida, meu passado, minha história... É como se nada tivesse existido.
- Eu imagino.
- É horrível não ter ninguém pra dividir, pra lembrar, pra rir das merdas...
- Também ando meio perdida... Nem com Luciana e Kelly tenho andado mais... Tudo é tãaao estranho ao meu redor...
- Ao meu também, hehehehe... Parece que tô no lugar errado, na hora errada SEMPRE. Antes eu achava engraçada minha leseira, agora não acho mais.
- Ehehehehe.
- Fico me sentindo mal com cada coisa que faço, como se todo mundo estivesse me julgando.
- Poxa... Eu tenho dançado com bonecas e cachorras.
- Hehehehehe. Coitada da MaDona. Mas isso vai passar. Deve passar. Sempre passa, né? Já passei por coisas piores em Campina e tudo passou e voltou a ser bom.
- Ela gosta.
- Deve ser necessário, é o que dizem os mais velhos, ho ho ho. Gosta? Ela deve ficar tonta, ehiehiehie.
- Hehehehehehe. Ela fica doidinha. É tão meiga... Ainda bem que tenho ela pra me alegrar mais um pouco. Ainda tenho que tomar banho. A última vez foi sexta-feira. Tô com a escova no cabelo desde quinta-feira.
- Hahahahahaha.
- Já estou sentindo os piolhos nascerem.
- Tá mal, hein?
- AHuHAuHauHauHauHAUh.
- Minha mãe disse que você tá linda.
- Ela ainda não tinha me visto de cabelo curto.
- Hihihihi.
- Disse que antes você tava feinha, mas agora... hohohohoho, briiiiiincando, pelamordedeus, brincando! Amigo, amigo, ehehehehehehehe.
- Já te contei que descolori as pontas, né?
- Contou. Queria fotos...
- Quando tirar te mostro. Tirar que é o "pobrema", hehehe.
- Ehieheiheiehiehie. Manda K ir aí pra tirar. É teu aniversário, afinal, ehehehehe.
- Euehuehueheuheuhe. Será...
- Se tu não mandar eu mando, ho ho ho.
- Afe. Eu vejo se tiro alguma na casa de Angélica.
- Você vai lá?
- De vez em quando. Tenho visto mais ela e Luísa nesses últimos dias.
- Eduardo salvou Angélica da clausura, ehehehhe.
- Heuehuehueheuhe, é verdade... Meu joelho tá doendo. Acho que é de ficar sentada nessa cadeira...
- Ehehehhehehe. Meu joelho não dói de ficar sentada. Aliás, meu joelho é a única coisa que não dói... Queria um gravador de CD... Queria tanto.
- É bem útil.
- Ou melhor, queria um iPod. Ia ficar amarradona ouvindo música no trabalho, no ônibus, na aula, em todo momento. Ia fingir que estava prestando atenção nas merdas burguesas dos outros. Ia rir sem fingir... Ia ser ótimo.
- Heuheuheuheuhe. iPod é um MP3 player, né?
- Exato.
- Também queria...
- Deve ser muito caro, hieheiheiehiehie.
- Sim, meu pai vai me dar um celular, vou me livrar do meu tijolo. Meu pai me dá um celular e minha mãe me dá uma rede, hehehehehehehe...
- Rede? Ehiehieheihie.
- Sim. Ela me deu uma rede.
- Rede de dormir? Por que? Faz mal pra coluna, heiheihei.
- Sim. Ou, rede é legal. É emocionante. Só que eu não tenho armador no quarto e ficar na rede no terraço não rola, todo mundo que passar na rua te vê. Ah, Thiago me deu um CD de Nina Simone.
- Odeio tanto o meu computador, mas tanto, tanto!
- Tua mãe acabou de ligar, heheheh.
- Coitada, ela é carente.
- Ou.
- Me liga mil vezes. E eu tenho sempre que ter algo pra falar...
- Ela disse que Tânia queria me dar um presente...
- ... se não é porque não a amo mais. Por que ninguém me dá um presente? Heiheiehiehiehiehie. Aaaah, quero meu apartamento, um iPod e um computador novo. Acho que vou vender meu corpo. Pensa bem.
- Heueuheuehuehueh.
- Já acham que eu sou maluca, maluca e meia e ganhando dinheiro é vantagem, ehehehehe.
- Já vou, doidona.
- Ham? Doidona? Tá maluca?
- hUAhAhuHAuHUAhUAhuHA! Pô, eu sou uma pessoa antiga.
- Heiehiehiehiehie. Das antigas, doido.
- Não conheço as gírias novas da parada. hahhauHUaUAUAUHAUhA.
- É isso aí, bacana, ein? Mas tu vai pra onde?
- Do balacobaco. Sair. Meus braços estão doendo, acho que vou ver um filme.
- Eu hein, que falta do que fazer, ehiehiehiehiehie. Aposto que você já sabe o final. O meio e o início.
- Pia. Esse povo que faz cinema... Pra início de conversa eu nem sei que filme vou assistir, hehehehe.
- Eheiheiehiehieheihie. Tudo bem, então pega de olhos bem fechados.
- Só porque eu gosto de adivinhar os filmes.
- Eu entro em sebo assim agora, ehehehehhehe.
- Eita, hUAhUAhuahUHAuHA. Já deu em muita merda?
- Não, eheheiheiehiehie. Eu vou nas sessões que me interessam, hehehehehe. Vou começar a ler "Trópico de Câncer" de Henry Miller, o equatoriano disse que eu tinha um estilo parecido com o dele, fiquei tão feliz, ehieheiheiheiheie.
- Heuehuehueh. Eita. Tu sabe que Caio disse que eu fazia stream of consciousness naquele texto sobre a gente, né? Eu me caguei todinha. Sou a nova Virgina Woolf, hUahUAhHauHA.
- Que porra é isso? Sou ignorante, ehiehieheiheie.
- É uma característima dela e de Joyce. Deixa eu ver se tem falando aqui nomeu livro pra te dar uma esplicação mais certeira.
- Esplicação...
- Eita porra. Caralho. Que erro horroroso!
- Liga não, ehieheiheiheiehiehieheihie. É que eu sou nerd agora e reparo nessas coisas.
- Eu tô com essa mania feia agora. Não, eu também reparo! Sou chata que só a porra com isso, mas tô com mania de errar coisas que eu sei, como se não fosse suficiente errar as que não sei.
- Ehiehiehieheiheiheiehiehie. Eu também faço isso, beibe. É o normal, é o que acontece com seres dementes, hihihi. O que te incomodou na minha narrativa no conto? Nathalia disse "gostei, mas acho que você poderia melhorar algumas coisas na narrativa". Será que só quem vai gostar é você e Soromenho? Hieheiheiheiehiehi.
- Eheuehuehuehueh. Acho que só os erros gramaticais me incomodaram mesmo.
- Tanto assim? Hieheiheiheihe.
- Não.
- Me dê uma "esplicação", ho ho ho.
- Mas como disse, sou chata.
- Eu sou má.
- Tá masas. Caralho. Tá massa. Se prepare.
- Heiheiehiehieheiheie.
- Sim, mas continuando.
- Tô morrendo de rir aqui, professora de português. Fala.
- Não tem no livro. Mas seria mais ou menos os pensamentos dos personagens misturados no meio da narrativa, entende?
- Qual foi o texto?
- Aquele em inglês (dã) que eu postei no "Babados & Firulas".
- Tia Virginia era frígida, ho ho ho. Mas tudo bem, você não é. Tá, tudo bem então. Ehehehehehe.
- Eu sou. Hohohohoh. Ainda não tive um orgasmo com um homem esse ano. Tudo bem que falando assim parece mais que eu sou "lébsca", eheeheheh.
- Teve consigo mesma?
- Tive.

sábado, 9 de abril de 2005

Satisfaction

Sabe qual a maior satisfação de uma mulher? Não, não é ter orgasmos múltiplos, aliás, isso é algo muito raro. É você saber que pode pegar qualquer roupa do seu guarda-roupa porque se depilou ontem. Você se torna uma pessoa mais forte depois que passa a se depilar com cera todos os meses. Fazer tatuagem vira fichinha. Lidar com os homens? Aí acho que só quem depila tudo - quando eu digo tudo, pensem em tudo mesmo, principalmente os lugares mais "inóspitos".

quinta-feira, 7 de abril de 2005

Taï "now we are together" says:
você também não viu minhas atualizações

Anike says:
vi sim

Anike says:
n me lembro pq to bebada

Anike says:
mas vi

Anike says:
eheheheh

Taï "now we are together" says:
já?

Anike says:
sim

Taï "now we are together" says:
bebeu em casa mesmo?

Anike says:
mais ou menos

Anike says:
comecei no leblon

Anike says:
passei pra botaqfogo

Anike says:
e cheguei em casa q tb eh em botafogo

Taï "now we are together" says:
ehhehe

Anike says:
soh q agora to bebendo sozinha

Taï "now we are together" says:
ah ;P

Taï "now we are together" says:
beber sozinha é mais triste que ir ao cinema sozinha ;P

Anike says:
ah

Anike says:
nao sei

Anike says:
faço os dois sozinha

Anike says:
entao nem ligo

Anike says:
ehehehehe

Taï "now we are together" says:
eu só bebo sozinha quando estou deprimida ;P~~

Taï "now we are together" says:
o bom de beber é socializar

Taï "now we are together" says:
pra mim, claro ;P

Taï "now we are together" says:
na semana santa eu tomei umas cervejas com Laina e comecei a falar dos meus problemas

Taï "now we are together" says:
huehuehuehuehuehe

Anike says:
ehehheheehhe

Taï "now we are together" says:
coisa que eu quase não faço com a minha terapeuta, claro

Taï "now we are together" says:
ela só fica perguntando como era a minha infância em casa

Taï "now we are together" says:
ela quer porque quer que eu admita que não fui suficientemente amada

Anike says:
ahiahiahihaiahihiahiahaihaiahiahiahiahaihia

Anike says:
natural

Taï "now we are together" says:
hheheheheheheh

Taï "now we are together" says:
vou ver o filme de novo

Anike says:
vai la

Anike says:
divirta-se

Taï: revendo o filme que acabei de ver. says:
obrigada

Taï: revendo o filme que acabei de ver. says:
você também ;*

Anike says:
õ

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Por que não falo mais?

Por que não atualizo o blog todos os dias? Porque eu não tenho a vida suficientemente interessante e também não tenho mais imaginação. Será que se eu narrar tudo consigo fazê-los rir? Vamos tentar. Vou cagar e já volto.
Pronto. Hum, vejamos... Hoje eu acordei mais cedo que ontem mas passei a tarde na cama paquerando o prato de macarrão. Acho que estou com algum distúrbio alimentar bizarro, não tenho mais vontade de comer coisas saudáveis, não consigo engolir o meu almoço todo... Não é bulimia porque eu não vomito (apesar de viver enjoada) nem anorexia, senão eu não comeria chocolate, pizza... Levando em consideração o fato de que eu estou em processo de analfabetismo, talvez eu esteja regredindo. Estou voltando a ser criança, só que minha mãe não tem mais argumentos para me obrigar a comer (e mesmo se tivesse ela passa a semana em Campina Grande)... Certo, agora eu fiquei com medo. Finalmente saí da cama para tomar banho e ir para a terapia. E claro que não comi tudo. Deixei o purê e metade do macarrão com carne moída (o pior é que estava bom!). Como sempre, na terapia eu tive que falar sobre a minha infância. O negócio é que durante a sessão não só a psicóloga fica me analisando, mas eu também a analiso. Quando ela começa com as perguntas dela já sei que ela quer que eu fale sobre algum problema de infância que me traumatizou e me transformou no que eu sou hoje. Bach. Saí da terapia e vim pro computador.

E aí, foi bom pra vocês como foi para mim? Ugh.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

sábado, 2 de abril de 2005

Relation ship

Antes do pôr-do-sol eles se encontram e decidem tomar um café. O lugar escolhido é calmo e bucólico. Eles escolhem uma mesa perto da mata e - demoram um pouco, mas - fazem seus pedidos. Depois disso começam a conversar sobre qualquer coisa. Nada que mudaria a vida dos dois naquele momento.
Seus pedidos chegam e eles se calam parcialmente. Ela bebe o seu suco e ouve atentamente o que ele fala periodicamente. Como sempre, ela tem medo, prefere só ouvir, sente-se sempre superficial e desinteressante quando começa a falar.
Então as palavras dão lugar ao canto das cigarras e ao farfalhar das árvores.
Eles se separam algum tempo depois, mas ela não pára de perguntar-se o que teria feito errado desta vez, o que virá então a acontecer, no que deveria acreditar. Ela sente a necessidade de esperar algo mas não sabe o quê.
Ela ainda precisa apanhar um pouco mais para saber que não adianta tentar ser outra que não ela mesma. Mas ela continua amedrontada. Desarmada. Desamada.

Thaïs Gualberto

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Conheçam o Umbigo:

- Vadia. Vagabunda.
- É o quê?
- Desculpe-me, é que eu tenho síndrome de Tourette - e segue adiante à procura de uma nova vítima - Babaca, cretino, vi-a-do!
- Ora, seu...
- Eu tenho síndrome de Tourette.
- E eu com isso?
- As palavras pulam da minha boca, não consigo controlá-las.
- Que estória absurda é essa? Eu por acaso tenho cara de idiota?
- Tem. Viu?! Eu jamais diria isso.

quinta-feira, 31 de março de 2005

Quais seriam as sensações do amor?
- Êpa...
- O que foi?
- Acho que vou vomitar...
- Você está passando mal?
- ... Alarme falso, só estou amando.



PERGUNTA: Se Cebola é sobrenome, qual o verdadeiro nome do Cebolinha? Ele é judeu, pra ter nome de tubérculo? Pode reparar que ele não gosta de emprestar dinheiro...

quarta-feira, 30 de março de 2005


Eu os observo. Bebendo, conversando, trabalhando e anotando. Na esquina do bar eu os observo, sendo pouco observada. Melhor assim. Penso, e muito, mas nada encontro. Queria criar, mas minha musa parece estar de recesso. Não crio, não converso nem me divirto. E há quem não compreenda como se fica sozinho em meio à multidão. Posted by Hello

terça-feira, 29 de março de 2005

Pedro Bó pergunta, Umbigo responde.

- Por que as coisas estão sempre no último lugar que procuramos?
- Porque você não vai continuar procurando depois de encontrar, vai?

sábado, 26 de março de 2005

Barbie de cinema. Sem sentido nem qualidade.

- Eu ainda tô sentindo o cheiro de Barbie do cinema...
- Tinha uma Barbie no cinema?
- Não.
- E de onde vinha o cheiro?
- Do cinema.
- Mas de que lugar do cinema?
- O cinema tem cheiro de Barbie.
- Barbie?
- É, Barbie nova.
- Você tá maluca?
- É que você nunca teve uma Barbie, não sabe como é o cheiro.
- Quem te disse que não?
- Você tinha uma Barbie?
- Eu não disse que tinha.
- Você sabe como é o cheiro de Barbie nova?
- Eu poderia saber.
- Como? Roubando as Barbies da sua irmã? Ou pedindo uma de presente pro seu pai?
- Por que não?
- É...
- As pessoas são capazes de coisas mais estranhas.
- Você não cheirava as caixas de Barbie, cheirava?
- Elas tinham um cheiro tão bom...

quarta-feira, 16 de março de 2005

Musicalidade II

Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isso vai lhe causar muita dor
Vou enfiar meu microfone pela sua boca
Não terá coragem nem de dizer que estou rouca

sexta-feira, 11 de março de 2005

Menina e mulher II

Outra coisa que me assustou no meu “novo corpo” foi o aumento da minha libido: de repente eu passei a sentir uns arrepios ao ver passar aqueles jovens saudáveis e cheios de vida...
Comecei a procurar namorados, mas logo me dei conta de que era algo muito mais difícil do que eu imaginava. Acho que as outras, que envelheceram antes de mim, foram mais espertas e pegaram logo todos que prestavam e eram heterossexuais. Primeiro eu pensei em “converter” um gay, mas depois vi que era mais fácil, lógico e saudável converter um não-gay, mesmo. Resolvi me contentar com os homens comuns e até que me renderam boas experiências, mas a vida útil dos relacionamentos era muito curta. Em menos de um ano o prazo de validade expirava e eu tinha que sair correndo. De vez em quando uma das mais experientes abria mão dos seus e eu conseguia fisgar, mas eu não era competente o suficiente para segura-lo e em pouco tempo ele me escapava.
Desisti da pesca muito cedo, mas não virei vegetariana, ainda tenho a esperança de que um peixe vai sair da água e vir pulando até mim. Não que isso seja provável, mas até lá eu me faço de celibatária.

quinta-feira, 10 de março de 2005

Menina e mulher I

O mundo tem mistérios que às vezes ninguém explica e estou certa que um dos mais absurdos aconteceu comigo.
Até os meus dez anos sempre levei uma vida normal e fazia tudo que as garotas da minha idade faziam: brincava de boneca, pulava corda e vivia me desentendendo com os meninos.
No dia vinte e quatro de outubro de mil novecentos e noventa e seis eu fui dormir da mesma maneira que vinha fazendo por toda a minha vida, mas por algum motivo que eu não saberia explicar, foi a noite mais estranha que já tive. Eu faria onze anos no dia seguinte, mas acordei com vinte e um. A primeira coisa que senti foi dor. A dor de ter todos os meus órgãos esticados e também a dor que eu sentia por estar usando uma calcinha apertada demais. Então veio a necessidade urgente de encontrar uma tesoura. Corri até o escritório da minha mãe (já que no meu estojo eu só tinha tesoura sem ponta para cortar papel) e cortei minha calcinha. Foi aí que eu conheci os meus pêlos pubianos. Corri de volta para o quarto e comecei a explorar as mudanças mais assustadoras. Além dos pêlos, haviam crescido também os meus seios e aparecido o meu primeiro desgosto de mulher: eu estava cheia de estrias.

quarta-feira, 9 de março de 2005

Miss Bitter's Blues

Mamma
They wanna get me insane
Help me mamma
Help me please
They're playin' with me, mamma
Kill 'em all

They're mean
I've seen
They're bad
Made me sad
And their beauty...
Their damn beauty
Makes me feel so mad

Pappa
What could you do?
They lied to me, pappa
And I hate liars
Will you kill them, pappa?
Do you promise?

Sister
Do you still remember your name?

segunda-feira, 7 de março de 2005

Last nite

- Ô morena...
- Esse não é o meu nome.
- Então me diga qual é.
- Pra quê?
- Para que eu possa repeti-lo em meus sonhos.
- Mas como é galanteador.
- Sou apenas sincero.
- Duvido muito.
- Não seja tão incrédula.
- Só se você parar de mentir.
- E por que acha que estou mentindo?
- Porque é o que todos fazem.
- Você está muito tensa. Olha, eu não vou te fazer mal.
- Claro que vai.
- ... Eu vou ali pegar uma cerveja, tá?
- Bush it.



Foi-se o tempo das comédias românticas, agora é a hora das tragédias.

domingo, 6 de março de 2005

sexta-feira, 4 de março de 2005

O julgamento de incógnitas

- A sessão está aberta. A promotoria pode ser apresentar.
Uma mulher morena de cabelos presos em coque se levanta e começa a falar em um tom sério:
- A senhora X admitiu ter matado friamente o seu namorado...
- Não.
A juíza a repreende pela interrupção e a ré se desculpa. A promotora prossegue:
- A senhora nega ter matado o senhor Y?
- Não.
- Mas não foi o que acabou de dizer?
- Eu não neguei tê-lo matado. Mas ele nunca disse ser meu namorado. Sempre me apresentava como uma amiga. E tampouco o fiz friamente, muito pelo contrário, eu estava em chamas.
- Será que poderia explicar para o júri o que quer dizer com “em chamas”?
- Eu estava furiosa com ele.
- E a senhora estava na TPM, então não pôde controlar seus impulsos?
- Ele foi um filho da puta.
A juíza fez outra repreensão.
- Por favor, controle o seu linguajar.
- Perdão, meritíssima. Mas a senhora, como mulher, e até mesmo a promotora, com certeza conhecem tão bem quanto eu os motivos pelos quais me deixei levar pelos meus impulsos, como bem disse.
A promotora se apressou em discordar da ré.
- Não sou eu quem está sendo acusada por assassinato.
- Mas vai me dizer que nunca teve vontade de esganar um namorado mentiroso?
- Ora, não vejo motivos para expor minha intimidade aqui para você.
- Eu só estou tentando lhe mostrar que a minha intimidade não é tão diferente da sua.
- Então me mostre. Quais foram os justificáveis motivos do homicídio?
- Nunca disse que eram justificáveis, promotora. E gostaria que a senhora fosse menos sarcástica. É a minha vida que está em jogo, não me faça sentir incontroláveis impulsos de estrangulá-la.
Essa última frase fez com que todos no local ficassem inquietos e causou problemas para que a juíza conseguisse controlar os ânimos dos presentes.
- Que pessoal sem senso de humor...
- Senhora X, por favor deixe de lado as piadinhas e diga o que tiver a dizer em sua defesa. – falou a juíza em um tom sério.
- Sim senhora.
Só então as faces da promotora começaram a retornar à sua cor original.
- Então... Ele foi muito gentil para me conquistar, mas isso é meio óbvio. No início dava sempre notícias, me informava sobre os detalhes da vida dele, me fazia quer que teríamos um futuro.
- Aí ele fez sexo com você e foi embora? Isso não é uma exclusividade sua, sabia? – interrompeu a promotora, impaciente.
- Nada do que eu vou dizer será inédito, promotora. Aliás, qual é o seu nome?
- Z.
- Z, ótimo. Então, Z, ele não estava comigo por causa do sexo. Eu não sou a Hilda Furacão, mas se fosse por isso eu entenderia e me contentaria em desprezá-lo. Mas ele sempre me tratou muito bem e parecia se preocupar comigo.
- Um motivo plausível para um assassinato.
- Mas será que dá pra você calar essa sua boca venenosa? – gritou X, impaciente.
A juíza começou a bater seu martelo, exigindo ordem. Mas X continuou:
- Não se preocupe, eu sei que vou ser presa! Eu só quero ter a chance de me explicar, será que eu posso? Afinal, foi para isso que convocaram esse julgamento, não é mesmo? Porque se for uma só uma encenação eu paro por aqui e me deixo ser levada para a cadeia.
Todos na sala permaneceram temerosos e silenciosos.
- Obrigada. – e continuou – Eu apenas cansei de ouvir sempre as mesmas desculpas. Eu cansei de me iludir com falsas promessas.
Z se controlava para não interrompê-la.
- Pra que ele dizia que era especial? Era a mim ou a si próprio que queria enganar? Eu juro diante deste tribunal que não vejo o que poderia tê-lo feito mentir para mim. Por que em um dia ele está todo carinhoso comigo e no outro se mostra totalmente blasé? Por mais que eu tenha tentado intensivamente nesses poucos anos da minha vida, nunca consegui entender o que os homens queriam. Talvez os exemplares masculinos do nosso júri possam me explicar. – nenhum jurado ousava abrir a boca – Não se preocupem, eu não vou matá-los, ninguém aqui me iludiu.
A juíza falou em um tom meio maternal:
- Senhora X, nós seres humanos somos volúveis. Um dia acordamos e vemos que o eu achávamos que queríamos ontem não é o que queremos hoje. Todos temos os nossos problemas, mas isso não é motivo para sairmos matando uns aos outros.
- Não... às vezes eu acho que eles fazem de propósito.
- Eles?
- Os homens.
- Ora essa, tenho certeza de que há muito homens sensíveis e muitas mulheres insensíveis por aí.
- Mas são justamente esses os piores! Eles te dizem o quanto gostam de crianças, o quanto os seus olhos são bonitos e um dia simplesmente descobrem que procuram algo mais especial. E você, que acreditava ter encontrado o cara com quem seria guardada junto em um vaso de porcelana, de repente perde as asas e cai. Aquelas palavras antes tão doces e melodiosas agora só servem para arranhar o seu coração.
X pára de falar e pode-se ouvir o choro de uma mulher no fundo da sala. A juíza pede a um guarda que a leve para fora, mas ela recusa o auxílio do segurança e se retira sozinha.
- Isso é tudo que eu tenho a dizer em meu favor.
- Mas e quanto à cena do crime
- Z, vamos fazer um recesso de dez minutos e depois você pergunta isso, ta? – a juíza engole toda a água que estava em sua boca e em seu copo e se retira do recinto.
A promotora fita a ré e esta fita suas mãos. A primeira sumiu, mas o julgamento foi retomado e a segunda se limitou a confirmar ou negar os fatos. Obviamente, foi condenada e passou longos vinte e cinco anos sem ouvir as mentiras ou as verdades ditas pelos homens. Saiu da cadeia envelhecida e amargurada, passando o resto a vida a cuidar de um furão que ganhou assim que teve a liberdade, o último homem da sua vida. Suicidou-se quando este morreu.



Thaïs Gualberto

quinta-feira, 3 de março de 2005

Não dou mais tiros no escuro, só no claro. Agora só falta lembrar de fazer a mira.



Essa noite eu sonhei que era presa. Presa a algo eu com certeza estou. Meus paradigmas nunca me abandonam. Malditos.

quarta-feira, 2 de março de 2005

O rei e a rainha

- Um, dois, três...
- Ô meu rei, você tá bem?
- Tô sim, pode dormir.
- Tu sabe que eu só durmo quando tu se deita.
- Uma mania muito feia, por sinal. Dorme que jajá eu vou pra cama.
- Eita home teimoso. Tá bom, vou tentar. Boa noite.
- Boa noite, minha abelha rainha.
- Eita home romântico...
- Doze, treze, catorze, tá quase lá... dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte.
Ele fecha a torneira e coloca a pasta na escova de dentes. Escova-os minuciosamente para não correr o risco de se esquecer de um dente sequer. Enxágua a boca e bochecha a água diversas vezes até certificar-se de que não há mais resquícios de pasta em sua boca. Guarda a escova de dentes com carinho e com cuidado e finalmente vai se deitar.
- O que é que você contava tanto lá, home?
- Tenho que tomar cuidado para não "ingerir coliformes fecais" por causa da escova de dentes. Você tem tampado a privada para dar a descarga?
- Boa noite, rei.
- Boa noite uma pinóia, me responda.


Thaïs Gualberto

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

mIRC diariamente

[A] ;DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD DDDDDDDDDDDDDDDDDD
[B] ????????
[A] ouxe
[A] tais lembrada de mim não eh?
[B] quem é você? o,o
[A] Júnior, tú é doida se não lembra de mim mermo eheheheheheheheh
[A] ;P
[B] tem certeza que você me conhece?
[B] qual o meu nome?
[A] Júnior
[B] o MEU
[A] qual o seu?
[A] ah sim
[A] não é a Juliana?
[B] não
[A] Ok desculpe
[B] normal

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

BASEADO EM FATOS REAIS: Narração desnecessária

- Ele é viado.
- Ele pode ser bi.
- Ele é muito solto. Só um viado se solta assim, homem geralmente é mais preso, ele é bem despreocupado.
- Ele me perguntou quem estava aqui. Ele quis saber se eu estava acompanhada.
- Mas tu viaja... Olha, pegou na mão do outro. Ele tá dançando na frente do outro, é viado, perdeu, ele tá paquerando geral com o outro.
- Ele ainda pode ser bi...
- Ô bichinha... Agora ele pegou na cintura do outro. Vai agarrar... Agarrou! Perdeu, agarrou.
- Mas ele pode ser bi...
- Que desperdício...




[A] B de onde vc é
[B] paraíba
[A] B vc é Paraiba ?
[A] LoL
[B] A éeeeee
[A] B nunca fikei com uma paraiba
[A] B pra tudo se tem uma primeira vez
[B] se depender de mim a situação não se altera
[A] B pow q fora
[C] hahahah A vc jah deveestar acostumado neh hahahaha
[A] C lol esse fora naum conta pq garotas q são PARAIBAS são consideradas banco de esperma
[B] ou meu deus
[B] só que meu banco não tá aceitando esperma de babaca ;)

Problemas acentuados

Qualquer pessoa que tenha lido um livro editado há mais de vinte anos pode perceber o decréscimo de acentos nas nossas palavras. Não estando satisfeitos, os gramáticos da língua portuguesa continuam a castrar nossas acentuações e a última vítima foi o trema. Até hoje não sei ao certo o porquê da exclusão do trema (que por sinal continua vigente nas gramáticas brasileiras) quando até mesmo com ele nossos conterrâneos falam absurdos como “tranquilo”.
Estou sentindo um processo de analfabetismo agudo não só nos outros, devo admitir que me pego em dúvida quanto às questões mais banais. Não sei se posso culpar a internet, onde a necessidade da comunicação rápida (para não dizer urgente) faz com que usemos abreviações e deixemos de lado coisas como pontuação e acentuação, o que muitas vezes danifica a compreensão da mensagem, ou à televisão, onde mais uma vez a rapidez com que as imagens são transmitidas tornam os prazeres de uma leitura obsoletos. Ou talvez se dê simplesmente pelo fato de que uma leitura seja considerada perda de tempo ou desnecessária em tempos onde a televisão e, principalmente, a internet atendem e se encaixam mais perfeitamente no nosso mundo corrido de globalizado.
Como a boa velha rabugenta e reacionária que sou, continuo prezando não só pela manutenção do trema, mas pelo respeito à minha língua, que pelo fato de ser viva não só se modifica ao decorrer do tempo, mas também se contorce e faz cara feia quando alguém chama coco de cocô.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

O homem do walkie talkie

Lá estava eu no meio do nada. No cafundó do brejo, onde o vento faz a curva e carrega as botas de Judas. Sentado ao meu lado estava um careca. Assim que bati os olhos nele tive a impressão de que vinha de um lugar que ninguém conhecia. Até aí tudo bem, eu disse a mim mesmo que era uma alucinação. Enquanto esperávamos pelo ônibus (era o ponto final antes do abismo engolidor) o maluco pegou o walkie talkie amarelo que carregava consigo e entrou em contato. Cumprimentou-me de uma forma pouco usual e começou a falar sobre coisas que eu não teria a capacidade de descrever.
Pelo pouco que pude entender, ele é de um lugar chamado Albertane e lá eles utilizam o cérebro bem melhor que nós (o que eu achei suspeito, porque a criatura usava apenas cueca e nunca se barbeava).
Cansado de conversar com um ser inferior, o habitante extra-terrestre catucou seu walkie talkie (ou algum outro equipamento semelhante) e começou a comunicar-se com Marte. Ele conseguiu fazer contato com a nave-mãe e graças à graça de Pete pôde ser resgatado. Nesse curto tempo em que passamos juntos senti o quanto aquela presença me iluminou. Segurei as longas barbas daquele homem careca e implorei que me levasse consigo. Ele me olhou transmitindo confiança e pediu que esperasse até que voltassem para me buscar.
Um bom tempo se passou, o meio do nada se transformou na maior rua da cidade, mas eu continuo esperando por ele. Tento não me barbear, assim como eles, mas o calor da cidade não me permite. Tento manter o cabelo raspado, mas ele cresce rápido demais. Há pessoas que acham que eu sou louco, mas pouco me importa a opinião desses seres inferiores, sei que os homens carecas do pé grande virão me buscar, mesmo que você diga que eu estou hiperventilando, não vou desistir. E só quando eles vierem me buscar é que eu sairei desta parada de ônibus. Pode não ser hoje. Pode ser amanhã.


Thaïs Gualberto

Baseado na música Man From Milwalkee e inspirado no lendário habitante da Epitácio Pessoa

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Musicalidade I

Ó cozinheira por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a canela que caiu do prato, deu dois suspiros e depois morreu.




- Você é linda.
- Obrigada...
- Nossa, que ânimo. Você deve ouvir isso com freqüência, né.
- Um pouco. Mas são poucas as vezes em que levo os elogios em consideração.
- Por que esse pedantismo?
- Não quero alguém que apenas me diga que sou gata. Quer saber o que é realmente um elogio para mim? Certa vez um namorado meu ficou me encarando por uma meia hora. Só olhando para mim. Eu estava nua e ele olhava apenas para o meu rosto, para os meus olhos. Eu me sentia desconcertada, envergonhada, não estava acostumada a ser encarada daquela maneira, mas gostava mesmo assim. Depois de meia hora sem se mover, sem dizer uma palavra, sem me apalpar ele finalmente me disse que eu tinha um olhar foda. Isso foi suficiente para me arrepiar dos pelos dos pés aos cabelos. Eu me senti elogiada. Não foi uma frase decorada para me agraciar, mas um elogio sincero que veio no devido momento. Eu não quero alguém que diga que me ama por conveniência, mas alguém que o diga quando sentir essas palavras explodindo em sua boca. Mas nem isso me é suficiente. Eu preciso de alguém que eu queira e que me queira da mesma maneira. E isso não é fácil.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

Tem coisa mais frustrante que abrir um pote de sorvete e só encontrar sardinhas?



- Eu quero um japonês pra sossegar o faixo ;~~
- Eu quero um cara legal e bonito. Que merda.
- Cada vez eu odeio mais os viados ;~~
- Nesses últimos tempos, pela primeira vez na vida, eu tô cansando de ficar tempos sem homens.
- Eu tô entrando em pânico ;~~ Tá foda ;~~ Nem homem pra ficar eu arranjo.
- Nem eu!! E olha que eu já desisti de procurar os deuses gregos. Agora eu só quero um decente.
- Hehehehehe
- Mas tá igualmente difícil de achar.
- Merda. Eu já tô paquerando os japoneses coroas que entram no ônibus ;P~~
- Mas tem que ser, necessariamente, um japonês?
- Não. Mas se é pra paquerar um coroa que seja pelo menos um japonês.

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Não sei se o que me incomoda mais é a perfeição mentirosa das comédias românticas ou a verdade imperfeita PERTO DEMAIS.

domingo, 16 de janeiro de 2005

Gorda, solitária e deprimida.

Essa noite, antes de dormir, eu estava lendo O Aleph, de Jorge Luís Borges. Dei-me por vencida pel'O Imortal e socorri à Laranja Mecânica, mas ao pegar o livro vi que Borges tinha me vencido mais uma vez: a editora do segundo livro era a Aleph. 2x0. Que ao menos o aleph me ilumine na hora da prova.
Dizem que coincidências não existem, mas que outra forma de explicar a minha recente (recentíssima!) descoberta da admiração de Burgess por Borges?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Intermusicalidade III

Dizem que sou louco. Só louco, amar como eu amei.



You tell me you'll be here for me
No matter how
You tell me you'll come to me
Wrote me a song of love just now
But how will I know if this is true
When everyone says 'I love you'?

All the songs and movies say
All you told me in your way
How can I believe in you
If you tell me movies weren't true?
You metrified your love for me
Told me that was the right way to be

1ª estrofe

Please don't banalize this feeling
'Cause banalization is what I'm hearing
Just tell me you love me and don't rhyme
Can you do it? Just be mine?
I love you. But not till the day I die.
Until the day I love you
You will be eternalized

1ª estrofe

Don't show our pictures to your friends
If don't love me, don't pretend
Just accept when comes the end
'Cause I know I'll love you
'Till the day
Our love die


Thaïs Gualberto

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

Even in its ugliness the world is so beautiful and even in its beauty the world is so ugly...



- Oi meu amor.
- Não fala assim comigo...
- Diz megera. Bruaca. Cachorra.

domingo, 2 de janeiro de 2005

O peixe e a flor

Ele não tem muito tempo restante na Terra como espécie. É lento, preguiçoso... muito pouco ágil. Por sorte está protegido e não tem mais predadores, o que lhe dá um tempo maior. O conheci aqui no rio e foi também aqui que a conheceu. No curto tempo em que foi à procura do ar, encontrou uma flor de beleza inédita para ele. Amada e amante dos animais, ela sorriu para o peixe-boi que lhe apareceu. Lavou as mãos na beira do rio e assim molhou as pontas dos cabelos negros.

Após esse ligeiro encontro meu vizinho só falava dela. Eu não a tinha visto e não entendia por que meu amigo peixe-boi, sempre tão calmo e indiferente havia se encantado dessa maneira por uma humana. Ele sonhava com a possibilidade de vê-la todos os dias e dizer-lhe, como um desjejum, o quão bela ela era. Tendo em mente que era impossível falar com ela, lembrou-se que eu podia adquirir a forma humana e pediu-me desesperadamente que fosse a encontro da sua amada. Ele tinha medo da minha índole e implorou-me que eu não fizesse mal a ela. Pobre peixe-boi, não tinha mais a quem recorrer e sentiu-se obrigado a confiar sua amada a um boto cor-de-rosa.

Assim que a Lua me favoreceu fui à procura da sua amada e a encontrei a poucos metros do rio, olhando para o céu e sorrindo para os astros. Soube imediatamente que era ela, pois reagi da mesma forma que o peixe-boi. Fiquei um longo tempo admirando aquela beleza que emprestava sua luz à lua. Podia sentir o cheiro que exalavam seus cabelos no meio daquela flora invejosa. Visivelmente mestiça, suas mechas negras se destacavam ao lado do seu corpo empalidecido pelo luar.

Em meio a tanta excitação, deixei escapar um ruído que a trouxe até mim. Diante daquela pele, mais macia que as pétalas das flores, esqueci-me de todas as palavras que havia decorado para satisfazer meu colega. Esqueci-me até dele, diante daquele sorriso encantador. Nessa noite fizemos coisas que eu jamais poderia contar ao peixe-boi. Retornei ao rio antes do amanhecer e nunca mais retomei minha forma humana.

As últimas notícias que tive dela foram pelo próprio peixe-boi. Ele veio até mim, com um olhar mais triste que o que já possuía, dizendo-me que ela não sorria mais.

Tenho medo de chegar perto das margens novamente e ganhar o olhar melancólico do meu conhecido. Se já não o tenho. Só tenho nadado em águas que não me espelhem.

De vez em quando encontro um garoto nadando nas águas hostis do meu rio. Toda vez que me encontra me fita da mesma forma que fitei sua mãe. Ele me diz que em poucos anos vai poder falar comigo. Depois solta um sorriso conhecido e volta para a margem como quem já nasceu nadando.

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

Real?

- Que queres?
- O que eu quero?
- É, o que você quer de mim?
- Quero que você me coma, caralho! Que coma o meu cu! É isso que eu quero!
- Calma, não precisa se alterar.
- Calma uma porra! Eu só faltei enfiar a tua cara no meio das minhas pernas!
- Tem certeza que faltou mesmo?
- Ora, seu viadinho de merda...
- Pra que falar algo que sabe que é mentira?
- Eu não sei de nada, nunca provei pra dizer qual é a verdade. A única coisa que eu sei é que você vem resistindo bravamente a todas as minhas investidas, sem motivos aparentes. Você não me acha feia...
- Não.
- ... não é comprometido...
- Também não.
- Então por que não me come?
- ...
- Me come, vai?
Ele sorri para ela e dá dois beijinhos em sua bochecha. Uma expressão de decepção indescritível toma conta da face dela enquanto ele se distancia.

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Pra fazer esse povo criar vergonha na cara.

[15:32] (devasso-cam-pr) oieee
-
Devasso-cam-PR is ~sexi@g0uVJxteEug.200.188.223.O * sexu
Devasso-cam-PR on #recife #webcam #gayrecife
Devasso-cam-PR using US.BRASnet.org Estados Unidos
Devasso-cam-PR End of /WHOIS list.
-
[15:32] (devasso-cam-pr) td bem?
[15:32] (devasso-cam-pr) h ou m?
[15:33] (devasso-cam-pr) ???????????????????????????????????
[15:34] (devasso-cam-pr) ?
[15:34] (devasso-cam-pr) ?
[15:34] (devasso-cam-pr) ?
[15:34] (devasso-cam-pr) ?
[15:34] (devasso-cam-pr) ?
[15:34] (devasso-cam-pr) ?
[15:34] (bloodberry) oi
[15:34] (bloodberry) m
[15:34] (devasso-cam-pr) okey
[15:34] (devasso-cam-pr) me chamo Luan e vc?
[15:35] (bloodberry) thais
[15:36] (devasso-cam-pr) prazer
[15:36] (devasso-cam-pr) eu tava no canal feirinha mais sai
[15:36] (devasso-cam-pr) te vi la e estamos aqui........
[15:36] (devasso-cam-pr) gual a sua idade?thais?.......
[15:44] (devasso-cam-pr) gual a sua idade?thais?.......
[15:44] (devasso-cam-pr) gual a sua idade?thais?.......
[15:44] (bloodberry) 19
[15:44] (bloodberry) e a sua?
[15:44] (devasso-cam-pr) okss
[15:44] (devasso-cam-pr) 22
[15:44] (devasso-cam-pr) faz oque da vida?
[15:45] (bloodberry) estou justamente decidindo iso
[15:45] (bloodberry) no momento nada
[15:47] (devasso-cam-pr) okey...
[15:47] (devasso-cam-pr) eu faculdade
[15:47] (devasso-cam-pr) fotografia
[15:47] (devasso-cam-pr) vc tem msn?
[15:49] (bloodberry) legal
[15:49] (bloodberry) aonde?
[15:50] (devasso-cam-pr) moro em londrina
[15:50] (devasso-cam-pr) faculdade soares de neves
[15:50] (devasso-cam-pr) conhece?
[15:50] (bloodberry) não
[15:50] (devasso-cam-pr) desculpa....
[15:50] (bloodberry) e por que os canais de recife?
[15:50] (devasso-cam-pr) tc de onde?hahahaahahahhaa
[15:51] (devasso-cam-pr) entrei no jampa,no maceio,no natal e no recife
[15:51] (devasso-cam-pr) mais ja sai
[15:51] (devasso-cam-pr) es de recife?
[15:52] (devasso-cam-pr) ??????????????????.......
[15:52] (bloodberry) não
[15:52] (bloodberry) joão pessoa
[15:53] (devasso-cam-pr) sou afim de conhecer o nordeste
[15:54] (devasso-cam-pr) belas praias...
[15:54] (devasso-cam-pr) mulheres tropicais....
[15:54] (devasso-cam-pr) hahahahahahaa
[15:54] (devasso-cam-pr) deve ser bem legal
[15:54] (devasso-cam-pr) tem msn?
[15:56] (devasso-cam-pr) ???????????????????????...............
[15:57] (bloodberry) não ;P
[15:59] (devasso-cam-pr) que pena
[15:59] (devasso-cam-pr) eu ia me mostrar todo pra vc na cam
[15:59] (devasso-cam-pr) nao curti?
[15:59] (bloodberry) o que, exatamente?
[16:00] (devasso-cam-pr) oq eu ia mostrar?
[16:00] (devasso-cam-pr) oq eu ia mostrar?
[16:00] (devasso-cam-pr) oq eu ia mostrar?
[16:03] (bloodberry) bom
[16:04] (bloodberry) eu não sei o que você ia mostrar, mas provavelmente não seria algo que eu quisesse ver
[16:04] (devasso-cam-pr) nao gosta de homem nu?
[16:06] (bloodberry) gosto, mas tem que haver uma seleção antes
[16:06] (bloodberry) não é qualquer homem nu que é aprazível
[16:07] (devasso-cam-pr) bom faz assim
[16:07] (devasso-cam-pr) vc me ve e ce gostar td bem
[16:07] (devasso-cam-pr) ce nao vc desliga a cam
[16:07] (devasso-cam-pr) ok?
[16:07] (bloodberry) obrigada, mas não estou com vontade de te ver nu

O que mais me falta aparecer?

domingo, 19 de dezembro de 2004

O que você quer da vida?
Que seja rápida e indolor.



Mais do mesmo Pedro Bó.
- Ei...
- Oi, Pedro?
- Fala mais devagar?
- Por que?
- Eu não consigo entender o que você diz.
- E Por que não?
- Você fala muito complicado.
- Eu?
- É. Eu fico boiando.
- Tá bom, eu vou tentar usar um léxico mais popular com você. Ops! Léxico não é popular...

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

BASEADO EM FATOS REAIS: Banheiro

Lá estou no evento de anime. Bem no meio de um quiz e bate aquele aperto. Dou uma fugida até o banheiro e lá presencio uma conversa no mínimo curiosa:
- Mas e como ela está?
- Agora já vomitou e está bem. Mas sabe o que foi? Ela tomou café e depois comeu manga.
- E foi?
- Foi, mulher. Tomou café quente, comeu manga quente e depois ainda tomou um comprimido.
- Táaa!
- Era pedir pra passar mal.
- Né isso! Tomar café quente e ainda comer manga quente!
- Agora ela aprende.



Acho que vou pra segunda fase... Espero dessa vez passar no vestibular, esse ano não tenho namorado pra me consolar ;P

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

BASEADO EM FATOS REAIS: Imagine a cena

O namorado e a namorada estão sentados na frente do computador e ela começa a mostrar algumas imagens pra ele. Mostra uma tirinha em espanhol. Ele pergunta:
- O que é "palo duro"?
- Pau duro. - supõe a namorada.
Nisso, a mãe da namorada grita lá da sala:
- O que é isso, menina??!?!

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

BASEADO EM FATOS REAIS: MSN


- E aí.
- Oi.
- Beleza?
- Na paz, e com você?
- Beleza. Que “ses” conta?
- Nada de novo. Semana que vem tem vestibular novamente. Iupi.
- Hehhe. Aí, viu quem sou eu, hahah. Mó monstro, né?
- Webcam nova?
- É, hahaha. Quer ver mais?
- Mostra.
- Olha o que tem no meu quarto.
- Gardenal?
- Hahahahaha! Colírio.
- Ahhhhhhhh. Aqui em casa tinha Gardenal.
- Credo.
- Meu cachorro tomava.
- Olha eu.
- Heheeh. Aquilo ali atrás é um berimbau?
- Hahahah. É. Mas a cabaça quebrou.
- Hehehehe. Mas é só de enfeite mesmo?
- Tocava.
- Legal.
- Só que minha mãe derrubou e quebrou.
- Eu comprei um, mas nunca consegui tocar direito, aí desisti.
- É “facim”. “Se” mora “na” onde?
- João Pessoa, Paraíba.
- Hum... Sério?
- Sério. E não é a primeira vez que você não acredita nisso.
- Hahahahah. Mas deve ser da hora... Tem muita opção de lazer aí?
- Bom... Depende. Tem algumas festas, shows, normal.
- Se sai muito aí?
- Tem barzinhos, essas coisas. É uma cidade normal. Saio toda semana.
- Um. Você namora?
- Sim, eu também sou uma pessoa normal. Mas no momento estou solteira.
- Hum... É bom dar uns beijos, né?
- É sim.

domingo, 5 de dezembro de 2004

Intermusicalidade II

Eu fui dançar um baile na casa da Gabrieeeeelaa, sempre Gabrieeeeeeeeela.

Imagine a cena:
Uma garota andando na calçadinha da praia de Manaíra com uma bolsa transparente. Um rapaz vem na sua bicicleta e pára, aparentemente para ajeitar algo nesta. Ela passa, ele sobe na bicicleta e a chama:
- Ei!
Ela se vira. Ele tem uma cara de mau; amedrontadora.
- A senhora fuma?
Ela está com uma carteira de Lucky Strike na bolsa translúcida.
- Não.
Ele parece ter se desapontado.
- Faz bem. Não tem câncer.
Ela segue em frente. Ele provavelmente também.

Baseado em fatos reais. Pessoas estranhas...

sábado, 27 de novembro de 2004

Fios

Dear God, what have I done?
Cabelos. Compridos - enormes seria a palavra mais apropriada -, invasores, incômodos e inconseqüentes. Lisos, ondulados ou cacheados, são todos irritantes. Os malditos se esparramam sobre a mesa da minha carteira sem cerimônia alguma, irritando-me até fazer levantarem-se os meus. Amarelados, negros, avermelhados ou castanhos, nenhum deles hesita em descer o plano branco à minha frente. Seus odores impertinentes insistem em penetrar-me as narinas e por mais que eu os evite, sempre escapa um, o gametazinho que fecunda os meus sentidos e incha a minha cabeça, de irriquietação e nervosismo.
E ao fim de uma manhã cheia de fios, tapas e invasões, volto para a minha casa, para confrontar-me com o espelho e irritar-me com os meus, sempre tão insistentes em se espalhar, e sempre tão dispersos à procura do mundo, tentando a todo custo saírem de mim; uns conseguindo, outros não.

segunda-feira, 22 de novembro de 2004


- Vai...
- Não.
- Só um pouquinho, não precisa nem engolir...
- Não.
- Só a cabecinha, então?
- Não, caralho! Eu sou romântica, só faço boquete em quem eu amo.
- Puta.


Finalmente escrevi um conto novo. Ele é meio grandinho pra ser postado aqui, quando eu mudar o layout do zoantropia o coloco no ar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Uni(duni-tê)lateralidade

Por que as coisas têm que ser tão unilaterais? Será que é mesmo demais pedir um cara legal, que me ame e que eu consiga amar de volta? De preferência um que não seja parente próximo do Frankenstein. Não precisa nem ser exatamente inteligente, mas que ao menos não tenha um intelecto (ou uma falta dele) irritante. Não quero nem que seja rico, mas prefiro que não seja um pé-rapado sem perspectivas.
Nem um sonhador. Nem um chato. Aquele meio termo, que sabe quando deve ser sério e quando a situação pede uma boa piada. Até porque, se o cara for sério o tempo todo, rola aquele clima de desconforto. E não dá pra casar com alguém com quem você não se sinta confortável.
Sim, casar. Ou melhor, amancebar. Eu que não vou jogar fora um cara tão perfeito, né? Claro que perfeito é só uma maneira de dizer, sei que não há uma pessoa perfeita no mundo. Até já encontrei um cara que eu considerava perfeito, mas sempre tive a impressão de não ter sido aceita pelos amigos dele. Tá, eu sou um pouquinho paranóica, mas não vamos sair do assunto principal.
Não que seja um pré-requisito, digamos... necessário, mas tenho uma predileção por orientais (japoneses, coreanos, vietnamitas...). Mesmo que seja só para ter um único filho de olhinhos puxados; crianças japonesas são a coisa mais fofa do mundo, dá até vontade de morder.
Ah, e por falar em morder, quase que eu esquecia de uma parte essencial: o sexo. O cara tem que ser versátil. Ou daqueles que é um ursinho carinhoso em um dia e um homem das cavernas no outro, ou daqueles eternos ursinhos carinhosos que não ligam se eu vez ou outra me perder na procura do elo perdido.
Também não queria um homem muito alto. Gostaria de algo mais homogêneo, não quero piorar minha dor na coluna. Se ele pudesse ser magrinho e branquinho também... como um Laka... Seria uma delícia.
Ah, e por favor, alguém que não seja amigo de algum dos meus ex-namorados; não quero ter a impressão de que estou no meio de um swing (algo me diz que vou ter que procurar em outra cidade). Se os nomes puderem ser diferentes, também ajuda. Não gostaria de chamar um e lembrar do outro.
Será que esqueci de algo? Acho que já está implícito que gostaria de alguém com os mesmo gostos musicais, cinematográficos e... qual seria o termo? Estilístico! Odiaria me produzir toda para o nosso aniversário e ouvir um "esse sutiã aparecendo não está fora de moda?" seguido de um "não há nada pior para uma mulher da moda que ser chamada de brega".
Enfim, eu basicamente, só quero alguém para amar.
Onde eu faço o pedido?

P.s.: Se fosse alguém mais ou menos da mesma idade seria ótimo!

sábado, 6 de novembro de 2004

Estou com a pulga atrás da orelha.
Hoje fui levar minha cadela para passear e ela tentou entrar em duas igrejas.


Quero alguém para lavar as minhas costas...

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Pólos opostos do corpo

Olhos x bunda
Sexo x sexo
Mãos x ?

Pensamento sem nexo. Hohoho. Só pra dizer que descobri que os olhos e as bundas são pólos opostos, inevitavelmente atraídos.

Acho que vou sumir um pouco. Minha mão está começando a doer de maneira preocupante... Vou tentar parar de escrever e não usar tanto a internet.