sábado, 19 de setembro de 2009
Epifania
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Auspicioso
Que as novelas exercem grande influência na vida dos brasileiros não é nenhuma novidade, eu mesma já cansei de ouvir pessoas ao meu redor falando "tic" ou "rarebaba" e afins. Mas quando alguém te diz na fila do banheiro onde há um submarino entalado na privada que ninguém está entrando lá porque ele não está muito "auspicioso", sinto que esse fato merece ser mencionado.
domingo, 6 de setembro de 2009
Acho que preciso me apaixonar
Já não é suficiente pra me acordar
Acho que preciso me apaixonar
Se o cantar dos pássaros de manhã
Só serve para me irritar
Acho que preciso me apaixonar
Se nenhuma música
É capaz de me relaxar
Acho que preciso me apaixonar
Mas se olho para os lados
E meu coração não encontra
Alguém para se entregar
Eu entrego a minha boca
Eu entrego os meus braços
Eu entrego o meu corpo
Sem nunca me apaixonar
Quando o tédio nas conversas
Paira no ar
Sinto que preciso me apaixonar
Quando a lua cheia
É só uma bola no ar
Sinto que preciso me apaixonar
Se até meus amores
Só conseguem me irritar
Sinto que preciso me apaixonar
O mundo está cheio
De homens e mulheres
Com os braços estendidos
Com os lábios entreabertos
Com o corpo estremecido
Mas não encontro
Em nenhum deles
O coração
Para me apaixonar
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Voltei
domingo, 16 de agosto de 2009
Suzane
O fato era que ela, desde que se recorda, sempre evitou ter homens ao seu redor. Estudou em escolas só para garotas, na universidade procurou fazer um curso onde a maioria dos estudantes fosse feminina. E dessa maneira foi seguindo adiante com a sua vida e nunca sentiu que isso fosse um problema até que ela se deparou com um sentimento inédito: a necessidade de se tornar mãe.
Mas não bastava adotar uma criança. Ela precisava senti-la crescendo em seu ventre, se alimentando junto com ela, nessa simbiose perfeita que é a gravidez. Mas a ideia do ato sexual com um homem a enojava, de maneira que mesmo uma inseminação artificial parecia-lhe algo repugnante.
Suzane resolveu ceder, pois o amor que sentia pelo seu filho já superava a sua aversão a tudo relativo ao cromossomo Y. De maneira que quando o seu filho nasceu, ela olhou pela primeira vez com ternura para um ser do sexo masculino.
sábado, 11 de julho de 2009
Player man
Why keep you playin’ with my heart?
I would give you the sun and stars
Though I know you won’t accept
‘Cause you don’t want my love
But you don’t let me go away
Make me smile everyday
That’s why I’m filled with hope
All my friends tell me to give up
But they know you would be
The right man for me
If you just let me love you
Oh my player man
Every night is sad without you
My cold feet don’t let me forget
That the man I love won’t love me back
If I just knew when I first met you
That you would make my heart beat so strong
I would have hugged you so you’d never
Ever ever go away
Oh my player man
That’s just how much I love you
Write a letter everyday
And burn it right away
‘Cause just as Billie I can’t admit
How hard will my heart beat
When you call my name
And in the empty crowd
I keep foolin’ myself
Pretending not to care
Pretendind to forget
A player man that makes me dream
Of a life I cannot live
A life where you would love me
And let me hug and kiss you
Even under the fiery sun
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Mentolado
- Puta. Que bosta mesmo.
- Foda.
- Arde.
- Só porque eu pedi spray pra garganta. Ele deve ter pensado que caso eu fosse fazer um boquete faria bem pra garganta também.
- Uma vez meu namorado botou. No começo era agradável, mas aí começou a arder e só parou de arder no outro dia.
- Que merda. E comprei logo dois pacotes porque a farmacia só entregava se completasse dez reais.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Gripe suína
aaaahm
ehehehhe
e eu ia te dizer algo e esqueci
merda
aaah
to com medo da gripe suina
o pior eh q parece q vai fechar td
e eu tenho q levar o ban no veterinario
"Violets are blue" diz:
afe ;P
PeggyDay diz:
na sua opiniao o veterinario vai ta aberto?
"Violets are blue" diz:
nao faço a menor ideia
se vai fechar tudo é de se supor que o veterinario tb
no maximo ficarao abertos so os hospitais
ninguem pensa nos animaizinhos ;~~
PeggyDay diz:
=((((
pois eh
por isso q o porco ficou gripado
humpf
"Violets are blue" diz:
huhuhuehuehuhuehue
cara
isso vai pro meu twitter, ehueuhuh
aliás
nao
tem que ir pro blog
PeggyDay diz:
heiehiehiehie
total!
"Violets are blue" diz:
heuuehuehuehuheuhuhuhe
sábado, 20 de junho de 2009
Mais uma dos contos de fadas desvirtuados
A minha bolsa com minha câmera? Ou a minha bolsa com minha carteira, pinças para utilizar na aula, agenda, mp4, óculos, enfim, minha vida? Ele acrescenta que não devo correr e penso "hum, boa idéia, ops, ideia, que agora não tem mais acento - ah essa reforma ortográfica...". Grito "dou não!" e corro então de volta para casa, mas o cavalo era mais rápido que a pata choca carregada aqui. Dou meia-volta e ponho-me a correr na direção oposta. Alguns metros depois constato que ele não está mais no meu encalço e paro de correr. Engolindo o coração de volta, chego à triste conclusão de que não se fazem mais contos de fadas como antigamente.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Desvirtuando Shakespeare
- Oh, Romeu, onde estás que não me atendes?
- Estou aqui embaixo, bela Julieta!
- Romeu, amor meu, como queria que estivesses aqui ao meu lado nesse instante, mas demoraste muito, não tarda a hora da cotovia cantar.
- Então joga logo as tuas tranças!
- Tranças, Romeu?
- Sim, antes que os sete anões voltem e tu adormeças novamente.
- Ô Romeu, você tá me confundindo com outra?
- Julieta, preciso bater a real contigo. Gosto muito de você, mas não dá mais pra namorar escondido.
- Estás pedindo para que fujamos juntos?
- Ficou louca? Pra sermos perseguidos pelo resto da vida? Olha, não é nada contra você, mas não dá pra namorar com seu pai embaçando o tempo inteiro, entende?
- Então você está me largando?
- Você merece um cara melhor do que eu, alguém que seus pais aceitem.
- Mas é você que eu quero, ó, Romeu!
- E eu também preciso de alguém menos complicada. Lá nos contos de fadas têm umas princesas super gente fina...
- Contos de fadas?
- É, e lá também tem uns príncipes que enfrentam dragões e tudo mais.
- Príncipes?
- É! Então... estamos quites?
- Uma porra. PAIÊEEEEE!
quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Simone
- Foi? O que houve?
- No relacionamento aberto dela com o Sartre.
- Tadinha...
- Ah... ela ficou velha.
- As mulheres sempre se fodem nos relacionamentos abertos.
- Ele ficou mais famoso que ela.
- Frida também se fodeu, né.
- Ele começou a pegar várias...
- Bom, ela ficou mais famosa.
- Mas assim, eu li a biografia Sartre Simone. Mais da Simone que dele. Ela era muito mais foda que ele, né.
- Ela era mais foda que ele?
- Ele pra mim era um velho babão.
- Uhum. Foda...
- Muito mais.
- Homens sempre parecem velhos babões. Constatei muito disso transando com meus professores. Sempre decepcionantes.
- É... o Sartre era um figura bizarra. A Simone era sensacional. Vou levar o livro que tenho pra você.
- Tá!
- Ela era genial. Obviamente no amor não se dava muito bem. Mas também... quem precisa se dar bem no amor, né?
- Heehehehhe... sei lá.
- Bando de maricas escrotos.
- Eu sou uma romântica de merda. Eu cresci vendo filmes de mulherzinha, não consigo evitar.
- Eu também, eu também.
- Por mais que eu saiba que são um bando de babacas, eu sempre quero me apaixonar.
- Eu também, mas é justamente esse o ponto, se apaixonar. É saber que não vai durar. Zero.
- É.
- É aqui, agora, 6 meses, pronto.
- Exato.
- E isso me deprime também.
- 6 meses e pronto.
- Porque as pessoas dizem...
- Um amor lancinante.
- Ah, depois da paixão, vem o amor.
- Por 6 meses. Ah cara...
- E pra mim nunca veio o amor.
- Eu não sei viver sem paixão. Porque acaba a paixão e os defeitos daquela pessoa passam a me incomodar demais para uma convivência.
- Exato. Pra mim o mesmo. É uma merda, não dá pra viver sem paixão. Pelo menos até agora.
- Aí a questão de viver separado pra mim é só o fato de que os defeitos vão demorar um pouco mais pra aparecer, pra incomodar.
- Cara... esse revival que tive foi ótimo. Porque realmente, eu percebi como é bom morar em casas diferentes.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Migalhas
Mas eu muitas vezes os invejo, pois mais cruéis são os sonhos que estão sempre tão perto e tão longe. Palpáveis, mas inatingíveis. Que te tocam, te beijam, mas não sonham contigo. Exceto nos teus sonhos, onde cada migalha representa uma esperança. Mas ao amanhecer os pássaros já passaram e perdes o caminho de volta e então, na procura de um abrigo, machucas os pés nas pedras e o rosto nos espinhos das árvores.
No fim dessa jornada retornas ao teu casulo, que não é tão duro quanto a casca dos outros, mas serve para vislumbrares também algumas sombras enquanto as chagas que acumulaste cicatrizam e te preparas para mais uma vez sair em busca de migalhas ao entardecer.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Classificados
Untitled
Sad was the first literature class I had this year. The same teacher I had last year and in my eleven’s, entered the room and I felt completely nostalgic. He was the same, and it was enough to remind me that I had failed. Saturday night, here comes my remainder childhood friend. Let me guess: I’m the first one? Of course you were, you always are… Where’s the vodka? Take the ice and the glasses. Sure, let me put some music. She’s no longer here.
Oh holy night that brought them back for such a short time and reminded me that I can’t live so far away from them; oh profane world that made such an evil separation. Where will I find those happy days? Then the three late ones arrived. Hugs, kisses and strident little screams for the meeting time. So we came inside to listen to the same old soundtrack and have the same behaviour. And it hasn’t changed, after all – thank God.
I can’t remember if I considered myself a happy person in those days… We rarely do. But I was glad to know that I had with me irreplaceable friends. Unfortunately, it has become a problem – now that I really need to substitute them for people who live near me. She took her brother’s digital camera and it was such a party! We forgot everything and had fun, took pictures, danced – as usual – took pictures, talked, took pictures, drank, took pictures and meanwhile, I was looking for something nice to wear.
Fortunately I don’t do this anymore, but we have this bad habit of complaining about this city. If it isn’t because it’s small, it’s because of the weather or just because we have few places to go (and one more time I thank God for that). We make our parties, and one of my best was my eighteen year old party: we did everything we were used to, but with more food, more drinks and a little more people in the house, but they didn’t matter. At that time, two of them weren’t talking to each other, and for my happiness, they were the first ones to come. The bell rang and the two other ones came with their Happiness Kit. It surely wasn’t the most expensive present I’ve ever won, but it was one of those I most liked. In fact, I’m using a part of it right now.
Our last hope is technology. We still can talk to each other every week, see each other trough pictures, but that’s all. Another party, just in three months. I know it isn’t that long, but as long as I don’t find something to trick me here, every week will be too long. I don’t know what I’m going to do; all I know is that I have to study. To live there or here, I need to go to college and need to find my path again so that I can meet them again, no matter where or when.
The radio was on while I had been waiting for my drink and a pop music was playing. It reminded me of one of those days where we used to take pictures and drink and dance and talk and laugh while I was learning how to do a nice make-up.
Metalinguagem
À noite deitei-me em minha cama e no espaço de tempo entre a tentativa e o sonho pude sentir uma nova aproximação. Percebi sua preferência pela amiga escura, e tímida como ela. Suas ações já não eram tão discretas, e ainda que por um curto tempo e com resultados do mesmo tamanho, apelidei-os de satisfatórios (a verdade é que eu havia adorado).
Agora clamo pela presença dela, mas mostra-se tímida mais uma vez. Mais uma vez reclamo dos resultados insatisfatórios e esqueço que mesmo escondida ela ainda toca meus cabelos. Ouço lamentações sussurradas se afastando e sabendo que serei incapaz de continuar, deito o lápis. Aguardo ansiosa pela chegada da noite, para saber se mais uma vez ela virá ditar suas canções de ninar aos meus ouvidos.
terça-feira, 2 de junho de 2009
BASEADO EM FATOS REAIS: Sinceridade
- Eu também acho... Não! Eu também acho que eu estou ficando mais burra.
- Ah tá...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A Rebimboca da Parafuseta
- Boa tarde.
- Boa tarde - responde o mecânico, vindo na direção dela.
- O meu carro tá fazendo um barulho estranho, o senhor pode dar uma olhada?
- Claro - responde o mecânico abrindo o capô do carro.
Enquanto ele está olhando o motor um barulho enorme é ouvido. A mulher, que estava olhando para a rua, se vira de súbito e pergunta assustada:
- Nossa senhora, o que foi isso?
- Foi só a Rebimboca da Parafuseta.
- O quê?
- A Rebimboca da Parafuseta.
- Meu senhor, você tá me tirando por alguma idiota?
- Não senhora, por que isso?
- Não é porque eu sou mulher que você vai me enrolar não, tá? - ela fecha o capô bruscamente e entra no carro - Rebimboca da parafuseta, essa é boa! - e arranca para fora da oficina.
O mecânico a vê ir embora intrigado.
- Que mulher doida.
Então ele olha para baixo e diz:
- Tá vendo, Rebimboca? Me fez perder uma cliente!
Nesse instante uma cadelinha vira-lata se encolhe ao lado de um monte de calotas espalhadas no chão.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Indiana Thaïs
terça-feira, 26 de maio de 2009
Figuras notáveis dos bares noite afora
- A solteirona amazona: sai para caçar (geralmente em bando).
- O boêmio fiel (ou bat-boêmio): comparece (quase) todos os dias, na mesma bat-hora, no mesmo bat-local.
- O viajante cósmico: o tempo, o mundo, as pessoas, tudo é motivo para uma conversa existencialista.
- O poeta punheteiro: tem sempre um versinho na ponta da língua para xavecar uma mulher moderninha.
- O maconheiro solidário: sempre te chama pra fumar um.
O mistério da autofecundação humana
Resolvi assistir um pouco de televisão pra desopilar. Liguei e um plantão estava no ar. Uma repórter dizia que a mudança de clima tinha afetado o aparelho reprodutor de muitas mulheres no mundo, que afirmavam ter engravidado sem relações sexuais. Algumas em êxtase, certas de que era uma obra do Espírito Santo, outras confusas e desesperadas, sem saber o que fazer. A repórter disse que o governo brasileiro ia averiguar o caso para saber se essas poderiam realizar um aborto legal, já que se fosse confirmada a autofecundação, a taxa de natalidade no país poderia aumentar muito, chegando a níveis insustentáveis.
Desliguei a TV. Aquilo tudo era muito bizarro, mesmo para mim. De fato eu não tinha feixo sexo no último mês e aquele sangue era muito esquisito. Senti então uma cólica atordoante, corri até o banheiro e vomitei. Depois me sentei no vaso e mais sangue jorrou. Eu abortei da mesma forma que engravidei: do nada.
Me recompus: tomei um banho, escovei os dentes, coloquei uma roupa limpa e fiz um miojo para o almoço. Me acomodei na minha rede e liguei novamente a TV. O plantão ainda estava lá. A repórter parecia assustada. Dizia que as mulheres que estavam grávidas pela autofecundação começaram a abortar espontaneamente uma a uma. Estudiosos de diversas áreas de conhecimento estavam ao seu lado. Um psicólogo dizia que se tratava de um delírio coletivo de mulheres estéreis histéricas. Um ufólogo afirmava que os extraterrestres tinham realizado uma experiência com fins de pesquisar uma possível reprodução da espécie em caso de invasão e os biólogos continuavam afirmando que era a mudança diária do clima que havia feito os óvulos se subdividirem mesmo sem ter sido fecundados. Defendidas as teorias, a repórter, ainda confusa e assustada (provavelmente com medo de se autofecundar também), se despede, prometendo trazer novas informações.
Aquele dia estava todo muito louco. Resolvi voltar para a cama na esperança de ter outro sonho erótico.
domingo, 24 de maio de 2009
Cartilha do sexo
- Namora o meu irmão.
- Não, obrigada. Acho que vou criar uma cartilha. "Passo a passo para transar comigo".
- Hahahahahaha
- Número um: leia. Mas leia muito. E não vale ler Paulo Coelho ou Dan Brown. Leia beatniks, russos, japoneses. De preferência coisas que eu nao tenha lido, para que você possa me trazer algo novo. Número dois: é obrigatório gostar de cinema. Se for cineasta melhor ainda, cinco estrelinhas. Mas não vale ser metido, não suporto gente que baba o próprio ovo. Número três: tem que gostar de música boa. Jazz, bossa nova, blues e por aí vai. Mas tem que ter uma tendência pras coisas antigas, porque eu sou uma mulher do século passado. Número quatro: tem que gostar de crianças e animais. Necessariamente nessa ordem. Número cinco: bom humor é indispensável. Não aguento homem moribundo. Hum, o que mais? Só cinco é pouco, não sou tão fácil assim, heuehuheuheuh.
- Heiehiehiehie. Menina. Assim você não vai fazer sexo nunca.
- Auhuahuahuahuahuhauhauhauhuahuahuaha.
- Ó, minhas regras pra fazer sexo.
- Diga mermo.
- Tem que ter pau bonito.
- Hauhuahauhauhuaha.
- Saber dedar. Usar camisinha. Chupar bem e com vontade. E ter todos os dentes. Ehiehiehieheihie. Aí já tá bom demais. Eheiheiheihei.
- É mesmo, esqueci de mencionar que tem que usar camisinha!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Minha namorada
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.
Vinicius de Moraes e Carlos Lyra
Eita que esses românticos dão um trabalho danado...
terça-feira, 19 de maio de 2009
Réquiem
Camila, Igor... Eu não tinha proximidade com nenhum dos dois. Mas de repente achei tudo tão frágil ao meu redor. E me entristeci com a ausência deles na vida de todos que os queriam bem. Lembrei-me então do meu irmão. O primeiro contato que tive com a morte. Eu o olhava no caixão, intrigada, me perguntando por que os mortos tinham as sobrancelhas raspadas. Só anos mais tarde me dei conta que isso não era uma prática rotineira, mas necessária no caso dele, porque as suas tinham sido queimadas na explosão.
Sem contar das vezes que eu, criança, me debulhei em lágrimas ao perder cachorrinhos, gatinhos, pintinhos e depois, já não tão criança, a minha porquinha-da-índia.
Uma vez me perguntei se as pessoas sentiriam a minha falta quando eu morresse. Uma bobagem, descobri que sentiriam.
Existe também a morte dos idosos, tão triste quanto a dos jovens, porque a cada aniversário eles a sentem cada vez mais próxima. O pai da minha mãe, já no final da sua vida, sempre que me via, chorava. Tão terno. Dizia com frequência que era a última vez que me via, o último aniversário, o último dia dos pais... A gente tende a banalizar esses presságios, mas de fato, chega um momento em que eles se mostram reais.
Esse ano tive conhecimento de uma morte diferente. Morte, ainda assim. Ela transformou muita coisa dentro de mim e mais ainda ao meu redor. Ela tem mesmo esse poder de modificar tudo. De fazer a gente pensar na vida. Já que afinal, me perdoem a falta de originalidade, a única certeza da vida é a morte.
sábado, 16 de maio de 2009
Abro os olhos
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
(O dia da criação, Vinicius de Moraes)
Abro os olhos. A enxaqueca passou. Ainda bem. Esse remédio é mesmo muito bom. Demoro ainda uma meia hora para criar coragem e me levantar da cama. Tenho medo que ela apareça novamente.
Levanto-me e vou até o espelho. Decrépita, como já era esperado. Pego o pote com algodão e o demaquilante para tirar a maquiagem preta dos olhos. Um pouco mais apresentável, apesar dos cabelos indomáveis.
Meu estômago se revira, mas não tenho vontade de comer. Na geladeira tenho umas goiabas do tamanho de um mamão. Pego uma dessas, passo uma água e a mordo. Vou para o computador. Ainda é cedo, ele não deve estar lá. Aliás, já fazem alguns dias que não o vejo. No fim das contas não faz diferença, a gente quase não se fala mesmo.
Saio do computador, estou com vontade de assistir um filme. Meu DVD não pega. Droga, só fazem três meses que o comprei, será que essa porcaria já quebrou? Bom era no tempo da minha avó, que as coisas duravam uma vida inteira. Meu toca-discos era dela. Mas fazer o quê, no tempo da minha avó não tinha DVD...
Assisto a outro filme, um que estava no meu mp4. Pelo menos o USB do DVD ainda funcionava. Esse filme não tinha legenda, mas até que consegui entender boa parte do que diziam. Terminado o filme meu estado de espírito se manteve o mesmo. Voltei para o computador, mas ele ainda não estava lá. Será que viajou?
Fui para a sala ler um pouco, mas a fome bateu violenta. Com preguiça de viver, engatinhei até a cozinha, mas antes de chegar à geladeira deitei-me no chão, frio. Lembrei novamente dele e fiquei excitada. Apesar de estar menstruada, me masturbei pensando nele. Mas lembrei-me dos vizinhos, olhei pela janela da cozinha e constatei que ninguém me observava. Senti-me patética. Deitada no chão da cozinha, quis chorar, mas não consegui.
Que boba. Não aprendeu nada em todos esses anos? Você nem ama esse homem. E mesmo se amasse, até isso passaria um dia. O problema é que você ama a ideia dele. A ideia de amar, sendo correspondida ou não. Pois bem, vou te dizer uma coisa: você não é mais nenhuma adolescente. Por mais que queira ser, o tempo só avança.
O tempo só avança. Sinto-me na obrigação de não ficar mais parada. É sempre assim. E provavelmente vai ser até o final da minha vida. Afinal, é assim mesmo que eu sou. Melhor começar a fazer o meu almoço.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
BASEADO EM FATOS REAIS: Foi engano
- Alô?
- Bom dia, é do Banco do Brasil?
- Não.
- O telefone é 3341-4841?
- Não.
- Ah, tá bom, desculpe.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
"You are stardust"
Em primeiro lugar, se a alma é imortal, então as almas de todas as pessoas que já morreram, vivem ou ainda vão nascer já existem em algum lugar do universo, certo? Digamos que não, que na verdade o que existe é a reencarnação. Eu morrerei e outra pessoa "herdará" a minha alma. Mas se hoje em dia existem muito mais pessoas no planeta do que existiam há 2000 anos, de onde vieram todas essas almas? Estariam estocadas? Ou será que as almas atuais são fragmentos das almas dos nossos antepassados? Isso poderia ser uma explicação para o fato de não existirem outros Da Vincis perambulando por aí...
Se for assim então a minha alma gêmea está fragmentada em diversos pedacinhos, assim como a minha própria. Menos cruel. Mas se ela for única, morar no Afeganistão e tiver 68 anos? Eu devo então me conformar em viver eternamente como uma cuia, sem tampa? Cruel, não é mesmo? Falo de almas gêmeas porque sou uma eterna romântica, mas acreditar mesmo, eu acredito no amor de Vinícius. "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".
sexta-feira, 8 de maio de 2009
BASEADO EM FATOS REAIS: Festa estranha com gente esquisita
- Eu também.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Samba e amor + Samba do grande amor
Mentira.
Fodido
My hair is completely fodido
My shampoo will be despedido
'Cause I'm completely blowzy!
Paródia infame de Perdido.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Real e inusitado
– Não fique aqui até tarde, porque o Miramar já não é mais o mesmo!
Respondo com uma afirmativa e continuo a ler. Pouco tempo depois a campainha toca. Quem seria tão sem noção a ponto de bater na casa dos outros a essa hora sem avisar? Fico logo apreensiva. Madona corre para latir ao muro. Avisto uma mulher baixa e magra e me aproximo.
– Cala a boca, Madona! – dirijo-me então para a mulher – Diga?
Ela começa a explicar a sua odisséia. Eu me controlo para prestar mais atenção no que ela diz do que na fedentina que exalavam as suas axilas. Disse-me que tinha acabado de sair do Juliano Moreira e estava precisando de dinheiro para completar o da medicação e para isso estava vendendo um par de sapatos de salto (ou seriam sandálias? Ou tamancos? Eram fechados na frente e abertos atrás), numa cor verde-musgo, que tinham sido doados pela igreja.
Hesitei por um instante, com medo de serem frutos de furto, mas entrei em casa e pedi à minha mãe os quatro reais que ela cobrou. Minha mãe não tinha trocado e o sapato (sandália ou tamanco) acabou ficando por cinco. A mulher me agradece imensamente e vai embora. Levo a nova aquisição para a sua dona de direito, mas não sem antes trancar-me cuidadosamente dentro de casa.
E o sapato? Foi para um brechó por cinco reais.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Empatia
Certa vez conheci um rouxinol que havia se desviado muito do seu curso por causa de um avião que julgava ser a Ursa Maior. Seu canto, tão lindo, na minha janela me comoveu. Tive a certeza de saber o que se passava em seu coraçãozinho. Convidei-o a entrar na minha casa e conversamos por horas a fio. Éramos muito parecidos, apesar dele ser uma ave e eu um mamífero. Quando o dia se aproximou precisamos nos despedir. Eu não resisti e pedi um beijo. Vi que bico e boca podem sim se beijar. A despedida foi terna e sem promessas, mas passei, todas as noites a partir daquela, a abrir a janela na esperança de ouvi-lo cantar mais uma vez. Mas ele não voltou. Não sei se encontrou o caminho de casa ou passou a frequentar outras janelas, o fato é que, debruçada no parapeito, eu desejava profundamente que outro avião trouxesse de volta o meu rouxinol desorientado.
Talvez eu tenha me enganado quanto à menina, talvez ela realmente não ligasse para o fato das rosquinhas terem caído no chão, talvez o meu rouxinol também não estivesse tão triste quanto eu julgava, talvez a minha aparente empatia seja apenas uma projeção dos meus sentimentos nas outras pessoas; ou aves.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Mocinhos e vilões
Logo em seguida um carro estaciona bem na minha frente e vários orientais saem de dentro dele. Uma família, suspeitei eu. Agarrei-me às minhas coisas e todos seguiram em direção ao restaurante. Guardei a minha agenda na bolsa e me levantei, entrei no restaurante lentamente, agarrada a ela, quando alguém me vê e grita:
– Ela ta tentando fugir sem nos dar nada!
Eu então começo a tentar me explicar e chorar feito um bebê no meio da fala.
– Não, eu já dei uma caneta para uma senhora, eu pedi para que ela não levasse a minha bolsa e ela aceitou ficar só com a caneta, não quero enrolar ninguém, é a verdade, podem perguntar a ela.
Um dos rapazes se compadece e me abraça. Eu então continuo a falar, só para ele.
– Eu sei que vocês não são más pessoas, que estão fazendo isso só por necessidade...
Eu senti carinho nos braços daquele estranho. Mas alguém o cutuca, avisando que já estavam voltando para o carro e me olha, perguntando na lata:
– E você? É vítima ou cúmplice?
Balanço a cabeça negando e o rapaz dos braços carinhosos vai embora. As pessoas no restaurante me fulminam com um olhar acusador e eu me direciono para a porta dos fundos. Quando eu estava saindo um garçom, pequeno e simpático, me aborda. Os assaltantes tinham deixado sacolas com algumas coisas e ele achando que eu os conhecia, veio me entregar. Perguntei-lhe se achava que todos estavam pensando que eu era cúmplice e ele disse que sim.
– Preciso ir para casa, não posso ficar aqui. Mas vou deixar meu telefone com você para que ninguém pense que estou foragida.
Entreguei-lhe meu número de casa e do celular e fui para a casa de um amigo.
Chegando lá vasculhei as sacolas, cheias de bugigangas aparentemente sem muita importância: carimbos, bonecos, DVDs... Peguei o DVD e coloquei no aparelho do meu amigo. Era uma série de TV. Com os assaltantes. Senti uma enxurrada cair em cima de mim. Toda a família trabalhava no mesmo seriado, que deve ter sido cancelado, deixando-os na penúria. De repente recebo uma ligação.
– Alô, é a Thaïs?
– É sim...
– Oi, é que eu tava assistindo televisão agora e saiu uma matéria falando sobre um assalto em um restaurante e você apareceu como um dos suspeitos...
– O quê? Eu? Mas eu deixei meu telefone lá, por que eles não me ligaram?
– Isso eu não sei, só to te passando o que vi na televisão.
– Obrigada por ter me informado, ta? Só quero que fique sabendo que isso é mentira, eu não tive nada a ver com esse assalto!
– Tudo bem. Boa sorte!
– Obrigada.
Desliguei o telefone, despedi-me do meu amigo e fui para a delegacia. Chegando lá na frente vi que já havia vários repórteres no local. Entrei na sala do delegado e pedi-lhe que apenas uma emissora de TV entrasse na sala para registrar o meu depoimento.
– Tudo bem. - disse-me ele - Mas você tem certeza? Seu depoimento vai ser visto por milhares de pessoas.
– Eu não tenho nada a esconder.
– Ok. Quer ligar pro seu advogado?
– Agora não. Só quero esclarecer logo esse mal-entendido.
O delegado chamou dois representantes da emissora que escolhi para entrar na sala e então comecei o meu depoimento, contando minuciosamente os fatos que eu lembrava.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Autobiografia de uma desconhecida V
Suponho que toda criança que viveu sua infância nos anos 90 teve pelo menos um pintinho colorido na vida. Ou talvez isso fosse só mania de paraibano insensível. Porque todos os meus amigos que contavam sobre esses pintinhos terminavam a história com o assassinato das pobres criaturinhas indefesas, e a máquina de lavar roupas era a arma número um. Eu também tive um, mas ao contrário da maioria, eu tinha muito cuidado com ele, não joguei no tanque, não atirei da varanda nem coloquei no forno.
Certo dia chega meu pai (ou terá sido minha mãe?) com dois pintinhos coloridos: um cor-de-rosa para mim e um amarelo para o meu irmão. Nomeei a criança de “Patricinha” e o do meu irmão chamava de “Joãozinho”; só não lembro se foi ele ou fui eu quem o batizou assim. O fato é que ambos cresceram saudáveis e sem grandes sequelas. Pelo menos até que meus pais resolveram cozinhar um deles. Mais cruel do que isso só quem come porquinhos-da-índia. Por mais que eu argumentasse, eles foram irredutíveis. Recusei-me a cometer tão horrendo ato de canibalismo (não que eu seja uma galinha, mas eles eram como filha e sobrinho para mim), tranquei-me no quarto e não quis comer nesse dia. Cientes do choque que haviam me causado, resolveram poupar Patricinha da insensível, cruel e desumana panela.
Mas qual não foi minha surpresa, tempos mais tarde, caída a tinta, que Patricinha estava mais para trava do que pra galinha! Meu pai então resolveu rebatizá-la e Patricinha se tornou Galalau. Galo brabo, corria atrás de todos da casa, então teve que ficar preso. Ele até que durou bastante tempo, porque nesse meio termo um mini-milharal nasceu no meu quintal. Mas os dias de Galalau estavam contados.
Surge então um novo morador na casa: Scooby-Loo, ou simplesmente Bilu. Acho que eu teria ganhado uma bolada colocando Galalau numa briga de galos, porque eita bichinho brabo danado! Arrumou briga com Bilu também, mas o mundo é dos mais fortes, e o galinho atrevido levou a pior. Um desperdício, talvez teria sido melhor se tivesse ido pra panela junto com seu irmão.
sábado, 28 de março de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Autobiografia de uma desconhecida IV
No primeiro ano as aulas foram no Teatro Lima Penante. Sempre fui uma menina tímida e aquela atmosfera esmagava o que restava da minha autoconfiança. Mas mesmo assim, eu adorava aquele lugar. Subir num palco, mesmo sem platéia, era de uma magia indescritível e todas as pessoas ao meu redor pareciam fascinantes. Muito mais fascinantes do que eu, diga-se de passagem. Outra lembrança vívida dos tempos do curso é a dos casarões que ficavam nos arredores do teatro, todos belos e velhos, mas um em especial sempre mexeu com a minha imaginação pueril. Ele era enorme e tinha uma vasta área verde, com árvores altas e uma casinha nos fundos, provavelmente o banheiro.
Nos anos seguintes o teatro estava em reformas e as aulas aconteceram no Departamento de Comunicação da UFPB (que por sinal também precisava ser reformado) e na Casa Rosa (não a da Argentina, a de João Pessoa). Só no último ano que voltamos ao Lima Penante. Durante todo esse tempo eu levei minhas amigas para participarem do curso comigo, fiz papel de integrante de circo, paciente do SUS, contadora de histórias, criança mimada, nada de muito destaque, para a minha frustração. Mas existem momentos que passei lá que continuam vívidos na minha mente. Foi nessa época em que eu voltei a ter os dentes incisivos superiores (passei anos da minha infância complexada sem sorrir nas fotos), que eu tive a minha primeira guerra de tortas, que eu me apresentei no Theatro Santa Roza (ou Teatro Santa Rosa), caí de costas no palco ao tentar fazer uma “estrelinha”, usei um camarim e tive uma festa de encerramento das apresentações.
Não há dúvidas que nenhuma outra colônia de férias tenha me marcado como as do curso de teatro, mas há detalhes de outras que não foram esquecidos. Uma delas, talvez a mais remota, marcou-me pelo fato de termos feito biscoitos caseiros. Lembro-me dos formatos divertidos que todos faziam, como sofás, cadeiras, etc., enquanto eu, artista frustrada, não conseguia fazer mais que bolinhas ordinárias. Outra colônia da qual eu me lembro foi em uma fazenda. Pegamos um ônibus para chegar lá e eu nem sei quanto tempo ficamos, mas me recordo bem de uma apresentação que teve da história da Dona Baratinha (que anos mais tarde viria a se tornar um dos meus alteregos).
Não sei se a minha filha vai curtir as colônias de férias como eu, mas depois de todos esses anos eu reconheço que é um ótimo lugar para se saber um pouco mais sobre si mesmo, além de, obviamente, dar uma folguinha para os pobres pais, exaustos de cuidarem de crianças pentelhas como eu fui.
quinta-feira, 26 de março de 2009
A ditadura da direita
Por causa disso, todos os dias entrava em conflito com a professora: gritos, agressões verbais, expulsões de classe e algumas vezes chegava ao cúmulo de ser suspensa. Os pais de Sandra não se conformavam com a situação e tentavam convencer a filha a escrever com a mão certa. Se ela ainda fosse canhota, pensavam eles, poderia até fazer sentido, mas a menina era destra desde o nascimento, aquilo tudo era inconcebível!
Da mesma forma que fazia com a professora, Sandra tentava convencer os pais da sua nobre causa: ela não era canhota, mas os demais alunos que eram obrigados a mudar a sua natureza? Sua mãe sempre dizia que os outros não eram filhos dela e que nem ela nem a filha tinham a obrigação de se importar com eles. Pobres garotos, respondia ela, que não tinham nem o direito de ter um porta-voz contra os desmandos insanos da professora beata.
Um dia ela resolveu radicalizar. Chamou todos para o pátio da escola, subiu em um banco e começou a discursar:
– Temos aqui em nossa instituição de ensino uma professora com mentalidade e práticas medievais!
A maioria dos alunos observava curiosa, apenas os canhotos da sua sala a aplaudiam fervorosamente.
– Esta carola, meus colegas – aponta para a professora ditadora – obriga-nos a escrever com a mão direita e estamos sujeitos a severas punições se não a obedecermos!
A esta altura a acusada olhava para os lados, desconfiada de tudo e de todos, rezando para que tudo aquilo fosse um sonho.
– Pois bem, eu estou aqui para desafiá-la. Se ela não parar com essa perseguição eu serei obrigada a cortar fora a minha mão direita!
Todos os presentes a encararam incrédulos.
– Se duvidam é só me trazerem um machado!
Aos poucos foram se afastando um por um.
– Vamos, o que estão esperando? Vão deixar que o preconceito vença a justiça?
Até que só sobrassem no pátio Sandra e a acusada.
– É, parece que só sobramos nós duas...
– Deixa logo de brincadeira, Sandra, e vai pra sala. Você hoje não sai daqui sem uma suspensão.
– Me deixa em paz, senão eu cumpro o que prometi!
– Tá certo, agora entra na sala que eu vou pensar o que faço com você.
– Você acha que eles acreditaram?
– É claro que não. Ora essa, cortar a mão. Você bem acha que eu não sei que é destra?
– Você sabe? Desde quando?
– Desde que eu vi os seus garranchos pela primeira vez. Por que você acha que eu insisti tanto para que escrevesse com a mão certa?
– Porque você é uma beata ditadora!
– Você tem muita imaginação, minha querida, deveria ser escritora.
Explosão
Já sei, vou escrever, é sempre bom para exorcizar os fantasmas, pensei eu. Basta. Eles já fazem parte de mim e gritam frequentemente “desiste, estamos aqui para ficar”! Sempre tive medo de fantasma, melhor não mexer muito com eles. Que tal cantar? Afinal, “quem canta seus males espanta”, não é mesmo? Depende da música... Lembra daquela que dizia “meu bem, meu zen, meu mal”? Então...
Então ler! Uma leitura é sempre boa para acalmar os ânimos, esquecer do mundo exterior e lembrar-se apenas do universo que existe naquelas linhas. Mas quem consegue se concentrar com a mente cheia de fantasmas, cães, AVCs, males, bens e zens? Eu deveria mesmo é desistir e ir dormir, amanhã é um longo dia, cheio de revelações, emoções e por que não, perdições? Talvez porque as responsabilidades não me permitem. Mas que se explodam! Ou explodo eu.
Quem saiu foi tu!
quarta-feira, 25 de março de 2009
Eu e meus erros
Eu nunca
soube na verdade
o que fazer
Se devia parar
Ou passar a correr
O amor
sempre foi o motor
mas agora eu não sei
se ele deve valer
todos os sacrifícios
Minha mente inquieta
Saliva dúvidas
por todos os meus poros
A saber
sou egoísta
e romântica
Mas se há uma antítese
o que devo fazer?
Esquecer e amar?
Aceitar e sofrer?
11/01/09
terça-feira, 24 de março de 2009
Música
segunda-feira, 23 de março de 2009
Blog
Aí a vida deu uma reviravolta. Eu me cansei de tudo e ao olhar para você, para o que você tinha se tornado eu fiquei triste. Você estava abandonado. Como tudo na minha vida, parecia que também era algo passageiro. Mas eu não quero que seja assim. Fico feliz que você esteja presente para me mostrar como eu era, como eu poderia voltar a ser, pelo menos em partes. Você sempre me incitou a estimular a minha criatividade e eu agora preciso retribuir. Vou atrás de coisas novas para que você e eu sejamos felizes novamente. Independente de quem esteja conosco. Esta é a minha declaração para ti, Kisuki.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
God Save the Queen!

Sempre fui admiradora da beleza oriental, mas de uns tempos pra cá percebi que o Reino Unido também merece a minha atenção. Para mostrar de maneira mais sistemática apresento-lhes uma lista das beldades do arquipélago. O primeiro da lista é Jude Law, nascido em Lewisham, Londres, Inglaterra. Segundo minha mãe, ele abusa do direito de ser bonito. Eu não só concordo, como acrescento: bonito e charmoso, porque só beleza não é suficiente.

Depois de Jude Law eu conheci Mark Darcy, ou melhor, Colin Firth, nascido em Grayshott, Hampshire, Inglaterra, que além de tudo é um fofo.

Continuando a minha análise profundamente intelectual, passamos a Jim Sturgess, também nascido na Inglaterra (vemos um padrão, os ingleses predominam nesta lista). Assim que ele começou a cantar I've just seen a face em Across the Universe eu tive vontade de arrancá-lo da TV pra deitá-lo no meu colo e fazer um cafuné...

Então eu assisti P.S. Eu te amo e vi que o privilégio não era apenas dos ingleses. Representando a Escócia (ele é de Glasgow) está Gerard Butler, que pode se transformar no ex-roqueiro amoroso completamente apaixonado pela esposa ou se você preferir pode ser também um rei guerreiro espartano.

E para ter certeza que todos os gostos foram contemplados, termino a lista com o último que conheci, Joseph Gilgun, nascido em Chorley, Lancashire, Inglaterra (à direita na foto acima) do filme This is England.
A minha conclusão, as ilhas da Grã Bretanha são ótimas para uma boa e diversificada pescaria. Se eu fosse solteira com certeza adoraria visitá-las!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Brios
Então... Cá estava eu saindo de casa para trabalhar e resolvo passar no posto para comprar uns docinhos (adoro comer docinhos depois do almoço... as pessoas costumam chamar isso de sobremesa... mas continuando!) As coisas já começaram mal lá mesmo. Hormônios flutuando ao meu redor, peguei um pacote de jujubas e quando fui ao balcão para pegar uma trufa de coco a fêmea tenta atingir o macho que se esquiva e tropeça em mim. Não me recordo de ter escutando um pedido de desculpas de nenhuma das partes. Então peguei a trufa e coloquei em cima do balcão, tirei o meu dinheiro e tentei perguntar para alguma das duas atendentes presentes quanto ficava o meu pedido. Mesmo depois da saída do macho nenhuma das duas tinha a intenção de prestar atenção em mim. Eu já devia ter mandado todo mundo tomar no cu dali mesmo, mas sou muito idiota e fiquei tentando chamar a atenção delas educadamente. Minha vingança se limitou a não dizer obrigada...
Mas isso foi o de menos. Saindo da loja de conveniências com minha trufa na mão começo a escutar "ei! ei! ei!" me seguindo insistentemente. Conhecendo as brincadeiras sem graça dessa juventude transviada prefiro fingir que não é comigo, acreditando inocentemente que o "chamador" desistiria. Mas ele não só desiste como acrescenta "ei, me dá um pedaço!". O que leva uma pessoa desconhecida a crer que eu daria um pedaço da minha trufa a ela? Enfim, eu tento ignorá-lo, mas é impossível. Eu digo que não dou, mas ele diz "só um pedaço, vai negar?" Eu digo que vou, mas tenho o costume irritante de ser delicada com pessoas que eu não conheço. Aí ele se enfeza: "num vai me dar um pedaço não, é? rapariga!" Rapariga? Rapariga? O que esses bostinhas pensam que os faz ter direito de me chamar de rapariga? Aí eu, sentindo-me muito corajosa, digo "é tua mãe." Ele me xinga mais uma vez e depois repito a mesma coisa. Pela primeira vez consigo ter um ato de tamanha bravura. Tá certo que ele devia bater no meu ombro, mas poderia ter jogado café morno em mim!
Atravesso a rua para que não haja nenhuma reação tardia contra a minha pessoa, e como de costume, começo a imaginar como eu deveria ter agido. Deveria ter sido mais enfática. Deveria ter dado umas boas bolachas naquele aprendiz de marginal. Quem ele pensa que é pra me chamar de rapariga? Rapariga é a senhora que o colocou no mundo e o deixa por aí pedindo um pedaço da trufa de gente que ele nem conhece. Por que eu daria um pedaço a aquele bostinha? Pra pegar herpes, sapinho, boqueira, cárie, afta, cabelo na língua? Tá, você deve estar pensando "nossa, como ela é preconceituosa, não é só porque ele é um aprendiz de marginal que tem algum problema bucal. de repente ele até tem todos os dentes!" Mas depois de passar 3 anos em Bodocongó, sendo xingada de mizera, rapariga, vendo meu marido apanhar com minha filha de 1 mês no colo, eu sinceramente não me martirizo mais nem um pouco pelo meu preconceito. Só pela minha falta de coragem de dizer a esses filhos da puta (porque raparigas são as mães deles, não eu!) tudo que eles mereciam ouvir.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Amor verdadeiro
Mas ter um vício nunca é coisa boa, e houve um tempo que ela começou a me fazer mal. Foi quando eu encontrei um outro amor e ela sabia exatamente o que se passava dentro de mim. Eu sentia então mais do que nunca que estávamos conectadas e por isso eu não queria deixar de sentir o que ela também me dizia que sentia. Até que percebi que isso devia acabar e nos separamos. Tirei seu CD do som e guardei na caixa até me recuperar.
Mas como eu disse, não foi só nas noites tristes que ela me acompanhou. Passada a minha tristeza, senti-me pronta para finalmente voltar ao seu lado. Meu amor então se consolidou sem ninguém para nos atrapalhar. Cheguei a conhecer outras durante todos esses anos, mas nenhuma conseguiu jamais abalar o meu amor.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Aroma
sexta-feira, 6 de junho de 2008
A referência da referência
Ora essa, kisuki também é cultura! Hehehe ;D
terça-feira, 15 de abril de 2008
Autobiografia de uma desconhecida III
Eu sempre costumo dizer que a minha vida daria um livro. Talvez dê mesmo, isso depende de quem vai escrevê-lo. O que estou fazendo aqui? Apenas um relato despretensioso.
Voltei do Rio, onde eu estudava em uma escolinha da farda branca e vermelha chamada Ioiô (ou seria Yoyô?) da qual eu me lembro apenas da festinha de aniversário que tive lá, para estudar em uma escolinha chamada Risque Rabisque. Era uma escolinha a três quarteirões da minha casa cujo nome eu adorava brincar. Isque Uísque. Fiquei empolgadíssima com a escolinha nova.
Cheguei lá em plena festinha de carnaval, todos dançando super fantasiados e eu vestindo apenas uma camisetinha do bloco de carnaval “Muriçocas do Miramar”. Parecia que eu era a única no lugar que não estudava lá desde o maternal. Menina tímida, deslocada, tive a minha salvação em uma menina magra vestida de pirata que logo veio à minha direção para me conhecer. Mais tarde descobri que era de praxe ela ser a primeira a fazer amizade com os novatos.
E foi assim que eu conheci a minha melhor amiga. Ao longo desses dezoito anos já brigamos muito, fizemos as pazes, viajamos, bebemos juntas, mas tudo começou com uma muriçoca e uma pirata no meio das fadas e princesas
terça-feira, 8 de abril de 2008
Autobiografia de uma desconhecida II
1989. eu tinha quatro anos e dormia numa gaveta. Minha raiva do mundo se resumia a isso. Meu irmão dormia na cama e eu na gaveta debaixo da cama. Obviamente, pensando no assunto hoje em dia chego à conclusão lógica de que não era uma gaveta, mas uma bicama. Mas não importa o que eu descobri agora, mas no que eu acreditava então.
Era o ano das eleições para presidente e eu estava no Rio de Janeiro com os meus pais e meu irmão Thiago. Morávamos num apartamento no Humaitá próximo ao corpo de bombeiros. O Gol vermelho do meu pai foi roubado na calçada do prédio.
Eu torcia para Lula-lá, mas por causa dele passei por uma das maiores frustrações da minha vida (que meu pai faz questão de não me deixar esquecer jamais!) Depois de um comício pedi para meus pais me comprarem um daqueles balões metálicos em forma de coração cheio de hélio, hidrogênio ou sei lá o quê. Quando chegamos no carro pedi ao meu pai que segurasse o meu balão para que eu entrasse no carro. Confiando nele, soltei o balão, que voou para a liberdade sem nem ao menos me dar um tchau. Aí eu desatei a chorar. E para me vingar, disse claramente que não votaria ais em Lula-lá. O foda é que doze anos depois eu quebrei a minha promessa.
Enfim, aquele foi o meu primeiro e último balão metálico de hélio, hidrogênio ou sei lá o quê.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Autobiografia de uma desconhecida I
A única coisa da minha vida que eu posso falar anterior aos meus quatro anos foi do dia em que eu nasci. Não que eu me lembre, obviamente, mas os detalhes me foram contados inúmeras vezes, de maneira que eu possa descrevê-los como se estivessem vívidos em minha memória.
Depois de ler Léboyer, minha mãe entrou na viagem do parto humanizado (assim como eu, mas não vamos adiantar os fatos) e resolveu que eu nasceria em casa. E o meu pai embarcou na dela, pro desespero do obstetra. Apesar de muito querer, não conseguiu convencer o médico a fazer o parto na água (o que também era a minha vontade, mas o plano de saúde não cobria) e eu acabei nascendo na sala de casa. Pensando bem, acho que é melhor nascer em uma sala do que em um banheiro...
Nascida eu, começaram os desejos de me carregar nos braços (afinal, qual é o tesão que todos têm de carregar os filhos dos outros nos braços?), mas Léboyer alertava em “Nascer sorrindo” para ter cuidado com os olhos dos recém-nascidos, então todos que me seguravam tinham que andar de costas para que a luz do sol não ferisse as minhas sensíveis retinas. Ainda bem que ninguém tropeçou.
Eu também queria ter a minha filha em casa, mas hoje em dia eu meio que agradeço por não ter sido o caso, não sei o que teria sido de mim sem a epidural.
Enfim, eu nasci no dia vinte e cinco de outubro de mil novecentos e oitenta e cinco. Tenho certeza de que muita coisa importante aconteceu nesse ano, mas obviamente não lembro o quê.
segunda-feira, 24 de março de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Porco e vaca
- Porco não dá leite!
E o porco, em seu lugar, apenas retrucou:
- E vaca não voa!
Indignada, a vaca chamou suas amigas pombas que zás! Miraram na cabeça do porco, que voltou cabisbaixo para a sua pocilga.
Ao chegar em casa, a porca sentiu o cheiro de leite e guinchou:
- Impeachment! - saindo logo dpeois para tirar satisfações com a vaca. Mas ao saber o que havia de fato se sucedido, perguntou à quadrúpede voadora:
- Posso voar com você?
E a vaca, ríspida, apenas disse:
- É claro que não.
Exercício realizado dia 13/02/2007 na aula de Projeto I
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
domingo, 23 de dezembro de 2007
domingo, 28 de outubro de 2007
Como eu entrei no cheque especial
Quando você vai ao banco eles sempre dizem que você tem direito a X no cheque especial, limite Y no cartão de crédito, como se tudo isso fosse uma grande vantagem. Mas quando você chega no mês seguinte, crente que está com um crédito de duzentos reais e vai pagar suas contas, não entende porque o caixa eletrônico não quer liberar o seu dinheiro e vai lá no atendimento, perguntar o que está acontecendo.
É aí que você descobre que entrou no cheque especial! E você se pergunta "mas como? quando?", inocente, pois sempre consultava seu saldo antes de retirar qualquer quantia. Então você se desespera, porque está no fim do mês, os juros fazem com que sua dívida aumente a cada dia e pra completar, aquela conta de telefone que você achava que já estava paga não estava. Com isso você tem que tirar trezentos reais do nada para pagar todas as suas dívidas, faltando ainda dez dias para que você receba o seu próximo pagamento.
Se você tiver sorte, seu marido tem dinheiro na conta e pode emprestar-lhe algum no meio do sufoco. Então depois de meio litro de lágrimas de desespero derramadas, você paga todas as suas dívidas e volta ao atendimento para cancelar seu cheque especial, para nunca mais passar outro aperto similar. Mas descobre que se cancelar é pior, porque a taxa de manutenção aumenta de três para oito reais. Então, conformada, procura alguma tática para não cair novamente na máfia bancária do cheque especial.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
7 de janeiro
- Hum?
- Seu João apareceu aí no muro e Madona ficou desesperada latindo pra ele.
- Que Seu João? O Cantor?
- Seu João, o doido que mora aí do lado!
- Seu Zé!
- Ah, Seu Zé! É quem é Seu João cantor?
- O sambista!
- Qual?
- Aquele que canta com Ana Carolina.
- Seu Jorge!
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Discurso intelectualóide arrogante
A diferença é que na época em que eu freqüentava os concertos da cidade o cinema não ficava tão cheio. Nossa, o público pessoense está gostando de música erudita. Que maravilha! Pensei. Talvez até goste, mas gostam mais de pipoca.
Quando vi no programa que teria Bachianas soltei pulinhos dentro de mim mesma. Mas Bachianas não é Bachianas com alguém mastigando pipoca ao seu lado ou achando que as cadeiras contíguas do cinema são de balanço. Todo esforço, provavelmente, é válido quando se trata de apreciar a boa cultura erudita. Mas talvez eu precise de um esforço maior. Acho que não tenho senso de humor para aturar ninguém roncando do meu lado no meio do filme, brigando com um pacote de balas ou fazendo música concreta com um pacote de pipocas atrás de mim.
Engraçado, enquanto eu pensava em escrever essa postagem lá no meio do concerto soou-me tão engraçadinha... Acho que meu senso de humor está que nem os funcionários das universidades federais: em greve.
sábado, 14 de abril de 2007
Literalmente (repostagem)
Para não correr o risco de perder uma frase essencial para o discorrer da sua vida, carregava sempre um caderninho consigo. Infelizmente, procurando sempre manter a linha, acabou perdendo o fio da meada.
Dia 1º de janeiro escrevi esse texto. Com exceção da última frase. Essa eu só consegui escrever hoje.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Boas noite.
Boas tarde.
Entãso digasm pasras aseuas pasias pasrasrem de asbrir asqwueleas videozxinhoas qwue oas asmigoas deleas masndasm por e-masil, porqwue asqwuelas porcasrias asãso cheias de víruas qwue fodem o aseu computasdor, entendeu?
Putas qwue pasriu.
Nãso, eu nãso asou emo. O meu teclasdo eastás faszxendo iasaso asozxinho. Eu juro qwue eastou teclasndo das masneiras corretas. Péasasimo de ler, nãso? Imasgine o meu deaseaspero em eascrever deastas masneiras!@
ASerás qwue reiniciasr o PC vasi funcionasr? Me deasejem asorte. ASe eu nãso voltasr, vocêas jás asbem o qwue asconteceu.
ASdeuas.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Literalmente
Para não correr o risco de perder uma frase essencial para o discorrer da sua vida, carregava sempre um caderninho consigo. Infelizmente, procurando sempre manter a linha, acabou perdendo o fio da meada.
domingo, 31 de dezembro de 2006
Fama
Acompanhou o surgimento e a ascensão dos blogs. Obviamente, não podia deixar de ter o seu, mas dava muito trabalho atualizá-lo de maneira que as outras pessoas o achassem interessante. Deu graças a deus quando surgiram os fotologs, era uma maneira mais fácil e mais eficaz de se mostrar para o mundo. O problema é que quando conseguiu a sua câmera digital, os fotologs famosos já estavam consolidados.
Começou então a usar a sua câmera para tirar fotos nua. Fotos artísticas, pensava ela, estava se transformando em uma grande artista. Ficaria para os anais. Mas a arte foi ficando para trás à medida que o nível dos comentários ia diminuindo.
Sua fama por fim se restringiu aos punheteiros de plantão.
Baseado na foto do dia 31/12/2006 do fotolog bloodberry.
sábado, 30 de dezembro de 2006
O Gafanhoto Falante
- Pra qualquer lugar.
- Está sem rumo?
- Vou para onde você for.
- Por que, gafanhoto?
- Quero ficar com você.
- Mas por quê?
- Fui com a sua cara.
- Olha, a minha cachorra não gosta de outros bichos lá em casa.
- Quem manda na sua casa é você ou a sua cachorra?
- Na verdade a minha mãe.
- E cadê a ela?
- Está no outro carro.
- E esse é o seu pai?
- Não, é o namorado da minha mãe.
- Eles brigaram?
- Não, ué.
- Enfim, isso não é da minha conta.
- Que mal lhe pergunte, por que você quer ir pra minha casa?
- Eu vou para onde você for.
- Olha gafanhoto, você tá muito folgado, me diz logo o que você quer senão eu te rebolo no mato.
- Eu só queria chamar a sua atenção.
- Pra quê?
- Pra ser mais famoso que os demais gafanhotos. Odeio o Grilo Falante, sei que posso ser muito melhor que ele. Nós gafanhotos somos muito mais cinematográficos.
Olha, o máximo que eu posso fazer é tirar uma foto sua.
- Tá bom, já é alguma coisa. Você tem fotolog?
- Tenho.
- Então posta a foto lá?
- Hum...
- Olha que se não postar eu puxo o teu pé de noite!
- Te enxerga, gafanhoto!
Baseado na foto do dia 30/12/2006 do fotolog bloodberry
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Espera
O tempo passava e nada. Ela acendia um cigarro, dois, pedia um chopp, um espetinho de calabresa. Ficou empanzinada e ainda nada. Resolveu passear pelo shopping, pra passar o tempo. Parou na frente da vitrine de lingeries por um bom tempo. Mas foi inútil.
Da próxima vez sairia com um decote maior.
domingo, 10 de dezembro de 2006
Amendoins
Eu falei que não escrevia há muito tempo, o que é a mais pura verdade, provavelmente desde que entrei na universidade. Hoje em dia, só para não deixar o blog abandonado fico colocando fotos de calcinhas... Mas fotos conceituais!
Minhas férias começaram, acabaram e eu não escrevi uma linha sequer. Pelo menos não uma linha literária (ou pretensa). Hoje em dia eu como jaboticabas na frente do computador olhando o orkut. Quem sabe dentro de uma delas eu não encontro os amendoins do Super Pateta?
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Trecho de um romance que estou tentando escrever...
- Na verdade não, mas que diferença isso faz? – respondeu Sofia para o seu então cafetão.
- Boa garota. Continue assim e será a nossa Hilda Furacão!
- Tudo que eu sempre sonhei...
- Ih, já começou a resmungar, tão cedo?
- Relaxe, eu não vou te causar problemas.
- Assim espero. Mas escuta, o que você acha de ter uma chinfra?
- Tipo o quê?
- Um sotaque estrangeiro, sei lá! Inventa algo.
- Sempre quis ter um tique nervoso.
- Algo sexy, por favor.
- Hum... Você é homem, ajuda aí!
- Que tal um sotaque francês?
- Não, isso já ta muito batido! E se eu fosse frígida? Gélida?
- Frígida? Meu doce, se os clientes quiserem uma mulher frígida irão atrás das suas esposas, sai mais barato. Uma puta de luxo tem que ser ardente, enlouquecedora.
- Uau.
- Palhaça.
- Olha o respeito. Puta.
- Você tem uma bela boca.
- E daí? Sabe que não adianta me cantar.
- Deixa de ser burra! Escuta, teu charme pode ser a boca.
- Biquinhos etc?
- E um batom vermelho.
- Que coisa mais... esquece. Continue.
- Você retocaria o seu batom vermelho a cada cliente. O gastaria todo nos corpos deles. Seus lábios seriam lembrados nos sonhos de todos os clientes satisfeitos. Faria com que eles não precisassem desejar outro buraco do teu corpo além dela, a boca. Eles implorariam para morrer triturados pelos teus dentes, para terem todo o sangue bebido por você.
Enquanto tecia suas pretensões, os olhos do cafetão brilhavam alucinados, sonhando com um futuro de glória. Após alguns segundos de silêncio, o vendo sorrindo olhando para o nada, Sofia diz:
- Certo, e você pode me dizer como eu vou me transformar nesse aspirador erótico?
- Praticando, docinho. Agora corra e faça jus aos lábios que o Pai te deu!
Sofia mostrou um sorriso meio preso e saiu da casa para botar a boca no mundo.
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Outros 500
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
Iuri e Yuri
Sentou-se intencionalmente ao lado de Yuri. Mulheres japonesas não o atraíam, mas ela havia causado uma estranha fascinação nele. Com os olhos fixos nas pachinko dama, demorou a perceber que havia se transformado no objeto de desejo do homem ao seu lado. No momento em que ia pegar mais bolas Iuri a abordou.
Olhou para o bar e viu sua mulher entornar a terceira bloody mary. Entretanto, Iuri não falava japonês. Yuri olhava-o como se esperasse que aquele estrangeiro lhe dirigisse frases em sua língua mãe.
Ela sorriu. Cumprimentou-o em francês, inglês, italiano e russo. Ele sentiu-se aliviado. Convidou-a a sair dali. Sua mulher já estava no quinto drink. Yuri olhou para o bar e aceitou o convite.
Depois da nona bloody mary, a mulher de Iuri levantou-se apoiada pelo sócio e voltaram para o hotel. Arrumaram as malas e retornaram à Rússia no dia seguinte. No vôo de volta tomaram whisky cowboy.
domingo, 27 de agosto de 2006
sexta-feira, 14 de julho de 2006
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Flashback
Sexta-feira, Maio 13, 2005
Lavagem
- Essa batata não tá muito boa hoje...
- É que hoje é o dia de pagar os policiais.
- Que emocionante, estou comendo em um restaurante da máfia grega.
- Qual você acha que é a área deles?
- Tráfico de drogas?
- Não...
- Tráfico de crianças para a prostituição?
- Deve ser isso... Olha só aquele garçom de gravatinha... Ele tem cara de quem a qualquer instante vai sacar uma arma e atirar em todos no restaurante... Acho que vou lá falar com ele e pedir pra que não faça isso enquanto eu estiver almoçando aqui... Vai, termina logo de comer que eu quero fumar o meu digestivo.
Só pra constatar que se inspiraram em mim ao fazer Belíssima.
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Casamento
O pior é que eu acordei e fiquei sem saber quem era o meu noivo.
Instinto materno ainda vá lá, mas querer casar a essa altura do campeonato? Isso não!
O engraçado é que terminado o casório eu voltei pra casa. Nada de noivo nem de lua-de-mel. Só eu, mesmo...
quarta-feira, 28 de junho de 2006
O moreno
Sentei ao lado de um rapaz moreno, de cabelos curtos e alguns primeiros fios brancos.
Não gosto muito de paquerar, mas ele percebeu o meu interesse e começamos a conversar.
Atrás de nós estavam sentados dois mórmons barulhentos. Acho que queriam que todos no ônibus soubessem que eles eram gringos. Até hoje não entendi qual é a dos mórmons.
Quando me dei conta estava beijando o moreno. Descobri da pior maneira que não é algo muito confortável beijar alguém dentro de um ônibus em movimento.
Ao olhar novamente para o rosto dele me arrependi imediatamente do que tinha acontecido. Ele sorria para mim e perguntou-me se eu queria ser sua namorada.
Arregalei os olhos e aleguei que nem o conhecia. Ele ficou furioso. Só não me chamou de santa.
O ônibus chegou na minha rua e puxei a cordinha para descer. O moreno segurou o meu braço e começou a me ameaçar.
Consegui me desvencilhar dele, desci correndo até a minha casa.
Quando estava abrindo o portão, o ônibus dobrou a esquina.
Acordei.
Levantei-me, puxei a cordinha e vim andando até a minha casa.
sábado, 24 de junho de 2006
O que eu não sabia era que machucava mais estar ao lado dela enquanto pensava em outro, do que estar longe, me alimentando de um amor platônico. Aos poucos uma angústia tomou conta de mim, como se eu tivesse cólicas eternas. Toda vez que eu me deitava com ela podia ouvir seus pensamentos chamando o nome de outro homem. Chamei-a pelo nome da mãe dela, só para irritar.
Hoje estamos casados e com dois filhos.
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Hippie
No dia seguinte resolvi não esquentar com os homens e bebi litros e mais litros de cerveja. Quando me dei conta, estava achando que era o Gene Kelly, pulando nas poças d’água no meio da rua. Na hora não esquentei muito, achei que os suíços podiam gostar de um pouco de excentricidade brasileira.
No nosso terceiro dia na praia fui acometida de uma dor de cabeça lacerante e resolvi maneirar um pouco na bebida. Sóbria, aproveitei para visitar a feirinha de artesanato, de repente comprar um brinco, um colar... Enquanto eu passeava desinteressada fui abordada por um hippie, que segurou a minha mão e começou a me fazer um anel no formato de coração. Eu não me incomodei com as investidas dele, pelo contrário, algo naquele homem alto, moreno, descalço, cheio de dreads e tatuagens me agradou. O quê que é o mistério. Quando me dei conta estava atracada com ele no meio da rua.
Ao invés de um nórdico, eu fui dormir aquela noite com um hippie piolhento.
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Solidão
Certo, uma prece: por motivos sentimentais. Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietszche? Ah, que livro! Deus Todo-Poderoso, vou jogar limpo nesta questão. Vou Lhe fazer uma proposta. Faça de mim um grande escritor e eu voltarei à Igreja.
Puxei a cordinha do ônibus e desci na Prata. Olhei ao meu redor, mas não encontrei ninguém me esperando lá. Fui até a arvorezinha da esquina e me encostei nela para esperá-lo. Estava sem relógio e não tinha noção do tempo, mas imagino que tenha ficado esperando uma meia hora. Nesse meio tempo passou um carro cheio de homens fazendo gracinha para mim. Fechei a cara e olhei para o lado oposto.
Por mais que eu fizesse força para ter raiva dele, escancarei o sorriso quando o vi chegar. Deu-me um beijo no rosto e levou-me pela mão até sua casa. Senti um frio na espinha ao entrar lá. Tinha cheiro de homem. Fazia tempo que eu não sentia esse cheiro. Senti uma nostalgia maravilhosa. Passamos direto pela sala e fomos ao quarto dele. Afastou as cuecas e as meias jogadas em cima da cama para que eu me sentasse. Então começamos a nos beijar.
Ao fim da tarde ele vestiu as calças e acendeu um cigarro. Olhei para o lado e vi suas costas nuas. Sentei e comecei a me vestir. Quando eu já estava pronta, vestiu uma camisa branca, calçou as havaianas e abriu caminho até a parada do ônibus. Ao chegarmos ao ponto, beijou-me a testa e falou:
- Até amanhã.
sexta-feira, 21 de abril de 2006
A república dos belos
sábado, 18 de março de 2006
Ideologia
Por que logo o Cabral? Odeio gente burra. Acho que essa é a hora de me mudar... Ou seria a hora de mudar? Se o Cabral fosse eleito e eu estivesse ao lado dele, estaria feito na vida! Quem sabe eu não me lançaria na carreira política também?
Minha mãe vai ficar tão orgulhosa de mim! Tenho que ligar para dar-lhe as boas novas!
- Mãe!
- Pedro?
- Eu vou ser deputado, mãe!
- Você? Mas você sempre odiou política.
- Eu vou fazer as pazes com o Cabral e pedir a ajuda dele para lançar a minha carreira política!
- Você não ficou sabendo?
- Sabendo do quê?
- O Cabral morreu ontem, Pedro!
sábado, 7 de janeiro de 2006
MSN: Ara, caju!
vai ter xou de zeca baleiro de graça em aracaju
eu quero ir pra lá ;~~
Ega da Moela diz:
ehiehieheihei
eu nao
tenho medo de aracaju
Taï diz:
heuehuehue
medo por que?
Ega da Moela diz:
sei la
nunca gostei do nome
=P
Taï diz:
af
eu gosto de caju
Ega da Moela diz:
é, mas o q é um ara antes do caju?
soh pde ser bixinho da indigestao
=P
Taï diz:
é um matuto falando
jeuehuehuehuehuehe
ara, caju!
Ega da Moela diz:
hahahahahahhahahhahahaahahah
boa
=P
Taï diz:
heuhueuhehuehueuhehueueuheh
Ega da Moela diz:
entao, tenho medo de matuto com foice
=P
Taï diz:
afff
mas esse matuto só toma cana
Ega da Moela diz:
entao
pra matar e cortar em pedacinhos é dois minutos
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
BASEADO EM FATOS REAIS: Pênis
- Quer fazer o quê, menina?
- Tênis.
- Aaaah, tênis!
domingo, 11 de dezembro de 2005
13/06/05
Eu estava na casa de uma amiga, coisa cada vez mais rara nos últimos tempos, divertindo-me, quando recebi a ligação: minha mãe me dizia que ela estava morrendo. Ou quase isso. Na verdade só falou para eu comprar remédio quando voltasse para casa. Eu não me dei conta do quanto o organismo dela era frágil e nem me preocupei muito. Pensei: "quando eu estiver voltando compro". Fiquei um pouco preocupada, mas continuei lá.
Pouco depois minha mãe ligava novamente dizendo "deixa pra lá, agora não adianta mais". Foi aí que eu engoli um coco com um elefante pesando na minha cabeça. Eu andava triste com o fim do meu namoro, mas a morte dela foi o que me permitiu liberar toda a solidão e impotência que me consumiam. Eu me sentia cada vez mais incapaz de cuidar do que eu gostava.
Quando cheguei em casa ela estava deitada no chão do meu quarto, dura e morta, como um animal empalhado. tranquei-me no quarto e pela primeira vez depois de muito tempo, eu chorei de verdade. Sem medo de quem poderia me ouvir, sem apreensão do que poderiam pensar de mim. Chorei pela morte dela, pela partida dele, pela solidão que eu sentia. Chorei por todos os choros que prendi nos últimos tempos, por todas as mágoas que não liberei por não afogá-las o suficiente.
O pior foi que nessa situação eu sabia que só encontraria conforto nos braços que abandonei. Ela também era filha dele, só ele poderia me entender naquele momento.
Depois a irmã dela fugiu de casa.
Apesar de tê-las amado, decidi que não teria mais porquinhas-da-índia.


